Toda força ao movimento popular! Não ao fascismo!

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Por todo o país, centenas de milhares de pessoas, em sua maioria jovens, vêm ocupando as ruas para demonstrar insatisfação com o aumento do preço das passagens, dos alimentos e dos serviços públicos em geral, além de outras questões, provocadas pela ofensiva do capitalismo contra nossos direitos, como o desmonte da saúde e da educação, as privatizações, a brutalidade policial, a corrupção, a desigual distribuição da renda, a precarização do trabalho, a falta de perspectivas para a maioria dos jovens e, sobretudo, o sentimento de traição do governo e a farsa da democracia burguesa.

O crescimento do movimento fez com que governos municipais e estaduais recuassem da sua postura inicial de intransigência e reduzissem as tarifas. Ao fazê-lo, no entanto, anunciaram que, para compensar a queda do preço das passagens, teriam que retirar verbas de outras áreas, insinuando cortes em setores sociais. Trata-se de claro falseamento dos fatos, pois esses e outros recursos para resolver problemas sociais podem ser obtidos das obras desnecessárias e superfaturadas, como a do Maracanã, do pagamento de juros aos banqueiros, do superávit primário.

Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a União da Juventude Comunista (UJC) participam ativamente dos atos em todo o país, com seus militantes, apoiadores e aliados, suas bandeiras e propostas para a solução dos problemas apontados pelos manifestantes. As ruas são o espaço propício para o exercício da ação política, a livre manifestação das vontades e ideias dos indivíduos e dos grupos organizados em partidos, sindicatos e outras formas políticas e sociais que contribuem para a reflexão e o encaminhamento das lutas. Foi nas ruas que os comunistas, as esquerdas e outros setores sociais venceram a campanha “O Petróleo é Nosso” nos anos 50 e derrotaram a ditadura na década de 1980. É nas ruas que lutamos por melhores condições de vida e trabalho e por uma sociedade igualitária, sem exploradores nem explorados.

Com o crescimento das manifestações, segmentos da direita tentam impedir que partidos, sindicatos e outras organizações políticas e sociais se manifestem. Ocorrem também atos de violência, como depredações de prédios públicos, promovidos por provocadores, sobretudo grupos de direita. A desproporcional violência policial, exatamente a mesma em todos os países capitalistas onde os povos se levantam, se encontra com a dos provocadores, dando à mídia burguesa oportunidade para exigir que as manifestações sejam nacionalistas, ordeiras e sem os partidos de bandeiras vermelhas. Tentam sequestrar o movimento, jogando a massa despolitizada contra os partidos de vocação socialista.

O PCB repudia veementemente essas duas faces da violência e propõe às organizações políticas e movimentos do campo popular a se unirem nas ruas e para além dessas manifestações. Vamos garantir a livre manifestação popular e barrar o antipartidarismo, que só interessa à direita. O movimento é suprapartidário, com pessoas, partidos e organizações diversas em sua composição. Mas não pode ser apartidário.

É preciso fortalecer as lutas populares, com a presença dos trabalhadores organizados, apontando para a estatização do sistema de transportes, sob controle da população, mostrando que só assim poderemos conquistar a tarifa zero; é preciso lutar pela desmilitarização das polícias, avançar na defesa da saúde e da educação públicas, dentre outras lutas. Mas temos que chamar a atenção para as raízes dos problemas que nos afligem, não apenas suas consequências: quanto mais capitalismo, mais desigualdade e mais exclusão. Nossa luta é contra o sistema capitalista e em defesa do socialismo. Vamos formar uma ampla frente anticapitalista, combativa, para, com unidade de ação, avançar por amplas conquistas do movimento popular e pela sociedade socialista.

NÃO BASTA SE INDIGNAR: É PRECISO MUDAR O SISTEMA!

Secretariado Nacional

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