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Cuidado, 2015 vem aí!

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Na terça-feira (16) ocorre a primeira audiência judicial na qual 20 manifestantes são acusados de perturbar a ordem, incitar a violência, formar quadrilha etc., em ato às vésperas da final da Copa do Mundo. As prisões foram consideradas inconstitucionais e sem fundamento legal, segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Anistia Internacional.

Já na semana passada, o deputado Jair Bolsonaro agrediu uma deputada do PT, com ampla repercussão na internet, mas não tão abrangente assim nos meios de comunicação empresariais.

No Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, a Comissão da Verdade entregou relatório responsabilizando ex-presidentes da República e militares do alto escalão, entre outros, pelos crimes cometidos durante a ditadura militar-empresarial. Em destaque, a constatação de que os três maiores jornais do país apoiaram explicitamente o regime, sendo que um deles teria financiado a Oban – Operação Bandeirantes – e utilizado seus carros para sequestrar vítimas dos porões da tortura.

Fato inusitado veio da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na qual o vereador Carlos Bolsonaro (PP) tentou intimidar o vereador do PSol, Renato Cinco. O vídeo correu a internet devido à coragem e lucidez com que o último enfrentou o filho do deputado Jair Bolsonaro, conhecido pela truculência e defesa da ditadura.

Somando-se a esses fatos as patéticas manifestações da extrema-direita propondo o impeachment da presidente da República e o retorno da intervenção militar, temos o cenário político no qual o país se encontra após a votação no congresso da elasticidade para o cumprimento do superávit primário.

Os principais partidos conservadores – PSDB, DEM e PPS – não se manifestaram sobre nenhum dos fatos políticos recentes. Mas sobre a garantia de pagamento para os grandes agiotas nacionais e internacionais, travaram uma verdadeira batalha no congresso, apoiados justamente pelos três jornais citados como aliados do golpe militar-empresarial, com suas respectivas teias na rádio, televisão e internet repercutindo a defesa do sistema financeiro.

Sistema esse que nunca esteve ameaçado, ao contrário, está cada vez mais fortalecido, vide a indicação da equipe econômica do novo governo e a pífia previsão de crescimento de 0,8% do PIB em 2015.

A cereja do bolo, porém, não é o choro da presidente Dilma, mas sim sua defesa da lei da Anistia, do não revanchismo como chamam os defensores dessa mesma ditadura. O destaque é o silêncio dos militares, que preferiram manter-se calados diante das provas irrefutáveis da participação de vários de seus membros e da utilização de muitas de suas instalações para atos de barbárie absolutamente condenáveis. Bom cabrito não berra.

Essas variáveis tão constantes levam à conclusão que o país deu uma guinada à direita sem precedentes desde o AI-5. As forças conservadoras no essencial mantêm-se unidas na defesa dos interesses do capital, radicalizando cada vez mais sua ofensiva contra qualquer iniciativa de cunho popular. A sanha anticomunista tomou proporções inadmissíveis. Equador, Bolívia e Venezuela, principalmente a última, são sinônimos de fracasso, de alerta, de perigo. A mídia empresarial esconde propositalmente os avanços sociais e econômicos alcançados por esses países, enquanto enaltece o neoliberalismo e as nações que o propugnam, ainda que as mesmas convivam com forte crise.

As perspectivas para 2015 são as piores possíveis, com redução dos investimentos governamentais, prioridade para o pagamento da dívida pública, arrocho salarial, crescimento econômico pífio - se é que vai haver -, ataques às conquistas dos trabalhadores e da população em geral, e até mesmo perda de direitos, com aumento ainda maior da concentração de renda e do capital, apesar das aleivosias decantadas pelos governistas.

Se lembrarmos o fiasco do segundo mandato do presidente Lula, que aplicou o receituário neoliberal a fundo e elegeu Dilma apenas devido a seu carisma e identificação com o povo, temos a certeza que o ano vindouro será de muitas dificuldades para os trabalhadores.

As cartas já foram distribuídas e não nos são favoráveis.

Afonso Costa

Jornalista

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