HISTÓRICO DE RESISTÊNCIA LGBT

imagemCOLETIVO LGBT COMUNISTA – SP

Junho, mês do orgulho LGBT, é herança da marcante revolta de Stonewall. Uma rebelião em Nova York, em Junho de 1969, protagonizada principalmente por travestis e mulheres transexuais contra as constantes humilhações e violência investidas na população LGBT. Após esse episódio, as LGBTs passaram a sair às ruas anualmente para manifestar sua existência, contra a violência e a sua patologização.

Já em 1984, em Londres, temos a experiência do grupo de Lésbicas e Gays Apoiam os Mineiros, que contribuíram com a maior greve já vista no movimento operário Inglês. Os trabalhadores das minas de carvão se organizaram contra as medidas anti-populares de Margaret Thatcher. Em aliança com esses trabalhadores organizados, o grupo de lésbicas e gays fortaleceram o embate contra o governo e juntos marcharam.

A solidariedade entre esses grupos explorados se mostra novamente quando os mineiros, no mesmo ano, saem às ruas na parada do orgulho LGBT e quando aliam-se para barrar o projeto de lei que impediria a discussão de gênero e sexualidade nas escolas inglesas. Com essas experiências históricas percebemos a importância de nossa organização para lutar por melhores condições de existência.

Foi pela luta e organização que obtivemos conquistas como a despatologização da homossexualidade e garantir a discussão de gênero e sexualidade nas escolas inglesas, por exemplo.

Hoje, ainda há muito pelo que lutar. No ano de 2016 uma LGBT morreu a cada 25 horas. Nas escolas, espaço onde há a reprodução das relações LGBTfóbicas da sociedade, temos a proibição da discussão de gênero e sexualidade. As LGBTs trabalhadoras estão nos postos de trabalho mais precarizados e mais instáveis como telemarketing e setor de vendas. Precisamos ainda lutar pela despatologização da transexualidade. Precisamos lutar por melhores condições de existências das LGBTs no âmbito da educação, saude, moradia e primordialmente no trabalho. Pois além da exploração, comum a toda classe trabalhadora, ainda temos que lidar com a intolerância no trabalho, estudo de janeiro/2017 mostrou que 67% das LGBTs escondem sua orientação sexual no trabalho o que aumenta a taxa de adoecimento, principalmente relacionado a saúde mental.

Ainda, com a vida mais precarizada, se encontram as LGBTs da periferia e as travestis e mulheres transexuais que não usufruem dos avanços em relação aos direitos LGBTs, mas ainda lutam pela sobrevivência direta.

Somado a esse estado crônico de precarização que sobrevivemos, a crise brasileira, de caráter político, econômico e social, tem formado um cenário ainda mais sombrio para nós. Com um congresso extremamente conservador, corremos risco de haver uma repatologizacao da homossexualdiade, aprovacao do projeto da cura gay, flexibilizacao das nossas, já fracas, relações de trabalho (o que facilita o assédio ao trabalhador tornando ainda mais fácil para nós sofrermos com a intolerância sem podermos ter mecanismos de defesa contra nossos patrões).

O Brasil tem sido tomado por manifestações dos trabalhadores, contra as diversas medidas antipopulares levadas a cabo pelo presidente ilegítimo Michel Temer. A reforma da previdência, a reforma trabalhista e a terceirização fazem parte de um pacote de desmonte dos direitos historicamente conquistados, que intensifica a exploração da classe trabalhadora pelos patrões e garantem os imensos lucros destes assim como dos banqueiros.

E como a história já nos provou, mais uma vez nos é colocado o desafio de nos organizarmos para garantirmos nossa sobrevivência contra esses ataques a nossos poucos direitos. Que retomemos as antigas formas combativas de organização e luta do movimento LGBT!

– Pelo direito à união civil para casais homossexuais, com a extensão de todos os direitos conferidos aos casais heterossexuais;
– Pelo direito à adoção de crianças por casais do mesmo sexo e extensão da licença maternidade/paternidade;
– Pelo direito ao uso do nome social;
– Pela inclusão da disciplina de educação sexual na grade curricular das escolas e nos cursos de formação de professores, levando em conta a diversidade sexual e de gênero;
– Pela garantia da população Trans do acesso gratuito ao tratamento hormonal, bem como pela ampliação da oferta de cirurgias de transgenitalização pelo SUS, com acompanhamento médico, psicológico e social de qualidade, respeitando a autonomia da pessoa;
– Contra a LGBTfobia nos meios de comunicação. Pela criação de políticas que punam os meios de comunicação que transmitam mensagens LGBTfóbicas;
– Pela despatologização das identidades trans e pelo fim da terapia compulsória;
– Contra o tráfico de LGBTs para trabalhos forçados em todos os âmbitos

GREVE GERAL DIA 30 PELO DIREITO DAS TRABALHADORAS LGBTs!!

LGBTtemClasse

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