Mínimo vai a R$ 667,75 em janeiro

Valor está definido na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Aprovada ontem pelo Congresso, a LDO determina também a divulgação pública na internet dos contracheques das estatais.

Em uma votação mais tranquila do que em anos anteriores, o Congresso aprovou ontem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2013, que direcionará o planejamento financeiro do país naquele ano. A apreciação da matéria, que agora segue para a sanção presidencial, finaliza os trabalhos legislativos do primeiro semestre, dando início ao recesso parlamentar, de hoje até 1º de agosto. Se garante o descanso a deputados e senadores, a proposta não traz boas notícias a aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo — previsto para R$ 667,75 — tampouco aos trabalhadores que recebem esse valor.

O texto final mantém a previsão do percentual de aumento do salário mínimo em 7,35%, que passaria a R$ 667,75. Esse tópico, no entanto, é frágil, já que a legislação vincula o reajuste à variação do Produto Interno Bruto (PIB) e à inflação do ano de 2011, variáveis que só serão conhecidas no fim deste ano. Ainda assim, a previsão deve constar na LDO.

No caso de aposentados e pensionistas cujos vencimentos superam os R$ 662, a vitória ficou por conta da perspectiva garantida no texto. Embora não defina sequer se haverá aumento, a versão final abre uma janela para que entidades representantes de classe sentem para negociar com o Executivo. Inicialmente, a LDO não citava a possibilidade de concessão do benefício. Durante o debate na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), antes de a matéria seguir para o plenário, o relator da LDO, senador Anônio Carlos Valadares (PSB-SE), acatou uma emenda do senador Paulo Paim (PT-RS), que dá direito a centrais sindicais apresentarem uma proposta ao Executivo.

Aumento real

“Conseguimos uma alternativa para que aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo tenham em 2013 um aumento real. Antes, não havia nada no texto. Agora, há uma janela. Essa proposta pode vir das entidades, do próprio Executivo ou até de um projeto apresentado por um parlamentar. Não garante nada, porque o Executivo pode vetar, se aprovado no Congresso, mas é melhor do que como estava anteriormente. É a chance de incluirmos esse item na peça orçamentária”, explicou Paim.

Ex-líder do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou que o fato de a emenda sugerida por Paim ter sido acatada já representa uma vitória para os beneficiários da Previdência. “Do jeito que vemos a crise que assola a Europa, o governo conceder um reajuste igual à inflação já é um esforço. Se garantir um aumento real, será muita coisa. Mas, neste momento, não se pode garantir nada”, resumiu Jucá. (GM)


Congresso aprova LDO, sem mudança em licitações

O Estado de S. Paulo

O governo tentou incluir na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2013 uma emenda que permitiria à Petrobrás e outras estatais fazer obras sem respeitar as tabelas de preços de licitações públicas. Isso abriria espaço para compras com menos controle e dificultaria a fiscalização de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU).

A emenda chegou a ser aprovada pela Comissão Mista de Orçamento, mas no plenário do Congresso a oposição pressionou e a tentativa foi abortada.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, esteve por trás da manobra. Ele fez o pedido ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), que articulou a votação da emenda, e ao líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE).

A proposta foi aprovada na comissão, mas a oposição ameaçou impedir a votação da LDO em plenário se a emenda não fosse retirada. Até integrantes da base se mostraram contrários à manobra. “Essa emenda é criminosa. Ela torna legal a empresa pública pagar preços acima do mercado”, protestou na tribuna o senador Pedro Taques (PDT-MT).

Petrobrás. Coube à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, orientar o recuo. “Estava buscando atender a um pleito de setores da Petrobrás, mas como há uma celeuma e posições divergentes no governo, da minha parte podemos convergir e retirar”, disse Jucá.

O texto que o governo tentou emplacar, sem sucesso, faria com que as estatais e empresas de economia mista com atuação internacional e regime próprio de licitação, como Petrobrás e Eletrobras, não tivessem mais de seguir as tabelas oficiais de licitação: Sicro, para obras rodoviárias, e Sinapi, para obras civis. O TCU tem usado essas tabelas para questionar obras das empresas e, muitas vezes, recomendar ao Congresso que suspenda repasses de recursos.

A LDO foi votada após uma batalha entre governo e oposição pela liberação de emendas. O Planalto prometeu R$ 4,5 milhões para cada integrante da base e R$ 3 milhões para a oposição. Fiador do acordo, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse que fará um “check list” em agosto para ver se a promessa está sendo honrada.

Para facilitar a votação, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) retirou do parecer a permissão para execução de investimentos do governo e de estatais, entre eles do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), mesmo sem a aprovação do Orçamento. O governo tenta aprovar essa permissão todos os anos, mas ainda não conseguiu.

Mesmo não tendo obtido vitória total, o texto atende aos interesses do governo ao não garantir reajustes para servidores ou aposentados que ganham acima de um salário mínimo. A proposta apenas autoriza o governo a negociar. O Congresso incluiu a previsão de recursos para a Lei Kandir, que compensa Estados por benefícios à importação, mas o texto foi redigido de forma a permitir o veto sem criar conflitos com outros artigos.

Apesar de o governo admitir que a economia não crescerá este ano como projetado, foi mantido no texto a estimativa de expansão de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e de 5,5% para 2013. A LDO também garante reajuste de 7,35% para o salário mínimo, que vai para R$ 667,75 em 2013. Do lado fiscal, o Congresso manteve em R$ 155,9 bilhões a economia para pagar juros da dívida, o chamado superávit primário. O valor equivale a 3,1% do PIB projetado, e o governo poderá abater até R$ 45,2 bilhões com o PAC.


Violência é causa de 26% das mortes de 0 a 19 anos

O Globo

As chances de uma criança ou adolescente brasileiro morrer assassinado são maiores hoje do que eram há 30 anos, colocando o país na quarta pior colocação numa comparação com outros 91 países. Em 1980, a taxa de homicídios na população entre zero e 19 anos era de 3,1 para cada 100 mil pessoas. Pulou para 7,7 em 1990, chegou a 11,9 em 2000 e alcançou 13,8 em 2010. Um crescimento de 346,4% em três décadas, em contraste com a mortalidade provocada por problemas de saúde, que teve queda acentuada. Quando considerada toda a população, a taxa de homicídios em 2010 foi de 27 por 100 mil habitantes. Considera-se que há uma epidemia de homicídios quando a taxa fica acima de 10 por 100 mil.

No Brasil, em 2010, 8.686 crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio. De 1981 a 2010, o país perdeu 176.044 pessoas com 19 anos ou menos dessa forma. Meninos representam em torno de 90% do total.

Os números são do estudo “Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil”, do pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador de Estudos sobre a Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) no Brasil. Além dos assassinatos, o estudo analisou as mortes violentas causadas por fatores externos, dividindo-as em cinco grupos: homicídios, acidentes de transporte, outros acidentes, suicídios e outras violências. Em 2010, de todas as mortes violentas de crianças e adolescentes, 43,3% foram homicídios; 27,2% acidentes de transporte; 19,7% outros acidentes.

Alagoas: estado com mais homicídios

Em 1980, 16.457 crianças e adolescentes morreram de uma dessas cinco causas, de um total de 244.942 óbitos verificados na faixa etária do zero aos 19 anos. Desde então, mesmo quando o número absoluto de mortes violentas diminuiu, seu peso no total de óbitos só aumentou. Em 1980, eram 6,71% de todas as mortes. Vinte anos depois, em 2010, o índice alcançou 26,48% (20.048 de 75.708). Se desconsiderados os bebês com menos de um ano de idade, as mortes violentas foram responsáveis por mais da metade dos óbitos – 53,2% – em 2010.

O aumento mais acentuado – tanto na taxa de todas as causas externas quanto na de homicídios – ocorreu na década de 1980. Nos anos 90, houve desaceleração, mas ainda assim cresceu. Entre 2000 e 2010, a taxa de causas externas diminuiu, atingindo seu menor índice em 2006, mas desde então voltou a crescer. Os homicídios caíram no começo da última década, mas voltaram a aumentar, superando em 2010 a taxa observada dez anos antes. Em 1980, representavam 0,7% de todas as mortes de crianças e adolescentes. Em 2010, foram responsáveis por 11,5%.

Entre os estados, o que proporcionalmente mais teve crianças e adolescentes assassinados em 2010 foi Alagoas, com uma taxa de 34,8 por 100 mil. O estado era o décimo em 2000, quando a taxa era de 10,1 por 100 mil. Enquanto Alagoas passou da décima para a primeira posição, o Rio fez o caminho inverso. O estado tinha a pior taxa em 2000 – 25,9 por 100 mil – e em 2010 era o décimo pior, tendo caído 33,3%, para 17,2 assassinados a cada 100 mil.

A maior queda na taxa de homicídios foi em São Paulo: 76,1% entre 2000 e 2010. Além de Rio e SP, Pernambuco, Distrito Federal, Roraima e Mato Grosso do Sul caíram. O estudo levou em conta 523 municípios que, segundo o Censo 2010, têm população com mais de 20 mil pessoas de zero aos 19 anos.

Para Julio Jacobo há uma interligação de fatores que ajuda a explicar o aumento. Ele lembra que em 2000 foi implantado o Plano Nacional de Segurança Pública, que concentrou seus investimentos nos maiores polos de violência. Mas novos polos surgiram:

– Surgiram polos no interior e em outros estados sem recursos financeiros e sem tradição das polícias para o enfrentamento da criminalidade.


Bernanke dá poucas pistas sobre estímulos

Valor Econômico

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, apresentou uma avaliação negativa sobre a economia americana durante discurso aos senadores ontem, citando a desaceleração da atividade econômica neste ano e a taxa de desemprego persistentemente elevada.

No entanto, ele não deu nenhuma pista mais direta sobre a possibilidade de a autoridade monetária adotar novas medidas para estimular a frágil recuperação dos Estados Unidos.

“A economia americana continua se recuperando, mas a atividade parece ter, de certa maneira, desacelerado durante o primeiro semestre do ano”, disse Bernanke em seu depoimento ao Congresso do país.

Sobre as atuações do Fed, Bernanke reiterou apenas que o banco central americano está preparado para adotar novas medidas, caso necessário, para estimular a recuperação econômica, repetindo o que o comitê de política monetária já havia dito na última reunião.

“O Fed não fez “escolha específica” sobre ações adicionais”, disse o presidente do BC dos EUA, acrescentando que o colegiado está tentando julgar se a perda de impulso na atividade econômica é duradoura.

Bernanke apontou que os dados recentes sugerem que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu menos do que 2% no segundo trimestre, em termos anualizados. Ele também destacou que os representantes do Fed basearam suas decisões da reunião de política monetária do mês passado na expectativa de que o PIB venha a crescer entre 1,9% e 2,4% neste ano.

O comandante da autoridade monetária americana também destacou que a inflação tem perdido força diante da queda dos preços do petróleo nos últimos meses. Os membros do Fed preveem inflação entre 1,2% e 1,7% neste ano, abaixo da meta de 2% do banco central.

Bernanke expressou profundas preocupações com a debilidade no mercado de trabalho, área que o Fed já deixou claro ser um ponto fundamental para a tomada de decisão sobre novos programas de estímulo.

O presidente do Fed prevê que o progresso na redução da taxa de desemprego do país, atualmente em 8,2%, “parece ser decepcionantemente lento”. Para ele, fatores sazonais poderiam explicar apenas parte da recente “perda de vigor na criação de empregos”.

Bernanke destacou dois importantes riscos para a economia dos EUA: a intensificação das tensões com a crise de dívida na Europa e o caminho da política orçamentária americana.

“Os mercados financeiros da Europa e a economia continuam sob estresse significativo, com efeitos de contágio sobre as condições financeiras e econômicas do restante do mundo, inclusive os Estados Unidos”, afirmou, acrescentando que “a possibilidade de que a situação na Europa piore continua sendo um risco importante para a perspectiva”.

Segundo ele, os responsáveis pela condução da política econômica dos Estados Unidos estão em contato estreito com as autoridades europeias.

Bernanke repetiu o pedido aos congressistas para que atuem rapidamente na tentativa de resolver as questões sobre o impacto dos cortes de gastos públicos e aumentos de impostos no início do ano que vem.

Se o desempenho da economia piorar, o Fed pode ter que adotar uma ação adicional para que o crescimento e a geração de empregos voltem aos trilhos, disse a presidente do Fed de Cleveland, Sandra Pianalto, em discurso no Instituto de Pesquisa Econômica Erie, na Pensilvânia “Se os fracos indicadores persistirem e tornarem minha perspectiva para o crescimento econômico e a inflação mais fraca do que o antecipado, podem ser necessárias ações adicionais de política”, afirmou Pianalto, que está entre os membros com direito a voto este ano no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).


Calote cresce 18,5% na 1ª quinzena de julho

O Estado de S. Paulo

O ritmo de alta da inadimplência do consumidor quase dobrou na primeira quinzena deste mês na comparação anual e as vendas a prazo enfraqueceram. O endividamento e o calote elevados são tidos pelos lojistas como as principais causas para a frustração das metas de vendas deste mês.

Entre os dias 1.º e 15 de julho, a média diária de financiamentos com pagamentos em atraso superiores a 30 dias aumentou 18,5% em relação ao mesmo período de 2011, segundo pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O indicador de calote tinha encerrado junho com alta de 9,8% na comparação anual.

Também o volume de dívidas renegociadas diariamente aumentou este mês em relação à primeira quinzena de julho de 2011, porém num ritmo bem menor do que a alta do calote. Na primeira quinzena, o número de carnês renegociados teve acréscimo de 13,9%. Em junho, o aumento havia sido de 8,9% na comparação anual.

“Ainda é cedo para considerar esse resultado uma tendência”, diz o economista da ACSP, Emílio Alfieri. Ele pondera que, por enquanto, se trata de um dado preliminar. Mas ressalta que, se ao longo do mês aparecer algum indicador negativo, especialmente em relação ao emprego, o quadro da inadimplência pode piorar. “Daí, será possível validar essa alta do calote.”

Além da aceleração da inadimplência, os resultados da quinzena revelam um enfraquecimento nas vendas financiadas. Na primeira quinzena de julho, a média diária de consultas para negócios a prazo aumentou 1,3% na comparação anual. Junho tinha encerrado com vendas a prazo crescendo 5,3% ante 2011.

Segundo Alfieri, a forte desaceleração, nesse caso, está ligada à prorrogação do benefício do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os eletrodomésticos da linha branca (fogões, geladeiras e máquinas de lavar). Como, inicialmente, o benefício estava previsto para terminar em junho, muitos consumidores foram às compras. Mas, agora, com a prorrogação do corte de imposto, as vendas perderam esse impulso.

Nos negócios à vista, avaliados pelas consultas a cheques, as vendas até aceleraram. Na primeira quinzena deste mês, a média diária de registros aumentou 1,2% em relação a igual período de 2011, depois de ter encerrado junho com alta de 0,3% na comparação anual.

Metas. Os lojistas de artigos de vestuário e de produtos de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, confirmam a desaceleração. “A 1.ª quinzena de julho ficou com crescimento abaixo dos esperado e estamos neste momento buscando tirar a diferença”, afirma César Siqueira Anderson, diretor de vendas das Lojas Colombo, especializada em eletroeletrônicos. O executivo aponta o “expressivo” aumento da inadimplência e o nível de comprometimento da renda como fatores que afetaram as vendas deste mês. O crescimento foi de apenas 1% ante 2011.

“As lojas de shoppings não foram afetadas pela inadimplência”, observa o diretor da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva. Ele conta que as vendas da 1.ª quinzena deste mês ficaram abaixo das expectativas, apesar das liquidações. Segundo ele, o consumidor colocou o pé no freio nas compras, esperando uma queda maior nos preços.


Juros avançam com aceno de BC mais otimista

Valor Econômico

Os contratos de juros futuros encerram a terça-feira apontando para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Entre os fatores que estimulara a alta está a reportagem do Valor de ontem, dando conta de que o Banco Central (BC) está menos preocupado com a possibilidade de algum evento dramático no cenário internacional e mais otimista com a retomada da atividade no decorrer do ano.

Para um economista, a comunicação informal do BC parece passar o seguinte recado: o mercado incorporou muito rapidamente o movimento de queda da atividade e essa previsão de PIB em 1,9% para 2012 estaria fora do lugar.

Esse tipo de “recado” fora da comunicação oficial do BC também daria conta de balizar as expectativas. A percepção é que os agentes estão demasiadamente pessimistas, o que atrapalha a resposta do investimento aos estímulos ficais e monetários já concedidos. “O instrumento, por excelência, não é a comunicação, mas sim a taxa de juros. E se o BC quer comunicar algo tem de ser via ata”, pondera.

Para um gestor, esse aceno do BC está fora de contexto. Como a autoridade pode estar menos preocupada com o quadro externo, se ela própria e seus pares externos revisaram para baixo as previsões de crescimento e estão adotando políticas de afrouxamento ou em vias de fazer isso? “A cena externa está mais complexa agora”, diz.

Pelo lado doméstico, as medidas anunciadas pelo governo, como redução de IPI e desonerações, têm seu efeito concentrado no curto prazo e não garantem sustentação à atividade no decorrer do tempo. Para esse gestor, a falta de uma aceleração forte do crescimento é uma decepção sem tamanho. Considerando a defasagem dos cortes de juros iniciados em agosto do ano passado, o efeito máximo do estímulo teria de estar sendo observado agora.

Na visão do especialista, essa falta de resposta, não em termos de crescimento realizado, mas sim na ausência de indícios de aceleração, traz questionamentos sobre o juro real de equilíbrio. Essa taxa que impulsiona a atividade sem contrapartida inflacionária pode ser, de fato, mais baixa. Com isso, diz ele, se o crescimento não aparecer, o Banco Central tem de seguir cortando a taxa de juros além dos 7,5% a 7% ao ano sugeridos pelo mercado.

Para esse gestor, o crescimento mais moderado do mercado de crédito está entre as explicações para esse juro de equilíbrio ser menor agora. Da mesma forma que o avanço mais acentuado do crédito no passado pedia um juro de equilíbrio maior.

No mercado de câmbio, o dólar teve firme ajuste de baixa depois de nove pregões sem variações expressivas. Captando a melhora de humor externo e o maior volume de negócios, o dólar caiu 0,74%, a R$ 2,022.


Imprecisão do PIB chinês é desafio para investidores

Valor Econômico

Os números que entram no cálculo do PIB da China são “artificiais” e servem “apenas de referência”, alertou o político chinês Li Keqiang em 2007. Os comentários do então presidente regional do Partido Comunista, que deverá ser nomeado primeiro-ministro no segundo trimestre de 2013, foram revelados em um telegrama diplomático divulgado pelo site WikiLeaks no fim de 2010. As observações de Li são particularmente relevantes agora que as autoridades chinesas anunciaram que o PIB cresceu 7,6% no segundo trimestre, o menor número em três anos.

Mas exatamente quanto menor? Investidores, banqueiros e economistas têm muitas dificuldades para interpretar os números da agência de estatísticas da China. Combine todos os números dos PIBs regionais anunciados oficialmente para o ano passado e você terá um total que supera o PIB nacional em cerca de 10%, afirmou em fevereiro Ma Jiantang, presidente da Agência Nacional de Estatísticas. Ma disse que isso se deve em parte à contagem dupla de atividades como a produção industrial, e que sua agência estava tentando resolver o problema.

O fato de a taxa registrada de desemprego urbano da China pouco ter mudado, movendo-se entre apenas 4% e 4,3% na última década, é difícil de ser explicado pelas autoridades. Outra coisa desconcertante: por que o crescimento do consumo de eletricidade diminuiu muito mais rapidamente que o crescimento oficial do PIB (recuando para uma expansão de aproximadamente 4% em junho, segundo a imprensa chinesa), quando normalmente eles caminham mais ou menos juntos?

Isso está levando alguns analistas a considerar que os números do PIB podem estar sendo distorcidos para cima no período que antecede uma transição na liderança no quarto trimestre. “Da caixa preta vem um número e esse número nem sempre está alinhado com os outros números”, diz Andrew Batson, diretor de análises macroeconômicas da consultoria GK Dragonomics em Pequim. “Eu não ficaria surpreso se os números do PIB deste ano forem suavizados.”

Um legado da economia planejada é que os burocratas recebem metas do governo central para tudo, da produção de aço às safras e aos PIBs locais. Essas mesmas autoridades tradicionalmente vêm se promovendo sobre o sucesso no cumprimento dos números. “Temos um ditado na China que diz: os quadros [do Partido] produzem os dados e os dados produzem os quadros”, diz Jin Yongjin, professor de estatísticas da Universidade Renmin.

Há algumas partes da economia que o governo consegue mensurar muito bem, diz Louis Kuijs, economista do Fung Global Institute, um centro de estudos de Hong Kong. A produção industrial e os lucros são considerados relativamente precisos, afirma ele. Esses números se beneficiam de um sistema nacional de informes corporativos instituído décadas atrás para ajudar os planejadores centrais a pilotar a economia. “No velho sistema era crucial ter esse sistema de informes funcionando”, diz Kuijs. “Os levantamentos sobre a produção industrial da China estão nos dando números muito bons.”

O sistema estatístico do país é bem menos capaz de medir o segmento de serviços da economia ou obter uma leitura precisa do consumo pela classe média. “Se você olhar para os números da produção automobilística da China, provavelmente terá um número mais ou menos preciso”, afirma Stephen Green, diretor regional de análises do Standard Chartered para a Grande China. “Mas o sistema não é bom para medir quantas noites as pessoas saem de casa para jantar em restaurantes ou frequentar karaokês.”

Medir as vendas no varejo é algo mais orientado para a contagem das compras feitas pelos departamentos do governo e grandes empreendimentos estatais, acrescenta Green. Isso pode explicar por que as vendas no varejo não caem durante as retrações econômicas: as entidades estatais recebem ordens para continuar comprando mesmo quando o consumo individual provavelmente caiu.

Os bancos de investimentos estão à procura do indicador que vai prever um ponto de virada da economia. O Standard Chartered olhou para as vendas dos equipamentos de terraplenagem antes de decidir que ele é um indicador atrasado, e não um indicador antecedente. Os empréstimos bancários, assim como o consumo de eletricidade e o volume de carga transportado pelas ferrovias, todos citados por Li Keqiang como mais confiáveis que os números do PIB, ainda são um bom substituto para a atividade econômica, diz Green.

A corretora UBS Securities consultou informalmente incorporadores locais para obter uma tendência para o setor imobiliário. Talvez o esforço mais ambicioso seja o recentemente lançado Livro Bege da China, uma pesquisa trimestral com cerca de 2.000 banqueiros e executivos de companhias, modelado no Livro Bege do Federal Reserve (o BC dos Estados Unidos). Ele mede o crescimento em oito setores importantes das maiores regiões da China, segundo Leland Miller, presidente da CBB Internacional, que publica a pesquisa.

Os planejadores econômicos chineses estão tentando resolver as deficiências estatísticas do governo. Mais dados são hoje reportados diretamente a Pequim, quando antes eram primeiro filtrados nos escritórios locais do Partido Comunista. A agência de estatísticas passou a padronizar a coleta de dados pelos muitos ministérios e associações industriais da China. E ela está trabalhando com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) para melhorar seu monitoramento da economia.

A China ainda tende a tratar a coleta de dados como um segredo de Estado, afirma Anne Stevenson-Yang, cofundadora da consultoria J. Capital Research, de Pequim. Ela cita a recusa do governo em divulgar o peso dos bens monitorados em sua compilação do índice de preços ao consumidor. “Por que você iria levantar a tampa e mostrar às pessoas como faz? Isso apenas reduz sua capacidade de mudar os números se isso for preciso”, diz ela.