Dívida pública crescerá para até R$ 2,2 tri este ano

A Dívida Pública Federal terminará 2013 entre R$ 2,1 trilhões e R$ 2,24 trilhões, informou ontem o Tesouro. O estoque, que fechou 2012 em R$ 2,008 trilhões, terá um crescimento mínimo de R$ 92 bilhões (4,5%) e máximo de R$ 232 bilhões (11,6%). As estimativas fazem parte do Plano Anual de Financiamento (PAF), no qual o Tesouro mostra como gerir a dívida em títulos. Este ano, o governo precisa honrar R$ 543,8 bilhões – R$ 10,7 bilhões em dívida externa, R$ 493,2 bilhões em dívida interna de mercado e R$ 39,9 bilhões em encargos do Banco Central. Como o Orçamento já tem R$ 131,2 bilhões para isso, é preciso emitir títulos para honrar R$ 412,6 bilhões.

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou que o governo manterá a estratégia de reduzir a participação das LFTs (corrigidas pela Selic) na dívida. A ideia é que o Tesouro faça um forte resgate desses papéis, mais voláteis, e coloque títulos prefixados e remunerados por índices de preços. Isso faz parte de um esforço para desindexar a economia e dar mais solidez aos fundamentos do país.


Economia reaqueceu em janeiro

Valor Econômico

O bom resultado esperado para a produção industrial de janeiro – com alta estimada entre 1% e 2% em relação a dezembro na série com ajuste sazonal – foi bastante influenciado pelo forte aumento da produção de automóveis, mas economistas também veem sinais de um crescimento um pouco mais espalhado. Além disso, os analistas observam que problemas pontuais que afetaram negativamente o início de 2011 agora “conspiram” no sentido inverso. A produção de caminhões deu um salto em janeiro e a expectativa é que o setor agrícola, que tirou 0,4 ponto percentual do PIB do primeiro trimestre de 2012, agora colha boas safras de soja e arroz. Os sinais para o investimento também parecem indicar recuperação, como as expressivas consultas ao BNDES no fim do ano passado.

Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, estima alta forte da indústria em janeiro, superior a 1,5%, mas não acredita que esse ritmo vai se manter nos próximos meses, já que ainda é um incógnita qual será a reação das vendas e da produção com a recomposição gradual da alíquota de IPI para veículos e linha branca. “Por isso, é difícil afirmar que o resultado de janeiro será extrapolado para os próximos meses, continuaremos a observar volatilidade, como ocorreu no segundo semestre.”

Ainda assim, diz Leal, o primeiro trimestre parece ter contornos mais positivos e o economista trabalha com estimativa de alta de 1% para o Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, em relação aos últimos três meses de 2012. Questões pontuais que atrapalharam o desempenho no início do ano passado agora podem contribuir positivamente. É o caso da produção de caminhões, que recuou fortemente no primeiro trimestre de 2012, depois da adoção do padrão Euro 5 para motores, e prejudicou a Formação Bruta de Capital Fixo.

Apenas em janeiro, a fabricação desses veículos saltou 269,5% em relação a janeiro de 2012 (por causa da base muito fraca de comparação), mas a perspectiva é que o investimento volte a subir nos três primeiros meses desse ano. Leal destaca que números mais positivos no início do ano são ainda mais importantes porque podem contribuir para reverter a atmosfera negativa que se formou em torno da economia brasileira.

Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, concorda. O economista projeta alta de 0,7% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em janeiro. Para ele, a retração de 0,5% das vendas no varejo restrito em dezembro foi atípica e o segmento deve ter voltado a crescer no primeiro mês deste ano. Ajudado pela contribuição positiva do setor agrícola, o economista avalia que o primeiro trimestre mostrará crescimento superior a 4% em termos anualizados. “O momento da recuperação está um pouco atrasado em relação ao que imaginávamos no fim do ano passado, mas é uma notícia alentadora.”

O economista-chefe da BB-DTVM, Marcelo Arnosti, também é mais otimista. Em parte, diz ele, a alta mais significativa do setor industrial na abertura do ano pode ser uma correção do dado ruim do fim de 2012, quando a atividade ficou estável ante novembro. Mas Arnosti também espera alguma reação dos investimentos, o que vai contribuir para que no primeiro trimestre deste ano a indústria tenha desempenho melhor do que no fechamento do ano passado.

Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, que espera alta de 1,6% na produção industrial em janeiro, estima que haverá continuação da retomada da indústria, mas de forma bem mais gradual, com alta mensal de 0,4%, em média, da produção até dezembro. Menos otimista com os prognósticos para o ano, Alessandra diz que a projeção da consultoria para o aumento de produção em 2013, de 3,2%, já está sob viés de baixa. “O setor de veículos chega a puxar a produção de bens intermediários, mas no mês seguinte há uma devolução. Por não ser uma alta generalizada da produção, não se sustenta.”

Em dezembro, menos da metade dos ramos industriais pesquisados pelo IBGE cresceram. O percentual de setores que elevaram sua produção em relação a novembro foi de apenas 44,4%. Para Daniel Moreli Rocha, superintendente de tesouraria do Banco Indusval & Partners, a fatia desses setores pode aumentar em janeiro, com alta acima de 1% do dado geral de produção, o que não sinaliza, no entanto, um cenário de retomada mais consistente para a indústria.

“O dado forte pode ter ocorrido somente por causa de reversão de indicadores ruins do fim do ano e de uma recomposição de estoques na indústria”, diz Rocha. Ele lembra que, antes das variações expressivas observadas no primeiro mês do ano, o fluxo pedagiado de veículos pesados e a expedição de papel ondulado haviam recuado 0,8% e 1,5% entre novembro e dezembro, respectivamente, e também haviam mostrado comportamento ruim em novembro.

Outro movimento que pode estar por trás da produção maior de janeiro, na avaliação de Rocha, é um processo de recomposição de estoques da indústria, liderado pelo setor automotivo, que no ano passado teve seus inventários reduzidos com a isenção do IPI. Em dezembro, as montadoras acumulavam nos pátios 51,5 mil unidades, número que chegou a alcançar 199,5 mil veículos em maio do ano passado, antes da redução de IPI, de acordo com série construída pela Tendências com base em dados da Anfavea, entidade que reúne montadoras instaladas no país. Quando a produção aumenta apenas para ajustar o nível de estoques, afirma o analista, variações muito acentuadas costumam não mostrar muito fôlego.


Brasil rejeita criação de fundo para a África

Valor Econômico

A presidente Dilma Rousseff participa hoje da terceira reunião de cúpula América do Sul-África (ASA), em Malabo, Guiné Equatorial, com o objetivo de fortalecer a coordenação política e as parcerias comerciais entre os países das duas regiões. A missão de Dilma, entretanto, ocorre num momento em que os países sul-americanos, excluindo o próprio Brasil e a Venezuela, demonstram pouco interesse em estreitar suas relações com a África. Os africanos, por sua vez, reafirmam o interesse em garantir um maior poder de fogo institucional e financeiro à ASA. Mesmo assim, coube ontem ao chanceler Antonio Patriota reduzir as expectativas dos governos africanos.

Em seu discurso na abertura da reunião ministerial do encontro, Patriota destacou que o Brasil se oferece para contribuir com o desenvolvimento sustentável da África. Mas verbalizou a discordância do governo brasileiro com o pleito africano pela criação de um fundo financeiro pelos países do grupo.

“Como governo, temos limitações financeiras, razão pela qual nos interessa explorar fontes de financiamento novas. Desenvolvemos projetos de cooperação em arranjos trilaterais, com financiamento de terceiros países”, discursou o ministro das Relações Exteriores. “Estou convencido de que devemos investir nossos tempo e esforços na elaboração de bons projetos que possam ser executados por estruturas de cooperação já existentes. Para bons projetos não faltarão recursos. Parece-me um caminho muito mais promissor do que o da criação de novas e complexas estruturas.”

Patriota lembrou que ambas as regiões buscam erradicar a pobreza, aumentar a segurança pública, elevar a competitividade de suas economias e distribuir renda. “Num mundo em que as relações de poder entre o mundo desenvolvido e o em desenvolvimento vêm sofrendo transformações importantes, América do Sul e África despontam como regiões de renovado dinamismo e perspectivas promissoras de desenvolvimento”, destacou o ministro.

De fato, o comércio entre o Brasil e a África tem crescido nos últimos anos, desde que o governo Luiz Inácio Lula da Silva decidiu diversificar os parceiros comerciais do país. Entre 2003 e 2012, as exportações brasileiras para a África cresceram de US$ 2,9 bilhões para US$ 12,2 bilhões. Já as importações brasileiras do continente africano subiram de US$ 3,3 bilhões para US$ 14,3 bilhões.

“A África assume a condição de principal região fornecedora de petróleo do Brasil, e o destaque eu daria para adubos e fertilizantes. O contínuo aumento da safra agrícola no Brasil demanda volumes crescentes de insumos para manter a produtividade elevada. A África tem se posicionado inclusive como um mercado alternativo dos fornecedores tradicionais desses insumos agrícolas, que é a Europa Oriental”, explicou ao Valor antes da cúpula a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Tatiana Prazeres.

Diversos países da região, que ainda enfrentam sérios gargalos de infraestrutura, têm obtido volumosas quantias de dinheiro com a exploração de petróleo e outros recursos naturais. Por isso, na avaliação do governo brasileiro, há oportunidades para todos os setores produtivos nacionais, desde os exportadores de alimentos até para as indústrias de produtos de maior valor agregado.

A própria Guiné Equatorial é um exemplo. Impulsionado pela exploração de petróleo, o país conta com modernas rodovias e luxuosos palacianos. Em Malabo, por exemplo, a primeira-dama do presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo conta com os serviços de churrasqueiros contratados diretamente do Brasil, num contraste às péssimas condições de vida de grande parte da população.

O presidente da Guiné Equatorial está no poder desde 1979. Mas, quando perguntadas se isso não causa um desconforto ao governo, autoridades brasileiras dizem que foi a União Africana quem definiu a sede da cúpula e reafirmam o discurso da presidente Dilma Rousseff segundo o qual todos os países precisam avançar nas questões relacionadas aos direitos humanos – inclusive o Brasil.

Ontem, o chefe da Divisão de Infraestrutura do Banco de Desenvolvimento Africano, Ralph Olayé, informou que a instituição se prepara para realizar um “roadshow” no Brasil a fim de apresentar as oportunidades de investimento em infraestrutura no continente. A iniciativa está prevista para ocorrer no fim deste ano ou no início de 2014, e levará ao empresariado brasileiro um cardápio de obras que demandarão investimentos de US$ 360 bilhões até 2040.


Geradoras querem ajuda para cobrir rombo de R$ 4 bi

Valor Econômico

Depois das distribuidoras de energia elétrica, serão as geradoras que vão pedir socorro financeiro ao governo federal. A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) calcula que as empresas terão de desembolsar cerca de R$ 4 bilhões em janeiro apenas para pagar pelo risco hidrológico, que obriga as geradoras a comprar energia no mercado disponível para honrar a diferença entre o volume produzido e a energia comprometida nos seus contratos de abastecimento.

A Apine estima que as hidrelétricas deixaram de produzir, em média, 26% da energia contratada no primeiro mês de 2013, quando o país enfrentou uma grave escassez de água nas principais bacias hidrográficas.

“Pedimos [ontem], com urgência, uma audiência com o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann”, afirmou Luiz Fernando Vianna, presidente da Apine. Entre as medidas avaliadas, a entidade pedirá ao governo uma linha de financiamento especial do BNDES.

Segundo Vianna, o rombo no fluxo de caixa das hidrelétricas será quatro vezes maior que o das distribuidoras, estimado em torno de R$ 1 bilhão em janeiro. As distribuidoras precisam arcar com os custos da geração térmica até a data do reajuste tarifário, que é feito uma vez por ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e já pediram ajuda do governo para financiar o seu capital de giro.

A energia que não foi produzida em janeiro precisará ser comprada na Câmara de Comercialização de Energia (CCEE) pelas geradoras, que terão de pagar o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) vigente. O PLD é estabelecido semanalmente e reflete o custo para a geração de energia.

Devido à forte queda no nível dos reservatórios das hidrelétricas, praticamente todas as usinas térmicas do país precisaram ser ligadas, o que fez com que PLD disparasse, atingindo um dos mais altos patamares da história. Em janeiro, segundo a Apine, o PLD médio situou-se em torno de R$ 410 por MWh.

“Não somos contra o pagamento [do risco hidrológico]. Essa é a regra do jogo”, afirma Vianna. “O que pedimos é algum tipo de financiamento para equacionar o fluxo de caixa das geradoras, que podem enfrentar problemas para pagar pela energia.”

Nem todas as geradoras serão afetadas. As hidrelétricas que tiveram as suas concessões renovadas recentemente, como as controladas pelo grupo Eletrobras, passaram a ficar livres do risco hidrológico. Portanto, essas usinas não estão mais expostas ao PLD, o que será uma grande vantagem neste ano. Mas risco hidrológico ainda vale para as demais hidrelétricas do país, mesmo as que foram construídas recentemente.

Segundo Vianna, a situação é mais crítica para as geradoras do que para as distribuidoras. No caso da distribuição, as despesas com a geração térmica serão, em algum momento do ano, repassadas às tarifas cobradas pelas companhias, que poderão recompor a sua geração de caixa. Mas, no caso da geradoras, essa despesa excepcional não será recuperada mais tarde.


Índice da CNI revela empresário da indústria mais otimista

Valor Econômico

Depois de terminar 2012 em baixa e abrir 2013 da mesma forma, a confiança do empresariado industrial mostrou melhora em fevereiro, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) subiu 1,4 ponto no mês, para 58,1 pontos, contra os 56,7 pontos de janeiro. “O Icei vem oscilando em torno de 57,5 pontos há seis meses, sem caracterizar uma tendência de crescimento. Essa trajetória sugere a continuidade de um lento processo de recuperação da produção industrial nos próximos meses”, diz a instituição em nota.

De acordo com a CNI, tanto os indicadores que medem a percepção do empresário sobre a situação atual quanto sobre as expectativas para os próximos seis meses cresceram em relação à pesquisa de janeiro.

O índice de expectativas para os próximos seis meses avançou de 60,9 pontos no mês passado para 62,3 pontos em fevereiro. Abrindo esse indicador, as perspectivas do empresariado melhoraram tanto para a economia brasileira quanto para as próprias empresas.

Já a prévia do Índice de Confiança da Indústria (ICI) de fevereiro, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que uma trajetória de recuperação mais robusta na indústria da transformação foi adiada para o segundo trimestre, De acordo com a FGV, a leitura preliminar do ICI neste mês recuou 0,4%. O resultado final será divulgado na próxima semana. Em janeiro, o resultado fechado do indicador foi positivo em 0,1%, ante dezembro. A leitura negativa de fevereiro mostra que a recuperação da atividade na indústria da transformação ainda ocorre vagarosamente.

“Precisamos esperar para ver o que vai acontecer nos próximos meses”, disse Aloisio Campelo, superintendente-adjunto de ciclos econômicos do Ibre/FGV).

Segundo o economista, a trajetória da confiança nos segmentos da indústria da transformação não foi uniforme. Houve melhora no humor dos empresários de duráveis, mas o mesmo não ocorreu com os executivos das indústrias de bens de capital e da construção civil, cujos patamares de confiança “se acomodaram” em fevereiro, nas palavras do especialista.

No caso específico de bens de capital, Campelo disse que a confiança moderada do empresário desse segmento não confere bons sinais para a trajetória de investimentos na economia brasileira.


Bancos na América Latina têm captação recorde

Valor Econômico

Os bancos latino-americanos acompanhados pela Moody”s captaram o volume recorde de US$ 27,7 bilhões com emissões de dívida de longo prazo sem garantia no ano passado, contrariando a tendência global de queda nessas operações, destaca a agência de classificação de risco em relatório. O montante representa crescimento de 13,6% em relação ao ano anterior.

Os bancos brasileiros lideraram o volume de operações na região, sendo responsáveis por dois terços do total emitido em 2012 (mais de US$ 16 bilhões). Segundo a Moody”s, houve queda no número de emissores brasileiros em 2012, mas ela foi compensada por operações com tíquete maior, dos maiores bancos da região, como Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

No ranking dos dois últimos anos (2011 e 2012), em que os bancos da região emitiram um total de US$ 52,1 bilhões, as quatro primeiras posições foram ocupadas pelos brasileiros BB, Itaú Santander e Bradesco, com emissões que somaram US$ 18,5 bilhões.

De acordo com Jeanne Del Casino, vice-presidente de crédito da Moody”s e uma das autoras do relatório, o aumento das emissões foi puxado pelo forte crescimento do crédito, das atividades de fusão e aquisição e pela demanda crescente do investidor. Cenário favorecido pelos juros em níveis historicamente baixos e alta liquidez global.

A Moody”s ressalta, contudo, que o crescimento das emissões de dívidas por parte dos bancos tem um saldo negativo do ponto de vista do crédito, uma vez que eleva a dependência em relação aos investidores institucionais e, com isso, o risco de refinanciamento no caso de um aumento da aversão ao risco, com impacto sobre os papéis de mercados emergentes.

Mas, pondera a agência, os riscos de refinanciamento são parcialmente mitigados pela capacidade dos bancos de tomar recursos por prazos mais longos. Em 2012, por exemplo, o prazo médio dos títulos de dívida sem garantia dos bancos na região era de oito anos. Apesar de a grande maioria das operações ter prazo final a partir de 2018, cerca de US$ 25 bilhões vencem nos próximos três anos.

Já as emissões de dívida global caíram 6%, segundo a Moody”s, diante de uma onda de reestruturações bancárias e desalavancagem provocada pela crise de 2008, principalmente na zona do euro.


Investidor coreano aumenta alocação em ativos no Brasil

Valor Econômico

Há cerca de dois anos no Brasil, a corretora coreana Mirae Asset Securities já conquistou uma base de 5 mil clientes ativos, de um total de 7 mil cadastrados, com a estratégia agressiva de cobrar baixa corretagem. Agora, pretende crescer na área de gestão de fortunas no país. A ideia é prestar serviços tanto para investidores locais como para clientes da Coreia do Sul.

De olho no potencial de mercado com a expansão das empresas coreanas no Brasil, e da consequente vinda de mais imigrantes de lá para cá, a Mirae pretende atuar na remessa de recursos da comunidade no Brasil para parentes na Coreia do Sul. A instituição já tem a licença do Banco Central para atuar nessa área e deve começar a buscar bancos para fechar as operações.

Neste ano, a imigração coreana completa 50 anos e há cerca de 55 mil imigrantes coreanos no Brasil, dos quais 45 mil estão na cidade de São Paulo, de acordo com estimativa da Associação Brasileira dos Coreanos.

Só no ano passado, grandes empresas coreanas, como a fabricantes de automóveis Hyundai e a Doosan, de máquinas e equipamentos, anunciaram a inauguração de unidades fabris no Brasil.

O interesse dos coreanos pelo mercado brasileiro não tem se limitado a investimentos diretos. O aporte em títulos públicos brasileiros e no mercado imobiliário no Brasil também tem crescido, segundo a experiência da própria Mirae nessas frentes.

Atualmente a área de gestão de fortunas da Mirae Securities tem R$ 1,6 bilhão de recursos de investidores coreanos aplicados em títulos públicos no Brasil, basicamente concentrados nas Notas do Tesouro Nacional série F (NTNs-F), papéis prefixados de longo prazo.

A Coreia do Sul tem um acordo bilateral com o Brasil em que não cobra imposto na repatriação dos ganhos com as aplicações em títulos públicos ou de empresas em que o governo brasileiro é controlador. Os estrangeiros já são isentos de Imposto de Renda sobre o ganho de capital no Brasil, mas pagam uma alíquota de 6% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Mesmo assim, esse investimento permanece atrativo, uma vez que a taxa de juros básica na Coreia do Sul está em 2,75% e a taxa oferecida pelos papéis prefixadas mais longo (NTN-F), com vencimento em 2023, está em 9,5%.

Os investidores também têm buscado oportunidades no mercado imobiliário. A Mirae já investiu US$ 600 milhões na compra do edifício Rocha Verá e na aquisição de parte da torre comercial Faria Lima, ambos localizados em regiões de grande concentração de escritórios na cidade de São Paulo. A isenção de IOF para investimentos em fundos imobiliários também deve atrair interesse dos coreanos para esse tipo de produto, afirma Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset Securities.

A equipe da Mirae visita com frequência os bairros do Brás e Bom Retiro, que concentram grande parte da comunidade coreana em São Paulo, e os clientes têm a facilidade de contar com atendimento na língua materna. A corretora tem uma área de gestão de fortunas, que além de administrar a alocação dos estrangeiros, também atende clientes locais com mais de R$ 1 milhão em investimentos, que já respondem por R$ 100 milhões sob gestão. Luciana Pazos, responsável pela área de gestão de fortunas, conta que a carteira conta com 200 clientes locais, basicamente pessoas físicas.

A área de gestão de fortunas da corretora Mirae é responsável pela gestão de portfólio dos clientes e trabalha com uma plataforma aberta, em que distribui fundos de outras instituições financeiras, bem como títulos de dívida como debêntures e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). “Somos ativos na seleção dos produtos que distribuímos, que passam por um comitê de investimento. Não somos um shopping de distribuição de produtos”, afirma Luciana.

A Mirae chegou ao Brasil em setembro de 2008 e iniciou suas operações como gestora de investimentos, com o objetivo de oferecer fundos para investidores locais. Essa área, ao contrário da corretora, ainda é muito pequena no Brasil e contava com R$ 180 milhões sob gestão de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O gestor responsável por essa área, Young Kim, se mudou neste ano para os Estados Unidos de onde passará a fazer as alocações em Brasil para os fundos “offshore”, que reúnem basicamente aplicações de investidores da Coreia.

A Mirae é uma das maiores gestoras na Coreia, com US$ 58 bilhões sob gestão. No Brasil, a corretora é uma das poucas que adotaram estratégia agressiva de preços para ações e conseguiram sobreviver e ter resultados positivos. Hoje a corretora Mirae cobra uma taxa de corretagem de R$ 2,90 por operação. A corretora acumulou no ano passado, até o terceiro trimestre, lucro líquido de R$ 7,406 milhões e contava com patrimônio líquido de R$ 161,180 milhões.

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