{"id":1001,"date":"2010-11-22T21:32:09","date_gmt":"2010-11-22T21:32:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1001"},"modified":"2010-11-22T21:32:09","modified_gmt":"2010-11-22T21:32:09","slug":"o-povo-do-haiti-comecou-a-reagir-contra-a-ingerencia-estrangeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1001","title":{"rendered":"O povo do Haiti come\u00e7ou a reagir contra a inger\u00eancia estrangeira"},"content":{"rendered":"\n<p>O Haiti sofre a invas\u00e3o militar estrangeira enquanto as mortes pela col\u00e9ra aumentam junto \u00e0s pessoas hospitalizadas.<\/p>\n<p><strong>Resumo Latino-americano\/ AVN \u2013 <\/strong>O povo do Haiti come\u00e7ou a reagir por conta da situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em que vive. Esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 relacionada apenas ao terremoto ocorrido no in\u00edcio do ano e nem ao atual surto de c\u00f3lera, que matou mais de mil pessoas. Tamb\u00e9m porque j\u00e1 n\u00e3o tolera a inger\u00eancia dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u00c9 o que conta a entrevista concedida \u00e0 Ag\u00eancia Venezuelana de Not\u00edcias (AVN) por Emmacula Nervil, integrante do Movimento Unidos Socialista Haitiano (Mush).<\/p>\n<p>H\u00e1 dois dias, o pa\u00eds se encontra entre a emerg\u00eancia gerada pela c\u00f3lera e os protestos contra as for\u00e7as militares estrangeiras, que ocupam a na\u00e7\u00e3o desde a derrubada do mandat\u00e1rio Jean-Bertrand Aristide, em fevereiro de 2004.<\/p>\n<p>Para Nervil, as mobiliza\u00e7\u00f5es se devem ao fato de que o povo \u201cj\u00e1 come\u00e7a a reagir\u201d em momentos de ascens\u00e3o da crise e do aumento n\u00famero de hospitalizados e mortos.<\/p>\n<p>Nesta quarta-feira, se contabilizavam no Haiti, 1.100 pessoas falecidas e 18.382 hospitalizados, ainda que a dirigente do Mush assegure que essas cifras n\u00e3o s\u00e3o reais, j\u00e1 que o governo nacional n\u00e3o possui os dados completos.<\/p>\n<p><strong>A invas\u00e3o estrangeira<\/strong><\/p>\n<p>Com a derrubada de Aristide por parte das for\u00e7as internas apoiadas, principalmente, pelos Estados Unidos, Fran\u00e7a e Canad\u00e1, ordenou-se o envio da Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Estabiliza\u00e7\u00e3o no Haiti (MINUSTAH), qualificada por Nervil como uma for\u00e7a de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No \u201cmapa desenhado pelo imp\u00e9rio para destruir e exterminar o povo haitiano\u201d, a integrante do Mush indica que as tropas da ONU s\u00e3o parte fundamental para manter o controle e acrescentar a repress\u00e3o contra os cidad\u00e3os que se organizam.<\/p>\n<p>\u201cEssas tropas t\u00eam que sair do Haiti porque mantem a pobreza no pa\u00eds, pois esses soldados s\u00e3o pagos. N\u00e3o temos nenhum hospital, n\u00e3o temos sequer ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A gente ilumina com velas em pleno s\u00e9culo XXI\u201d, explica.<\/p>\n<p>Com den\u00fancias cada vez mais frequentes, Nervil revela que uma das formas utilizadas pela MINUSTAH para reprimir \u00e9 catalogando as lideran\u00e7as sociais como ladr\u00f5es comuns ou narcotraficantes, onde em muitos casos, essas pessoas s\u00e3o assassinadas.<\/p>\n<p>Outra forma de inger\u00eancia contra o Haiti \u00e9 promovida atrav\u00e9s da Usaid, que se infiltra nas organiza\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, oferecendo apoio financeiro.<\/p>\n<p>\u201cComo n\u00e3o h\u00e1 o que comer, como n\u00e3o existe facilidade no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, se utilizaram da entrega de dinheiro para comprar a consci\u00eancia da gente. Por\u00e9m, existe muita gente que eles n\u00e3o conseguir\u00e3o comprar\u201d, assegura.<\/p>\n<p>Ainda que esta forma de inger\u00eancia busque quebrar o conjunto social do Haiti, a dirigente do Mush afirma que os movimentos seguem organizando e protagonizando lutas contra o governo nacional, o qual ela qualifica como marionete da Casa Branca.<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica forma de ajudar o Haiti n\u00e3o \u00e9 dando dinheiro, mas formando a juventude, preparando-a para poder vencer e trabalhar no pa\u00eds\u201d, expressa.<\/p>\n<p><strong>A sa\u00edda \u00e9 a Alba<\/strong><\/p>\n<p>Diante desta situa\u00e7\u00e3o de inger\u00eancia e de invas\u00e3o, Nervil explica que a sa\u00edda mais real para o povo haitiano \u00e9 ingressar na Alian\u00e7a Bolivariana para os Povos de Nossa Am\u00e9rica (Alba), ainda que o atual presidente, Ren\u00e9 Preval, \u201cesteja comprometido com o imp\u00e9rio e a oligarquia\u201d e n\u00e3o disposto a fazer isso, disse.<\/p>\n<p>Para a entrevistada, \u201cgra\u00e7as \u00e0 ajuda da Alba estamos respirando\u201d. Tamb\u00e9m lembra a import\u00e2ncia da presen\u00e7a de m\u00e9dicos cubanos, permanecendo no territ\u00f3rio haitiano mesmo ap\u00f3s as tentativas de recha\u00e7\u00e1-los.<\/p>\n<p>Em abril passado a Alba ofereceu, durante a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas pela reconstru\u00e7\u00e3o do Haiti, a soma de 2.147 milh\u00f5es de d\u00f3lares em ajudas, superando os montantes oferecidos pela Uni\u00e3o Europeia (UE) e os Estados Unidos, colabora\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 entregue entre 2010 e 2016.<\/p>\n<p>No total, o bloco regional destina ao Haiti 2.240 milh\u00f5es de d\u00f3lares, considerando os projetos que, atualmente, est\u00e3o sendo executados no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica forma de salvar o Haiti \u00e9 ingressando na Alba. Caso contr\u00e1rio, a ilha vai desaparecer\u201d, reitera Nervil.<\/p>\n<p><strong>Haiti est\u00e1 disposto a tudo por sua liberta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Um m\u00e9dico a cada mil habitantes, 65% de analfabetismo, apenas dois hospitais p\u00fablicos para atender toda a na\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o privatizada e altas taxas de mortalidade infantil e fome. O Haiti vive uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que vai al\u00e9m do terremoto sofrido no in\u00edcio do ano e do atual surto de c\u00f3lera.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o de medidas pol\u00edticas e econ\u00f4micas desenhadas na Casa Branca, al\u00e9m dos altos graus de corrup\u00e7\u00e3o que posicionam o pa\u00eds entre as na\u00e7\u00f5es que mais sofrem este flagelo, tem como consequ\u00eancia que quatro milh\u00f5es de pessoas vivam nas ruas.<\/p>\n<p>\u201cNeste s\u00e9culo vinte e um estamos dispostos a tudo. N\u00f3s haitianos n\u00e3o vamos permitir que o imp\u00e9rio fa\u00e7a o que tiver vontade\u201d, assevera Nervil.<\/p>\n<p>A dirigente do Mush denuncia que nos planos dos Estados Unidos, com a desculpa das cat\u00e1strofes sofridas pela na\u00e7\u00e3o, est\u00e1 o objetivo de enviar habitantes \u201c\u00e0 \u00c1frica e utilizar a cidade de Porto Pr\u00edncipe para construir bingos e hot\u00e9is\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o desempenho da maioria da comunidade internacional, Nervil opina que \u00e9 \u201cc\u00famplice da trag\u00e9dia que o imp\u00e9rio ianque est\u00e1 cometendo em toda Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuerem converter o Haiti em Porto Rico, por\u00e9m n\u00e3o v\u00e3o conseguir\u201d, exp\u00f5e.<\/p>\n<p>Deixando claro as verdadeiras circunst\u00e2ncias que atravessa a na\u00e7\u00e3o caribenha, Nervil manifesta que \u201co Haiti \u00e9 uma causa pol\u00edtica. N\u00e3o nos falta comida, mas as terras que se podem semear. O pa\u00eds possui recursos naturais e humanos. O que buscamos \u00e9 uma sa\u00edda mais pol\u00edtica. Queremos um acompanhamento pol\u00edtico. N\u00e3o queremos dinheiro e nem comida\u201d, finalizou.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=2453&amp;Itemid=49&amp;lang=en\" target=\"_blank\">http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=2453&amp;Itemid=49&amp;lang=en<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resumen\n\n\n\n\n\n\n\n\nLEANDRO ALBANI\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1001\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[55],"tags":[],"class_list":["post-1001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c66-haiti"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-g9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1001"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}