{"id":1004,"date":"2010-11-22T21:51:03","date_gmt":"2010-11-22T21:51:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1004"},"modified":"2010-11-22T21:51:03","modified_gmt":"2010-11-22T21:51:03","slug":"o-enigma-do-lucro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1004","title":{"rendered":"O enigma do lucro"},"content":{"rendered":"\n<p>O trabalhador, ao contr\u00e1rio do patr\u00e3o, por mais que trabalhe, n\u00e3o consegue acumular bens, al\u00e9m do estritamente necess\u00e1rio para a sobreviv\u00eancia de si e de sua fam\u00edlia. O capitalista, ao contr\u00e1rio, atrav\u00e9s dos balancetes mensais de suas empresas constata o aumento de suas riquezas. A m\u00e1quina ideol\u00f3gica do capital passa para os trabalhadores a id\u00e9ia de que na sociedade capitalista todos s\u00e3o iguais em termos de oportunidades. O patr\u00e3o \u00e9 rico e o trabalhador \u00e9 pobre, unicamente, porque um \u00e9 ou foi mais esperto do que o outro. O patr\u00e3o soube aproveitar todas as oportunidades que a vida lhe ofereceu, teve garra, foi audaz, enquanto que o trabalhador, descansado e sem iniciativa, n\u00e3o teve a aud\u00e1cia necess\u00e1ria para vencer na vida. Ser\u00e1 isso verdade? De onde vem a riqueza do patr\u00e3o, como \u00e9 que ela se multiplica e por que o trabalhador, literalmente, se mata de trabalhar e est\u00e1 sempre com a corda no pesco\u00e7o? Qual o mist\u00e9rio por tr\u00e1s do ac\u00famulo de riquezas do patr\u00e3o e a situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria da classe trabalhadora?<\/p>\n<p>Os patr\u00f5es t\u00eam o dom\u00ednio n\u00e3o s\u00f3 das f\u00e1bricas, dos bancos e das terras. Os patr\u00f5es, enquanto classe, dominam tamb\u00e9m os r\u00e1dios, os jornais, a televis\u00e3o, a internet, as escolas e o Estado com suas institui\u00e7\u00f5es. Atrav\u00e9s de toda essa superestrutura, a classe patronal termina dominando ideologicamente toda a sociedade. Dessa forma, a religi\u00e3o e a pr\u00f3pria fam\u00edlia terminam sendo correia de transmiss\u00e3o da propaganda da domina\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es sobre os trabalhadores.<\/p>\n<p>Quando toda essa m\u00e1quina de difus\u00e3o da ideologia capitalista diz que um \u00e9 rico porque \u00e9 esperto e o outro \u00e9 pobre porque \u00e9 pregui\u00e7oso, est\u00e1 ocultando a verdade. Esconde porque, no dia que a classe trabalhadora descobrir o mist\u00e9rio de como acontece a acumula\u00e7\u00e3o da riqueza, adquirir\u00e1 consci\u00eancia de classe, tomar\u00e1 o poder e transformar\u00e1 a sociedade.<\/p>\n<p>Inicialmente, \u00e9 necess\u00e1rio compreendermos que unicamente o trabalho \u00e9 capaz de gerar riqueza. Uma m\u00e1quina \u00e9 s\u00f3 uma m\u00e1quina. Por si s\u00f3 ela n\u00e3o acrescenta nenhum valor \u00e0 mercadoria. A \u00fanica coisa capaz de acrescentar valor no processo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o uso da for\u00e7a de trabalho. N\u00e3o confundir trabalho com for\u00e7a de trabalho. For\u00e7a de trabalho \u00e9 a energia f\u00edsica e intelectual que o trabalhador gasta durante o processo de produ\u00e7\u00e3o. O trabalho \u00e9 o resultado da a\u00e7\u00e3o dos trabalhadores sobre a mat\u00e9ria prima e os instrumentos de trabalho. Quando o patr\u00e3o contrata o trabalhador para que este passe determinado tempo na sua f\u00e1brica trabalhando, n\u00e3o est\u00e1 comprando o seu trabalho. Est\u00e1 comprando sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Vamos imaginar que um determinado patr\u00e3o tem uma determinada soma de dinheiro. Geralmente ele pega esse dinheiro do pr\u00f3prio Estado, atrav\u00e9s de empr\u00e9stimos e incentivos, e quer montar uma f\u00e1brica para produzir sapatos. Digamos que ele tem 10 milh\u00f5es. Digamos ainda, que do total desta soma, quatro milh\u00f5es ele use para construir a estrutura f\u00edsica da f\u00e1brica. Com tr\u00eas milh\u00f5es ele compre os outros instrumentos de trabalho, como m\u00e1quinas e equipamentos. Do restante ele compre dois milh\u00f5es de mat\u00e9ria prima e com o um milh\u00e3o que sobrou contrate a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>A f\u00e1brica come\u00e7a a produzir e ao final do ciclo do processo de produ\u00e7\u00e3o, o patr\u00e3o que tinha determinada quantia de dinheiro, agora tem essa quantia acrescida de outro valor. Esse valor a mais o patr\u00e3o chama de lucro. Mais de onde vem o lucro? O trabalhador decifrando esse enigma, com certeza desvendar\u00e1 o mist\u00e9rio da explora\u00e7\u00e3o do capital sobre o trabalho. De uma classe sobre outra. Todo o dinheiro que o patr\u00e3o tinha e que investiu na constru\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica, na compra de maquin\u00e1rio, mat\u00e9ria prima e na contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores transformou-se em capital. Esse capital \u00e9 de dois tipos. Um \u00e9 o capital constante que s\u00e3o as m\u00e1quinas, pr\u00e9dio, mat\u00e9ria prima e outros instrumentos de trabalho e o outro \u00e9 o capital vari\u00e1vel que \u00e9 a for\u00e7a de trabalho que foi contratada.<\/p>\n<p>A parte constante do capital n\u00e3o gera novo valor, apenas transfere o valor existente para as mercadorias produzidas. O valor da mat\u00e9ria prima \u00e9 transferido integralmente e de uma s\u00f3 vez para as mercadorias enquanto que o valor de pr\u00e9dios, m\u00e1quinas e equipamentos \u00e9 transferido lenta e gradualmente, durante toda sua vida util. Quando uma m\u00e1quina envelhece e n\u00e3o mais funciona \u00e9 porque j\u00e1 transferiu todo o seu valor para as mercadorias ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Portanto, m\u00e1quinas, mat\u00e9ria prima, pr\u00e9dio e demais instrumentos de trabalho n\u00e3o criam valor, apenas transferem seus valores para as mercadorias que foram produzidas. Da\u00ed ser chamado de capital constante. J\u00e1 o capital que \u00e9 empregado na aquisi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho, esse sim, gera um valor novo. O capitalista contratou um n\u00famero determinado de trabalhadores e paga a cada um deles uma di\u00e1ria de vinte reais, por uma jornada de oito horas de trabalho. Suponhamos que ao t\u00e9rmino da terceira hora de trabalho eles j\u00e1 tenham produzido o suficiente para pagar seus sal\u00e1rios de todo o dia. Pela l\u00f3gica, eles parariam de trabalhar a\u00ed, porem o patr\u00e3o dir\u00e1: &#8211; calma l\u00e1! Eu os contratei para trabalhar oito horas e n\u00e3o tr\u00eas. Os oper\u00e1rios dir\u00e3o: &#8211; realmente foi, e continuaram trabalhando. Essas horas excedentes ser\u00e3o apropriadas pelo patr\u00e3o. S\u00e3o horas n\u00e3o pagas. Este trabalho excedente \u00e9 apropriado pelo capitalista. Eis a\u00ed o enigma do lucro patr\u00e3o.<\/p>\n<p>* Paiva Neves \u00e9 do PCB Cear\u00e1 e membro do CC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 4.bp.blogspot.com\n\n\n\n\n\n\n\n\nAutor: Paiva Neves (*)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1004\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-1004","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-gc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1004"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1004\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}