{"id":10109,"date":"2015-12-20T16:54:26","date_gmt":"2015-12-20T19:54:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10109"},"modified":"2016-01-18T20:10:58","modified_gmt":"2016-01-18T23:10:58","slug":"o-momento-politico-atual-e-a-surdez-do-governo-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10109","title":{"rendered":"O momento pol\u00edtico atual e a surdez do governo Dilma"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.senado.gov.br\/NOTICIAS\/JORNAL\/EMDISCUSSAO\/upload\/201102%20-%20maio\/fotos\/54A_logo1.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>(Comiss\u00e3o Pastoral da Terra)<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Nota dos Editores: apesar de algumas diverg\u00eancias pontuais, publicamos aqui a Nota P\u00fablica da CPT por coincidirmos com o que consideramos a mensagem principal do documento, ou seja, que o foco na polariza\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica institucional obscurece a import\u00e2ncia das lutas populares. O PCB tem insistido que os movimentos populares privilegiem uma pauta em defesa dos interesses dos trabalhadores. <\/em> <em>(Secretariado Nacional do PCB)<\/em><!--more--><\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8220;A Diretoria e a Coordena\u00e7\u00e3o Executiva Nacional da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra \u2013 CPT v\u00eam a p\u00fablico se manifestar sobre o grave momento da conjuntura nacional, cujo foco na polariza\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica, em muito enviesada e distorcida, obscurece a percep\u00e7\u00e3o dos atuais conflitos violentos contra os povos do campo&#8221;. Confira a Nota da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra sobre a atual conjuntura nacional: O pa\u00eds viveu, neste ano de 2015, um per\u00edodo conturbado pela recess\u00e3o econ\u00f4mica e pela crise pol\u00edtica que encurralaram a presid\u00eancia da Rep\u00fablica. A incompet\u00eancia no enfrentamento da crise econ\u00f4mica, as den\u00fancias di\u00e1rias de corrup\u00e7\u00e3o que atingem o PT e aliados de seu governo de coaliz\u00e3o t\u00eam sido utilizadas pela oposi\u00e7\u00e3o para uma busca ileg\u00edtima do poder que amea\u00e7a desestabilizar a ordem democr\u00e1tica. A corrup\u00e7\u00e3o, end\u00eamica na vida pol\u00edtica brasileira, \u00e9 apresentada, sobretudo pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, como a maior e mais grave da hist\u00f3ria deste pa\u00eds. Esquece-se que somente agora estes casos est\u00e3o sendo investigados e punidos. A crise econ\u00f4mica tem sido potencializada ao m\u00e1ximo por uma crise pol\u00edtica alimentada diariamente na m\u00eddia e por um Congresso Nacional venal e obscurantista, que tenta um processo de impedimento da Presidenta da Rep\u00fablica com mais que fr\u00e1geis argumentos. Este Congresso tem demonstrado publicamente o quanto \u00e9 ref\u00e9m e est\u00e1 a servi\u00e7o do poder econ\u00f4mico que custeou as caras campanhas eleitorais dos seus ocupantes. Os interesses do povo, sobretudo os dos mais fracos, de forma alguma s\u00e3o prioridade da maioria dos congressistas. Isto se torna evidente pelas proposi\u00e7\u00f5es e defesas da poderosa bancada ruralista, e das bancadas da bala e evang\u00e9lica, que se tornaram conhecidas como a bancada do BBB &#8211; do boi, da bala e da b\u00edblia. Os interesses por tr\u00e1s destas bancadas se revelam na aprova\u00e7\u00e3o das leis da terceiriza\u00e7\u00e3o do trabalho e da redu\u00e7\u00e3o da idade penal e nas tentativas, j\u00e1 em fase adiantada nos procedimentos regimentais, de desmonte dos direitos ind\u00edgenas e de outras comunidades tradicionais com a PEC 215, com o projeto de lei que quer modificar o conceito de trabalho escravo, e com a pressa em aprovar um c\u00f3digo de minera\u00e7\u00e3o que prioriza os interesses das mineradoras em detrimento das comunidades atingidas. A avalanche contra os pequenos se consubstancia ainda na CPI da FUNAI e do INCRA para barrar todo e qualquer avan\u00e7o no reconhecimento dos direitos territoriais dos povos ind\u00edgenas, das comunidades quilombolas e de outras comunidades tradicionais. O que acontece em n\u00edvel nacional se reproduz em n\u00edvel estadual. No Mato Grosso do Sul, a viol\u00eancia contra os ind\u00edgenas campeia solta com a\u00e7\u00f5es quase di\u00e1rias de agress\u00f5es \u00e0s aldeias e aos acampamentos, sobretudo em \u00e1reas pr\u00f3prias retomadas pelos ind\u00edgenas. Na esteira destas a\u00e7\u00f5es a Assembleia Legislativa constituiu uma CPI para investigar o Conselho Indigenista Mission\u00e1rio, CIMI, pelo apoio que tem dado \u00e0 causa dos povos ind\u00edgenas. Com isso tenta desmobilizar e desmoralizar a luta ind\u00edgena, sugerindo que os ind\u00edgenas n\u00e3o s\u00e3o capazes de defender seus pr\u00f3prios interesses. Aproveitando-se deste cen\u00e1rio mais que sombrio, como j\u00e1 temos reiterado mais de uma vez, tem crescido de forma assustadora a viol\u00eancia contra os trabalhadores e trabalhadoras do campo. At\u00e9 o final de novembro, o Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Balduino, da CPT, tinha registrado o mais alto n\u00famero de assassinatos no campo, desde 2004, 46 pessoas &#8211; camponeses, sobretudo posseiros, sem terra e assentados da reforma agr\u00e1ria. 44 destas mortes ocorreram na Amaz\u00f4nia. A maior parte dos conflitos nesta regi\u00e3o est\u00e1 relacionada a terras p\u00fablicas griladas. A fraqueza do Estado em recuperar estas \u00e1reas para destin\u00e1-las \u00e0 Reforma Agr\u00e1ria, como manda a Constitui\u00e7\u00e3o, favorece que os ataques de grileiros e pistoleiros se multipliquem, bem como as invas\u00f5es de \u00e1reas e a expuls\u00e3o de fam\u00edlias. T\u00e3o ou mais grave que o mar de lama da Samarco em Mariana, Minas Gerais, \u00e9 o mar de lama que escorre do mundo da pol\u00edtica. Pois enquanto a lama da Samarco afeta a bacia do Rio Doce, a que escorre do Congresso Nacional, das assembleias legislativas e de gabinetes de Bras\u00edlia e dos estados afetam sonhos e esperan\u00e7as de toda na\u00e7\u00e3o brasileira, sobretudo dos mais pobres. Neste cen\u00e1rio de sombras, ainda bem, algumas luzes se acendem. Tem crescido o n\u00famero de sem terra que fazem ocupa\u00e7\u00f5es em busca de um peda\u00e7o de ch\u00e3o para viver e plantar. Nas cidades, jovens t\u00eam se destacado na luta em defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de qualidade diante de tentativas de fechamento e de uma reorganiza\u00e7\u00e3o question\u00e1vel de escolas, ou da entrega do ensino p\u00fablico a Organiza\u00e7\u00f5es Sociais (OS), como acontece em Goi\u00e1s. As ocupa\u00e7\u00f5es das escolas pelos estudantes, com apoio de suas fam\u00edlias, em S\u00e3o Paulo e em Goi\u00e1s, s\u00e3o um grito de alerta para uma sociedade sonolenta. A organiza\u00e7\u00e3o dos jovens, o cuidado com os espa\u00e7os ocupados, o uso das tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o soam para os ouvidos atentos como fina m\u00fasica de um concerto de harmonias que pareciam perdidas. A Diretoria e a Coordena\u00e7\u00e3o Executiva Nacional da CPT, ao mesmo tempo em que denunciam as tentativas da quebra da normalidade democr\u00e1tica, lamentam a falta de sensibilidade do governo Dilma no atendimento \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es populares. Nunca um governo, desde o final dos anos de chumbo da ditadura militar, foi t\u00e3o surdo \u00e0s demandas populares, no campo e nas cidades, quanto o governo Dilma. Foi o governo que menos reconheceu terras ind\u00edgenas e territ\u00f3rios quilombolas e o que menos fez assentamentos de sem terra. As decantadas pol\u00edticas sociais, decadentes sob os cortes do ajuste econ\u00f4mico que mais uma vez favorece os que t\u00eam poder, j\u00e1 n\u00e3o conseguem aludir a uma imagem \u201cpopular\u201d do governo. A surdez da Presid\u00eancia se tornou quase uma afronta aos homens e mulheres do campo com a nomea\u00e7\u00e3o para o Minist\u00e9rio da Agricultura da senadora K\u00e1tia Abreu, que sempre se mostrou inimiga dos movimentos do campo e do meio ambiente em plena crise clim\u00e1tica. E diante de tantos apelos dos mais diversos movimentos populares, mant\u00e9m o ministro da Fazenda totalmente alinhado aos interesses da classe dominante. Esperamos que a estrela que conduziu os Magos at\u00e9 Bel\u00e9m possa conduzir nosso pa\u00eds nos caminhos da normalidade democr\u00e1tica, duramente conquistada, e na supera\u00e7\u00e3o dos entraves que impedem o reconhecimento efetivo dos direitos dos pequenos e pobres. Goi\u00e2nia, 17 de dezembro de 2015. Diretoria Nacional e Coordena\u00e7\u00e3o Executiva Nacional da CPT http:\/\/www.cptnacional.org.br\/index.php\/publicacoes-2\/destaque\/3040-nota-publica-o-momento-politico-atual-e-a-surdez-do-governo-dilma<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"(Comiss\u00e3o Pastoral da Terra) Nota dos Editores: apesar de algumas diverg\u00eancias pontuais, publicamos aqui a Nota P\u00fablica da CPT por coincidirmos com o \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10109\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-10109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2D3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10109"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10109\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}