{"id":10134,"date":"2015-12-23T22:23:21","date_gmt":"2015-12-24T01:23:21","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10134"},"modified":"2016-01-18T20:11:26","modified_gmt":"2016-01-18T23:11:26","slug":"relatorio-final-da-comissao-da-verdade-do-rio-cev-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10134","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o da Verdade do Rio (CEV-Rio)"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2014_11_comissao_verdade_exercito_reproducao.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Comiss\u00e3o Nacional da Verdade &#8211; Rio<\/p>\n<p>Adital<\/p>\n<p>Ao longo de dois anos e oito meses de mandato, a Comiss\u00e3o da Verdade do Rio (CEV-Rio) trabalhou para esclarecer as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos ocorridas durante a ditadura de 1964 no \u00e2mbito do estado do Rio de Janeiro.<!--more--><\/p>\n<p>Em seu Relat\u00f3rio Final, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) apresentou quatro conclus\u00f5es inquestion\u00e1veis acerca do per\u00edodo da ditadura de 1964: houve graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos; estas possu\u00edram um car\u00e1ter sistem\u00e1tico e generalizado; configurou-se claramente um quadro de crimes contra a humanidade e, por fim, estas viola\u00e7\u00f5es persistem no presente.[1]<\/p>\n<p>O golpe de Estado de 1964 foi resultado de uma a\u00e7\u00e3o articulada entre setores das For\u00e7as Armadas e fra\u00e7\u00f5es das classes dominantes.<\/p>\n<p>Abaixo est\u00e3o listadas as conclus\u00f5es da CEV-Rio, a partir das quais a Comiss\u00e3o p\u00f4de cumprir a atribui\u00e7\u00e3o legal de apresentar recomenda\u00e7\u00f5es ao Estado.<\/p>\n<p>Durante as d\u00e9cadas de ditadura que se seguiram, houve aqueles que se beneficiaram e aqueles que foram submetidos \u00e0 viol\u00eancia do Estado. Isto porque o golpe representou a tomada do Estado por setores conservadores e reacion\u00e1rios da sociedade brasileira (militares, grandes grupos midi\u00e1ticos, empres\u00e1rios reunidos em torno do complexo IPES\/IBAD e parcela da Igreja) que implantaram um projeto elitista e antidemocr\u00e1tico, contr\u00e1rio aos interesses do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O modelo de desenvolvimento implementado pela ditadura gerou consequ\u00eancias nefastas para as classes trabalhadoras, tanto no meio rural quanto no urbano.<\/p>\n<p>Os setores populares, mobilizados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960 por reformas estruturais que ampliariam a democracia e os direitos, logo ap\u00f3s o golpe de 1964 foram sufocados e suas demandas, reprimidas. O regime ditatorial aumentou a desigualdade social de forma acentuada. No Rio de Janeiro, uma das faces mais nefastas deste modelo foi a pol\u00edtica urbana segregadora contra os mais pobres, que removeu mais de cem mil pessoas de favelas da cidade.<\/p>\n<p>No campo, tamb\u00e9m houve deslocamento for\u00e7ado de camponeses e comunidades tradicionais em raz\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos, al\u00e9m de outros conflitos que deixaram dezenas de mortos e desaparecidos. A CEV-Rio comprovou a responsabilidade do Estado em 15 casos de execu\u00e7\u00e3o e desaparecimento for\u00e7ado de camponeses, incluindo seus nomes na lista de mortos e desaparecidos.<\/p>\n<p>Os atos de viol\u00eancia do regime tamb\u00e9m atingiram aqueles que n\u00e3o se adequavam \u00e0 sua concep\u00e7\u00e3o moral conservadora.<\/p>\n<p>A ditadura identificava quaisquer formas de comportamento diferentes da tradi\u00e7\u00e3o conservadora, racista e moralista como desviantes e subversivas. Assim, o setor LGBT foi perseguido e sua luta por igualdade reprimida.<\/p>\n<p>Da mesma forma, os valores morais sobre o lugar da mulher na sociedade manifestaram-se de forma mais intensa quando as militantes foram submetidas \u00e0s viol\u00eancias sexuais e demais torturas que evidenciavam as diferen\u00e7as e hierarquias de g\u00eanero embutidas nos padr\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o masculina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como o mito da democracia racial era um importante elemento de sustenta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do regime, a ditadura reprimiu fortemente as mobiliza\u00e7\u00f5es negras e as lutas antirracistas.<\/p>\n<p>A ditadura institucionalizou o Terror de Estado ao construir uma complexa estrutura para eliminar a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, armada ou n\u00e3o, e as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda.<\/p>\n<p>O golpe de 1964 inaugurou um per\u00edodo de extrema viol\u00eancia, em que agentes do Estado, agindo sob ordem direta dos presidentes-ditadores, foram respons\u00e1veis por graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos como pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, torturas, execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias e desaparecimentos for\u00e7ados.<\/p>\n<p>A CEV-Rio avan\u00e7ou na elucida\u00e7\u00e3o de diversos crimes, como na Chacina de Quitino, quando tr\u00eas militantes foram sumariamente executados e no caso do ex-deputado Rubens Paiva, morto sob tortura no DOI-CODI e at\u00e9 hoje desaparecido.<\/p>\n<p>As graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos ocorreram em estruturas oficiais do Estado, com o planejamento, autoriza\u00e7\u00e3o e conhecimento da c\u00fapula militar e pol\u00edtica do regime.<\/p>\n<p>Diversas unidades militares e delegacias civis, bem como centros clandestinos mantidos pelas For\u00e7as Armadas, foram palco da viol\u00eancia ditatorial no estado do Rio de Janeiro. A CEV-Rio fez dilig\u00eancias a v\u00e1rias delas, permitindo que pela primeira vez ex-presos pol\u00edticos adentrassem espa\u00e7os como o DOPS e o DOI-CODI.<\/p>\n<p>A voz e a mem\u00f3ria destes atingidos s\u00e3o comprova\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel das viola\u00e7\u00f5es ocorridas. A estrutura da repress\u00e3o se espraiou por todo o estado, incluindo munic\u00edpios como Petr\u00f3polis, Nova Friburgo, Barra Mansa, S\u00e3o Gon\u00e7alo, Niter\u00f3i, Volta Redonda e Maca\u00e9.<\/p>\n<p>As for\u00e7as de seguran\u00e7a foram remodeladas para servir \u00e0 repress\u00e3o e o Estado foi amplamente militarizado. O legado deixado pelo per\u00edodo de arb\u00edtrio continua vis\u00edvel e presente ainda hoje.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o aos militares que pensavam diferente, a subordina\u00e7\u00e3o das Pol\u00edcias Militares ao Ex\u00e9rcito, a autoriza\u00e7\u00e3o do uso da viol\u00eancia e a legitima\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos contra um suposto inimigo interno por meio da Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional foram respons\u00e1veis por fazer das pr\u00f3prias for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado o principal vetor da viol\u00eancia e da barb\u00e1rie na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O desmonte dos DOI-CODIs foi marcado por atos terroristas de extrema direita, como o caso dacarta-bomba enviada \u00e0 OAB que vitimou Lyda Monteiro, elucidado pela CEV-Rio.<\/p>\n<p>O fim da ditadura n\u00e3o gerou reformas institucionais suficientes que permitissem a supera\u00e7\u00e3o deste cen\u00e1rio de viol\u00eancia, persistindo, no presente, o quadro de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cev-rio.org.br\/site\/arq\/CEV-Rio-Relatorio-Final.pdf\" target=\"_blank\">Confira aqui o relat\u00f3rio final completo dispon\u00edvel no site da Comiss\u00e3o da Verdade do Rio<\/a>.<\/p>\n<p>1. BRASIL. Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. Relato\u0301rio\/Comissa\u0303o Nacional da Verdade. Bras\u00edlia: CNV, 2014. Volume I. pp. 962-923.<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Nacional da Verdade &#8211; Rio<\/p>\n<p>http:\/\/www.cev-rio.org.br\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Comiss\u00e3o Nacional da Verdade &#8211; Rio Adital Ao longo de dois anos e oito meses de mandato, a Comiss\u00e3o da Verdade do Rio \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10134\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-10134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Ds","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10134\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}