{"id":10207,"date":"2016-01-05T11:29:26","date_gmt":"2016-01-05T14:29:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10207"},"modified":"2016-02-02T18:08:07","modified_gmt":"2016-02-02T21:08:07","slug":"a-argentina-oscila-entre-a-crise-de-governabilidade-e-a-ditadura-mafiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10207","title":{"rendered":"A Argentina oscila entre a crise de governabilidade e a ditadura mafiosa"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/rq0yNuWU33wtG_R43jJCFrpB3qiwyVyKN7Z1Dav3uooX5PYPHjwvQb3fvGtZGZ6G7wuAFHDFPAFPuHtR8pVl0GECN-wTPtQU7EGUm8yUrUUHhoMIdHFj=s0-d-e1-ft#http:\/\/resistir.info\/beinstein\/imagens\/abutres_benjamin_dumas.jpg\" alt=\"\" \/>por Jorge Beinstein<\/p>\n<p>Foi\u00a0assinalado at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o que, pela primeira vez em um s\u00e9culo, no dia 10 de Dezembro de 2015 a direita chegou ao governo sem ocultar o seu rosto, sem fraude, sem golpe militar, atrav\u00e9s de elei\u00e7\u00f5es supostamente limpas. Seria um facto in\u00e9dito.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio esclarecer tr\u00eas coisas:<\/p>\n<p>Em primeiro lugar \u00e9 evidente que n\u00e3o se tratou de &#8220;elei\u00e7\u00f5es limpas&#8221; e sim de um processo assim\u00e9trico, completamente distorcido por uma manipula\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica sem precedentes na Argentina, ativada h\u00e1 v\u00e1rios anos mas que finalmente derivou numa opera\u00e7\u00e3o muito refinada e esmagadora. Consumada a opera\u00e7\u00e3o eleitoral a presidenta cessante foi substitu\u00edda umas poucas horas antes da transmiss\u00e3o do comando presidencial mediante um golpe de estado\u00a0&#8220;judicial&#8221;,\u00a0demonstra\u00e7\u00e3 o de for\u00e7a do poder real que desse modo estabelecia um precedente importante, na realidade o primeiro passo do novo regime.<\/p>\n<p>Isto leva-nos a um segundo esclarecimento: o kirchnerismo n\u00e3o produziu transforma\u00e7\u00f5es estruturais decisivas do sistema, introduziu reformas que inclu\u00edram vastos setores das classes baixas, reivindica\u00e7\u00f5es populares insatisfeitas (como o julgamento de protagonistas da \u00faltima ditadura militar), implementou uma pol\u00edtica internacional que distanciou o pa\u00eds da submiss\u00e3o integral aos Estados Unidos e outras medidas que se super-puseram a estruturas e grupos de poder anteriormente existentes.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o gerou uma avalanche plebeia capaz de neutralizar as bases sociais da direita rompendo os pilares do sistema (seus aparelhos judiciais, m<\/p>\n<p>\u200b<br \/> edi\u00e1ticos, financeiros, transnacionais, etc) desarticulando a arremetida reacion\u00e1ria. A alternativa transformadora radicalizada estava completamente fora do libreto progressista, a ast\u00facia, o jogo h\u00e1bil e seus bons resultados no curto e at\u00e9 no m\u00e9dio prazo maravilharam o kirchenirismo, levou-o a um caminho sinuoso, acumulando contradi\u00e7\u00f5es, marchando assim rumo \u00e0 derrota final. Nunca se prop\u00f4s transgredir os limites do sistema, saltar por cima da institucionalidade elitista-mafiosa das camarilhas judiciais apoiadas pelo partido medi\u00e1tico, componentes de uma lumpen-burguesia que aproveitou o restabelecimento da governabilidade p\u00f3s 2001-2002 para curar suas feridas, recuperar for\u00e7as e renovar seu apetite.<\/p>\n<p>Como era previs\u00edvel, as classes m\u00e9dias, grandes benefici\u00e1rias da prosperidade econ\u00f3mica dos anos do auge progressista, n\u00e3o se viraram de maneira agradecida para o kirchenerismo e sim muito pelo contr\u00e1rio. A\u00e7uladas pelo poder medi\u00e1tico retomaram velhos preconceitos reacion\u00e1rios, sua ascens\u00e3o social reproduziu formas culturais latentes provenientes do velho gorilismo, do desprezo pela\u00a0&#8220;negrada&#8221;\u200b \u200b<br \/> entroncando com a onda regional e ocidental em curso de aproxima\u00e7\u00f5es das classes m\u00e9dias ao neofascismo. N\u00e3o se tratou ent\u00e3o de uma simples manipula\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica manejada por um aparelho comunicacional bem oleado e sim do aproveitamento direitista de irracionalidades ancoradas no mais profundo da alma do pa\u00eds burgu\u00eas.<\/p>\n<p>A terceira observa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o fen\u00f3meno n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o novo assim. Apesar de ser certo que o processo de manipula\u00e7\u00e3o eleitoral se inscreve no \u00e2mbito do progressismo latino-americano e que foi realizado de maneira impec\u00e1vel por especialistas de primeiro n\u00edvel, certamente monitorados pelo aparelho de intelig\u00eancia dos Estados Unidos, n\u00e3o dever\u00edamos esquecer que antes a chegada do peronismo, em 1945, a sociedade argentina fora moldada por cerca de um s\u00e9culo de rep\u00fablica olig\u00e1rquica (que n\u00e3o foi abolida durante o per\u00edodo de governos radicais entre 1916 e 1930) deixando marcas culturais e institucionais muito profundas que atravessam as sucessivas transforma\u00e7\u00f5es das elites dominantes como uma esp\u00e9cie de refer\u00eancia m\u00edtica de uma \u00e9poca onde supostamente os de cima mandavam mediante estruturas autorit\u00e1rias est\u00e1veis. Constitui uma curiosa causalidade carregada de simbolismo mas o certo \u00e9 que foi o presidente &#8220;cautelar-instant\u00e2neo&#8221; Federico Pinedo, imposto pela m\u00e1fia judicial, o encarregado de entregar o bast\u00e3o presidencial a Macri. Federico Pinedo: neto de Federico Pinedo, uma das figuras mais representativas da restaura\u00e7\u00e3o olig\u00e1rquica dos anos 1930, bisneto de Federico Pinedo Rubio, intendente de Buenos Aires at\u00e9 fins do s\u00e9culo XIX e a seguir deputado nacional um per\u00edodo prolongado como representante do velho partido conservador. Seguir a trajet\u00f3ria dessa fam\u00edlia permite observar a ascens\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do pa\u00eds aristocr\u00e1tico colonial constru\u00eddo desde meados do s\u00e9culo XIX. O long\u00ednquo descendente daquela oligarquia foi o encarregado de entregar os atributos do comando presidencial a Maur\u00edcio Macri, que por sua vez \u00e9 herdeiro de um cl\u00e3 familiar mafioso de raiz \u00edtalo-fascista\u00a0[1]\u00a0, instaurador de um &#8220;governo de gerentes&#8221;. Os fantasmas de um golpe de estado instant\u00e2neo estabeleceram um la\u00e7o simb\u00f3lico entre a lumpen-burgues\u00eda atual e a velha casta olig\u00e1rquica.<\/p>\n<p>A crise<\/p>\n<p>O contexto econ\u00f3mico internacional \u00e9 dado por uma crise deflacion\u00e1ria ativada pelo desinchar das grandes pot\u00eancias econ\u00f3micas. Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia e Jap\u00e3o a navegarem hoje entre o crescimento an\u00e9mico, o estancamento e a recess\u00e3o, a China a desacelerar seu crescimento e o Brasil em recess\u00e3o sobredeterminam uma conjuntura marcada pelo arrefecimento da procura global, o que deprime os pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas e estagna ou diminui os mercados de produtos industriais. Em suma, um panorama mundial negativo para um pa\u00eds como a Argentina que \u00e9 principalmente exportador de mat\u00e9rias-primas e em menor escala de produtos industriais de n\u00edvel tecnol\u00f3gico m\u00e9dio-baixo.<\/p>\n<p>Perante esse ciclo internacional adverso, do ponto de vista te\u00f3rico a economia argentina para n\u00e3o cair na recess\u00e3o deveria apoiar-se cada vez mais na expans\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do seu mercado interno, do seu tecido industrial, da sua autonomia financeira. Contudo, o governo Macri inicia seu mandato fazendo exatamente o contr\u00e1rio: diminuindo o mercado interno mediante a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica em termos reais de sal\u00e1rios e pens\u00f5es, aumentando o endividamento externo, desprotegendo o grosso da estrutura industrial. \u00c9 nesse sentido que apontam as suas decis\u00f5es econ\u00f3micas iniciais como a mega-desvaloriza\u00e7\u00e3o, a elimina\u00e7\u00e3o ou diminui\u00e7\u00e3o de impostos \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, a subida das taxas de juros, a liberaliza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es e em breve a elimina\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios aos servi\u00e7os p\u00fablico com o consequente aumento das suas tarifas. Trata-se de uma gigantesca transfer\u00eancia de rendimentos para os grupos econ\u00f3micos mais concentrados (grandes exportadores agr\u00e1rios, empresas e especuladores financeiros possuidores de fundos em d\u00f3lares, etc), de um saqueio descomunal que se ir\u00e1 prolongando no tempo ao ritmo das subidas de pre\u00e7os, das depress\u00f5es salariais, das desvaloriza\u00e7\u00f5es e das tarifa\u00e7\u00f5es. Crescer\u00e1 o desemprego, a pobreza e a indig\u00eancia, a concentra\u00e7\u00e3o de rendimentos avan\u00e7ar\u00e1 (j\u00e1 est\u00e1 a avan\u00e7ar) rapidamente, o crescimento econ\u00f3mico nulo ou negativo ser\u00e3o inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Segundo certos peritos estar\u00edamos embarcados numa voragem completamente irracional assinalada pelo decl\u00ednio do grosso da ind\u00fastria e pela desintegra\u00e7\u00e3o da sociedade, resultado da aplica\u00e7\u00e3o ortodoxa de receitas neoliberais\u00a0&#8220;equivocadas&#8221;.\u00a0Mas o governo n\u00e3o se equivoca, atua segundo a din\u00e2mica de uma lumpen-burguesia portadora de uma racionalidade instrumental cujo fim \u00e9 apenas a acumula\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de riquezas saqueando tudo o que se cruza no seu caminho. A racionalidade dos bandidos donos do poder n\u00e3o \u00e9 a do desenvolvimento econ\u00f3mico harmonioso e geral que se aninha na cabe\u00e7a de certos economistas.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que pass\u00e1mos de uma vers\u00e3o suave da pol\u00edtica econ\u00f3mica contra-c\u00edclica (do ponto de vista da tend\u00eancia geral da economia global) para uma pol\u00edtica pr\u00f3-c\u00edclica que se se incorpora com not\u00e1vel ferocidade \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o geral (financeira, institucional, ideol\u00f3gica, etc) do mundo capitalista.<\/p>\n<p>O progressismo governou entre 2003 e 2015 restabelecendo a governabilidade do sistema. Tudo andou bem enquanto a besta lambia suas feridas num contexto de relativa prosperidade, recompondo-se do terramoto dos anos 2001-2001. Mas a partir de 2008 as coisas foram mudando: o achatamento do crescimento econ\u00f3mico exacerbou sua vontade de abocanhar uma por\u00e7\u00e3o maior do bolo. Nesse sentido o 10 de Dezembro de 2015 pode ser visto como o ponto de inflex\u00e3o, como um salto qualitativo do poder draculiano das elites dominantes, inaugurando uma etapa de decad\u00eancia da sociedade argentina. As for\u00e7as entr\u00f3picas, devastadoras, conseguiram impor sua din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Dois cen\u00e1rios<\/p>\n<p>Encontramo-nos diante dos primeiros passos de uma aventura autorit\u00e1ria de trajet\u00f3ria incerta. N\u00e3o se trata de um fato resultante do acaso e sim do resultado de um prolongado processo de matura\u00e7\u00e3o (degenera\u00e7\u00e3o) das elites dominantes da Argentina convertidas em matilhas depredadoras que coincide com o fen\u00f3meno global da financiariza\u00e7\u00e3o e decad\u00eancia. Basta dar uma olhadela ao governo e seus apoios onde super-abundam personagens acusados de serem delinquentes financeiros como Prat Gay, Melconian ou Aranguren, ou &#8220;padrinhos&#8221; como Cristiano Rattazzi, Paolo Roca, Franco Macri (e seu filho presidente) ou de outros assinalados como agentes da CIA como Susana Malcorra ou Patricia Bullrich\u00a0[2]\u00a0para perceber que a trag\u00e9dia local n\u00e3o \u00e9 mais que um ap\u00eandice perif\u00e9rico de um capitalismo global embarcado numa louca corrida liderada por lobos da Wall Street, militares delirantes e pol\u00edticos corruptos que destroem pa\u00edses inteiros, triturando institui\u00e7\u00f5es, saqueando recursos naturais, impondo um processo de destrui\u00e7\u00e3o \u00e0 escala planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>A lumpen-burguesia argentina, sua articula\u00e7\u00e3o mafiosa na c\u00fapula do poder (empresarial, judicial, medi\u00e1tico) e seus prolongamentos institucionais e abertamente ilegais deixaram de ser a for\u00e7a dominante nas sombras, saqueando, condicionando, bloqueando, impondo, para assumir abertamente o governo. Isto pode ser atribu\u00eddo a v\u00e1rios motivos\u200b,\u200b<br \/> entre outros a inexist\u00eancia de um elenco de &#8220;pol\u00edticos&#8221; com capacidade de decis\u00e3o para implementar o mega-saqueio em curso, pelo que s\u00e3o os gerentes que se devem encarregar de maneira direta do Poder Executivo, ou seja &#8220;t\u00e9cnicos&#8221; completamente alheios \u00e0 embrulhada eleitoral.<\/p>\n<p>O novo esquema torna-se sumamente eficaz na hora de adotar medidas contundentes contra a maioria da popula\u00e7\u00e3o mas parece muito pouco \u00fatil para amortecer o inevit\u00e1vel descontentamento popular (inclusive o de uma por\u00e7\u00e3o significativa dos incautos votantes de Macri). As camarilhas sindicais poder\u00e3o durante um curto per\u00edodo de tempo gerar ina\u00e7\u00e3o, alguns pol\u00edticos provinciais pressionar\u00e3o no mesmo sentido, os meios maci\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o procurar\u00e3o distrair, confundir, justificar (j\u00e1 est\u00e3o a faz\u00ea-lo) intensificando a campanha de idiotiza\u00e7\u00e3o \u2013 mas tudo isso \u00e9 insuficiente frente \u00e0 magnitude do desastre em curso.<\/p>\n<p>Por outro lado o car\u00e1cter lumpen, inst\u00e1vel do regime macrista afetado por previs\u00edveis disputas internas, golpes financeiros, turbul\u00eancias ex\u00f3genas de todo tipo pr\u00f3prias de um sistema global \u00e0 deriva e al\u00e9m disso (principalmente) pressionado por uma base social cujo descontentamento ir\u00e1 ascendendo como uma avalanche gigantesca, vai deixando a descoberto a \u00fanica alternativa poss\u00edvel da governabilidade mafiosa.<\/p>\n<p>Trata-se da forma\u00e7\u00e3o de um sistema ditatorial com rosto civil e de configura\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel. Tem claros antecedentes internacionais recentes, vem guiado pelo aparelho de intelig\u00eancia dos Estados Unidos e apoia-se na chamada doutrina da Guerra de Quarta Gera\u00e7\u00e3o cujo objetivo central \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade objeto de ataque numa massa amorfa, degradada, acossada por erup\u00e7\u00f5es\u200b \u200b<br \/> &#8220;desordenadas&#8221;\u00a0de viol\u00eancia ca\u00f3tica e em consequ\u00eancia impotente perante o saqueio. O Iraque, L\u00edbia e S\u00edria surgem como experi\u00eancias de manual extremas e long\u00ednquas, o M\u00e9xico e a Guatemala s\u00e3o paradigmas latino-americanos a ter em conta ainda que a especificidade argentina certamente contribuir\u00e1 com tra\u00e7os originais. Temos que pensar numa combina\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica de diferentes doses de repress\u00e3o direta &#8220;cl\u00e1ssica&#8221;, judicializa\u00e7\u00e3o de opositores sindicais, pol\u00edticos, etc, bombardeio medi\u00e1tico (diversionista e\/ou demonizador), repress\u00e3o clandestina, incentivos \u00e0s rivalidades intra-populares (quanto mais sanguin\u00e1rias melhor), irrup\u00e7\u00e3o de bandos que aterrorizem a popula\u00e7\u00e3o (como as\u00a0maras\u00a0na Am\u00e9rica Central ou os batalh\u00f5es de narcos no M\u00e9xico), fraudes eleitorais, etc.<\/p>\n<p>Contudo essa estrat\u00e9gia n\u00e3o se pode instalar plenamente de um dia para o outro. Ela requer certo tempo e uma certa passividade inicial das bases populares. Al\u00e9m disso encontraria s\u00e9rias dificuldades diante de uma sociedade complexa como a Argentina, com um amplo leque de classes baixas e m\u00e9dias portadoras de culturas, capacidade de organiza\u00e7\u00e3o, de hist\u00f3rias a partir da vis\u00e3o superficial dos gerentes financeiros e dos peritos em controle social n\u00e3o surgem como amea\u00e7as vis\u00edveis (ou surgem como resist\u00eancias ou nostalgias impotentes) mas que constituem lat\u00eancias, bombas de tempo de enorme poder que podem explodir a qualquer momento. Este desafio de baixo converge com o temor dos de cima a tumultos n\u00e3o administr\u00e1veis conformando grandes interroga\u00e7\u00f5es gelatinosas que generalizam a incerteza nas elites, deterioram sua psicologia.<\/p>\n<p>A n\u00e3o viabilidade desse cen\u00e1rio sinistro, seu poss\u00edvel atolamento, deixaria aberto o espa\u00e7o para o desenvolvimento de um segundo cen\u00e1rio: o de uma crise de governabilidade muito mais devastadora que a de 2001. Nesse caso a fantasia elitista da recomposi\u00e7\u00e3o ditatorial-mafiosa do poder pol\u00edtico n\u00e3o teria sido sen\u00e3o uma ilus\u00e3o burguesa acompanhando o fim da governabilidade, o come\u00e7o de um per\u00edodo de alta turbul\u00eancia, de desintegra\u00e7\u00e3o social de dura\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel. O progressismo t\u00e3o desprezado pelas elites e seus preservativos da classe m\u00e9dia teria sido um para\u00edso capitalista destru\u00eddo pelos seus principais benefici\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea o inferno mafioso n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, ainda que n\u00e3o dev\u00eassemos subestimar a capacidade operativa dos seus executores locais e do seu mega padrinho imperial. Os Estados Unidos est\u00e3o lan\u00e7ados \u00e0 reconquista do seu p\u00e1tio traseiro latino-americano.<\/p>\n<p>Para onde vai esta hist\u00f3ria? A resist\u00eancia popular tem a resposta.<\/p>\n<p>27\/Dezembro\/2015<\/p>\n<p>1. Horacio Verbitsky, &#8220;A las Malvinas en subte. El rol de la P-2, los Macri, FIAT y TECHINT en la guerra de 1982&#8221;, <a href=\"http:\/\/www.pagina12.com.ar\/diario\/elpais\/1-190366-2012-03-25.html\" target=\"_blank\">www.pagina12.com.ar\/diario\/<wbr \/>elpais\/1-190366-2012-03-25.<wbr \/>html<\/a><\/p>\n<p>2.\u00a0ARGENTINA: la nueva ministra de Exteriores pertenece a la CIA, seg\u00fan Diosdado Cabello.<br \/> O presidente da Assembleia Nacional (AN) da Venezuela, Diosdado Cabello, declarou que a chanceler argentina, Susana Malcorra, pertence \u00e0 Agencia Central de Inteligencia dos EUA (CIA, na sigla em ingl\u00eas). \u00a0 &#8220;Est\u00eave aqui, recebi-a no meu gabinete, \u00e9 a pr\u00f3pria CIA, nomearam-na chanceler para o senhor (Mauricio) Macri&#8221;, presidente eleito da Argentina, sublinhou Cabello no seu programa semanal das quarta-feiras, transmitido pelo canal estatal Venezolana de Televisi\u00f3n (VTV).<br \/> Tamb\u00e9m Patricia Bullrich reporta \u00e0 &#8220;agencia&#8221; e \u00e9 prov\u00e1vel que o fa\u00e7am outros e outras, como Laura Alonso. \u00a0 O rumor que corre \u00e9 que Macri praticamente n\u00e3o conhee Malcorra e que esta lhe foi imposta telefonicamente pelo Departamento de Estado.<br \/> Ver P\u00e1jaro Rojo, 11\/12\/2015,\u00a0<a href=\"http:\/\/pajarorojo.com.ar\/?p=20433\" target=\"_blank\">pajarorojo.com.ar\/<wbr \/>?p=20433<\/a><\/p>\n<p>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/beinstein.lahaine.org\/\" target=\"_blank\">beinstein.lahaine.org<\/a><\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a>\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Jorge Beinstein Foi\u00a0assinalado at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o que, pela primeira vez em um s\u00e9culo, no dia 10 de Dezembro de 2015 a direita \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10207\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-10207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2ED","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10207\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}