{"id":10211,"date":"2016-01-05T12:02:56","date_gmt":"2016-01-05T15:02:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10211"},"modified":"2016-02-02T18:09:22","modified_gmt":"2016-02-02T21:09:22","slug":"os-recados-do-capital-internacional-dados-pela-economist","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10211","title":{"rendered":"Os Recados do Capital Internacional Dados pela Economist"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.static-economist.com\/sites\/default\/files\/imagecache\/print-cover-full\/print-covers\/20160102_cna400.jpg?w=747\" alt=\"\" \/>Hernani Cavalheiro*<\/p>\n<p>Tem causado grande pol\u00eamica nas redes sociais a mat\u00e9ria de capa da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista liberal inglesa The Economist, que trata da \u201cQueda do Brasil\u201d (Brazil\u2019s Fall)(1). De um lado, a oposi\u00e7\u00e3o de direita trata a reportagem como algo catastr\u00f3fico, ao passo que os governistas procuram amenizar o tom das cr\u00edticas, chegando a parecer, segundo alguns comentaristas chapa-branca, que a mat\u00e9ria \u00e9 elogiosa. Essa briga de comadres, entre os dois grandes blocos pol\u00edticos da burguesia brasileira, pouco interessa ao proletariado e aos militantes revolucion\u00e1rios. Entretanto, na condi\u00e7\u00e3o de importante porta-voz do Capital, a Economist permite entrever o que a burguesia internacional espera do governo. Como \u00e9 de se prever, a demanda \u00e9 por mais ataques aos trabalhadores e \u00e0s trabalhadoras.<!--more--><\/p>\n<p>1. As causas da crise<\/p>\n<p>Embora mencione a queda no pre\u00e7o das commodities como um dos fatores da crise econ\u00f4mica no Brasil, a revista enfatiza muito mais os aspectos internos e desconsidera completamente a exist\u00eancia de uma crise sist\u00eamica do capitalismo. \u00c0 men\u00e7\u00e3o, en passant, \u00e0 queda do pre\u00e7o das commodities, seguem duras cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica macroecon\u00f4mica, em especial aos gastos com previd\u00eancia (chega ao ponto de insinuar que o piso das aposentadorias deveria ser menor do que o sal\u00e1rio m\u00ednimo!). Como era de se esperar, dirige tamb\u00e9m duras cr\u00edticas \u00e0 CLT, que torna dif\u00edcil a demiss\u00e3o \u201cmesmo de trabalhadores incompetentes\u201d(2). Al\u00e9m disso, chega a comparar a CLT \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o fascista de Mussolini!<\/p>\n<p>De passagem, dirige tamb\u00e9m cr\u00edticas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dada \u00e0 burguesia brasileira, em especial \u00e0 ren\u00fancia fiscal e ao que chama de protecionismo.<\/p>\n<p>2. A nomea\u00e7\u00e3o de Barbosa<\/p>\n<p>A revista \u00e9 bastante elogiosa quanto \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de Barbosa(3) para o Minist\u00e9rio da Fazenda. Isso torna claro o car\u00e1ter diversionista da manobra governista. Ao contr\u00e1rio de \u201cpeitar\u201d o mercado, o governo o est\u00e1 agradando. A revista \u00e9 bastante clara ao dizer que ele tem condi\u00e7\u00f5es de fazer as reformas (leia-se, \u201cataques\u201d) de que o Brasil (leia-se, \u201ca burguesia\u201d) \u201cprecisa\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja, a mudan\u00e7a foi apenas uma manobra para manter iludidos os setores dos movimentos sociais que ainda ap\u00f3iam o PT e pretendem defend\u00ea-lo do impeachment, mas t\u00eam cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica macroecon\u00f4mica. Em uma s\u00f3 tacada o governo consegue manter seus apoiadores junto ao proletariado iludidos por uma expectativa de ruptura, ao mesmo tempo em que acalma os \u00e2nimos do Deus Mercado. \u201cAcalma\u201d porque estava claro como cristal que Levy n\u00e3o ia conseguir fazer passar as tais \u201creformas\u201d, e a mudan\u00e7a, para algu\u00e9m apoiado pela base do PT, o que n\u00e3o era o caso de Levy, facilita a tarefa.<\/p>\n<p>3. A crise pol\u00edtica e o impeachment<\/p>\n<p>Embora veja m\u00e9ritos na indica\u00e7\u00e3o de Barbosa, a revista \u00e9 pessimista quanto \u00e0 possibilidade da concretiza\u00e7\u00e3o das tais \u201creformas\u201d. Uma das principais raz\u00f5es para isso \u00e9 a escolha da oposi\u00e7\u00e3o de direita em jogar suas fichas no impeachment da presidente. Tal t\u00e1tica \u00e9, no dizer da revista, equivocada (\u201cmisguided\u201d) e apenas contribui para o travamento da agenda pol\u00edtica, o que, logicamente, impede a agenda das \u201creformas\u201d de prosseguir.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o para isso \u00e9 o sistema pol\u00edtico brasileiro, que teria partidos demais com representa\u00e7\u00e3o parlamentar e circunscri\u00e7\u00f5es eleitorais muito grandes, o que encareceria as campanhas e favoreceria a corrup\u00e7\u00e3o. Como, em nenhum momento, obviamente, a revista acena com a possibilidade do financiamento p\u00fablico de campanhas, a solu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica s\u00f3 pode ser uma: o sistema de distritos uninominais.<\/p>\n<p>O sistema de distritos uninominais \u00e9 aquele empregado nos EUA e no Reino Unido. Consiste em circunscri\u00e7\u00f5es eleitorais pequenas em que o candidato ou lista vencedora, independentemente de obter a maioria absoluta dos votos, leva o cargo ou cargos em disputa, sem proporcionalidade. Esse sistema, segundo a chamada \u201cLei de Duverger\u201d leva , na pr\u00e1tica \u00e0 bipartidariza\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico, j\u00e1 que o voto \u00fatil tende a cada vez mais concentrar eleitores e pol\u00edticos nos grandes partidos, por terem chance de se elegerem. Esta \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o \u201c\u00e0 direita\u201d para os problemas decorrentes do presidencialismo de coaliz\u00e3o: a definitiva \u201camericanalhiza\u00e7\u00e3o\u201d, para usar a feliz express\u00e3o de Carlos Nelson Coutinho, da pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Importante ressaltar que a revista n\u00e3o aventa essa possibilidade diretamente, mas ela \u00e9 a decorr\u00eancia l\u00f3gica de suas pondera\u00e7\u00f5es. Outra ressalva a se fazer \u00e9 que, na vis\u00e3o deste militante, tal \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o tende a prosperar, pois a burguesia brasileira parece satisfeita com o sistema atual: hegemonizado por dois blocos pouco discordantes e uma \u201cterceira via\u201d eleitoral para simular um sistema pluripartid\u00e1rio quando, na pr\u00e1tica, ele j\u00e1 \u00e9 bipartid\u00e1rio.<\/p>\n<p>4. Conclus\u00f5es<\/p>\n<p>Conforme o PCB vem alertando, qualquer que seja o lado vencedor dessa querela em torno do impeachment, o proletariado seguir\u00e1 sendo atacado. Se vencedor o PSDB, com menos pudores e mais abertamente. Se o PT, com algumas tentativas, cada vez menos frut\u00edferas, de dissimular tais ataques, coloc\u00e1-los na conta da conjuntura, para a qual ele contribui decisivamente, ou atribu\u00ed-los ao imperialismo. Tudo isso, como \u00e9 comum aos governos oportunistas e revisionistas, intercalado com sinaliza\u00e7\u00f5es de reformas e mudan\u00e7as que nunca ocorrer\u00e3o (por culpa da conjuntura ou do imperialismo, claro&#8230;)<\/p>\n<p>As \u201creformas\u201d propostas pela Economist nada trazem de novidade. Apenas reafirmam as demandas da burguesia perante o governo de turno. Por outro lado, as \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d propostas para o destravamento da crise pol\u00edtica passam por uma contrarreforma pol\u00edtica ainda mais severa ou, ao menos, pelo encaminhamento da quest\u00e3o do impeachment, para que a burguesia possa saber com quem vai contar para fazer seus ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<p>O recado do Capital, mais uma vez, est\u00e1 dado. Cabem aos setores mais avan\u00e7ados do proletariado duas tarefas principais: desiludir os grupos e militantes progressistas que defendem o governo e tentar esclarecer os trabalhadores e trabalhadoras pr\u00f3-impeachment despolitizados que as causas da crise n\u00e3o passam pelo governo de turno, contribuindo, assim, para tir\u00e1-los da \u00f3rbita da direita e elevar sua consci\u00eancia de classe. Tarefas f\u00e1ceis de nomear, mas dif\u00edceis de executar. Ningu\u00e9m nunca nos disse que ser comunista era brincadeira de crian\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>*Hernani Cavalheiro \u00e9 servidor p\u00fablico federal e militante do PCB<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1. http:\/\/www.economist.com\/news\/leaders\/21684779-disaster-looms-latin-americas-biggest-economy-brazils-fall<br \/>\n2. \u201c\u00a0Labour laws modelled on those of Mussolini make it expensive for firms to fire even incompetent employees\u201d<br \/>\n3. \u201cNelson Barbosa may be able to accomplish more as finance minister. He has political support within the PT.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Hernani Cavalheiro* Tem causado grande pol\u00eamica nas redes sociais a mat\u00e9ria de capa da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista liberal inglesa The Economist, que \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10211\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-10211","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2EH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10211\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}