{"id":10250,"date":"2016-01-15T17:02:19","date_gmt":"2016-01-15T20:02:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10250"},"modified":"2016-02-02T18:20:10","modified_gmt":"2016-02-02T21:20:10","slug":"em-meio-a-tempestade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10250","title":{"rendered":"Em meio a tempestade"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/escolas-ocupadas-sp-e1447957164208.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Estamos em meio a procela. Pairam nuvens escuras e carregadas nos c\u00e9us povoados por raios e trovoadas. N\u00e3o h\u00e1 luz \u00e0 vista. O horizonte sequer se apresenta.<!--more--><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o mundo no qual estamos, o Brasil em que vivemos. N\u00e3o existe um \u00fanico dado concreto a permitir vislumbrar sa\u00edda. Nosso pa\u00eds encontra-se emaranhado na armadilha financeira, a mesma respons\u00e1vel pela d\u00e9b\u00e2cle da Gr\u00e9cia, Portugal, Espanha, It\u00e1lia e tantas outras na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os pagamentos da pseudo d\u00edvida sangram os cofres p\u00fablicos em n\u00edvel federal, estadual e municipal. Ainda assim a presidente da Rep\u00fablica veta a auditoria da d\u00edvida p\u00fablica, sob falaciosos argumentos. Os poucos recursos restantes s\u00e3o utilizados para manter a m\u00e1quina estatal funcionando, atender interesses dos grupos econ\u00f4micos dominantes e abastecer os aliados, a corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva. Nada ou muito pouco sobra para os verdadeiros produtores, a classe trabalhadora e, consequentemente, a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>O jogo pol\u00edtico restringe-se a determinar a velocidade de entrega do restante da riqueza nacional, com destaque para o pr\u00e9-sal, bancos p\u00fablicos, Previd\u00eancia, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. O solo, o subsolo, o meio ambiente, a ci\u00eancia, a tecnologia, as \u00e1reas urbanas e rurais, os transportes, as linhas de escoamento da produ\u00e7\u00e3o, a agricultura, a ind\u00fastria, os servi\u00e7os, com destaque para a m\u00eddia, j\u00e1 t\u00eam seus des\u00edgnios tra\u00e7ados. Impublic\u00e1veis e inconfess\u00e1veis des\u00edgnios.<\/p>\n<p>As conversas do governador de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alckmin, com o prefeito da capital Fernando Haddad e com o MST s\u00e3o provas do quanto tais diferen\u00e7as podem ser deixadas de lado, por mais que interesse ao capital mant\u00ea-las, pelo menos na apar\u00eancia, a fim de garantir o Poder, j\u00e1 que s\u00e3o nos \u00faltimos anos as duas \u00fanicas alternativas existentes, ambas a atender seus ditames.<\/p>\n<p>Nesse caos vislumbram-se heroicas tentativas de rea\u00e7\u00e3o. Os estudantes secundaristas de S\u00e3o Paulo deram a senha. Mo\u00e7as e rapazes, jovens, alguns quase crian\u00e7as, a acreditar no l\u00fadico, na beleza da vida, no direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao bem-estar comum. A defender seus direitos com determina\u00e7\u00e3o. A cena, pouco divulgada, da firmeza do olhar de uma mo\u00e7a confrontando o \u00f3dio de um policial militar \u00e9 digna de um pr\u00eamio internacional. Jamais concorrer\u00e1.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 a luta contra os abusivos aumentos das passagens de \u00f4nibus. De novo a juventude vai \u00e0s ruas e enfrenta os soldados do asfalto, c\u00e3es de guerra a defender os interesses da burguesia e a agredir barbaramente aqueles que ousam se levantar contra eles.<\/p>\n<p>Os alunos t\u00eam a quem puxar. Os professores do Paran\u00e1, de S\u00e3o Paulo, do Rio de Janeiro e de tantas outras cidades tamb\u00e9m se levantam contra o pior sal\u00e1rio comparativo em n\u00edvel mundial para educadores. Da mesma maneira s\u00e3o massacrados pela pol\u00edcia, treinada n\u00e3o para proteger os cidad\u00e3os, mas para agredi-los e mat\u00e1-los, como bem sabem as comunidades mais carentes, sistematicamente a verem seus filhos assassinados.<\/p>\n<p>A falta de sa\u00fade do estado do Rio de Janeiro \u00e9 um caso t\u00e3o dr\u00e1stico que sequer vale a pena comentar, apenas destacar o desafio do governador para que o processem por sua in\u00e9pcia administrativa. Ele tem maioria na Alerj, \u00e9 s\u00f3cio daqueles que poderiam puni-lo.<\/p>\n<p>Como da pr\u00f3pria cobra vem a cura para o veneno, outros setores da sociedade se levantam. Servidores do estado do Rio por atrasos de sal\u00e1rios, ind\u00edgenas contra a PEC 215, trabalhadores da CSN contra as demiss\u00f5es, tamb\u00e9m da Cemig, trabalhadores rurais via MST etc. At\u00e9 os jornalistas, fato raro, t\u00eam feito paralisa\u00e7\u00f5es, apesar das assombrosas demiss\u00f5es que sofre a categoria,<\/p>\n<p>O destaque s\u00e3o os moradores de pequena Vila Soma, comunidade de Sumar\u00e9, na periferia da Grande S\u00e3o Paulo. Dez mil fam\u00edlias amea\u00e7adas de despejo montaram um pequeno ex\u00e9rcito para enfrentar a pol\u00edcia militar. Com toscos escudos, capacetes e bast\u00f5es se preparam para uma batalha anunciada.<\/p>\n<p>Fato similar ocorreu em 2012, em Pinheirinhos, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos. A primeira vista o saldo foram v\u00e1rios feridos e detidos. Um olhar mais acurado, entretanto, vislumbra a radicalidade das rea\u00e7\u00f5es, indicando que o sistema atual j\u00e1 n\u00e3o consegue impor seus ditames como dantes. A popula\u00e7\u00e3o come\u00e7a a perder credibilidade nas institui\u00e7\u00f5es e buscar garantir por si pr\u00f3pria os seus direitos.<\/p>\n<p>Pode ser apenas uma brisa a se perder na tempestade, mas tamb\u00e9m pode ser sinal de um vento novo que se avizinha, a debelar a procela e trazer a luz do horizonte.<\/p>\n<p>Afonso Costa<\/p>\n<p>Jornalista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estamos em meio a procela. Pairam nuvens escuras e carregadas nos c\u00e9us povoados por raios e trovoadas. N\u00e3o h\u00e1 luz \u00e0 vista. 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