{"id":10266,"date":"2016-01-16T22:25:43","date_gmt":"2016-01-17T01:25:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10266"},"modified":"2016-02-11T22:38:42","modified_gmt":"2016-02-12T01:38:42","slug":"o-levante-dos-secundaristas-em-sao-paulo-a-juventude-aponta-os-rumos-da-luta-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10266","title":{"rendered":"O levante dos secundaristas em S\u00e3o Paulo: a juventude aponta os rumos da luta popular"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/brasil\/imagens\/ee_maria_jose.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><b>Edmilson Costa*<\/b><\/p>\n<p><i>A escola \u00e9 nossa. N\u00e3o tem <a href=\"http:\/\/www.dicionarioinformal.com.br\/arrego\/\" target=\"_blank\">arrego<\/a>. Se fechar, vamos tirar seu sossego.<br \/>\nPalavra de ordem dos estudantes<\/i><!--more--><\/p>\n<p>O levante vitorioso dos estudantes secundaristas de S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o de mais de 220 escolas e a derrota do governo do PSDB paulista, se inscreve nos marcos do ciclo de lutas sociais que se abriu com as jornadas de junho de 2013 e que vem se mantendo ativo desde aquele per\u00edodo, al\u00e9m de guardar estreita rela\u00e7\u00e3o com os impactos da crise sist\u00eamica global no Brasil. Se observarmos o desenvolvimento das lutas sociais no Pa\u00eds desde ent\u00e3o poderemos verificar n\u00e3o s\u00f3 o aumento das greves em todos os setores dos trabalhadores (metal\u00fargicos, petroleiros, metrovi\u00e1rio, rodovi\u00e1rios, banc\u00e1rios, professores, servidores p\u00fablicos), mas especialmente um conjunto de lutas realizadas pela juventude com elevado grau de organiza\u00e7\u00e3o e originalidade, justamente as que conseguiram maiores vit\u00f3rias concretas contra as pol\u00edticas neoliberais.<\/p>\n<p>Como afirm\u00e1vamos em trabalhos anteriores <a href=\"http:\/\/resistir.info\/brasil\/levante_secundaristas_12jan16.html#notas\" target=\"_blank\"><b>[1]<\/b><\/a> , as manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013 abriram um novo ciclo de lutas sociais que vem questionando de maneira cada vez mais expl\u00edcita a contradi\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel de desenvolvimento econ\u00f4mico do Pa\u00eds (s\u00e9tima economia do mundo) e as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o (o Brasil ocupa a 75\u00ba posi\u00e7\u00e3o no ranking do \u00cdndice de desenvolvimento Humano da ONU), atr\u00e1s mesmo de pa\u00edses africanos e latino-americanos. O processo que se iniciou em 2013 vai continuar sua trajet\u00f3ria, muito embora de maneira n\u00e3o linear, porque nenhum dos problemas colocados por aquelas manifesta\u00e7\u00f5es foram resolvidos. Pelo contr\u00e1rio: est\u00e3o sendo agravados pela pol\u00edtica de ajustes neoliberais implementados pelo governo, o que levar\u00e1 com certeza a um acirramento da luta de classes no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, estamos vivenciando tamb\u00e9m o fim do ciclo iniciado com as greves do final da d\u00e9cada de 70 no ABC e que forjaram os principais instrumentos pol\u00edticos e sociais no Brasil, como o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT). Essas organiza\u00e7\u00f5es cumpriram um papel importante na luta de classe no per\u00edodo e na luta contra a ditadura, mas aos poucos foram se amoldando \u00e0 ordem at\u00e9 se transformarem em principais instrumentos da pr\u00f3pria ordem e se voltarem contra a luta dos trabalhadores. Metamorfosearam-se de uma maneira t\u00e3o r\u00e1pida que n\u00e3o ter\u00e3o qualquer papel de relevo neste ciclo que se abriu em 2013. Ainda poder\u00e3o sobreviver como entidades formais, mas sem a garra e o protagonismo que tiveram naquele per\u00edodo, at\u00e9 mesmo porque a luta de classes no Brasil est\u00e1 colocando novas quest\u00f5es e reclamando a constitui\u00e7\u00e3o de novos instrumentos para conduzir as transforma\u00e7\u00f5es no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>As ocupa\u00e7\u00f5es realizadas pelos estudantes secundaristas de S\u00e3o Paulo, ao contr\u00e1rio do que ocorreu com as lutas da juventude em 2013, foram marcadas surpreendentemente por elevado n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o e originalidade, mesmo levando em conta que esses estudantes eram crian\u00e7as e adolescentes entre 13 e 18 anos, com quase nenhuma experi\u00eancia, posto que estavam debutando na luta de classes. Alguns meses atr\u00e1s, quem previsse que esses jovens seriam capazes de derrotar um governo arrogante e truculento, blindado pela m\u00eddia, com apoio das camadas m\u00e9dias conservadoras e que tratava a quest\u00e3o social como caso de policia, seria tachado de louco ou vision\u00e1rio. Mas as lutas sociais sempre surpreendem aqueles que n\u00e3o atentam aos meandros da conjuntura.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, os secundaristas conseguiram uma proeza pouco verificada nos \u00faltimos anos: uniram um amplo leque de for\u00e7as pol\u00edticas e sociais, que envolveu os professores, os pais e m\u00e3es de alunos, os movimentos sociais, os artistas e v\u00e1rios segmentos da popula\u00e7\u00e3o. Criou-se quase que espontaneamente uma rede solidariedade em torno do movimento, que aumentava \u00e0 medida que as ocupa\u00e7\u00f5es se ampliavam e a repress\u00e3o se intensificava. A popula\u00e7\u00e3o levou comida, \u00e1gua e refrigerantes, os sindicatos ofereceram colch\u00f5es e barracas, os professores deram aulas alternativas, os artistas cantaram e tocaram gratuitamente nas escolas ocupadas e criou-se at\u00e9 uma guarda informal, os <i>Guardi\u00e3s das Escolas, <\/i>uma articula\u00e7\u00e3o que mobilizava rapidamente, atrav\u00e9s das redes sociais, centenas de pessoas na frente das escolas diante de qualquer tentativa de repress\u00e3o da pol\u00edcia nas ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as ocupa\u00e7\u00f5es demonstraram que o mito de bom mo\u00e7o constru\u00eddo pela m\u00eddia em torno do governador Geraldo Alckmin, do PSDB, partido que est\u00e1 h\u00e1 mais de 20 anos no poder em S\u00e3o Paulo, foi por \u00e1gua a baixo. A m\u00eddia corporativa sempre procurou apresentar o governador como homem trabalhador, propenso ao di\u00e1logo, preocupado com os problemas da popula\u00e7\u00e3o, mas a pr\u00f3pria m\u00eddia foi obrigada a veicular imagens de trucul\u00eancia da Pol\u00edcia Militar contra crian\u00e7as e adolescentes dentro das escolas, mesmo com a justi\u00e7a tendo proibido a pol\u00edcia de entrar nestes estabelecimentos de ensino, e tamb\u00e9m as barbaridades repressivas nas ruas, com espancamento e pris\u00f5es de menores.<\/p>\n<p>A imagem de bom mo\u00e7o foi-se deteriorando e a prova maior disso pode ser refletida em uma pesquisa do <i>Instituto Data Folha, <\/i>que mostrou a queda brusca da popularidade do governador. Preocupado com as futuras elei\u00e7\u00f5es presidenciais, onde \u00e9 um dos pretendentes, Alckmin jogou a toalha e revogou o decreto de reorganiza\u00e7\u00e3o das escolas, que foi a causa das mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis e das ocupa\u00e7\u00f5es. Mesmo assim, o governo ainda tentou cinicamente esconder a derrotar ao aparecer na imprensa dizendo que a revoga\u00e7\u00e3o do processo de reorganiza\u00e7\u00e3o ocorreu em respeito \u00e0 mensagem dos estudantes, familiares e da comunidade. \u00c9 ris\u00edvel, mas cada um tem o direito de esconder seus fracassos da maneira que melhor lhe conv\u00e9m.<\/p>\n<p><b>A reorganiza\u00e7\u00e3o e os objetivos do governo <\/b><\/p>\n<p>Sem consultar os alunos, nem os professores, nem a sociedade, o governador anunciou um decreto que iniciava um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da rede estadual de ensino, atrav\u00e9s do qual haveria um grande remanejamento de alunos e escolas, de forma a que a rede escolar fosse estruturada por ciclos. Os alunos de cada ciclo (fundamental I, fundamental II e ensino m\u00e9dio) seriam agrupados em unidades espec\u00edficas, de acordo com cada ciclo. O secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o dizia que a reorganiza\u00e7\u00e3o visava n\u00e3o s\u00f3 racionalizar o ensino, mas tamb\u00e9m melhorar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o. Junto ao pacote, tamb\u00e9m era anunciado sorrateiramente o <b>fechamento de 94 escolas<\/b>e cerca de 311 mil alunos deveriam ser remanejados e centenas de professores perderiam seu emprego. O governo tamb\u00e9m divulgou que as mudan\u00e7as estavam baseadas em estudo de uma consultora especializada, mas espertamente se recusou a divulgar os fundamentos nos quais o estudo estava baseado. Foi necess\u00e1rio que um \u00f3rg\u00e3o de imprensa apelasse para a <i>Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o<\/i>a fim de obter a \u00edntegra do estudo.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo se tomou conhecimento do estudo, come\u00e7ou um intenso processo de discuss\u00e3o, especialmente porque, quando o documento ficou conhecido na \u00edntegra, p\u00f4de-se verificar a inconsist\u00eancia de seus fundamentos. Todas as Faculdades de Educa\u00e7\u00e3o do Estado (USP, Unicamp, Unesp, Unifesp, Federal do ABC, UFSCAR), justamente as institui\u00e7\u00f5es que formam a maior parte dos professores da rede p\u00fablica do Estado, lan\u00e7aram documentos criticando a medida e buscando revelar os verdadeiros motivos que levavam o governo a realizar a chamada reorganiza\u00e7\u00e3o. Esses motivos eram o corte de gastos com a educa\u00e7\u00e3o e o in\u00edcio do processo de privatiza\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico no Estado, atrav\u00e9s das terceiriza\u00e7\u00f5es e concess\u00f5es, como j\u00e1 vem ocorrendo em outro Estado, Goi\u00e1s, onde o PSDB tamb\u00e9m det\u00e9m o governo estadual.<\/p>\n<p>Para os professores dessas Faculdades, o estudo encomendado pela Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado n\u00e3o apresentava elementos cient\u00edficos que fundamentassem o processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da rede escolar. Tratava-se de um documento fr\u00e1gil, mal elaborado, de p\u00e9ssima qualidade t\u00e9cnica, que visava apenas dar uma satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade. Por isso mesmo, o governo n\u00e3o divulgou o documento. Os professores tamb\u00e9m condenaram o fato de que uma medida desta natureza, que vai envolver centenas de milhares de estudantes, pais e m\u00e3es de alunos, al\u00e9m de professores, n\u00e3o tenha sido debatida com os interessados antes de ser anunciada.<\/p>\n<p>O argumento de que a reorganiza\u00e7\u00e3o por ciclo iria melhorar a qualidade de ensino \u00e9 de uma pobreza franciscana, pois nas escolas privadas de ensino m\u00e9dio, tidas como de excel\u00eancia e as que aprovam o maior n\u00famero de alunos nos vestibulares das universidades p\u00fablicas, os estudantes dos diversos ciclos frequentam o mesmo pr\u00e9dio, como acontece atualmente no ensino p\u00fablico. Ou seja, a segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 empobrecedora na forma\u00e7\u00e3o dos jovens. Se o governo estivesse preocupado realmente com a qualidade do ensino, deveria fazer o inverso do que anunciou, ou seja, reduziria o n\u00famero de alunos por sala, que hoje est\u00e3o superlotadas; melhoraria as condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas das escolas, cujas instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o prec\u00e1rias; modernizaria as bibliotecas, compraria laborat\u00f3rios e equipamentos audiovisuais e contrataria os professores que passaram no \u00faltimo concurso e at\u00e9 hoje n\u00e3o foram chamados e aumentaria os vergonhosos sal\u00e1rios pagos aos docentes. Melhorar a qualidade do ensino fechando escolas \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale lembrar que um dos governos do PSDB, o de Mario Covas, em 1995, tamb\u00e9m realizou um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da rede estadual de ensino, com o fechamento de 150 escolas e cerca de 10 mil salas de aulas, tudo com o mesmo argumento da necessidade de melhoria da qualidade da educa\u00e7\u00e3o. Mas se avaliarmos 20 anos depois o resultado dessa medida, poderemos observar que se constituiu num verdadeiro fracasso: a qualidade do ensino continuou prec\u00e1ria e muitas das escolas fechadas viraram dep\u00f3sitos para v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Ou seja, a reorganiza\u00e7\u00e3o era apenas um pretexto para cortar gastos com a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade, o objetivo dessa pretensa reorganiza\u00e7\u00e3o era a implanta\u00e7\u00e3o de um modelo de gest\u00e3o educacional empresarial, tudo dentro do figurino elaborado pelo Banco Mundial, para o qual a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma mercadoria e por isso deve ser paga. Como ressalta o documento dos professores, o objetivo final \u00e9 fazer com que cada escola seja gerida como se fosse uma pequena empresa, com metas, produtividade, bonifica\u00e7\u00f5es por desempenho, redu\u00e7\u00e3o permanente de gastos e flexibilidade para demitir professores, afinal a estabilidade no emprego dos professores \u00e9 uma heresia para o dogma neoliberal. Todo esse conjunto de metas teria por objetivo, como nas empresas privadas, alcan\u00e7ar maior efici\u00eancia poss\u00edvel e as escolas que n\u00e3o se enquadrarem nesse modelo deveriam ser fechadas.<\/p>\n<p>O processo de reorganiza\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo era tamb\u00e9m um bal\u00e3o de ensaio para uma contrarreforma profunda na j\u00e1 prec\u00e1ria educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Estado, como j\u00e1 acontece em Goi\u00e1s, onde as escolas est\u00e3o sendo geridas pelas organiza\u00e7\u00f5es sociais. O plano era o seguinte: primeiro, reorganizava-se as escolas por ciclos e fechavam-se as 94 escolas; em seguida, reduzia-se o ensino noturno e a Educa\u00e7\u00e3o Para Jovens e Adultos. Depois, terceirizava-se a gest\u00e3o para ONGs, OCIPs (as chamadas organiza\u00e7\u00f5es sociais), desviando dinheiro da educa\u00e7\u00e3o para m\u00e3os privadas. Posteriormente, implantavam-se os chamados sistemas de ensino, no qual as disciplinas seriam apostiladas (padronizadas ideologicamente), como j\u00e1 ocorre em v\u00e1rios col\u00e9gios privados. As organiza\u00e7\u00f5es sociais deixariam de fazer concursos para professores e passariam a contrat\u00e1-los pela CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho), eliminando a estabilidade no emprego. Assim, seria bem mais f\u00e1cil demitir aqueles que contestassem a nova ordem ou os grevistas.<\/p>\n<p>Essas etapas do que deveria ser o processo de privatiza\u00e7\u00e3o do ensino em S\u00e3o Paulo n\u00e3o significa nenhum exerc\u00edcio de criatividade ou futurismo. Como enfatiza o documento dos docentes, a pol\u00edtica educacional de S\u00e3o Paulo \u00e9 orientada por um grupo de empres\u00e1rios neoliberais, com apoio de institui\u00e7\u00f5es privadas. Em outras palavras, o passo final seria a privatiza\u00e7\u00e3o das escolas, com a concess\u00e3o de<i>vouchers <\/i>para os alunos mais carentes, como aconteceu no Chile de Pinochet, onde praticamente toda a estrutura educacional do Pa\u00eds foi privatizada.<\/p>\n<p><b>A resist\u00eancia dos estudantes <\/b><\/p>\n<p>Do alto de sua arrog\u00e2ncia, Alckmin imaginava que essa medida iria ser implantada tranquilamente, com apenas pequenos protestos de alunos e professores, mas no final tudo seria implantado conforme o figurino, como aconteceu com outras medidas antipopulares que foram implementadas no Estado. Ao longo dos mais de 20 anos de poder do PSDB na principal unidade da Federa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, o governo sempre tratou as lutas sociais como caso de pol\u00edcia, as greves como coisa baderneiros e agitadores, buscando desqualificar, criminalizar e derrotar os trabalhadores em luta. Portanto, para o governo, as ocupa\u00e7\u00f5es realizadas pelos adolescentes parecia brincadeira de crian\u00e7a e logo seriam derrotadas. O v\u00edcio da impunidade impediu o governo de entender a conjuntura, afinal esse mesmo governo tinha recentemente derrotado a mais longa greve dos professores do Estado, que durou 95 dias. Mas por ironia, de onde menos se esperava, surgiu o movimento que levou o governo a uma derrota acachapante, at\u00e9 mesmo humilhante, colocando um basta a mais de duas d\u00e9cadas de trucul\u00eancias no Estado.<\/p>\n<p>Antes das ocupa\u00e7\u00f5es, as manifesta\u00e7\u00f5es contra a reorganiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 demonstravam que algo de novo estava acontecendo. Os manifestantes n\u00e3o eram apenas militantes que comumente est\u00e3o nas ruas contra o governo: aquelas manifesta\u00e7\u00f5es contavam com a presen\u00e7a de pais e m\u00e3es de alunos, coletivos dos mais diversos tipos e militantes em geral, mas com algo inovador \u2013 professores com os alunos de suas escolas, a maioria deles entre 13 e 18 anos, quase todos participando pela primeira vez de uma manifesta\u00e7\u00e3o de rua. Essas passeatas eram realizadas quase todas as semanas e envolviam milhares de pessoas. Foi um aprendizado importante que depois se materializou na organiza\u00e7\u00e3o das ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Cansados de tanto protestar e n\u00e3o serem ouvidos, os estudantes decidiram realizar um enfrentamento mais direto contra o projeto de reorganiza\u00e7\u00e3o do governo. No dia 9 de novembro ocuparam a primeira escola, na cidade de Diadema, na Grande S\u00e3o Paulo. Essa foi a chama que imediatamente se espalhou por todo o Estado, especialmente na capital. Nos outros dias as ocupa\u00e7\u00f5es foram sendo realizadas em propor\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas, tanto que vinte dias depois mais de 200 escolas j\u00e1 estavam ocupadas no Estado, o que demonstra que a revolta juvenil estava latente e que o aprendizado das manifesta\u00e7\u00f5es cumpriu um papel fundamental. A grande maioria das ocupa\u00e7\u00f5es foi realizada de forma espont\u00e2nea, mas tamb\u00e9m houve participa\u00e7\u00e3o de coletivos aut\u00f4nomos, de professores, movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O processo de ocupa\u00e7\u00e3o era relativamente simples: os estudantes entravam nas escolas munidos de correntes e cadeados escondidos nas mochilas e, no momento combinado, anunciavam a ocupa\u00e7\u00e3o, colocavam cadeados novos no port\u00e3o e a partir da\u00ed passavam dirigir todas as atividades da escola. Na maioria das escolas s\u00f3 poderiam permanecer na parte de dentro os estudantes da pr\u00f3pria escola, medida que era fundamental para evitar que o governador do Estado, como v\u00e1rias vezes tentou fazer, acusasse o movimento de ser dirigido por partidos pol\u00edticos de oposi\u00e7\u00e3o. De posse da escola, realizavam as assembleias e organizavam as comiss\u00f5es de gest\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o: limpeza, cozinha e alimenta\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, eventos, sempre enfatizando que todas as principais decis\u00f5es seriam tiradas em assembleia. Logo os alunos perceberam uma s\u00e9rie de irregularidades, como montanhas de livros que n\u00e3o eram distribu\u00eddos, bibliotecas mal cuidadas, escola com infraestrutura prec\u00e1ria. Com a ocupa\u00e7\u00e3o, todas as escolas se tornaram mais organizadas, mais limpas e com uma vida cultural muito mais rica.<\/p>\n<p>Com a massifica\u00e7\u00e3o das ocupa\u00e7\u00f5es, o governo utilizou o mesmo padr\u00e3o repressivo, intercalando medidas judiciais, administrativas e repress\u00e3o direta. A Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o pressionou os diretores a fazer com que os alunos desocupassem as escolas. Como n\u00e3o conseguiram, ent\u00e3o montou-se uma equipe que ligava diretamente para os pais e m\u00e3es dos alunos dizendo que era perigoso os adolescentes ficarem nas ocupa\u00e7\u00f5es, pois l\u00e1 estavam consumindo drogas e as meninas poderiam ser estupradas. Esse m\u00e9todo tamb\u00e9m n\u00e3o obteve resultados satisfat\u00f3rios. A pol\u00edcia se postava diariamente na frente das escolas com provoca\u00e7\u00f5es e pris\u00f5es de apoiadores, que acampavam em frente dos estabelecimentos de ensino. Posteriormente, o governo entrou na Justi\u00e7a com um pedido de reintegra\u00e7\u00e3o de posse, que era a senha para a invas\u00e3o policial e desarticula\u00e7\u00e3o do movimento. No entanto, a justi\u00e7a tamb\u00e9m negou o pedido de reintegra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de dezembro, com o movimento plenamente consolidado e com apoio social e sem que a Justi\u00e7a atendesse \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o do Executivo, o governo resolveu partir para o tudo ou nada. O chefe de gabinete da Secretaria reuniu secretamente os diretores de ensino para tra\u00e7ar uma estrat\u00e9gia de desocupa\u00e7\u00e3o das escolas. Disse que a partir daquele momento seria iniciada uma guerra contra as ocupa\u00e7\u00f5es e anunciou a t\u00e1tica que deveria ser executada em cada unidade de ensino ocupada. Mas a conversa do chefe de gabinete foi gravada por algu\u00e9m e vazou para a imprensa, atrav\u00e9s dos <i>Jornalistas Livres, <\/i>uma articula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia alternativa que teve um papel importante na contrainforma\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00eddia corporativa. O vazamento quebrou o efeito surpresa da ofensiva governamental, mas mesmo assim eles tentaram implementar o seu plano.<\/p>\n<p>O governo escolheu para a desocupa\u00e7\u00e3o uma escola s\u00edmbolo, a Maria Jos\u00e9, no centro de S\u00e3o Paulo, pois l\u00e1 estava o presidente da Uni\u00e3o Municipal dos Estudantes Secundaristas. Logo cedo o chefe de gabinete da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o veio \u00e0 escola, acompanhado de um grupo de pessoas que se diziam \u201cpais de alunos\u201d (depois verificou-se que eram funcion\u00e1rios da secretaria) que queriam a escola de volta. A pol\u00edcia quebrou os cadeados, invadiu a escola junto com os \u201cpais\u201d e come\u00e7ou o espancamento dos alunos, que resistiram bravamente. Imediatamente come\u00e7ou a funcionar o esquema de prote\u00e7\u00e3o das escolas ocupadas, atrav\u00e9s dos <i>Guardi\u00e3s das Escolas, <\/i>e dezenas de pessoas foram para a frente da escola em solidariedade aos estudantes. Como os alunos resistiram e muitos dos \u201cpais\u201d n\u00e3o suportaram o g\u00e1s de pimenta lan\u00e7ado pela pol\u00edcia, a invas\u00e3o fracassou e os alunos reocuparam a escola, para a alegria e comemora\u00e7\u00e3o de todos. Ocorreram tentativas de desocupa\u00e7\u00e3o em outras escolas, mas foram derrotadas <a href=\"http:\/\/resistir.info\/brasil\/levante_secundaristas_12jan16.html#notas\" target=\"_blank\"><b>[2]<\/b><\/a> .<\/p>\n<p>A essa altura os alunos resolveram mudar de t\u00e1tica tamb\u00e9m e passaram a ocupar as ruas e avenidas na hora do <i>rush <\/i>para chamar a aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de realizar aulas p\u00fablicas. Essas manifesta\u00e7\u00f5es foram brutalmente reprimidas pela pol\u00edcia. Cenas de espancamento de crian\u00e7as e adolescentes se tornaram comuns em S\u00e3o Paulo, mas a batalha da opini\u00e3o p\u00fablica o governo j\u00e1 estava perdendo. Al\u00e9m de todas as faculdades de educa\u00e7\u00e3o, agora tamb\u00e9m a Justi\u00e7a estava contra a maneira como foi implementada a reorganiza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de artistas, movimentos culturais e professores e a maioria da popula\u00e7\u00e3o. At\u00e9 as torcidas de futebol se manifestaram contra a medida do governo. A brutalidade da pol\u00edcia fez o governo perder a opini\u00e3o p\u00fablica e at\u00e9 mesmo a m\u00eddia corporativa j\u00e1 n\u00e3o podia mais esconder a repress\u00e3o. Para complicar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o do governo, o <i>Instituto Data Folha <\/i>divulgou uma pesquisa na qual 61% da popula\u00e7\u00e3o apoiavam o movimento, bem como a popularidade do governo tinha ca\u00eddo aos n\u00edveis mais baixos. Sem escolha, o governo suspendeu a reorganiza\u00e7\u00e3o e o Secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o pediu demiss\u00e3o. Estava selada a vit\u00f3ria do movimento.<\/p>\n<p><b>As redes de solidariedade <\/b><\/p>\n<p>Um dos momentos mais ricos dessa jornada de lutas dos secundaristas foi a ampla rede de solidariedade espont\u00e2nea que se articulou para apoiar o movimento. T\u00e3o logo se iniciaram as ocupa\u00e7\u00f5es, as pessoas come\u00e7aram a acampar em frente das escolas para evitar a repress\u00e3o policial e provoca\u00e7\u00f5es dos agentes policiais infiltrados. Os pais, m\u00e3es e amigos dos alunos levavam comida, \u00e1gua, colch\u00f5es e barracas para garantir a ocupa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de se revezarem em frente das escolas. Como as ocupa\u00e7\u00f5es duraram cerca de um m\u00eas, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar a dificuldade que os estudantes tiveram para manter a log\u00edstica de revezamento no interior das escolas, dormindo em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, cozinhando o pr\u00f3prio alimento, limpando e cuidando da escola. E tamb\u00e9m a dificuldade que os apoiadores tiveram para se manter noite e dia em frente das escolas. Mas o sacrif\u00edcio valeu a pena, pois todos sa\u00edram vitoriosos nessa jornada de lutas.<\/p>\n<p>Os estudantes tamb\u00e9m conseguiram organizar um cadastro de <i>Guardi\u00e3s das Escolas, <\/i>via redes sociais, no qual estavam inscritos milhares de pessoas volunt\u00e1rias, dispostas a defender as escolas. Toda vez que uma unidade escolar estava amea\u00e7ada os <i>Guardi\u00e3s<\/i>eram acionados e rapidamente dezenas de pessoas compareciam \u00e0 frente da escola para defend\u00ea-la e evitar repress\u00e3o, arbitrariedades e pris\u00f5es de estudantes. Este esquema funcionou razoavelmente bem e cumpriu um papel importante na vit\u00f3ria do movimento porque quanto mais pessoas se postavam em frente das escolas, mais dif\u00edcil se tornava a repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro papel importante foi o dos <i>Advogados Ativistas, <\/i>uma articula\u00e7\u00e3o de jovens advogados volunt\u00e1rios que estavam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o a qualquer hora do dia e da noite para comparecer n\u00e3o s\u00f3 nas escolas onde estivessem ocorrendo arbitrariedades, mas principalmente no acompanhamento das passeatas (a presen\u00e7a de advogados muitas vezes reduz a f\u00faria repressiva), e na ida \u00e0s delegacias de pol\u00edcia soltar os garotos presos e evitar espancamentos. Tamb\u00e9m foi importante nesse processo a presen\u00e7a dos <i>Jornalistas Livres, <\/i>uma organiza\u00e7\u00e3o de jornalistas independentes que buscava de todas as formas, especialmente nas redes sociais, documentar a repress\u00e3o, denunciar as arbitrariedades e divulgar tudo o mais rapidamente pelas redes sociais. Foram os <i>Jornalistas Livres <\/i>que vazaram o \u00e1udio com a estrat\u00e9gia da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o para desocupar as escolas e, com isso, contribu\u00edram para a derrota da estrat\u00e9gia repressiva do governo.<\/p>\n<p>Os artistas, escritores e professores tamb\u00e9m tiveram um papel fundamental na solidariedade ao movimento dos secundaristas. Todo dia nas escolas tinha aulas alternativas sob os mais variados assuntos. Para tanto, tamb\u00e9m foi realizado um cadastro de professores volunt\u00e1rios dispostos a doar aulas nas ocupa\u00e7\u00f5es, o que funcionou de maneira muito satisfat\u00f3ria. Os saraus eram realizados quase que diariamente. Os cantores e m\u00fasicos em geral, os artistas de teatro faziam shows e apresentavam pe\u00e7as teatrais gratuitas nas escolas ocupadas. No auge do movimento ocorreu at\u00e9 uma <i>Virada Cultural <\/i>com a participa\u00e7\u00e3o de artistas famosos como Chico C\u00e9sar, Tit\u00e3s, Maria Gadu, entre outros. At\u00e9 mesmo Chico Buarque de Holanda e v\u00e1rios artistas do Rio de Janeiro gravaram um <i>clip <\/i>de apoio ao movimento.<\/p>\n<p>As escolas ocupadas se tornaram um ambiente vivo, criativo, com diversidade cultural, os mais variados debates, com democracia participativa, com uma rela\u00e7\u00e3o mais estreita com a comunidade, muito diferente do per\u00edodo normal de aula. Al\u00e9m disso, as ocupa\u00e7\u00f5es demonstraram que as escolas geridas pelos estudantes funcionaram melhor do que quando administradas pelo governo. Essa experi\u00eancia das ocupa\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Paulo de certa forma aponta para a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de uma nova escola, fora dos padr\u00f5es burocratizados e repetitivos da escola tradicional, uma escola cr\u00edtica. que proporcione os mais avan\u00e7ados conhecimentos espec\u00edficos para os estudantes, mas que tamb\u00e9m forme um cidad\u00e3o com capacidade de entender o mundo.<\/p>\n<p>A luta dos estudantes secundaristas de S\u00e3o Paulo, comandada por adolescentes, significou uma grande vit\u00f3ria para o movimento social, porque pela primeira vez um movimento derrota de maneira clara a trucul\u00eancia de um governo neoliberal. Os jovens tamb\u00e9m derrotaram o governo em 2013, mas essa foi uma luta nacional, que envolveu cerca de 600 cidades. A luta dos secundaristas foi uma queda de bra\u00e7o entre um governo arbitr\u00e1rio e os estudantes, na qual eles venceram com galhardia. Essa jornada aponta tamb\u00e9m o rumo da luta popular no Pa\u00eds, pois demonstrou que a organiza\u00e7\u00e3o, a combatividade e a luta, em alian\u00e7a com a popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 o \u00fanico caminho para se conquistar as reivindica\u00e7\u00f5es populares. Os estudantes sa\u00edram dessa luta de cabe\u00e7a erguida, com moral alta, e logo mais estar\u00e3o nas ruas engrossando as lutas populares.<\/p>\n<p><b>[1] <a href=\"http:\/\/resistir.info\/brasil\/jornada_lutas_30jul13.html\" target=\"_blank\">Brasil: extraordin\u00e1rias jornadas de lutas<\/a> e <a href=\"http:\/\/resistir.info\/brasil\/explosao_social.html\" target=\"_blank\">A explos\u00e3o social bate \u00e0s portas do Brasil<\/a><br \/>\n[2] O autor desse texto, um dos <i>Guardi\u00e3s das Escolas, <\/i>esteve presente na Escola Maria Jos\u00e9 no dia em que os alunos derrotaram a estrat\u00e9gia do governo do Estado. Um relato dessa experi\u00eancia foi postada no facebook (Relato sobre a reocupa\u00e7\u00e3o da E.E. Maria Jose, no Bexiga, pelos estudantes secundaristas). <\/b><\/p>\n<p>*Doutorado em economia pela Unicamp, com p\u00f3s-doutoramento no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da mesma institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 autor, entre outros, de A globaliza\u00e7\u00e3o e o capitalismo contempor\u00e2neo (Express\u00e3o Popular) e A crise econ\u00f4mica mundial, a globaliza\u00e7\u00e3o e o Brasil (Edi\u00e7\u00f5es ICP), diretor do Instituto Caio Prado Junior e um dos editores da revista <i>Novos Temas. <\/i><\/p>\n<p><b>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Edmilson Costa* A escola \u00e9 nossa. N\u00e3o tem arrego. Se fechar, vamos tirar seu sossego. 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