{"id":10272,"date":"2016-01-17T18:25:54","date_gmt":"2016-01-17T21:25:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10272"},"modified":"2017-08-24T22:43:07","modified_gmt":"2017-08-25T01:43:07","slug":"agronegocio-e-governo-devastam-o-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10272","title":{"rendered":"Agroneg\u00f3cio e governo devastam o campo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/3.bp.blogspot.com\/_gGfPkPqXxKk\/TU3npIqnB9I\/AAAAAAAAAYM\/yfXmJzh6j9A\/s1600\/desmatamentoDuke.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>A situa\u00e7\u00e3o no campo em territ\u00f3rio nacional \u00e9 dram\u00e1tica, traum\u00e1tica, ca\u00f3tica. Cresce a viol\u00eancia contra os povos, aumentam os assassinatos, diminuem as verbas p\u00fablicas para camponeses, trabalhadores rurais, ind\u00edgenas e iniciativas populares, enquanto aumentam os recursos para o agroneg\u00f3cio e projetos governamentais em benef\u00edcio do lucro privado.<!--more--><\/p>\n<p>Reproduzimos, a seguir, parte da introdu\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o de 2015 sobre a \u201cQuest\u00e3o Agr\u00e1ria no Brasil\u201d, elaborado pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), Regional Nordeste II:<\/p>\n<p>\u201cO ano de 2015 foi marcado pelo desmonte de \u00f3rg\u00e3os do governo e por cortes de recursos p\u00fablicos para a reforma agr\u00e1ria e demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios quilombolas e ind\u00edgenas. A alian\u00e7a do Estado brasileiro com o agroneg\u00f3cio se intensificou, atingindo diretamente o conjunto dos povos do campo. A viol\u00eancia contra as comunidades camponesas e povos ind\u00edgenas foi praticada n\u00e3o s\u00f3 pela l\u00f3gica do capitalismo, como tamb\u00e9m pelo Estado brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de assassinatos no campo cresceu. A destrui\u00e7\u00e3o das florestas aumentou. O uso de veneno, que chega a nossas mesas, foi ampliado. Os recursos para o Programa de Constru\u00e7\u00e3o de Cisternas e outras tecnologias sociais sofreram cortes e no campo persistiu o trabalho escravo. A natureza foi, cada vez mais, o fil\u00e3o das empresas capitalistas. Com isso, seguiu intensamente a apropria\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, das terras, do sol e do ar. A natureza foi e est\u00e1 sendo privatizada. Neste cen\u00e1rio, fica mais clara a l\u00f3gica do capitalismo e do Estado brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cDo outro lado, a mem\u00f3ria dos povos do campo e a crescente viol\u00eancia o fizeram permanecer em luta. Foram in\u00fameras ocupa\u00e7\u00f5es e retomadas de terra, marchas, jornadas e protestos que alimentaram a rebeldia necess\u00e1ria para manter a esperan\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o da Terra sem males, do Bem Viver.\u201d<\/p>\n<p>Essa realidade retrata e contrasta com a gama de recursos investidos pelo Governo Federal na agricultura. As verbas para custeio da safra 2015-2016 s\u00e3o de R$ 149,5 bilh\u00f5es, com crescimento de 23% em rela\u00e7\u00e3o a safra anterior. A quase totalidade desses recursos \u00e9 dirigida para o agroneg\u00f3cio, que apesar da crise vivida pelo pa\u00eds em 2015, com estimativa de retra\u00e7\u00e3o de 3% a 5% do PIB, conseguiu crescer cerca de 2%, segundo a ministro K\u00e1tia Abreu.<\/p>\n<p>Cabe destacar a significativa queda do valor das commodities em n\u00edvel internacional. Mesmo assim, o agroneg\u00f3cio representou ano passado cerca de 48% do total das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, compensado a redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os com o aumento do volume exportado.<\/p>\n<p>Essa realidade n\u00e3o chega ao homem do campo. No or\u00e7amento de 2015, as desapropria\u00e7\u00f5es de terra sofreram corte de 15%, a estimativa de assentar 30 mil fam\u00edlias foi significativamente reduzida para 7 mil fam\u00edlias, apesar do discurso oficial propagandear ter assentado 13 mil fam\u00edlias. O que mesmo sendo verdade seria insuficiente.<\/p>\n<p>Segundo a CPT, a alian\u00e7a do governo com o agroneg\u00f3cio \u201cacarretou o agravamento da viol\u00eancia vivida pelas comunidades camponesas. Dados parciais \u201cindicam o assassinato de 49 pessoas, camponeses, sobretudo posseiros, sem terra e assentados da reforma agr\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia \u00e9 maior no Nordeste, mas a maioria dos assassinatos se deu na Regi\u00e3o Norte: 21 pessoas morreram somente em Rond\u00f4nia, crimes cometidos por jagun\u00e7os, com den\u00fancias de envolvimento de policiais e mil\u00edcias armadas. Outros 19 assassinatos ocorreram no Par\u00e1. A Amaz\u00f4nia \u00e9 a joia da coroa do agroneg\u00f3cio e, portanto, dos crimes praticados por latifundi\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o coincidentemente, o Estado do Amazonas foi o que sofreu o maior desmatamento ano passado, 54% do total, seguido de Rond\u00f4nia (41%) e Mato Grosso (40%). Para a CPT \u201co fato revela a tend\u00eancia de crescimento dos \u00edndices de desmatamento, provocado por incentivo do pr\u00f3prio Estado \u00e0 expans\u00e3o dessas atividades sobre a floresta, incluindo os territ\u00f3rios dos povos e comunidades tradicionais\u201d.<\/p>\n<p>Outro dado alarmante \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o vivida pelos povos que habitam o semi\u00e1rido. Convivendo h\u00e1 cinco anos com a pior seca das \u00faltimas oito d\u00e9cadas, enfrentam a perda das produ\u00e7\u00f5es agr\u00edcola e pecu\u00e1ria, fontes de renda e alimenta\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>Os a\u00e7udes e cacimbas est\u00e3o secos, os reservat\u00f3rios com n\u00edveis baix\u00edssimos de \u00e1gua, cuja concentra\u00e7\u00e3o est\u00e1 voltada para \u201co desenvolvimento de grandes empreendimentos industriais ou agropecu\u00e1rios voltados para a exporta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As obras governamentais para distribui\u00e7\u00e3o e realoca\u00e7\u00e3o das \u00e1guas fluviais, segundo especialistas consultados pela CPT, destinam \u201csomente 6% para o consumo humano e o restante para irriga\u00e7\u00e3o por grandes empreendimentos\u201d.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do balan\u00e7o divulgado pela pastoral quanto as perspectivas de 2016 aponta que \u201ca amea\u00e7a real, de que os preocupantes cen\u00e1rios pol\u00edtico e econ\u00f4mico vividos em 2015 se prolonguem no ano de 2016, evidencia que somente com muita organiza\u00e7\u00e3o e luta \u00e9 que os trabalhadores rurais e movimentos sociais conseguir\u00e3o evitar a clara tend\u00eancia da perman\u00eancia dos conflitos agr\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>Afonso Costa<br \/>\nJornalista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A situa\u00e7\u00e3o no campo em territ\u00f3rio nacional \u00e9 dram\u00e1tica, traum\u00e1tica, ca\u00f3tica. 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