{"id":10295,"date":"2016-01-21T21:03:36","date_gmt":"2016-01-22T00:03:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10295"},"modified":"2016-02-20T08:47:31","modified_gmt":"2016-02-20T11:47:31","slug":"meios-de-comunicacao-e-capitalismo-em-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10295","title":{"rendered":"Meios de comunica\u00e7\u00e3o e capitalismo em \u00c1frica*"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-Z9AOKLhRth8\/UWX6eIKx7ZI\/AAAAAAAAFUo\/1qdWkH-Rpaw\/s1180\/capitalismo%2Balgemas.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Carlos Lopes Pereira<\/p>\n<p>O capitalismo n\u00e3o tem em \u00c1frica caracter\u00edsticas diferentes das que assume em toda a parte do mundo. Evolui no sentido da centraliza\u00e7\u00e3o e da concentra\u00e7\u00e3o do capital, da forma\u00e7\u00e3o do capital monopolista, insere-se no sistema global do imperialismo. Um dos aspectos mais vis\u00edveis deste processo \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de grandes grupos medi\u00e1ticos ligados a neg\u00f3cios em <!--more-->diferentes \u00e1reas e associados ao grande capital internacional, facilitando a crescente penetra\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia, a sul do Saara, dos potentados mundiais da informa\u00e7\u00e3o, em especial norte-americanos.<\/p>\n<p>O imperialismo est\u00e1 a fortalecer o dom\u00ednio econ\u00f3mico sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o da \u00c1frica subsaariana, acentuando assim a sua influ\u00eancia ideol\u00f3gica sobre milh\u00f5es de africanos. Para esta estrat\u00e9gia contribui a consolida\u00e7\u00e3o de grupos medi\u00e1ticos em \u00c1frica ligados a neg\u00f3cios em diferentes \u00e1reas e associados ao grande capital internacional. Esta situa\u00e7\u00e3o, que aumenta a concentra\u00e7\u00e3o da propriedade e retira a independ\u00eancia dos media privados africanos, n\u00e3o tem impedido, antes facilitado, a crescente penetra\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia, a sul do Saara, dos potentados mundiais da informa\u00e7\u00e3o, em especial norte-americanos.<\/p>\n<p>Um artigo publicado na Pueblos \u2013 Revista de Informaci\u00f3n y Debate, pelo jornalista e investigador Sebasti\u00e1n Ruiz, ligado \u00e0 Universidade de Sevilha, confirma estas tend\u00eancias. O estudo aponta para uma ind\u00fastria medi\u00e1tica subsaariana que atravessa uma fase \u00abvibrante\u00bb e acompanha o crescimento econ\u00f3mico do continente, onde o acesso \u00e0s tecnologias de informa\u00e7\u00e3o continua no entanto a ser \u00abassim\u00e9trico\u00bb \u2013 de pa\u00eds para pa\u00eds e a n\u00edvel interno de cada um dos pa\u00edses em fun\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais que se t\u00eam agravado.<\/p>\n<p>Dois sinais testemunhos dessa pujan\u00e7a s\u00e3o os cerca de 200 peri\u00f3dicos hoje existentes na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo ou as centenas de ardinas que moldam a paisagem urbana em Nairobi, vendendo jornais em v\u00e1rias l\u00ednguas \u2013 do ingl\u00eas ao \u00e1rabe, passando pelo swa\u00edli.<\/p>\n<p>O artigo \u00abOs fios medi\u00e1ticos da \u00c1frica ao sul do Saara\u00bb revela a emerg\u00eancia de conglomerados medi\u00e1ticos no continente e como, para melhor vender not\u00edcias, filmes, v\u00eddeos, discos ou revistas, estabelecem alian\u00e7as comerciais com parceiros estrangeiros.<\/p>\n<p>A sul-africana Naspers, por exemplo, controla 23 revistas (incluindo as mais lidas da imprensa cor-de-rosa), sete di\u00e1rios e o gigante da televis\u00e3o por assinatura DSTV. Com mais de um s\u00e9culo de exist\u00eancia, esta multinacional da \u00c1frica do Sul \u2013 que atravessou o regime apartheid e se adaptou aos novos tempos \u2013 vende servi\u00e7os em mais de 130 pa\u00edses. Incluindo o Brasil (onde \u00e9 propriet\u00e1ria da influente editora Abril), a China (\u00e9 associada da Tencent, de servi\u00e7os de Internet e telem\u00f3veis) e a R\u00fassia (onde possui ac\u00e7\u00f5es na holding DST, propriet\u00e1ria do portal de Internet Mail.ru).<\/p>\n<p>No Qu\u00e9nia, o Nation Media Group (NMG), fundado h\u00e1 meio s\u00e9culo, \u00e9 o maior conglomerado da \u00c1frica Oriental e um dos maiores do continente. Est\u00e1 presente em televis\u00f5es, r\u00e1dios e jornais do Qu\u00e9nia, Tanz\u00e2nia, Uganda e Ruanda. O seu maior accionista \u00e9 o Fundo Aga Khan para o Desenvolvimento Econ\u00f3mico, que por sua vez integra a Rede de Desenvolvimento Aga Khan, com sede em Genebra. Esta estrutura tem interesses em 30 pa\u00edses de \u00c1frica, \u00c1sia e M\u00e9dio Oriente, em sectores que v\u00e3o do meio ambiente ao microcr\u00e9dito, da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura. Ligada, claro, ao multimilion\u00e1rio l\u00edder dos xiitas ismaelitas.<\/p>\n<p>Jornais, televis\u00f5es, Coca-Cola e bancos<\/p>\n<p>Muito esclarecedor da forma, tamb\u00e9m na \u00c1frica subsaariana, como o capital de diferentes sectores econ\u00f3micos penetra e controla os media, \u00e9 o caso do IPP Media Group, da Tanz\u00e2nia. \u00c9 propriet\u00e1rio de 10 jornais nacionais, de duas das mais populares esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o leste-africanas e de uma dezena de r\u00e1dios. Ao mesmo tempo, \u00e9 dono da Bonite Bottlers, o \u00fanico engarrafador de produtos da Coca-Cola no norte da Tanz\u00e2nia, e da marca de \u00e1gua engarrafada Kilimanjaro, a mais vendida no pa\u00eds. J\u00e1 a IPP Resources, do mesmo grupo, \u00e9 propriet\u00e1ria de minas de ouro, ur\u00e2nio, cobre, cr\u00f3mio e carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Um \u00faltimo exemplo ilustra como \u00aba globaliza\u00e7\u00e3o dos media no continente africano se encontra num momento de dinamismo crescente e como as suas pr\u00e1ticas est\u00e3o ligadas aos processos globais capitalistas\u00bb. Na Nig\u00e9ria, a maior economia de \u00c1frica, o conglomerado mais importante \u00e9 o Daar Communications PLC, pioneiro da televis\u00e3o por sat\u00e9lite, em 1996, a African Independent Televison (AIT). Lan\u00e7ou depois o sinal nos Estados Unidos, no M\u00e9xico, no Caribe e em toda a Europa. O seu presidente, Raymond Dokpesi, dirige igualmente um cons\u00f3rcio de bancos liderado pelo Union Bank Plc, de capital maioritariamente ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Com tal situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o surpreende que Sebasti\u00e1n Ruiz confirme que a \u00c1frica \u00abest\u00e1 inundada pelo conte\u00fado dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas e, com ele, a filosofia, valores e diferentes vis\u00f5es do mundo, sobretudo dos Estados Unidos\u00bb. Ele relembra que, no cora\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio, cinco grandes corpora\u00e7\u00f5es, ligadas \u00e0s elites pol\u00edticas e econ\u00f3micas (Time Warner, Disney, News Corporation, Bertelsmann e Viacom), controlam 90 por cento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. E que as suas ramifica\u00e7\u00f5es chegam a todo o mundo. \u00c0 \u00c1frica tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>*Este artigo foi publicado no \u201cAvante!\u201d n\u00ba 2197, 7.01.2016<\/p>\n<blockquote data-secret=\"Yy62dKKy45\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3887\">Delega\u00e7\u00e3o do PCB chega a Beirute para reuni\u00e3o de PCs<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3887\/embed#?secret=Yy62dKKy45\" data-secret=\"Yy62dKKy45\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Delega\u00e7\u00e3o do PCB chega a Beirute para reuni\u00e3o de PCs&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos Lopes Pereira O capitalismo n\u00e3o tem em \u00c1frica caracter\u00edsticas diferentes das que assume em toda a parte do mundo. 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