{"id":1031,"date":"2010-12-01T03:47:38","date_gmt":"2010-12-01T03:47:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1031"},"modified":"2017-12-02T10:13:21","modified_gmt":"2017-12-02T13:13:21","slug":"cuba-e-os-novos-rumos-da-revolucao-socialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1031","title":{"rendered":"Cuba e os novos rumos da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-2AdMWL4PniM\/TbTuu8ENV8I\/AAAAAAAAAGs\/wE9cfrwHjAs\/s1600\/cuba.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->O conjunto de medidas anunciadas pelo governo socialista de Cuba provocou in\u00fameras rea\u00e7\u00f5es mundo afora. Como era esperado, a grande m\u00eddia burguesa alardeia o fim do socialismo na Ilha, enquanto, no seio da esquerda, os debates est\u00e3o abertos. H\u00e1 quem veja no epis\u00f3dio o caminho chin\u00eas de abertura para o capital e de retomada da propriedade privada, mas h\u00e1 os que confiam na defesa feita pelo governo cubano de que as mudan\u00e7as s\u00e3o necess\u00e1rias e imposterg\u00e1veis, visando tornar mais eficiente e produtiva a economia e fazer avan\u00e7ar o processo socialista, consolidando as conquistas alcan\u00e7adas ap\u00f3s 51 anos de revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentre as medidas anunciadas, a que provocou maior repercuss\u00e3o foi o an\u00fancio da redu\u00e7\u00e3o de cerca de meio milh\u00e3o de trabalhadores do setor estatal e a sua transfer\u00eancia para outras formas de produ\u00e7\u00e3o, como as cooperativas e o trabalho aut\u00f4nomo. Conforme as explica\u00e7\u00f5es do governo de Cuba, corroboradas pela Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), o Estado n\u00e3o tem como continuar mantendo empresas e entidades ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e a servi\u00e7os com um grande contingente de trabalhadores que se dedicam a atividades improdutivas. Esta realidade, que \u00e9 consequ\u00eancia da garantia constitucional do pleno emprego em Cuba, grande conquista do processo revolucion\u00e1rio, assim como o acesso de todos os cidad\u00e3os \u00e0s oportunidades econ\u00f4micas e aos direitos sociais universais, esbarra hoje no fato cruel de que a crise mundial do capitalismo traz tamb\u00e9m efeitos corrosivos \u00e0 economia cubana. A isto se associa a manuten\u00e7\u00e3o do criminoso bloqueio imposto pelos EUA, que, al\u00e9m de econ\u00f4mico, \u00e9 pol\u00edtico, diplom\u00e1tico e cultural.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a primeira vez na hist\u00f3ria que Cuba enfrenta sozinha os reflexos de uma grande crise econ\u00f4mica mundial. At\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, a Ilha Socialista ainda podia contar com a ajuda solid\u00e1ria e generosa da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que comprava grande parte da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e permitia que Cuba se abastecesse dos bens materiais necess\u00e1rios \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o, <strong>a pre\u00e7os solid\u00e1rios<\/strong>, como o petr\u00f3leo e at\u00e9 mesmo alimentos, adquiridos por meio de uma <strong>extensa<\/strong> pauta de importa\u00e7\u00f5es. Esta pol\u00edtica trouxe, entretanto, consequ\u00eancias danosas \u00e0 economia cubana, que hoje, mais do que nunca, necessita acelerar o processo de substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es, pois praticamente todos os alimentos s\u00e3o importados. A depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria a\u00e7ucareira fez com que, nos anos 60 e 70, grandes extens\u00f5es do campo fossem ocupadas para a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, reduzindo enormemente o espa\u00e7o da pecu\u00e1ria e dos produtos aliment\u00edcios.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, ap\u00f3s a queda da URSS, de uma hora para outra, Cuba ficou sem parceiros comerciais e sem refer\u00eancias pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas internacionais. A <em>d\u00e9b\u00e2cle<\/em> da URSS, no final de 1991, exigiu de Cuba a cria\u00e7\u00e3o do \u201cper\u00edodo especial\u201d, uma vez que 80% do seu com\u00e9rcio dava-se com o Leste Europeu: URSS, Alemanha Oriental e Tchecoslov\u00e1quia. A R\u00fassia de Ieltsin cortou os acordos comerciais, come\u00e7ando pelo fornecimento de petr\u00f3leo, o que praticamente paralisou o processo econ\u00f4mico de Cuba, infringindo \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o apag\u00f5es de 14 horas, paralisa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, car\u00eancia de produtos em todos os setores, levando, inclusive, a esquerda mundial a p\u00f4r em d\u00favida a capacidade de resist\u00eancia e de mobiliza\u00e7\u00e3o dos cubanos para preservar o socialismo na Ilha.<\/p>\n<p>Mas a pol\u00edtica de ajustes internos, promovida <strong>com<\/strong> sacrif\u00edcios extremos da popula\u00e7\u00e3o e garantida por meio do consenso pol\u00edtico entre povo e governo (expresso na consulta popular realizada pela Assembleia Nacional do Poder Popular em 1993), conseguiu dar sequ\u00eancia ao projeto de constru\u00e7\u00e3o do socialismo, mantidas as conquistas sociais da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A entrada no s\u00e9culo XXI representou um per\u00edodo de descentraliza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es e de reformas econ\u00f4micas. A partir de 2004, houve grandes investimentos no sistema produtivo nacional e no sistema de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos. De grande produtor de a\u00e7\u00facar e altamente dependente em rela\u00e7\u00e3o ao petr\u00f3leo, o pa\u00eds passou a investir e obter dividendos do turismo, da biotecnologia e dos servi\u00e7os m\u00e9dicos, al\u00e9m do n\u00edquel, tabaco e rum, dentre outros. Conforme estat\u00edsticas da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Economistas de Cuba, em 2008 o n\u00edquel respondia por 39% das exporta\u00e7\u00f5es de bens; medicamentos gen\u00e9ricos e biotecnologia, por 9%; a\u00e7\u00facar e derivados, 6%; tabaco, 6%. O pa\u00eds possui a 3\u00aa reserva mundial de n\u00edquel e responde por 10% da produ\u00e7\u00e3o internacional de cobalto. No setor de servi\u00e7os, al\u00e9m do turismo, a avan\u00e7ada medicina cubana garante grande parte do aporte de recursos: s\u00f3 o conv\u00eanio com a Venezuela, promovendo a troca de petr\u00f3leo por servi\u00e7os m\u00e9dicos, \u00e9 respons\u00e1vel pela inje\u00e7\u00e3o de 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares na economia cubana. Dos 70 mil m\u00e9dicos formados em Cuba, 36 mil hoje atuam fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas as rela\u00e7\u00f5es comerciais estreitadas nos \u00faltimos anos com a Venezuela, Brasil, China, Cor\u00e9ia do Norte, Canad\u00e1 e alguns pa\u00edses europeus, n\u00e3o s\u00e3o suficientes para superar os desequil\u00edbrios causados na balan\u00e7a comercial. A mais recente crise mundial fez crescer em muito o custo com as importa\u00e7\u00f5es. No ano de 2008, as importa\u00e7\u00f5es cubanas cresceram 43%. A ind\u00fastria a\u00e7ucareira j\u00e1 vinha verificando uma queda na sua produ\u00e7\u00e3o (-9,2%) de 2003 a 2009, e Cuba chegou a ter de importar a\u00e7\u00facar no ano passado.<\/p>\n<p>Para agravar ainda mais os problemas econ\u00f4micos da Ilha, no ano de 2008, tr\u00eas furac\u00f5es varreram Cuba. As chuvas torrenciais e os ventos com velocidade ainda n\u00e3o conhecidos destru\u00edram 80% da safra de v\u00e1rios produtos aliment\u00edcios em v\u00e1rias prov\u00edncias; derrubaram toda a fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica em quase todo o pa\u00eds; destelharam e derrubaram totalmente 470 mil edif\u00edcios, inclusive escolas e hospitais; alagaram e\/ou destru\u00edram maquin\u00e1rios de f\u00e1bricas; devastaram 80 % das planta\u00e7\u00f5es de folha de fumo, produtoras dos famosos charutos cubanos. Foi tamb\u00e9m totalmente destru\u00edda a Faculdade de Medicina, rec\u00e9m-constru\u00edda na Ilha da Juventude como uma extens\u00e3o da ELAM, <strong>que <\/strong>havia acabado de receber 400 estudantes (sendo 300 brasileiros e outros 100 do Equador e da Argentina, que foram estudar em Cuba de forma totalmente gratuita). A destrui\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio com todos os seus equipamentos e laborat\u00f3rios de ponta for\u00e7ou o deslocamento dos estudantes para outras faculdades de medicina do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os graves problemas enfrentados imp\u00f5em a necessidade de um rigoroso planejamento econ\u00f4mico e de um incentivo permanente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, tanto para o mercado interno (visando substituir importados, principalmente alimentos, como o arroz), quanto para a exporta\u00e7\u00e3o (buscando ampliar a aquisi\u00e7\u00e3o de divisas). Para tal, \u00e9 preciso aumentar a produtividade do trabalho. H\u00e1 um grande esfor\u00e7o do Estado em garantir melhores condi\u00e7\u00f5es ao campon\u00eas para produzir, com est\u00edmulos, como a distribui\u00e7\u00e3o de terras, a forma\u00e7\u00e3o de cooperativas e a possibilidade de comercializa\u00e7\u00e3o do excedente. Alguns bons resultados j\u00e1 foram obtidos na produ\u00e7\u00e3o de leite, carne e arroz, segundo informa\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o de Economistas. O gargalo existente na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola exprime uma das grandes contradi\u00e7\u00f5es do processo de constru\u00e7\u00e3o do socialismo em Cuba: justamente porque os cubanos t\u00eam oportunidades iguais, h\u00e1 terras ociosas no pa\u00eds, pois muitos preferem dirigir-se \u00e0s cidades para obter um t\u00edtulo universit\u00e1rio. 50% das terras cultiv\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o exploradas, o que obriga o Estado cubano a investir 1,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais na alimenta\u00e7\u00e3o de seu povo, gastos principalmente com a importa\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m esfor\u00e7os na dire\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da ind\u00fastria cubana, atrav\u00e9s de projetos associados \u00e0 ALBA, da refinaria de petr\u00f3leo em Cienfuegos (conv\u00eanio com a PDVSA), na \u00e1rea da petroqu\u00edmica, qu\u00edmica fina e derivados de petr\u00f3leo, na produ\u00e7\u00e3o de ferro e n\u00edquel (exporta\u00e7\u00e3o do res\u00edduo de n\u00edquel, ferro e outros). Visando superar a enorme depend\u00eancia frente ao petr\u00f3leo, busca-se avan\u00e7ar na produ\u00e7\u00e3o alternativa de energia: hidrel\u00e9trica, energia e\u00f3lica, solar e, principalmente, aquela obtida a partir dos res\u00edduos de a\u00e7\u00facar e do baga\u00e7o da cana (biocombust\u00edvel), para abastecer as localidades onde est\u00e3o instaladas as usinas.<\/p>\n<p>H\u00e1 em andamento o projeto da Zona de Desenvolvimento do Leste, com a constru\u00e7\u00e3o de um grande terminal de cont\u00eaineres e de uma ferrovia para o transporte de produtos atravessando o territ\u00f3rio cubano, o que representar\u00e1 uma economia de 48 horas em rela\u00e7\u00e3o ao transporte mar\u00edtimo de cargas realizado hoje pelo Canal do Panam\u00e1. Tais projetos contam com a parceria de governos e empresas estrangeiras, e \u00e9 dif\u00edcil, no momento, depreender o grau de comprometimento com o capital externo, e o que isso pode representar de risco ao processo de constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<p>As medidas anunciadas objetivando a transfer\u00eancia de trabalhadores dos setores estatais para atividades n\u00e3o estatais fazem parte da estrat\u00e9gia de reduzir o trabalho n\u00e3o produtivo, ligado a fun\u00e7\u00f5es que nada acrescentam de verdadeiramente \u00fatil \u00e0 economia nacional e ao atendimento \u00e0s necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata, portanto, de trabalho improdutivo no sentido do capital, mas improdutivo mesmo para a sociedade socialista. Calcula-se que tr\u00eas trabalhadores fazem o trabalho de um na esfera da burocracia estatal. Contrariamente ao que fazem as economias capitalistas nos momentos de crise, quando simplesmente jogam na rua e deixam sem emprego milh\u00f5es de trabalhadores, os quais depois passam a ser subaproveitados em outras ocupa\u00e7\u00f5es, o governo cubano busca promover uma reorienta\u00e7\u00e3o laboral dos trabalhadores que hoje ocupam fun\u00e7\u00f5es improdutivas no Estado.<\/p>\n<p>Novas formas de rela\u00e7\u00e3o de trabalho n\u00e3o estatal s\u00e3o projetadas, dentre as quais as cooperativas e o trabalho por conta pr\u00f3pria. Este poder\u00e1 ser realizado por meio de 178 atividades, das quais em 83 ser\u00e1 permitida a contrata\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho sem a necessidade de que sejam familiares do titular da atividade.<\/p>\n<p>Segundo o camarada Ra\u00fal Castro, a realoca\u00e7\u00e3o dos trabalhadores n\u00e3o afetar\u00e1 os servi\u00e7os estrat\u00e9gicos que representam as grandes conquistas sociais da revolu\u00e7\u00e3o. Foram estabelecidos crit\u00e9rios muito claros para as realoca\u00e7\u00f5es, as quais acontecer\u00e3o apenas nos setores onde a m\u00e1quina estatal est\u00e1 inchada, inoperante e ineficiente. O crit\u00e9rio principal para manuten\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e entidades mantidas pelo Estado ser\u00e1 o princ\u00edpio de \u201cidoneidade demonstrada\u201d, evitando qualquer manifesta\u00e7\u00e3o de favoritismo pessoal, de discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero ou de qualquer tipo. O governo garante que ningu\u00e9m ficar\u00e1 abandonado \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte, e aqueles que se sentirem amea\u00e7ados e prejudicados pela aplica\u00e7\u00e3o das medidas contar\u00e3o com o apoio do Estado, da CTC e dos sindicatos, avaliando a situa\u00e7\u00e3o e propondo solu\u00e7\u00f5es, de acordo com as possibilidades existentes.<\/p>\n<p>O que se vislumbra \u00e9, em primeiro lugar, a necessidade premente de direcionar os investimentos estatais para \u00e1reas mais produtivas e para que estas se tornem cada vez mais produtivas. Simultaneamente, pretende-se acabar com fatores como a dupla circula\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, a economia informal, a burocracia, o paternalismo do Estado e a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A maior parte das medidas j\u00e1 havia sido apontada no V Congresso do Partido Comunista de Cuba, realizado em 1997, tais como o reordenamento da economia de modo a aumentar a produ\u00e7\u00e3o e a produtividade e, assim, inverter a tend\u00eancia negativa da balan\u00e7a comercial; a libera\u00e7\u00e3o de recursos para aumentar o n\u00edvel de vida dos cubanos, aplicando o princ\u00edpio socialista de \u201ca cada um segundo o seu trabalho\u201d; a realoca\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho dispon\u00edvel, combatendo o superdimensionamento de certos setores e canalizando o trabalho para \u00e1reas produtivas fundamentais, como a agricultura, a constru\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria, mas tamb\u00e9m preenchendo necessidades na \u00e1rea das conquistas essenciais da revolu\u00e7\u00e3o, como a Sa\u00fade e a Educa\u00e7\u00e3o. A palavra de ordem \u00e9 simplificar, eliminar gastos desnecess\u00e1rios e tornar mais eficientes todas as estruturas econ\u00f4micas, pol\u00edticas e administrativas.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o h\u00e1 como negar que as mudan\u00e7as provocam apreens\u00e3o entre os comunistas de todo o mundo, que temem o arriscado caminho do est\u00edmulo \u00e0 iniciativa privada, como indicado no plano, ao prever, por exemplo, que 83 atividades possam contratar for\u00e7a de trabalho. O perigo ainda maior seria o de se deixar a porta aberta para a inclus\u00e3o de incentivos ao investimento estrangeiro e privado voltado para o com\u00e9rcio exterior. Esperamos honestamente que n\u00e3o venha a ser o setor privado o grande empregador desta for\u00e7a de trabalho dispon\u00edvel, o que, al\u00e9m de corroborar com a fal\u00e1cia burguesa de que a iniciativa privada \u00e9 mais eficiente que o setor p\u00fablico, indicaria um caminho amea\u00e7ador para o avan\u00e7o das rela\u00e7\u00f5es socialistas na Ilha.<\/p>\n<p>De olho nesta possibilidade, o governo brasileiro j\u00e1 anunciou sua disposi\u00e7\u00e3o em \u201cajudar\u201d Cuba no processo de reformas, com o est\u00edmulo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de pequenos e m\u00e9dios neg\u00f3cios. Segundo o chanceler Celso Amorim, o Brasil tem uma vasta experi\u00eancia na promo\u00e7\u00e3o do \u201cempreendedorismo\u201d, e Cuba precisar\u00e1 desse conhecimento para que os 500 mil funcion\u00e1rios p\u00fablicos dispensados n\u00e3o caiam na economia informal. Da\u00ed que o governo brasileiro esteja enviando uma delega\u00e7\u00e3o do SEBRAE a Cuba, para promover cursos de capacita\u00e7\u00e3o em \u201cempreendedorismo\u201d. Esta \u201cajuda humanit\u00e1ria\u201d anunciada pelo Itamaraty insere-se na estrat\u00e9gia de expans\u00e3o da burguesia monopolista brasileira no mundo e em especial na Am\u00e9rica Latina, onde as miss\u00f5es diplom\u00e1ticas v\u00e3o sempre acompanhadas de grandes empres\u00e1rios e capitais para investimentos. Em Cuba mesmo j\u00e1 operam grandes empresas brasileiras.<\/p>\n<p>Claro est\u00e1 que o processo de constru\u00e7\u00e3o do socialismo em Cuba \u00e9 extremamente complexo e vive hoje um momento de grandes dificuldades. O maior desafio do povo cubano \u00e9 justamente manter firme a decis\u00e3o de seguir construindo sua experi\u00eancia de socialismo, em meio a um mundo em que as rela\u00e7\u00f5es capitalistas cada vez mais se expandem. Todos sabemos que a revolu\u00e7\u00e3o socialista \u00e9 necessariamente internacional, mas os cubanos, em que pese todo o seu compromisso internacionalista, comprovado historicamente, n\u00e3o t\u00eam como universalizar sua experi\u00eancia de revolu\u00e7\u00e3o, no m\u00e1ximo podem continuar solid\u00e1rios a toda forma de luta anticapitalista e dar o exemplo de que o socialismo n\u00e3o \u00e9 simples quimera. O desafio torna-se angustiante quando \u00e9 not\u00f3rio <strong>que as novas gera\u00e7\u00f5es em Cuba n\u00e3o conheceram o capitalismo e parcelas da juventude n\u00e3o t\u00eam o mesmo<\/strong> compromisso com a revolu\u00e7\u00e3o do que os mais velhos, que a viveram diretamente. E se s\u00e3o problem\u00e1ticas as condi\u00e7\u00f5es materiais para a amplia\u00e7\u00e3o das conquistas sociais forjadas pela revolu\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o fica ainda mais complexa.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises acostumadas a idealizar situa\u00e7\u00f5es \u2013 tais como aquelas que acusam Cuba de falta de democracia, desconhecendo ou fingindo desconhecer o sistema pol\u00edtico calcado no poder popular \u2013, n\u00e3o levam em conta as exig\u00eancias da realidade em sua totalidade e movimento. N\u00e3o h\u00e1 como dissociar a superestrutura pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e jur\u00eddica de sua base econ\u00f4mica. Sendo a sociedade socialista uma sociedade de transi\u00e7\u00e3o, onde as quest\u00f5es do antagonismo de classes e contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o plenamente resolvidas, \u00e9 inquestion\u00e1vel o papel do Estado para a solidifica\u00e7\u00e3o do processo socialista. O poder pol\u00edtico da classe trabalhadora \u00e9 constru\u00eddo sobre uma base objetiva e em conformidade com as necessidades e possibilidades hist\u00f3ricas e conjunturais.<\/p>\n<p>Tudo indica, portanto, que as medidas adotadas refletem as necessidades geradas e pelas determina\u00e7\u00f5es do processo hist\u00f3rico atual. Rejeitamos as an\u00e1lises que j\u00e1 d\u00e3o como certo e inevit\u00e1vel em Cuba o retrocesso para o capitalismo, como querem fazer ver os agourentos representantes da burguesia e do imperialismo, que por in\u00fameras vezes j\u00e1 anunciaram a morte do socialismo cubano.<\/p>\n<p>De nossa parte, seguiremos solid\u00e1rios ao Partido Comunista Cubano e ao caminho revolucion\u00e1rio que os cubanos escolheram e desenvolveram a partir de 1959. O povo cubano \u00e9 quem melhor saber\u00e1 dizer como enfrentar seus problemas e continuar\u00e1 encontrando, com a coragem, a obstina\u00e7\u00e3o e a criatividade que lhe s\u00e3o peculiares, as sa\u00eddas para a manuten\u00e7\u00e3o e o aprofundamento das conquistas obtidas no processo de constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista.<\/p>\n<p>VIVA CUBA! VIVA A REVOLU\u00c7\u00c3O SOCIALISTA!<\/p>\n<p>Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n<p>(30 de novembro de 2010)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Cubadebate\n\n\n\n\n\n\n\n\n(Nota Pol\u00edtica do Comit\u00ea Central do PCB)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1031\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26,47],"tags":[],"class_list":["post-1031","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb","category-c57-revolucao-cubana"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-gD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1031","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1031"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1031\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1031"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1031"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1031"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}