{"id":10327,"date":"2016-01-31T21:37:57","date_gmt":"2016-02-01T00:37:57","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10327"},"modified":"2016-02-20T08:50:41","modified_gmt":"2016-02-20T11:50:41","slug":"midia-distorce-informacoes-sobre-professor-visitante-da-ufrj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10327","title":{"rendered":"M\u00eddia distorce informa\u00e7\u00f5es sobre professor visitante da UFRJ"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Adlene-Hicheur-foto-reproducao.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><i><b>*Reda\u00e7\u00e3o Boletim da Aduferj e Elisa Monteiro<\/b><\/i><\/p>\n<p>O tom sensacionalista com o qual a m\u00eddia brasileira tratou o caso do f\u00edsico franco-argelino Adl\u00e8ne Hicheur p\u00f5e em xeque a credibilidade das informa\u00e7\u00f5es. Professor visitante do Instituto de F\u00edsica da UFRJ, Hicheur foi apresentado \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica do pa\u00eds como um perigoso terrorista.<!--more--><\/p>\n<p>Contribuiu para aumentar o julgamento do professor uma declara\u00e7\u00e3o do ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Aloizio Mercadante, para quem o f\u00edsico sequer deveria ter entrado no pa\u00eds, em 2013.<\/p>\n<p>O professor foi preso na Fran\u00e7a entre 2009 e 2012, sob as novas leis antiterroristas, por trocar e-mails com um suposto militante da Al-Qaeda na Arg\u00e9lia. Foi processado no final desse per\u00edodo e condenado \u00e0 pris\u00e3o pelo tempo que j\u00e1 havia ficado, mas, em seu julgamento, n\u00e3o foram encontrados ind\u00edcios concretos de seu envolvimento em a\u00e7\u00f5es terroristas.<\/p>\n<p>Forma\u00e7\u00e3o de quadrilha, tendo como inten\u00e7\u00e3o cometer atos de terrorismo, foi a acusa\u00e7\u00e3o pela qual respondeu \u00e0 justi\u00e7a francesa.<\/p>\n<p>No Brasil, Adl\u00e8ne Hicheur entrou no radar da Pol\u00edcia Federal por causa de uma reportagem da Rede CNN sobre o atentado contra o jornal franc\u00eas \u201cCharlie Hebdo\u201d. A reportagem mostrou um homem numa mesquita da Tijuca, no Rio, que exibiu s\u00edmbolo de uma fac\u00e7\u00e3o terrorista. A PF resolveu investigar os frequentadores do templo religioso e o professor Hicheur \u2014 que estava de f\u00e9rias na Fran\u00e7a, quando isso ocorreu \u2014, pelo seu hist\u00f3rico, acabou alvo da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 13, depois da repercuss\u00e3o de uma reportagem sob o t\u00edtulo \u201cUm terrorista no Brasil\u201d, na revista \u00c9poca, reiterando as acusa\u00e7\u00f5es feitas por autoridades francesas, Hicheur comunicou a colegas da UFRJ e do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF) que decidiu interromper o seu contrato com a universidade e deixar o pa\u00eds, por se sentir perseguido.<\/p>\n<p>Em carta a seus colegas da UFRJ e do CBPF, Hicheur afirma que, ao contr\u00e1rio do que disse a revista, sua pris\u00e3o na Fran\u00e7a n\u00e3o era segredo para as autoridades brasileiras.<\/p>\n<p><b>Defesa<\/b><\/p>\n<p>O notici\u00e1rio sobre Adl\u00e8ne Hicheur no Brasil repercutiu no exterior. Importantes pesquisadores da Organiza\u00e7\u00e3o Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, da sigla em franc\u00eas), e de outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa na Europa, divulgaram nota de solidariedade ao professor.<\/p>\n<p>\u201c(&#8230;) Prof. Hicheur nunca cometeu, direta ou indiretamente, qualquer ato criminoso ou terrorista. Ele cumpriu a sua senten\u00e7a (&#8230;) e tem trabalhado pacificamente no Brasil. (&#8230;) \u00e9 admir\u00e1vel que o Brasil tenha oferecido ao prof. Hicheur a possibilidade de retomar a sua carreira cient\u00edfica (&#8230;). O artigo que foi publicado recentemente na \u00c9poca n\u00e3o tem fundamento na realidade\u201d, dizem trechos da nota.<\/p>\n<p>Quando foi alcan\u00e7ado pela repress\u00e3o na Fran\u00e7a, com base nas novas leis antiterror, um comit\u00ea de solidariedade lan\u00e7ou o manifesto \u201cGuant\u00e1namo \u00e0 la Fran\u00e7aise\u201d (<a href=\"http:\/\/soutien.hicheur.pagesperso-orange.fr\/\">http:\/\/soutien.hicheur.pagesperso-orange.fr<\/a>). A pol\u00edcia da Su\u00ed\u00e7a (onde fica o CERN) tamb\u00e9m investigou Hicheur e n\u00e3o encontrou nada, como informam os jornais da \u00e9poca (<a href=\"http:\/\/www.adlenehicheur.fr\/press\/oc09m11\/2011-01_13_LeMatin_CH.pdf\">http:\/\/www.adlenehicheur.fr\/press\/oc09m11\/2011-01_13_LeMatin_CH.pdf<\/a>).<\/p>\n<p><b>Posi\u00e7\u00e3o da reitoria<\/b><\/p>\n<p>At\u00e9 a tarde desta sexta-feira 15, a UFRJ n\u00e3o tinha recebido nenhum comunicado do professor visitante Adl\u00e8ne Hicheur solicitando seu desligamento da institui\u00e7\u00e3o. A dire\u00e7\u00e3o da universidade divulgou nota afirmando que n\u00e3o \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o da universidade deliberar sobre antecedentes criminais de professores. O ingresso de Hicheur, informou a UFRJ, seguiu os tr\u00e2mites habituais.<\/p>\n<p>No dia 14, o Instituto de F\u00edsica divulgou nota informando a substitui\u00e7\u00e3o \u201cdo professor Adl\u00e8ne para evitar que influ\u00eancias n\u00e3o acad\u00eamicas interfiram no andamento das aulas. Ele continua exercendo atividades de pesquisa na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cExcelente pesquisador\u201d<\/p>\n<p>Professor Titular do Instituto de F\u00edsica (IF) da UFRJ, Leandro Salazar de Paula lidera a equipe de pesquisadores da qual faz parte Adl\u00e8ne Hicheur, no Laborat\u00f3rio de Part\u00edculas Elementares do Instituto de F\u00edsica. Salazar o define como \u201cum excelente pesquisador, brilhante\u201d. Caso Adl\u00e8ne deixe o pa\u00eds, considera que haver\u00e1 preju\u00edzo para a pesquisa. Os dois tamb\u00e9m atuam como colaboradores do CERN.<\/p>\n<p>Adl\u00e8ne Hicheur est\u00e1 na UFRJ desde junho de 2014. Por causa da limita\u00e7\u00e3o no idioma, primeiro atuou s\u00f3 como pesquisador. No semestre seguinte, come\u00e7ou a lecionar na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o sobre sustentabilidade de energias renov\u00e1veis, e em F\u00edsica Experimental II, na gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do professor visitante na UFRJ \u00e9 destacada com louvor. De acordo com Salazar, foi o prest\u00edgio internacional de Hicheur como pesquisador que propiciou a presen\u00e7a de especialistas de centro de pesquisa de refer\u00eancia internacional de Zurique, em col\u00f3quio cient\u00edfico realizado pelo Instituto de F\u00edsica em 2015.<\/p>\n<p>Na UFRJ, o professor franco-argelino atua em v\u00e1rias linhas de pesquisa. \u201cSomos nove pesquisadores, e estamos perdendo o mais atuante. A sa\u00edda dele \u00e9 muito negativa\u201d, lamenta Salazar.<\/p>\n<p>O professor brasileiro relata que a contrata\u00e7\u00e3o de Hicheur pela UFRJ seguiu todo rigor exigido a um visitante estrangeiro. \u201cA documenta\u00e7\u00e3o estava completa, visto, nada consta etc. E tudo j\u00e1 havia sido checado anteriormente pelo CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas). Todas as informa\u00e7\u00f5es foram esclarecidas, inclusive sobre o cumprimento da pena. N\u00e3o havia nada de secreto\u201d.<\/p>\n<p>Salazar explica que, em caso de visitantes, a previs\u00e3o de perman\u00eancia \u00e9 de um ano, prorrog\u00e1vel tr\u00eas vezes pelo mesmo per\u00edodo. \u201cTer\u00edamos todo interesse que Adl\u00e8ne continuasse conosco os quatro anos. Mas, mesmo que n\u00e3o tivesse ocorrido essa situa\u00e7\u00e3o toda, n\u00e3o tenho certeza se ele ficaria esse tempo todo. Tanto \u00e9 que veio primeiramente com uma bolsa de curta dura\u00e7\u00e3o do CBPF. S\u00f3 depois aceitou uma colabora\u00e7\u00e3o maior. E quando abrimos a vaga para docente, resolveu se candidatar\u201d, relata.<\/p>\n<p>De acordo com o professor Leandro Salazar, dois fatores foram determinantes para que<b> <\/b>Adl\u00e8ne Hicheur escolhesse o Brasil como destino acad\u00eamico, depois de cumprir sua pena: maior agilidade na burocracia brasileira e desejo por um novo ambiente para seu recome\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cQuando foi solto, Adl\u00e8ne expressou aos colegas de \u00e1rea que seu interesse era voltar \u00e0 vida cient\u00edfica\u201d, conta. \u201cA Europa paga melhor, mas o processo burocr\u00e1tico \u00e9 mais lento\u201d, observou Salazar.<\/p>\n<p>Segundo o professor da UFRJ, o franco-argelino ficou chocado com a explora\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria pela m\u00eddia brasileira: \u201cAdl\u00e8ne lidou em diferentes pa\u00edses com a quest\u00e3o. Mas nunca com essa exposi\u00e7\u00e3o, com sua fotografia aparecendo repetidamente\u201d.<\/p>\n<p>Salazar disse que cientistas internacionais manifestaram sua solidariedade a Hicheur logo que o notici\u00e1rio sobre ele chegou \u00e0 m\u00eddia. \u201cNa verdade, como brasileiro, fiquei envergonhado por tudo que aconteceu com ele, que essa incivilidade tenha afetado a opini\u00e3o dele sobre a gente\u201d, disse. A \u201creceptividade dos brasileiros\u201d era sempre citada por Adl\u00e8ne Hicheur como fator que contribuiu para sua fixa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, lembra o professor.<\/p>\n<p><b>Boletim da Adufrj de 21 de janeiro de 2016<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.adufrj.org.br\/images\/19012016B.pdf\"><span style=\"color: #1155cc;\"><u><b>http:\/\/www.adufrj.org.br\/images\/19012016B.pdf<\/b><\/u><\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"*Reda\u00e7\u00e3o Boletim da Aduferj e Elisa Monteiro O tom sensacionalista com o qual a m\u00eddia brasileira tratou o caso do f\u00edsico franco-argelino Adl\u00e8ne \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10327\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-10327","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Gz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10327"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10327\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}