{"id":10334,"date":"2016-01-31T21:50:23","date_gmt":"2016-02-01T00:50:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10334"},"modified":"2016-02-20T08:51:08","modified_gmt":"2016-02-20T11:51:08","slug":"soja-e-dengue-mais-uma-mancha-para-o-complexo-da-soja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10334","title":{"rendered":"Soja e dengue: mais uma mancha para o complexo da soja"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/transgenicos.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>ARGENTINA:<\/p>\n<p>Por Alberto Lapolla \/Resumen Latinoamericano \/ BiodiversidadLA.org \/ 27 de janeiro de 2016 \u2013 Nos \u00faltimos dois anos, a invas\u00e3o de mosquitos das esp\u00e9cies Aedes sp e Culex sp. assolou amplos espa\u00e7os de nosso pa\u00eds, especial de <i>Pampa H\u00fameda, <\/i>estendendo-se muito al\u00e9m do ver\u00e3o, que \u00e9 a esta\u00e7\u00e3o onde aflora massivamente. O fen\u00f4meno foi particularmente not\u00e1vel em 2008, quando a invas\u00e3o durou quase at\u00e9 o m\u00eas de maio, apesar da temperatura ter diminu\u00eddo o <!--more-->suficiente como para acabar com eles. Para aqueles que acompanham de perto o desenvolvimento dos acontecimentos ambientais argentinos, o fato n\u00e3o passou desapercebido. Assim, tentamos chamar a aten\u00e7\u00e3o a respeito do que ocorreria se a esp\u00e9cie em propaga\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse pertencente ao <i>Aedes<\/i> comum ou ao <i>Culex<\/i> \u2018dom\u00e9stico\u2019, mas ao tem\u00edvel transmissor da Febre Amarela e da Dengue? Inclusive, em 2007 e 2008, ocorreram casos de febre amarela na Bol\u00edvia, Paraguai, Brasil e no norte da Argentina, que foi atribu\u00eddo a viajantes provenientes dos pa\u00edses irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Na oportunidade, assinalamos a equival\u00eancia do mapa correspondente \u00e0 invas\u00e3o dos mosquitos, com o que a multinacional Syngenta, chamada de <b>\u2018a Rep\u00fablica Unida da Soja\u2019<\/b>, ou seja, a regi\u00e3o compreendida pelas zonas da Bol\u00edvia, Paraguai, Argentina, Brasil e Uruguai, semeadas com o feij\u00e3o m\u00e1gico transg\u00eanico forrageiro produzido pela Monsanto, e produzido abundantemente com seu agraciado herbicida <i>\u2018mata tudo\u2019 <\/i>glifosato, conhecido como Round up, acompanhado por seus companheiros de viagem tais como o 2-4-D, a Atrazina, o Endosulfan, o Paraquat, o Diquat e o Clorpirifos, entre alguns outros. Nesse momento \u2013 junto a outros ambientalistas do resto do continente \u2013 assinalamos a rara coincid\u00eancia de ambos os mapas, muito mais not\u00e1vel no caso da expans\u00e3o da epidemia de Febre Amarela de 2007-2008 e da epidemia de mosquitos \u2018dom\u00e9sticos\u2019 de 2008. Assim, preferimos supor, que qualquer vincula\u00e7\u00e3o do raro fen\u00f4meno ambiental com a utiliza\u00e7\u00e3o massiva e descontrolada do <b>glifosato e a \u00e1rea sojizada<\/b>, n\u00e3o pode ser sen\u00e3o parte de uma conspira\u00e7\u00e3o antimonsantiana ou de mentes febris, que enxergam cat\u00e1strofes ambientais por todos os lados e n\u00e3o acreditam no que diz a empresa multinacional ou seus porta-vozes da AAPRESID, a FFA ou Clar\u00edn Rural, sobre a <i>\u2018absoluta inocuidade\u2019<\/i> dos quase trezentos milh\u00f5es de litros de pesticidas jogados pelo complexo da soja sobre o ambiente agropampeano. Por\u00e9m&#8230; que elas existem, existem&#8230;<\/p>\n<p><b>Assim, chegamos \u00e0 epidemia de dengue em 2009 e \u2013 oh, que coincid\u00eancia \u2013 a mesma voltou a ocorrer com a grande parte da \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o de soja sul-americana, e se baseia em uma expans\u00e3o exorbitante da popula\u00e7\u00e3o de mosquitos.<\/b> Qualquer professor de Ecologia ou de Biologia \u2013 n\u00e3o empregado em uma multinacional ou em um programa de investiga\u00e7\u00e3o universit\u00e1rio financiado por elas \u2013 perguntaria: <b>desapareceu algum predador natural do mosquito? <\/b>Ou:<b> o mosquito aumentou sua fonte de alimenta\u00e7\u00e3o de maneira exorbitante?<\/b> Bem, a primeira \u00e9 a pergunta correta e, portanto, a ela corresponde a resposta correta, caso o docente desejar fazer a pergunta, claro.<\/p>\n<p>O glifosato, a Atrazina, o Endosulfan, o 2-4-D, o Clorpirifos, o Diquat e o Paraquat casualmente matam peixes e anf\u00edbios \u2013 sapos, r\u00e3s, etc. \u2013, ou seja, os predadores naturais dos mosquitos, aos quais consomem tanto em seu estado larval como adultos. &lt;j&gt;Por\u00e9m, se isto \u00e9 assim, como \u00e9 que ningu\u00e9m advertiu&#8230;<\/p>\n<p>Por\u00e9m, tem mais, pois a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o direta, mas multivariada e complexa como todos os fen\u00f4menos ambientais. Embora a epidemia de dengue que surpresamente atacou nosso pa\u00eds tenha sua origem na propaga\u00e7\u00e3o da epidemia que afeta a irm\u00e3 Rep\u00fablica da Bol\u00edvia, a mesma tem sua causa principal no aquecimento global que afeta nosso planeta que, ao produzir o aumento das temperaturas m\u00ednimas e m\u00e9dias, estende as enfermidades chamadas tropicais (paludismo, febre amarela, dengue, mal\u00e1ria e outras) para as regi\u00f5es temperadas, ou seja, a Argentina. Essa \u00e9 a principal raz\u00e3o do porque a dengue voltar a nosso pa\u00eds, que tinha sido eliminada durante os anos cinquenta gra\u00e7as ao elogiado trabalho do Dr. Ram\u00f3n Carrillo. No entanto, cabe situar outras rela\u00e7\u00f5es causais do m\u00faltiplo complexo ambiental que afeta a expans\u00e3o de uma enfermidade como a dengue.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas de destrui\u00e7\u00e3o do Estado e seus controles aplicados durante os anos noventa, que pararam as fumiga\u00e7\u00f5es preventivas, e a falta de novos produtos qu\u00edmicos para combater o inseto vetor <i>Aedes aegypty,<\/i> que as multinacionais do neg\u00f3cio agrot\u00f3xico n\u00e3o desenvolvem devido a que, segundo elas, <i>\u2018n\u00e3o \u00e9 neg\u00f3cio, pois os pa\u00edses tropicais, principais destinat\u00e1rios dos produtos s\u00e3o maus pagadores\u2019<\/i>, <b>no caso argentino, devem se somar \u00e0 tremenda expans\u00e3o da \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o de soja em Pampa H\u00fameda e extensas regi\u00f5es do NEA e do NOA, fronteiri\u00e7as com a Bol\u00edvia, Brasil e Paraguai.<\/b><\/p>\n<p><b>Assim, a sojiza\u00e7\u00e3o mant\u00e9m uma linha dupla de influ\u00eancia sobre a expans\u00e3o da dengue. Por um lado, o complexo de agrot\u00f3xicos utilizados pelo sistema da Semeadura Direta \u2013 soja RR<\/b> se baseia no uso massivo de glifosato, endosulfan, clorpirifos, 2-4-D, atrazina, paraquat, e outros pesticidas. Todos possuem uma forte a\u00e7\u00e3o devastadora sobre a popula\u00e7\u00e3o de peixes e anf\u00edbios, predadores naturais dos mosquitos transmissores da dengue e da febre amarela.<\/p>\n<p>Isto pode ser comprovado pelo quase desaparecimento da popula\u00e7\u00e3o de anf\u00edbios na pradaria pampeana e em seus cursos principais de \u00e1gua, rios, c\u00f3rregos, lagoas e bosques, assim como o elevado n\u00famero de peixes que aparecem mortos nos mesmos ou pela apari\u00e7\u00e3o dos mesmos com fortes deforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e com graves afeta\u00e7\u00f5es em sua capacidade reprodutiva, como informaram reiterados estudos e investiga\u00e7\u00f5es de diversas institui\u00e7\u00f5es de Pampa H\u00fameda. <b>Poder\u00edamos assinalar sem exagerar que os anf\u00edbios \u2013 principais predadores de mosquitos e outros insetos \u2013 s\u00e3o coisa do passado no territ\u00f3rio sojizado, arrasado pelo coquetel de agrot\u00f3xicos utilizados pelos produtores no sistema de Semeadura Direta.<\/b><\/p>\n<p>Um segundo elemento da rela\u00e7\u00e3o entre a sojiza\u00e7\u00e3o e a epidemia de dengue se situa no enorme desmatamento produzido nas \u00e1reas florestais e montanhosas das regi\u00f5es do NEA e NOA, que destroem o equil\u00edbrio ambiental dessas regi\u00f5es, liquidando o ref\u00fagio e o habitat natural dos predadores de outros predadores dos mosquitos, permitindo o aumento descontrolado de sua popula\u00e7\u00e3o. Tal como se v\u00ea comprovado nos \u00faltimos anos, apenas neste \u00faltimo correspondeu \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de <i>Aedes aegypty <\/i>e n\u00e3o ao <i>Aedes<\/i> comum ou ao <i>Culex<\/i>, como em anos anteriores. <b>O<\/b><b> crescimento incomum da popula\u00e7\u00e3o de mosquitos \u00e9 a causa principal da expans\u00e3o da epidemia da dengue, segundo assinalam a maioria dos especialistas e sua rela\u00e7\u00e3o com os agrot\u00f3xicos da soja \u00e9 quase direta.<\/b><\/p>\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma simples rela\u00e7\u00e3o de causa-efeito, mas parte das cadeias concatenadas de fen\u00f4menos que caracterizam os processos ambientais e, por isso, s\u00e3o em geral dif\u00edceis de estudar ou de assinalar, mediante um olhar simplista da rela\u00e7\u00e3o causa-efeito. No entanto, \u00e9 imposs\u00edvel negar a rela\u00e7\u00e3o entre a destrui\u00e7\u00e3o dos predadores dos mosquitos provocada pela sojiza\u00e7\u00e3o, por conta dos venenos usados para seu cultivo, assim como por obra da depreda\u00e7\u00e3o das montanhas e bosques nativos, que produz seu cultivo descontrolado e, portanto, sua responsabilidade central na exist\u00eancia da atual epidemia de dengue. Mais uma mancha a ser carregada pelo absurdo da produ\u00e7\u00e3o de soja.<\/p>\n<p><b>Alberto J. Lapolla<\/b><\/p>\n<p>Engenheiro agr\u00f4nomo genetista e Historiador. Diretor do Instituto de Forma\u00e7\u00e3o da CMP<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2016\/01\/27\/argentina-sojizacion-y-dengue-una-mancha-mas-para-el-complejo-sojero\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"ARGENTINA: Por Alberto Lapolla \/Resumen Latinoamericano \/ BiodiversidadLA.org \/ 27 de janeiro de 2016 \u2013 Nos \u00faltimos dois anos, a invas\u00e3o de mosquitos \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10334\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-10334","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c68-argentina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2GG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10334"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10334\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}