{"id":10398,"date":"2016-02-06T21:34:19","date_gmt":"2016-02-07T00:34:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10398"},"modified":"2016-03-03T13:34:58","modified_gmt":"2016-03-03T16:34:58","slug":"colombia-a-paz-e-possivel-mas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10398","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia: A paz \u00e9 poss\u00edvel, mas&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/7dcf0b2af1984227ad7c6cf72248dc3c.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Carlos Azn\u00e1rez<\/p>\n<p>Os apuros do presidente Juan Manuel Santos para que nos \u00faltimos dias de mar\u00e7o se assine a paz com a delega\u00e7\u00e3o das FARC-EP em Havana, n\u00e3o condiz com a realidade que todos os dias \u00e9 mostrada no territ\u00f3rio. A viol\u00eancia contra os movimentos populares subsiste e \u00e9 letal. Tamb\u00e9m, \u00e9 claro, arremete tanto contra os guerrilheiros das FARC, apesar do cessar-fogo, e contra os do ELN, a quem \u00e9 negada a possibilidade de dialogar.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o quer que a guerra se acabe, que os quatro milh\u00f5es de deslocados regressem a suas casas, as quais tiveram que abandonar aterrorizados pela a\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito e do paramilitarismo. \u00c9 certo tamb\u00e9m que como sequelas desta guerra de mais de meio s\u00e9culo, na qual a burguesia colombiana ati\u00e7ou o fogo para n\u00e3o perder nem um hectare de seus latif\u00fandios e nem uma s\u00f3 de suas milion\u00e1rias propriedades, muitos cidad\u00e3os foram assassinados, torturados, encarcerados (mais de 9.500 ainda permanecem na pris\u00e3o) e que essa \u00e9 uma raz\u00e3o muito boa para que as armas de um e outro lado cessem o fogo. Por\u00e9m, o grande problema deste e de qualquer processo de paz, passa por conseguir que se converta em uma mesa de negocia\u00e7\u00f5es as condi\u00e7\u00f5es de pobreza, desocupa\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o que durante d\u00e9cadas foram descarregadas contra o povo colombiano. Por essa e n\u00e3o por outra raz\u00e3o, muitos camponeses e camponesas, estudantes e oper\u00e1rios tomaram a decis\u00e3o de se levantarem em armas.<\/p>\n<p>De tudo isso sabe e sofreu a grande maioria dos combatentes das FARC que hoje discutem com os homens do governo de Santos, inclusive com alguns soldados que foram seus principais perseguidores e executores de alguns de seus companheiros assassinados.<\/p>\n<p>Em todo este processo, a guerrilha foi clara em suas express\u00f5es desde que, pela primeira vez, se sentou \u00e0 mesa em Havana. Disseram seus comandantes: \u201cN\u00e3o viemos at\u00e9 aqui para nos render nem para ir \u00e0 pris\u00e3o\u201d, \u201cqueremos uma Col\u00f4mbia em paz e com justi\u00e7a social\u201d. E esta \u00faltima reivindica\u00e7\u00e3o abre obrigatoriamente para outros apoiadores, que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com que n\u00e3o pode existir paz caso persista o paramilitarismo.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse preciso ponto da quest\u00e3o que se est\u00e1 agora. Assim expressaram recentemente os porta-vozes da insurg\u00eancia, entre eles o comandante Pablo Catatumbo, quando percebeu o perigo que significaria em um futuro imediato a subsist\u00eancia de bols\u00f5es de paramilitares assediando n\u00e3o s\u00f3 eventuais combatentes desarmados, mas tamb\u00e9m, como agora mesmo acontece, amea\u00e7ando de morte e em muitos casos assassinando lutadores dos movimentos sociais e populares.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso desmontar o paramilitarismo caso queiramos chegar ao final do conflito\u201d, defende Catatumbo e, certamente, recorda todos os sofrimentos vividos por gera\u00e7\u00f5es anteriores de lutadores. Por exemplo, os da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica, quando em 1985, devido \u00e0 persist\u00eancia de estruturas paramilitares protegidas pelo Ex\u00e9rcito colombiano, foram assassinados dois candidatos presidenciais, os advogados Jaime Pardo Leal e Bernardo Jaramillo, 8 congressistas, 13 deputados, 70 vereadores, 11 prefeitos e algo em torno de 5.000 de seus militantes.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ir t\u00e3o longe no tempo. Agora mesmo, em meio \u00e0s expectativas de esperan\u00e7a provocadas na popula\u00e7\u00e3o pela possibilidade concreta de um acordo de paz, existem territ\u00f3rios do pa\u00eds que sofrem o ass\u00e9dio paramilitar de maneira virulenta. Ali est\u00e3o os habitantes do munic\u00edpio de El Bagre, em Antioquia, que por estes dias denunciaram a remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e massiva de dez comunidades, ou seja: 125 fam\u00edlias, 580 pessoas, em sua maioria meninos e meninas. Tamb\u00e9m reportaram a paralisa\u00e7\u00e3o do comercio na zona, afetando a entrada de alimentos para os povoados.<\/p>\n<p>S\u00f3 no m\u00eas de dezembro foram assassinados nessa zona cinco camponeses e no de janeiro j\u00e1 se computam duas novas mortes de lavradores. Al\u00e9m disso, grupos paramilitares portando importante quantidade de armamento sequestraram por mais de 20 horas os habitantes de El Coral, tamb\u00e9m no munic\u00edpio de El Bagre.<\/p>\n<p>Obviamente as FARC est\u00e3o denunciando, mais uma vez, na mesa de Havana estes graves eventos, por\u00e9m se chegou a uma inst\u00e2ncia, na qual tanto o governo colombiano como aqueles que atuam como garantidores neste processo devem noticiar que nenhuma guerrilha pode pensar em desarmar-se enquanto subsistam no territ\u00f3rio grupos perfeitamente identificados (Aguilas Negras, Autodefensas Gaitanistas e outros), que permanecem amea\u00e7ando com terror e matando popula\u00e7\u00f5es indefesas. Em outras palavras, assim expressam os pr\u00f3prios guerrilheiros do Bloco Magdalena Medio das FARC: \u201cO Governo e seus porta-vozes na Mesa de Di\u00e1logo devem entender que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel ocorrer a transforma\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o armada em movimento pol\u00edtico aberto para debater nas pra\u00e7as p\u00fablicas, ideias e vis\u00f5es de pa\u00eds, sem armas, se n\u00e3o se desmontar o paramilitarismo de Estado disfar\u00e7ado em grupo criminoso\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 algo puramente l\u00f3gico, por\u00e9m tamb\u00e9m \u00e9 um grito de aten\u00e7\u00e3o ao mundo para que se fa\u00e7a eco sobre a necessidade de pressionar o Estado colombiano e seus aparatos militares (geralmente os protetores destes grupos ilegais armados), para que tomem posicionamentos sobre o assunto. A paz \u00e9 poss\u00edvel sim. Por\u00e9m, se n\u00e3o s\u00e3o colocadas em marcha medidas que assegurem a partilha da riqueza para os mais necessitados, que a riqu\u00edssima burguesia colombiana ceda parte do que acumulou durante anos a custa de maus tratos e milhares de mortos, e por \u00faltimo, que nenhum colombiano possa matar outro por discordar de suas ideias, como hoje continuam fazendo, a paz se converteria somente em uma miragem.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2016\/01\/26\/colombia-la-paz-es-posible-pero-por-carlos-aznarez\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos Azn\u00e1rez Os apuros do presidente Juan Manuel Santos para que nos \u00faltimos dias de mar\u00e7o se assine a paz com a delega\u00e7\u00e3o \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10398\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-10398","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2HI","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10398","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10398"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10398\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10398"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10398"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10398"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}