{"id":10418,"date":"2016-02-11T22:15:05","date_gmt":"2016-02-12T01:15:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10418"},"modified":"2016-03-03T13:28:15","modified_gmt":"2016-03-03T16:28:15","slug":"o-novo-estado-da-vigilancia-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10418","title":{"rendered":"O novo estado da vigil\u00e2ncia global"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"326\" width=\"485\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.patrialatina.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/160202-Vigil%C3%A2ncia-485x326.jpg?resize=485%2C326\" alt=\"imagem\" \/><em>TVs espi\u00e3s. Reconhecimento facial de multid\u00f5es. Mapeamento completo de atitudes. Como a \u201cinternet das coisas\u201d e o \u201cbig data\u201d contram e amedrontam as sociedades<\/em><\/p>\n<p>Por <b>Ignacio Ramonet<\/b> | Tradu\u00e7\u00e3o: <b>Vin\u00edcius Gomes Melo<\/b><\/p>\n<p>Em nossa vida cotidiana deixamos, constantemente, rastros que entregam nossa identidade, mostram nossos relacionamentos, reconstroem nossos deslocamentos, identificam nossas ideais, revelam nossos gostos, nossas escolhas e nossas paix\u00f5es \u2013 incluindo as mais <!--more-->secretas. Por todo o globo, m\u00faltiplas redes de controle maci\u00e7o n\u00e3o param de nos vigiar. Em todas as partes, algu\u00e9m nos observa atrav\u00e9s de fechaduras digitais. O desenvolvimento da internet das coisas e a prolifera\u00e7\u00e3o de objetos conectados (1) multiplicam a quantidade de todo o tipo de dedos-duros <b><\/b>que nos rodeiam. Nos Estados Unidos, por exemplo, a empresa eletr\u00f4nica Vizio, sediada em Irvine (California), fabricante de televis\u00f5es inteligentes conectadas a internet, revelou recentemente que seus aparelhos <a href=\"http:\/\/www.truthdig.com\/report\/item\/own_a_vizio_smart_tv_its_watching_you_20151110\" target=\"_blank\">espionavam<\/a> seus usu\u00e1rios atrav\u00e9s de dispositivos tecnol\u00f3gicos incorporados aos produtos.<\/p>\n<p>Essas TVs gravam tudo o que seus espectadores consomem em mat\u00e9ria de programas audiovisuais: os programas em canais a cabo, o que \u00e9 assistido em DVD, os pacotes de acesso a internet ou at\u00e9 mesmo os games\u2026 Dessa maneira, a Vizio pode saber tudo sobre o que seus clientes preferem em mat\u00e9ria de lazer audiovisual. E, consequentemente, pode vender essas informa\u00e7\u00f5es a empresas publicit\u00e1rias que, por meio da an\u00e1lise dos dados recolhidos, conhecer\u00e3o com precis\u00e3o os gostos de seus usu\u00e1rios e estar\u00e3o em melhor posi\u00e7\u00e3o para t\u00ea-los sob suas miras (2).<\/p>\n<p>Por si s\u00f3, essa n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia diferente daquela que, por exemplo, o Facebook e o Google utilizam frequentemente para conhecer seus internautas e oferecer uma publicidade ajustada aos seus supostos gostos. Recordemos que, em <i>1984<\/i> de George Orwell, os televisores \u2013 obrigat\u00f3rios em cada resid\u00eancia \u2013 \u201cviam\u201d, em suas telas, o que as pessoas faziam. (\u201cAgora podemos v\u00ea-los!\u201d). E a quest\u00e3o obrigat\u00f3ria hoje, diante da exist\u00eancia de aparelhos como os da Vizio, \u00e9 saber se estamos dispostos a aceitar que nossa televis\u00e3o nos espione.<\/p>\n<p>A julgar pela den\u00fancia apresentada, em agosto de 2015, pelo deputado californiano Mike Gatto contra a sul-coreana Samsung, parece que n\u00e3o. A empresa foi acusada de tamb\u00e9m equipar seus novos televisores com um microfone oculto, capaz de gravar as conversas dos telespectadores, sem que estes soubessem, e de transmiti-las a terceiros (3)\u2026 Mike Gatto, que preside a Comiss\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o ao Consumidor e da Privacidade na C\u00e2mara Estadual, apresentou um proposta de lei proibindo que televis\u00f5es espionassem as pessoas.<\/p>\n<p>De maneira contr\u00e1ria, Jim Dempsey, diretor do centro de Direito e Tecnologias, na Universidade da California, acredita que os televisores-espi\u00f5es<b> <\/b>ir\u00e3o proliferar: \u201cA tecnologia permitir\u00e1 analisar os comportamentos das pessoas. E isso n\u00e3o ser\u00e1 interessante apenas para os publicit\u00e1rios. Tamb\u00e9m permitir\u00e1 avalia\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas ou culturais, que, por exemplo, interessar\u00e3o tamb\u00e9m \u00e0s companhias de seguro\u201d. Sobretudo, se se considera que as empresas de recursos humanos e de trabalhos tempor\u00e1rios j\u00e1 utilizam sistemas de an\u00e1lise de voz para estabelecer um diagn\u00f3stico psicol\u00f3gico imediato das pessoas que lhes telefonam em busca de emprego\u2026<\/p>\n<p>Espalhados por todas as partes, os detectores de nossas a\u00e7\u00f5es e atitudes abundam o nosso entorno. Sensores registram a velocidade de nossos movimentos ou de nossos itiner\u00e1rios; tecnologias de reconhecimento facial memorizam o formato de nossos rostos e criam, sem que saibamos, bases de dados biom\u00e9tricos de cada um de n\u00f3s\u2026 Isso sem falar dos novos de chips de identifica\u00e7\u00e3o por radiofrequ\u00eancia (RFID, sigla em ingl\u00eas) (4), que, automaticamente, descobrem nosso perfil de consumo, assim como fazem os \u201ccart\u00f5es de fidelidade\u201d que a maioria dos grandes supermercados e grandes marcas oferecem de maneira generosa.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o estamos sozinhos frente ao nosso computador. Quem, a essa altura, duvida que est\u00e3o examinando e filtrando nossas mensagens eletr\u00f4nicas, nossas pesquisas de internet, nossas conversa\u00e7\u00f5es nas redes sociais? Cada clique, cada telefonema, cada compra no cart\u00e3o de cr\u00e9dito e cada navega\u00e7\u00e3o na internet, fornecem excelentes informa\u00e7\u00f5es sobre cada um de n\u00f3s, que s\u00e3o entregues e analisadas por um imp\u00e9rio operando nas sombras a servi\u00e7o de corpora\u00e7\u00f5es comerciais, empresas publicit\u00e1rias, entidades financeiras, partidos pol\u00edticos ou autoridades governamentais.<\/p>\n<p>O necess\u00e1rio equil\u00edbrio entre liberdade e seguran\u00e7a corre, portanto, o perigo de se romper. No filme <i>1984<\/i>, baseado na obra de Orwell e dirigido por Michael Radford, o presidente supremo, chamado Big Brother, definia assim sua doutrina: \u201cA guerra n\u00e3o tem por objetivo ser vencida, seu objetivo \u00e9 continuar\u201d, e: \u201cA guerra \u00e9 feita pelos mandat\u00e1rios contra seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os, e tem, por objetivo, manter intacta a estrutura dessa mesma sociedade\u201d (5). Dois princ\u00edpios que, estranhamente, s\u00e3o a ordem do dia em nossas sociedades contempor\u00e2neas. Com o pretexto de proteger toda a sociedade, as autoridades enxergam em cada cidad\u00e3o um potencial infrator. A guerra permanente (e necess\u00e1ria) contra o terrorismo lhes proporciona o \u00e1libi moral perfeito e favorece a constru\u00e7\u00e3o de um impressionante arsenal de leis para estabelecer o controle social total.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, deve-se levar em conta que crises econ\u00f4micas inflam o descontentamento social; que, aqui ou ali, podem tomar a forma de revoltas entre cidad\u00e3os, levantes de camponeses ou rebeli\u00f5es nas cidades. Mais sofisticadas que os cassetetes e os jatos de \u00e1gua das for\u00e7as de seguran\u00e7a, as novas armas de vigil\u00e2ncia permitem identificar melhor seus l\u00edderes e tir\u00e1-los de cena antecipadamente.<\/p>\n<p>As autoridades nos dizem: \u201cHaver\u00e1 menos privacidade e menos respeito pela vida particular, mas haver\u00e1 mais seguran\u00e7a\u201d. Mas em nome desse imperativo instala-se, de maneira furtiva, um regime de seguran\u00e7a que podemos classificar como \u201csociedade de controle\u201d. Em seu livro \u201cVigiar e Punir\u201d, o fil\u00f3sofo Michel Foucault explica como o \u201cPan\u00f3tico\u201d (\u201co olho que tudo v\u00ea\u201d) (6) \u00e9 um dispositivo arquitet\u00f4nico que cria uma \u201csensa\u00e7\u00e3o de onisci\u00eancia invis\u00edvel\u201d e permite que os guardas vigiem sem serem vistos dentro da pris\u00e3o. Atualmente, o princ\u00edpio do \u201cpan\u00f3tico\u201d \u00e9 aplicado a toda sociedade.<\/p>\n<p>Na pris\u00e3o, os detidos expostos permanentemente \u00e0 mirada oculta dos \u201cvigilantes\u201d, vivem com o temor de serem flagrados cometendo alguma falta. Isso os leva a se autodisciplinarem\u2026 Podemos deduzir que o princ\u00edpio organizador de uma sociedade disciplin\u00e1ria \u00e9 o seguinte: estabelecendo-se uma vigil\u00e2ncia ininterrupta, as pessoas acabam por modificar seus comportamentos. Como afirma Glenn Greenwald, \u201cas experi\u00eancias hist\u00f3ricas demonstram que a simples exist\u00eancia de um sistema de vigil\u00e2ncia em grande escala, seja qual for a maneira pela qual \u00e9 utilizada, \u00e9 o suficiente para reprimir dissidentes. Uma sociedade consciente de estar permanentemente vigiada torna-se, por consequ\u00eancia, mais d\u00f3cil e amedrontada\u201d. (7)<\/p>\n<p>Hoje em dia, o sistema pan\u00f3tico foi refor\u00e7ado com uma particular novidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s sociedades de controle anteriores, que confinavam as pessoas consideradas antissociais, marginais, rebeldes ou inimigas em lugares de priva\u00e7\u00e3o fechada: pris\u00f5es, reformat\u00f3rios, manic\u00f4mios, asilos, campos de concentra\u00e7\u00e3o, etc. Nossas sociedades de controle modernas oferecem uma aparente liberdade a todos os suspeitos (ou seja, a todos cidad\u00e3os), enquanto os mant\u00eam sob permanente vigil\u00e2ncia eletr\u00f4nica. A conten\u00e7\u00e3o digital sucedeu a conten\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, essa vigil\u00e2ncia constante tamb\u00e9m acontece com a ajuda de dedos-duros tecnol\u00f3gicos que adquirimos \u201clivremente\u201d: computadores, telefones celulares, tablets, bilhetes eletr\u00f4nicos para transportes p\u00fablicos, cart\u00f5es de cr\u00e9dito inteligentes, cart\u00f5es de fidelidade, aparelhos GPS, etc. Por exemplo, o portal Yahoo!, que cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas consultam regular e constantemente, captura uma m\u00e9dia de 2.500 rotinas de cada um de seus usu\u00e1rios por m\u00eas.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Google, cujo n\u00famero de usu\u00e1rios \u00e9 maior que 1 bilh\u00e3o, disp\u00f5e de um impressionante n\u00famero de sensores para espionar o comportamento de cada usu\u00e1rio (8): o buscador Google Search, por exemplo, permite saber onde o internauta se encontra, o que ele busca e em que momento. O navegador Google Chrome, um mega-dedo-duro, envia diretamente para a Alphabet (a empresa matriz do Google) tudo o que o usu\u00e1rio faz quando navega na internet. O Google Analytics elabora estat\u00edsticas muito precisas sobre a navega\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios na rede. O Google Plus recolhe informa\u00e7\u00f5es complement\u00e1rias e as mescla. O Gmail analisa a correspond\u00eancia trocada \u2013 o que revela muito sobre o remetente e seus contatos. O servi\u00e7o DNS (Sistema de Nome de Dom\u00ednio) do Google analisa os sites visitados. O YouTube, o servi\u00e7o de v\u00eddeos mais visitados do mundo, que tamb\u00e9m pertence a Google \u2013 e portanto, \u00e0 Alphabet \u2013 registra tudo o que fazemos em seu interior. O Google Maps identifica o lugar em que nos encontramos, para onde vamos, quando e por qual itiner\u00e1rio\u2026 AdWords sabe o que queremos vender ou promover.<\/p>\n<p>E desde o momento em que ligamos um smartphone que opera com Android, o Google sabe imediatamente onde estamos e o que estamos fazendo. Ningu\u00e9m nos obriga a utilizar o Google, mas quando o fazemos, eles sabem tudo sobre n\u00f3s. E, segundo Julian Assange, imediatamente informa as autoridades dos Estados Unidos\u2026.<\/p>\n<p>Em outras ocasi\u00f5es, os que espionam e rastreiam nossos movimentos s\u00e3o sistemas dissimulados ou camuflados, semelhantes aos radares nas avenidas, os drones ou as c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia (tamb\u00e9m chamadas de \u201cvideoprote\u00e7\u00e3o\u201d). Esse tipo de c\u00e2mera tem se proliferado tanto que, por exemplo, no Reino Unido \u2013 onde existem mais de 4 milh\u00f5es dela, uma para 15 habitantes \u2013 um pedestre pode ser filmado em Londres at\u00e9 300 vezes ao dia. E as c\u00e2meras de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, com a Gigapan, de alt\u00edssima defini\u00e7\u00e3o (mais de um bilh\u00e3o de pixels) permitem obter, com apenas uma fotografia e atrav\u00e9s de um poderoso zoom que entra na pr\u00f3pria fotografia \u2013 a ficha biom\u00e9trica do rosto de cada uma das milhares de pessoas presentes em um est\u00e1dio, um com\u00edcio ou uma manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. (9)<\/p>\n<p>Apesar de existirem s\u00e9rios estudos, que j\u00e1 demonstraram a fraca efici\u00eancia da videovigil\u00e2ncia (10) em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a, esta t\u00e9cnica segue sendo ratificada pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o. Uma parte da opini\u00e3o p\u00fablica acaba por aceitar a restri\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias liberdades: 63% dos franceses declaram estar dispostos a uma \u201climita\u00e7\u00e3o das liberdades individuais na internet, por conta da luta contra o terrorismo\u201d. (11).<\/p>\n<p>O que demonstra haver, ainda, muita margem de submiss\u00e3o a ser explorada pelos que nos vigiam\u2026.<\/p>\n<p>\u2013<\/p>\n<p>(1) A express\u00e3o \u201cobjetos conectados\u201d refere-se \u00e0queles cuja miss\u00e3o principal n\u00e3o \u00e9 apenas a de ser perif\u00e9ricos inform\u00e1ticos ou interfaces de acesso \u00e0 web, mas agregar, gra\u00e7as a uma conex\u00e3o com a internet, valor adicional em termos de funcionalidade, informa\u00e7\u00e3o, intera\u00e7\u00e3o com o entorno ou de uso (Fonte: <i>Dictionnaire du Web)<\/i><\/p>\n<p>(2) <i>El Pa\u00eds, <\/i>2015<\/p>\n<p>(3) A partir de ent\u00e3o, a Samsung anunciou que mudaria sua pol\u00edtica, e assegurou que o sistema de grava\u00e7\u00e3o instalado em seus televisores s\u00f3 seria ativado quando o usu\u00e1rio apertasse o bot\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>(4) Que j\u00e1 s\u00e3o parte de muitos dos produtos habituais de consumo, assim como os documentos de idenbtidade.<\/p>\n<p>(5) Michael Radford, 1984<\/p>\n<p>(6) Inventado em 1791 pelo fil\u00f3sofo utilitarista ingl\u00eas Jeremy Bentham.<\/p>\n<p>(7) Glenn Greenwald, <i>Sem lugar para se esconder, <\/i>Editora Sextante, 2014.<\/p>\n<p>(8) Ver \u201c<a href=\"http:\/\/blog-axe-net-fr\/google-analyse-comportement-internaute\" target=\"_blank\">Google et le comportement de l\u2019utilisateur<\/a>\u201d, [\u201cGoogle e o comportamento do utilizador\u201d], AxeNet.<\/p>\n<p>(9) Ver, por exemplo, a <a href=\"http:\/\/gigapan.org\/viewGigapanFullscreen.php?auth=033ef14483ee899496648c2b4b06233c\" target=\"_blank\">fotografia<\/a> da cerim\u00f4nia da primeira posse do presidente Obama, em Washington, 20\/1\/2009.<\/p>\n<p>(10) \u201cAssessing the impact of CCTV\u201d [\u201cAvaliando o impacto da CCTV\u201d], o mais completo dos informes dedicados ao tema, publicado em fevereiro de 2005 pelo minist\u00e9rio do Interior brit\u00e2nico (Home Office), marca um ponto contra a videovigil\u00e2ncia. Segundo este estudo, a debilidade do dispositivo deve-se a tr\u00eas elementos: a execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, a ambi\u00e7\u00e3o extrema dos objetivos pretendidos e o fator humano. Ver No\u00e9 Le Blanc, \u201cSous l\u2019oeil myope des cam\u00e9ras\u201d, <i>Le Monde Diplomatique, <\/i>Paris, setembro de 2008.<\/p>\n<p>(11) <i>Le Canard encha\u00een\u00e9, <\/i>Paris, 15\/4\/2015<\/p>\n<p><b><i>Fonte: P\u00e1tria Latina<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"TVs espi\u00e3s. Reconhecimento facial de multid\u00f5es. Mapeamento completo de atitudes. 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