{"id":10462,"date":"2016-02-26T03:09:14","date_gmt":"2016-02-26T06:09:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10462"},"modified":"2016-04-03T14:50:38","modified_gmt":"2016-04-03T17:50:38","slug":"a-economia-do-superavit-fiscal-faz-muito-bem-ao-mercado-financeiro-e-aos-sanguessugas-da-miseria-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10462","title":{"rendered":"A Economia do Super\u00e1vit Fiscal faz muito bem&#8230;  ao mercado financeiro e aos sanguessugas da mis\u00e9ria social"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/-UUb0vu6Kzq0\/VrEcdXTiRoI\/AAAAAAAALkg\/3NN74cgcq8A\/s512-Ic42\/opp8.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Durante a era FHC, na d\u00e9cada de 1990, o Brasil foi submetido totalmente \u00e0s regras do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), que orientava as economias dos pa\u00edses ditos emergentes a exercerem um r\u00edgido controle sobre as contas p\u00fablicas, como crit\u00e9rio fundamental para aquisi\u00e7\u00e3o de novos empr\u00e9stimos e classifica\u00e7\u00e3o, pelas ag\u00eancias internacionais, com o chamado \u201cgrau de investimento\u201d, uma esp\u00e9cie de selo de bom pagador para que o mercado financeiro fa\u00e7a o investimento de capitais. Foi a \u00e9poca do Plano Real, que seguindo os ditames do chamado Consenso de Washington, imp\u00f4s um conjunto de medidas que continuam em vigor at\u00e9 hoje, tais como o super\u00e1vit prim\u00e1rio para pagamento da d\u00edvida, as altas taxas de juro, a autonomia operacional do Banco Central, as metas de infla\u00e7\u00e3o, o c\u00e2mbio flutuante e o baixo crescimento econ\u00f4mico.<!--more--><\/p>\n<p>O Plano Real foi uma trag\u00e9dia para o conjunto dos trabalhadores: os sal\u00e1rios foram reduzidos a cada ano, o desemprego aumentou extraordinariamente e houve brutal concentra\u00e7\u00e3o de renda. Al\u00e9m de a convers\u00e3o para a nova moeda, em 1994, ter representado, de imediato, um grande confisco salarial, as perdas continuaram para os trabalhadores, pois governos e empres\u00e1rios argumentavam que, com a estabilidade da economia e a queda da infla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se justificavam aumentos de sal\u00e1rio. Al\u00e9m de ficar v\u00e1rios anos sem reajustes, os funcion\u00e1rios p\u00fablicos foram prejudicados com a cria\u00e7\u00e3o, em 2000, da Lei de Responsabilidade Fiscal, que imp\u00f4s congelamento dos sal\u00e1rios, cortes de benef\u00edcios e redu\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas, levando \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e \u00e0 perda de qualidade dos servi\u00e7os prestados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Para piorar o quadro, a \u201creforma da previd\u00eancia\u201d reduziu direitos e sal\u00e1rios dos aposentados, favorecendo os fundos de pens\u00e3o dos bancos e fundos paraestatais, com os neg\u00f3cios das aposentadorias complementares.<\/p>\n<p>A economia brasileira ficou atrelada ao ciclo vicioso que alimenta a subservi\u00eancia ao mercado financeiro, gerando mais tributa\u00e7\u00e3o sobre a popula\u00e7\u00e3o e cada vez menos investimento nos servi\u00e7os p\u00fablicos, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Sem usar parte da arrecada\u00e7\u00e3o, reservada ao pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica, o Estado burgu\u00eas recorre a mais empr\u00e9stimos, somente concedidos aos que mant\u00eam \u00e0 risca o cumprimento do super\u00e1vit prim\u00e1rio. Ao longo deste per\u00edodo, o Brasil acumulou uma d\u00edvida impag\u00e1vel, que hipotecou o futuro de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es com o pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o de grande parte do patrim\u00f4nio p\u00fablico se fez sob argumentos falaciosos, como o de que a venda das empresas estatais serviria para pagar a d\u00edvida interna e deixaria o Estado mais enxuto e mais \u00e1gil para atuar na \u00e1rea social, reduzindo as graves desigualdades no pa\u00eds. Passaram para as m\u00e3os do capital privado internacional e nacional todo o setor sider\u00fargico, petroqu\u00edmico, de fertilizantes, transporte ferrovi\u00e1rio, energia el\u00e9trica, telecomunica\u00e7\u00f5es e bancos estaduais. Reformas na Constitui\u00e7\u00e3o garantiram a quebra do monop\u00f3lio estatal dos setores estrat\u00e9gicos da economia, como petr\u00f3leo, telecomunica\u00e7\u00f5es, explora\u00e7\u00e3o do subsolo e navega\u00e7\u00e3o de cabotagem, abrindo espa\u00e7o para um amplo processo de privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os governos petistas mantiveram rigorosamente as metas neoliberais, adotando, como contraponto, pol\u00edticas compensat\u00f3rias para a popula\u00e7\u00e3o mais miser\u00e1vel, sem tocar nos grandes interesses capitalistas. Hoje, o governo Dilma aprofunda as medidas de ajustes fiscais e cortes em programas sociais, nada mais se diferenciando da linha tucana. Enquanto a popula\u00e7\u00e3o e os trabalhadores sofrem com a transforma\u00e7\u00e3o de direitos sociais em mercadoria e com o aprofundamento das desigualdades, o pa\u00eds se tornou o para\u00edso dos banqueiros, especuladores, monop\u00f3lios e agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>(<a href=\"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10346\" target=\"_blank\">O PODER POPULAR N\u00ba 8<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante a era FHC, na d\u00e9cada de 1990, o Brasil foi submetido totalmente \u00e0s regras do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), que orientava as \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10462\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[140],"tags":[],"class_list":["post-10462","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c140-jornal-o-poder-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2IK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10462","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10462"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10462\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}