{"id":105,"date":"2009-09-05T00:00:26","date_gmt":"2009-09-05T00:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=105"},"modified":"2009-09-05T00:00:26","modified_gmt":"2009-09-05T00:00:26","slug":"quem-matou-meu-irmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/105","title":{"rendered":"QUEM MATOU MEU IRM\u00c3O?"},"content":{"rendered":"\n<p>Aqui na Prov\u00edncia de S\u00e3o Pedro, a confirma\u00e7\u00e3o pelo Minist\u00e9rio P\u00fablicoFederal do envolvimento de parte da raia gra\u00fada na Opera\u00e7\u00e3o Solid\u00e1ria eno desvio de grana, muita grana (!!!) do Detran.<\/p>\n<p>Mas, o cume do m\u00eas do desgosto foi o assassinato a sangue frio, com umtiro covarde pelas costas do trabalhador sem-terra Eltom Brum da Silva.Rapidamente a Senhora do Casar\u00e3o Malganho foi para a imprensacinicamente exigir apura\u00e7\u00e3o dos fatos e a responsabiliza\u00e7\u00e3o do culpado. O Di\u00e1rio Oficial da Burguesia gaud\u00e9ria passou os dois primeiros dias batendonessa tecla tamb\u00e9m, com direito \u00e0 editorial no seu ve\u00edculo impresso e tudo.<\/p>\n<p>No dia 27 de agosto, o MST e v\u00e1rias entidades representativas demovimentos populares, sindicais e estudantis realizaram um ato paramarcar o s\u00e9timo dia do assassinato de Eltom. Sete dias decorreram sem queningu\u00e9m fosse responsabilizado. At\u00e9 o trombeteiro-mor do Di\u00e1rio Oficialda Burguesia gaud\u00e9ria anda reclamando disto. Diz Lasier Martins, que \u201c\u00e9muito estranho\u201d que a Brigada Militar ainda n\u00e3o saiba quem apertou ogatilho. Pode ser \u201cestranho\u201d pra ele, Lasier. No entanto, os quehistoricamente sofrem a opress\u00e3o e a repress\u00e3o do Estado burgu\u00eas n\u00e3oestranham. Parece-lhes bem claro que h\u00e1 uma tentativa de jogar com adesmem\u00f3ria da sociedade. N\u00e3o s\u00f3 deixar cair no esquecimento, mas,possivelmente, proteger um agente estrelado da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sim, h\u00e1 testemunha que afirma que o autor do crime \u00e9 um tenentecoronel.Algo prov\u00e1vel se pensarmos que se fosse um reles soldadinho oassassino, este j\u00e1 estaria sendo julgado pelo coronel Mendes, ora guindadoa juiz militar.<\/p>\n<p>O Di\u00e1rio Oficial da Burguesia gaud\u00e9ria noticiou no dia 27 de agosto nasua vers\u00e3o eletr\u00f4nica, que a Brigada Militar j\u00e1 sabe quem matou Eltom:\u201cAo se apresentar, o soldado admitiu ter atirado contra o sem-terra, masdisse que s\u00f3 tomou a atitude para defender um colega da corpora\u00e7\u00e3o, queconfirmou as informa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Diante de tantas falcatruas que este estado tem assistido, o prov\u00e1vel \u00e9que a defesa de um \u201ccolega\u201d (ou um superior hier\u00e1rquico?) da corpora\u00e7\u00e3oesteja se dando agora, nos bastidores da antes briosa Brigada Militar.Imagine-se o seguinte cen\u00e1rio: Brigada Militar invade ocupa\u00e7\u00e3o do MSTcom ordem judicial de reintegra\u00e7\u00e3o de posse e ordem governamental deexecutar a ordem judicial a qualquer custo. Inclusive torturando mulheres ecrian\u00e7as com cachorros (v\u00e1rias crian\u00e7as foram mordidas pelos c\u00e3es daBrigada) e com choques el\u00e9tricos dados nas algemas colocadas nos pulsosdos sem-terra detidos, com as armas n\u00e3o-letais de choque. Na a\u00e7\u00e3o umsem-terra diz uns desaforos a um oficial estrelado e vira-lhe as costas. Atocont\u00ednuo, o oficial estrelado ofendido dispara um tiro de calibre 12 \u00e0queima-roupa nas costas do sem-terra desaforado. Constatada a cagada,escolhem um soldadinho qualquer disposto a assumir a culpa sob oargumento de que estava \u201cdefendendo\u201d um colega. Porra! Defendendo umcolega de qu\u00ea? De um desaforo disparado por um sem-terra desarmado?!Assumida a culpa pelo soldadinho, o caso \u00e9 encaminhado para a Justi\u00e7a Militar, esta anacr\u00f4nica excresc\u00eancia jur\u00eddica, e na distribui\u00e7\u00e3o do processocasualmente este cai nas m\u00e3os do Tenente-Coronel Mendes, excomandantegeral da Brigada Militar, defensor da trucul\u00eancia comoargumento. Afasta-se o soldadinho por uns tempos para um servi\u00e7oburocr\u00e1tico enquanto corre o processo e depois ele \u00e9 absolvido pelo f\u00fchrerMendes sob a alega\u00e7\u00e3o de leg\u00edtima defesa de colega da corpora\u00e7\u00e3o. Seduvidarmos \u00e9 capaz de o rapaz, em troca do desgaste e comoreconhecimento por \u201cservi\u00e7os prestados\u201d [\u00e0 burguesia e ao latif\u00fandio] sercondecorado com alguma medalha e receber uma promo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eltom era meu irm\u00e3o, meu companheiro! Como o s\u00e3o todos os quesofrem a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o do capital e que lutam pela emancipa\u00e7\u00e3oda classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Eu quero saber a verdade! QUEM MATOU MEU IRM\u00c3O!?<\/p>\n<p>* Ruy Guimar\u00e3esProfessor de Hist\u00f3ria<\/p>\n<p>Conselheiro do CPERS-Sindicato<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"QUEM MATOU MEU IRM\u00c3O?\n*Ruy Guimar\u00e3es\n\u201cO mundo n\u00e3o ter\u00e1 fronteirasNem Estados, nem militares para proteger EstadosNem Estados para proteger militares prepot\u00eanciasQuando os trabalhadores perderem a paci\u00eancia(&#8230;)\u201d\nMauro Iasi\nDiz o dito popular que agosto \u00e9 o m\u00eas do desgosto. E este agosto de2009 faz a gente pensar se n\u00e3o h\u00e1 um qu\u00ea de sabedoria nas crendicespopulares. Esc\u00e2ndalos escandalosos por todo o pa\u00eds. Como cantava ogrande Renato Russo, \u201cna favela, no Senado [principalmente l\u00e1], sujeira pratodo lado, ningu\u00e9m respeita a Constitui\u00e7\u00e3o\u201d.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/105\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-105","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1H","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}