{"id":1053,"date":"2010-12-10T03:51:30","date_gmt":"2010-12-10T03:51:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1053"},"modified":"2017-08-25T00:54:03","modified_gmt":"2017-08-25T03:54:03","slug":"desertos-verdes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1053","title":{"rendered":"Desertos Verdes"},"content":{"rendered":"\n<p>O planeta reage aos desertos verdes No m\u00eas de mobiliza\u00e7\u00e3o do MST, revelamos uma face pouco conhecida da luta contra o latif\u00fandio: o esfor\u00e7o internacional de conscientiza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 denunciando a monocultura do eucalipto \u2013 e os desastres sociais e ambientais hoje associados a ela<\/p>\n<p>Nascida nos Estados Unidos, filha de pai holand\u00eas e m\u00e3e indiana, Ruby van der Wekken passaria por uma morena brasileira. Ali\u00e1s, viveu, entre 2002 e 2005, em Alter do Ch\u00e3o (PA), participando, com o marido, de um projeto de coopera\u00e7\u00e3o internacional. Fisicamente, est\u00e1 agora em Helsinque, Finl\u00e2ndia. Mas seus sonhos e sentimentos n\u00e3o deixaram o Sul. Em 31 de mar\u00e7o, Ruby ajudou a organizar uma ruidosa manifesta\u00e7\u00e3o na sede da Stora Enso. A maior produtora mundial de papel, de capital finlando-sueco, realizava na capital finlandesa sua assembleia anual de acionsitas. Do lado de fora, Ruby e seus companheiros denunciavam o envolvimento da empresa em forma\u00e7\u00e3o de latif\u00fandios, aquisi\u00e7\u00e3o ilegal de propriedades, viol\u00eancia contra trabalhadores rurais e boicote \u00e0 reforma agr\u00e1ria, no Brasil.<\/p>\n<p>Os textos que a <em>Biblioteca Dipl\u00f4<\/em> e <em>Outras Palavras<\/em> publicam agora, sobre o tema, s\u00e3o uma continua\u00e7\u00e3o, no plano do debate de ideias, da luta pedag\u00f3gica de Ruby. Foram produzidos por jornalistas finlandeses do <em><a href=\"http:\/\/mondediplo.fi\/\" target=\"_blank\" rel=\"external\">Le Monde Diplomatique<\/a><\/em> e da revista <em><a href=\"http:\/\/voima.fi\/\" target=\"_blank\" rel=\"external\">Voima<\/a><\/em>, com os quais nossos sites mant\u00eam acordo de reprodu\u00e7\u00e3o de conte\u00fados livre de <em>copyright<\/em>. Revelam a exist\u00eancia, nos pa\u00edses do Norte, de setores da opini\u00e3o p\u00fablica interessados em romper as cadeias internacionais de produ\u00e7\u00e3o e consumo alienados que oprimem as maiorias no Sul.<\/p>\n<p>Redigido por Hanna Nikkanen, de <em>Voima<\/em>, o <a href=\"http:\/\/www.outraspalavras.net\/?p=1112\" target=\"_blank\" rel=\"external\">primeiro texto<\/a> \u00e9 uma den\u00fancia da a\u00e7\u00e3o da Stora Enso no Brasil (algo desconhecido pela esmagadora maioria dos brasileiros). Em poucas p\u00e1ginas, \u00e1cidas e riqu\u00edssimas em fatos, Hanna desfaz o mito de \u201cresponsabilidade social\u201d a que a Stora Enso est\u00e1 procurando se associar, na Finl\u00e2ndia e em todo o mundo. Por tr\u00e1s desta imagem, relata o texto, a empresa reproduz um velho modelo de concentra\u00e7\u00e3o de riquezas. Desloca para os pa\u00edses em desenvolvimento (Am\u00e9rica do Sul e China) as atividades mais sujas ambiental e socialmente. Concentra, contudo, todas as decis\u00f5es estrat\u00e9gicas no andar de cima do planeta.<\/p>\n<p>O rol das atividades executadas, para tanto, inclui posse disfar\u00e7ada de terras em zonas de fronteira (o que a lei brasileira veda a estrangeiros). Atravessa as pr\u00f3prias elei\u00e7\u00f5es brasileiras (a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, \u00e9 muito grata \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es eleitorais da Stora Enso; e a pol\u00edcia militar sob seu comando, particularmente violenta, quando os sem-terra enfrentam a companhia&#8230;). Chega \u00e0 pol\u00edtica empresarial de manter as planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores no Brasil (onde terra e trabalho s\u00e3o muito mais baratos) e exportar, para a Finl\u00e2ndia, pasta de celulose n\u00e3o-industrializada. A etapa mais lucrativa da produ\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is finos mant\u00e9m-se na matriz.<\/p>\n<p>Hanna relata, ao final, o desmascaramento de uma mentira. A pol\u00edtica de \u201climpeza de imagem\u201d da Stora Enso inclu\u00eda uma difama\u00e7\u00e3o. O Movimento dos Sem-Terra (MST), que resiste \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o praticadas pela transnacional precisava ser demonizado. Para tanto, Jo\u00e3o Paulo Rodrigues, um dos l\u00edderes nacionais do movimento, foi acusado, no principal di\u00e1rio finland\u00eas, de \u201cexigir\u201d que a empresa se retirasse do Brasil. Em caso de negativa, teria prometido desencadear viol\u00eancia e at\u00e9 mortes. Hanna participou ativamente, como se l\u00ea em seu texto, da desmontagem da farsa.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.outraspalavras.net\/?p=1121\" target=\"_blank\" rel=\"external\">segundo texto<\/a>, de Mika Ronkko (editor do <em>Le Monde Diplomatique<\/em> finland\u00eas e marido da ativista Ruby van der Wekken) \u00e9 uma entrevista com o pr\u00f3prio Jo\u00e3o Paulo Rodrigues e Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, tamb\u00e9m refer\u00eancia nacional do MST. Nas conversas com Mika, St\u00e9dile e Rodrigues deixam claro que a luta dos sem-terra <em>n\u00e3o<\/em> \u00e9 contra o eucalipto, seu plantio ou a fabrica\u00e7\u00e3o de papel no Brasil. O que eles querem \u00e9 rever a <em>forma<\/em> de cultivo e, em especial, as rela\u00e7\u00f5es sociais que ela gera.<\/p>\n<p>Papel, um dos usos do eucalipto, e o produto final da Stora Enso \u00e9 um bem necess\u00e1rio. Poderia ser consumido de forma mais racional e austera, evitando a necessidade de ampliar a explora\u00e7\u00e3o dos solos e \u00e1guas. Mas, acima de tudo, n\u00e3o precisa ser cultivado em latif\u00fandios, nem como monocultura \u2013 um atentado \u00e0 diversidade natural do campo.<\/p>\n<p>\u201cUm pequeno produtor poderia cultivar, digamos, dois hectares de eucalipto, numa propriedade de dez hectares\u201d, sugere St\u00e9dile. Plantaria, al\u00e9m disso, alimentos. Ao inv\u00e9s de comprar imensas \u00e1reas, a empresa estabeleceria rela\u00e7\u00f5es com milhares de pequenos produtores.<\/p>\n<p>Perfeitamente vi\u00e1vel, do ponto de vista t\u00e9cnico, a ideia n\u00e3o \u00e9 executada por esbarrar num obst\u00e1culo <em>pol\u00edtico<\/em>. O capital n\u00e3o existe para fazer caridade. Enquanto as sociedades n\u00e3o se conscientizarem e mobilizarem, sua tend\u00eancia ser\u00e1 sempre extrair o m\u00e1ximo lucro \u2013 sejam quais forem as consequ\u00eancias sociais e ambientais.<\/p>\n<p>O m\u00eas de mobiliza\u00e7\u00f5es do MST revela, mais uma vez, que uma parcela crescente dos agricultores brasileiros j\u00e1 n\u00e3o aceita estas circunst\u00e2ncias. \u00c9 estimulante saber que o mesmo se d\u00e1 nos pa\u00edses onde est\u00e3o sediadas as empresas que promovem desigualdade e devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: diplo.org.br\n\n\n\n\n\n\n\n\nAntonio Martins\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1053\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1053","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-gZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1053"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1053\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}