{"id":1056,"date":"2010-12-13T20:07:41","date_gmt":"2010-12-13T20:07:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1056"},"modified":"2010-12-13T20:07:41","modified_gmt":"2010-12-13T20:07:41","slug":"tanques-nas-ruas-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1056","title":{"rendered":"Tanques nas ruas do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"\n<p>Chamam a aten\u00e7\u00e3o as imagens dos \u00faltimos acontecimentos no Rio de Janeiro, imagens nas quais se pode \u201capreciar\u201d (\u201cobservar\u201d, para alguns; \u201cjulgar\u201d, para outros \u2013 neste caso ambas acep\u00e7\u00f5es da palavra s\u00e3o v\u00e1lidas, como veremos mais adiante) a a\u00e7\u00e3o dos militares equipados para a guerra, desfilando com tanques e metralhadoras de grosso calibre pelas ruas. Chama a aten\u00e7\u00e3o o uso de tais recursos por parte do Estado nacional e do poder local para combater o inimigo declarado do momento: bandos internos de narcotraficantes. Os tiroteios tamb\u00e9m s\u00e3o como na guerra, mesmo que os combates envolvam cidad\u00e3os de uma mesma nacionalidade. Guerra civil? N\u00e3o vale a pena discutir agora, pois a hist\u00f3ria se encarregar\u00e1 de lhe dar classifica\u00e7\u00e3o correspondente ou a mais conveniente para quem a escrever.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o cabe discutir os antecedentes desta como\u00e7\u00e3o nos \u201cmorros\u201d ou \u201cfavelas\u201d (equivalentes \u00e0s \u201cvillas miseria\u201d na Argentina ou aos \u201ccantegrilles\u201d do Uruguai). Dizem que os narcotraficantes \u201csa\u00edram do controle\u201d e que por isso agora \u00e9 necess\u00e1rio atac\u00e1-los e trazer-lhes nada menos que um Apocalipse. Mas quando um determinado poder estatal permite a exist\u00eancia de outros poderes paralelos dentro do territ\u00f3rio que controla, sempre e quando est\u00e3o \u201csob controle\u201d &#8211; sabe-se l\u00e1 que tipo de \u201ccontrole\u201d ali existente \u2013 \u00e9 porque esse poder j\u00e1 se encontra em avan\u00e7ado estado de decomposi\u00e7\u00e3o. A degenera\u00e7\u00e3o dos valores intr\u00ednsecos ao Estado burgu\u00eas ou \u201cde direito\u201d, demonstra a caducidade do modo de produ\u00e7\u00e3o que o sustenta. Determinados setores da sociedade est\u00e3o come\u00e7ando a mostrar isso: est\u00e3o saindo de controle.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes sintomas de decad\u00eancia, h\u00e1 algo que chama ainda mais a aten\u00e7\u00e3o para al\u00e9m dessas imagens impactantes de alguns militares entre a popula\u00e7\u00e3o civil e \u00e9 precisamente a opini\u00e3o geral que se formou acerca desta situa\u00e7\u00e3o, expressada nos f\u00f3runs dos grandes jornais e nas redes sociais que pululam na internet.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o simples suspeitar que em um pa\u00eds que padeceu as mis\u00e9rias de uma ditadura militar h\u00e1 pouco tempo seria de se esperar que a norma seja as pessoas repudiarem com veem\u00eancia a presen\u00e7a de militares e suas inger\u00eancias em assuntos civis. N\u00e3o se sup\u00f5e que tal sociedade, que conhecia a censura, os seq\u00fcestros, as torturas, os ex\u00edlios e tamb\u00e9m os desaparecimentos, veja com pouca simpatia o emprego da for\u00e7a militar nas ruas, talvez pressagiando o pretexto para a chegada de um golpe militar? Sim, e seria l\u00f3gico que assim fosse. Mas n\u00e3o no Estado burgu\u00eas do Brasil: ali tamb\u00e9m como demonstra\u00e7\u00e3o da deprava\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es sociais causadas pelo capitalismo, o povo em sua maioria parece que aprova, ap\u00f3ia e aplaude a a\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito nas favelas; pede a gritos a a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica e muitos at\u00e9 revelam espantosas paix\u00f5es reacion\u00e1rias, outrora ocultas, exigindo o \u201cexterm\u00ednio\u201d dos delinquentes refugiados nas favelas, mesmo sabendo que tal coisa n\u00e3o pode se realizar sem \u201cexterminar\u201d centenas, talvez milhares, de trabalhadores que n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o delito (e que vivem atormentados pela situa\u00e7\u00e3o tentando sobreviver sob condi\u00e7\u00f5es quase imposs\u00edveis).<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e3o danos colaterais!\u201d, exclama o pequeno burgu\u00eas, mas tamb\u00e9m o faz o prolet\u00e1rio reacion\u00e1rio e sem consci\u00eancia de sua classe. Ou como saberia dizer Mirtha Legrand em uma situa\u00e7\u00e3o assim: \u201c[&#8230;] porque a\u00ed se tem de produzir um aniquilamento\u201d.<\/p>\n<p>Todos gritam e festejam a interven\u00e7\u00e3o dos militares na quest\u00e3o. Ningu\u00e9m calcula os riscos. N\u00e3o aprendemos nada da hist\u00f3ria do continente? Seguiremos enchendo as pra\u00e7as para aplaudir o general de turno e sua guerra imposs\u00edvel enquanto seus capangas do poder estatal nos exterminam a gosto. Hoje, com a desculpa de eliminar alguns narcotraficantes das favelas e alguns pobres trabalhadores. Amanh\u00e3, j\u00e1 exaltado por um povo torpe que o aplaude diretamente, para exterminar \u201cos subversivos\u201d; depois outros \u201cgrupos armados de esquerda\u201d; depois os \u201cc\u00famplices\u201d; logo tamb\u00e9m seus \u201csimpatizantes\u201d e por \u00faltimo os indiferentes. Ningu\u00e9m v\u00ea o perigo de uma a\u00e7\u00e3o militar no meio urbano?<\/p>\n<p>Parece que algu\u00e9m est\u00e1 atento aos acontecimentos. Durante a Quarta C\u00fapula da Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sulamericanas (UNASUL), que est\u00e1 sendo realizada em \u00e1reas remotas da Guiana, os l\u00edderes reunidos est\u00e3o \u00e0 frente dos fatos aprovando o projeto de um dispositivo para superar os golpes futuros nos pa\u00edses da regi\u00e3o. Esse mecanismo (a &#8220;cl\u00e1usula democr\u00e1tica&#8221;, uma verdadeira p\u00e9rola do eufemismo burgu\u00eas) revestiria o bloco continental de autoridade suficiente para aplicar san\u00e7\u00f5es a paises assolados por golpes militares, como o fechamento de fronteiras, a suspens\u00e3o do com\u00e9rcio e do Tribunal de tr\u00e1fego a\u00e9reo na presta\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es afetadas, e assim por diante. N\u00e3o \u00e9 uma piada, embora pudesse ser.<\/p>\n<p>Se os nossos dirigentes v\u00eam-se com tal id\u00e9ia al\u00e9m do que aconteceu em Honduras e Equador, nos \u00faltimos tempos, enquanto os militares est\u00e3o nas ruas do Rio de Janeiro, a verdade \u00e9 que eles tamb\u00e9m perceberam que eles est\u00e3o segurando uma democracia burguesa, mas cujas contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o demasiado evidentes para esconder que pode ser um truque de ilusionismo.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/palermobronx.blogspot.com\/2010\/11\/tanques-en-la-calle.html<\/p>\n<p>Traduzido por Dario da Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Palermobronx\n\n\n\n\n\n\n\n\nPalermobronx\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1056\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[88],"tags":[],"class_list":["post-1056","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c101-criminalizacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-h2","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1056"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1056\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}