{"id":10595,"date":"2016-03-08T12:55:39","date_gmt":"2016-03-08T15:55:39","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10595"},"modified":"2016-04-16T12:13:17","modified_gmt":"2016-04-16T15:13:17","slug":"8-de-marco-um-convite-a-emancipacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10595","title":{"rendered":"8 DE MAR\u00c7O: UM CONVITE \u00c0 EMANCIPA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/10569173_1122766087755528_1211980756_n.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Chegamos ao 8 de mar\u00e7o! O Dia Internacional da Mulher! Essa justa homenagem \u00e0s mulheres foi proposta por Clara Zetkin \u2013 militante do Partido Comunista Alem\u00e3o \u2013 em 1910. A data tem sido comemorada no Brasil e no mundo de uma forma bastante festiva, sobretudo, atrav\u00e9s da distribui\u00e7\u00e3o de presentes, como rosas e cosm\u00e9ticos, nos centros comerciais e shoppings das cidades.<!--more--><\/p>\n<p>Antes de qualquer coisa, \u00e9 importante lembrar o motivo pelo qual o dia 8 de mar\u00e7o foi escolhido como o Dia da Mulher. No Brasil e em alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, \u00e9 dito que a data relembraria um inc\u00eandio que matou mulheres oper\u00e1rias em uma f\u00e1brica estadunidense. De fato, no dia 25 de mar\u00e7o de 1911, irrompeu um grande inc\u00eandio na f\u00e1brica de tecidos denominada Triangle Shirtwaist Company, ocasionando a morte de 146 pessoas (dentre elas, 125 mulheres e 21 homens). \u00c9 verdade que algumas trabalhadoras da Triangle tinham algum envolvimento com o movimento oper\u00e1rio e de mulheres, efervescentes naquele contexto. No entanto, no dia do inc\u00eandio, todas trabalhavam normalmente. A estrutura de madeira, a grande quantidade de tecidos e retalhos, a instala\u00e7\u00e3o el\u00e9trica prec\u00e1ria e as portas trancadas durante o expediente facilitaram que o fogo tomasse o local. Ap\u00f3s a trag\u00e9dia, houve um funeral com a presen\u00e7a de mais de 100 mil trabalhadores e o pressionamento sindical alcan\u00e7ou vit\u00f3rias, conquistando mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a no trabalho.<\/p>\n<p>Sem sombra de d\u00favidas, o epis\u00f3dio da Triangle merece estar em nossa mem\u00f3ria, lembrando as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es dos locais de trabalho e as conquistas do movimento sindical. Entretanto, o Dia Internacional da Mulher foi escolhido pelas feministas somente na d\u00e9cada de 1960, em homenagem a trabalhadoras russas do setor de tecelagem, que entraram em greve no dia 8 de mar\u00e7o de 1917. Essa greve de tecel\u00e3s deu in\u00edcio a diversos levantes, levando mulheres russas \u00e0s ruas exigindo p\u00e3o e o fim da guerra, que desembocariam na Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Portanto, independentemente das controv\u00e9rsias em torno dessa data, trata-se de um dia em mem\u00f3ria da trajet\u00f3ria de luta das mulheres. Uma luta por dignidade, igualdade de direitos e sal\u00e1rios, e tamb\u00e9m por uma sociedade mais justa.<br \/>\n\u00c9 reverenciando essa dura batalha e homenageando todas as jovens mulheres filhas da classe trabalhadora que escrevemos esse texto: a elas, que sobrevivem \u00e0 dureza do patriarcado todos os dias e em todos os \u00e2mbitos da vida!<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer que a opress\u00e3o da mulher se inicia no ambiente familiar, e \u00e9 aplicada por seus pais, irm\u00e3os e maridos, atrav\u00e9s do refor\u00e7o da posi\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o desde a sua inf\u00e2ncia, viol\u00eancia psicol\u00f3gica e mesmo f\u00edsica, aplicadas tanto em ambientes p\u00fablicos quanto privados.<br \/>\nLembramos, tamb\u00e9m, que mais de 50% dos homic\u00eddios de mulheres s\u00e3o caracterizados como feminic\u00eddios, ou seja, crimes envolvendo viol\u00eancia dom\u00e9stica, menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o feminina. Mais de 30% das mulheres assassinadas no Brasil foram mortas por seus parceiros ou ex-parceiros, enquanto quase 100.000 procuram atendimento m\u00e9dico por viol\u00eancia f\u00edsica, sendo que a maior parte dos agressores s\u00e3o pessoas conhecidas.<\/p>\n<p>O ambiente de estudo dessas mulheres tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de ser um ambiente opressivo. No Brasil, a mulher s\u00f3 come\u00e7ou a frequentar a escola em meados do s\u00e9culo XVIII (dois s\u00e9culos depois dos homens) e, ainda assim, as escolas destinadas \u00e0s meninas direcionavam o ensino para que essas se tornassem \u201cboas m\u00e3es e esposas\u201d. Ainda hoje, o ambiente escolar \u00e9 extremamente machista. Os professores de modo geral e a educa\u00e7\u00e3o formal reproduzem os estere\u00f3tipos de g\u00eanero, considerando as meninas naturalmente menos preparadas intelectualmente, menos focadas, pouco aptas a algumas atividades f\u00edsicas, etc.<br \/>\nPodemos estender essas caracter\u00edsticas ao ambiente universit\u00e1rio, no qual as piadinhas depreciativas direcionadas \u00e0s mulheres s\u00e3o uma constante. Tanto na escola quanto na universidade, o ass\u00e9dio sexual \u00e9 uma realidade cotidiana \u2013 pode come\u00e7ar com um trote machista, passar pela cantada de um professor, uma situa\u00e7\u00e3o de abuso na moradia estudantil e terminar em estupro. Al\u00e9m disso, \u00e9 not\u00e1vel que as professoras mulheres ainda ganham menos, dificilmente s\u00e3o contratadas em escolas prestigiadas, se apresentam como minoria nas universidades e s\u00e3o claramente arrastadas para o ensino infantil, refor\u00e7ando o papel da mulher como cuidadora e reprodutora.<\/p>\n<p>E o que dizer do trabalho feminino? As mulheres ainda ocupam os piores empregos, ganham menos que os homens pelas mesmas fun\u00e7\u00f5es e s\u00e3o maioria no setor informal. Como se n\u00e3o bastasse, o ass\u00e9dio sexual \u00e9 naturalizado em todos os ambientes de trabalho e utilizado como moeda de troca pelos patr\u00f5es. Como se sabe, a presen\u00e7a expressiva das jovens mulheres no mundo do trabalho e a conquista de espa\u00e7o na universidade n\u00e3o foram acompanhadas de distribui\u00e7\u00e3o das tarefas do lar. Portanto, a dupla ou tripla jornada \u00e9 uma realidade.<\/p>\n<p>Vale lembrar, no entanto, que boa parte das jovens trabalhadoras, por fatores econ\u00f4micos, e pela sobrecarga de trabalho em seus empregos e ambiente dom\u00e9stico, sequer podem sonhar em fazer um curso superior. Devido \u00e0 cobran\u00e7a do mercado por qualifica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o essas \u00faltimas que realizam os trabalhos menos valorizados na sociedade, nos setores de limpeza, vestu\u00e1rio e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na atual conjuntura, em que a classe trabalhadora est\u00e1 pagando a t\u00e3o mencionada \u201ccrise\u201d com arrocho salarial, demiss\u00f5es, aumento do valor das passagens do transporte p\u00fablico, infla\u00e7\u00e3o, alta dos pre\u00e7os dos alimentos, impostos, etc, a condi\u00e7\u00e3o da jovem trabalhadora se agrava duplamente. No caso de desemprego, as jovens mulheres das camadas mais populares s\u00e3o aquelas que, majoritariamente, buscam sustento atrav\u00e9s da prostitui\u00e7\u00e3o quando nessa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A grande justificativa utilizada para n\u00e3o contratar mulheres est\u00e1 no fato de que o empregador n\u00e3o quer arcar com faltas e cobrir licen\u00e7a-maternidade. Nas entrevistas de emprego, as mulheres ainda s\u00e3o questionadas sobre a vontade de ter filhos e planos familiares. Das vagas com carteira assinada no setor privado, 59.6% s\u00e3o ocupadas por homens. Observamos, com esses dados, que o cuidado das crian\u00e7as ainda \u00e9 visto como tarefa exclusiva da mulher. Para piorar, muitas empresas flexibilizam a licen\u00e7a-maternidade de 180 dias (tempo em que o beb\u00ea necessita de aleitamento materno como fonte \u00fanica de alimenta\u00e7\u00e3o) para 120 dias e, raramente, existem creches para as mulheres empregadas nesses locais. Esses problemas, muitas vezes, for\u00e7am pedidos de demiss\u00e3o e, quase sempre, levam \u00e0 sobrecarga f\u00edsica e emocional dessas mulheres.<\/p>\n<p>Da mesma forma, as m\u00e3es estudantes (solteiras, na maior parte dos casos) n\u00e3o tem direito a matricular suas crian\u00e7as em creches p\u00fablicas durante o per\u00edodo de estudo. Nas universidades, devido \u00e0 inexist\u00eancia de uma politica de perman\u00eancia para essas m\u00e3es, o quadro atual \u00e9 de alto \u00edndice de desist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em contrapartida, nossa legisla\u00e7\u00e3o referente ao aborto \u2013 que j\u00e1 era limitada \u2013 tende a retroceder ainda mais com os projetos de lei em curso. Al\u00e9m disso, o poder p\u00fablico n\u00e3o promove nenhum debate aberto sobre a quest\u00e3o, nem investe em politicas de planejamento familiar e educa\u00e7\u00e3o sexual. No pa\u00eds, as complica\u00e7\u00f5es do aborto ilegal ocupam o terceiro lugar dentre as causas de mortalidade materna. As vitimas? Mulheres jovens, pobres e negras, as quais n\u00e3o possuem condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas para realiza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas seguras e s\u00e3o submetidas aos procedimentos mais arriscados e prec\u00e1rios.<br \/>\nJ\u00e1 as jovens que optam pela maternidade e que dependem dos servi\u00e7os p\u00fablicos ser\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia obst\u00e9trica, negligenciadas durante toda a gravidez, submetidas a ces\u00e1reas compuls\u00f3rias e t\u00e9cnicas ultrapassadas no momento do parto.<\/p>\n<p>Lembramos, tamb\u00e9m, das companheiras militantes. Como observamos nos par\u00e1grafos anteriores, h\u00e1 muitos entraves para que as mulheres se organizem e protagonizem as lutas. Esses obst\u00e1culos est\u00e3o ligados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o familiar, ao constante menosprezo de sua condi\u00e7\u00e3o humana, mas tamb\u00e9m \u00e0 sobrecarga com atividades do lar, do trabalho e ambiente de estudo. Ainda, os espa\u00e7os pol\u00edticos onde essas mulheres militam n\u00e3o est\u00e3o isentos de pr\u00e1ticas e vis\u00f5es machistas. Desse modo, parabenizamos todas as companheiras engajadas na luta feminista e anticapitalista, e apontamos a necessidade de formar mais quadros mulheres no interior das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Por fim, lembramos que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na data escolhida que a emancipa\u00e7\u00e3o da mulher e o fim do capitalismo possuem nexo. Na verdade, \u00e9 justamente no capitalismo que a utiliza\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o das mulheres torna-se mais indispens\u00e1vel do que nunca. O refor\u00e7o do patriarcado, que aprofunda as rela\u00e7\u00f5es de poder dos homens sobre as mulheres, colocando \u00e0s \u00faltimas como inferiores e \u201cnaturalmente\u201d incapazes, tem como fim \u00faltimo superexplor\u00e1-las e arrast\u00e1-las para as condi\u00e7\u00f5es mais subalternas em nossa sociedade. A opress\u00e3o \u00e9 um meio de ampliar os lucros da burguesia, como observamos acima. Essa obten\u00e7\u00e3o de lucro, inclusive, pode manifestar-se de forma ainda mais nefasta, quando a mercantiliza\u00e7\u00e3o e a objetifica\u00e7\u00e3o do corpo feminino s\u00e3o combinados \u2013 \u00e9 o que ocorre na ind\u00fastria pornogr\u00e1fica e no tr\u00e1fico de mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Temos visto, com frequ\u00eancia, a exalta\u00e7\u00e3o de um feminismo \u201cbem comportado\u201d, o qual questiona a desigualdade entre homens e mulheres, sem tocar na raiz dessa opress\u00e3o ou contestar a sociedade de classes. Perguntamos: nos limites do capitalismo, em que a subordina\u00e7\u00e3o das mulheres necessita ser refor\u00e7ada, como \u00e9 poss\u00edvel que todas elas conquistem sua autonomia completa? O \u00fanico caminho poss\u00edvel para emancipa\u00e7\u00e3o de todas as mulheres \u00e9 o socialismo.<\/p>\n<p>\u00c9 com aten\u00e7\u00e3o a todos esses pontos, que o 8 de mar\u00e7o n\u00e3o deve ser uma data de celebra\u00e7\u00e3o da \u201cfeminilidade\u201d ou de elogio \u00e0s \u201ccaracter\u00edsticas pr\u00f3prias da mulher\u201d. Express\u00f5es que, em \u00faltima an\u00e1lise, servem mais como justificativa para subjugar e oprimir. O Dia Internacional de Mulher traz \u00e0 luz a coragem de grandes feministas e comunistas que sacrificaram seu trabalho, sua fam\u00edlia e suas pr\u00f3prias vidas para lutar pela dignidade de todas as mulheres e pela emancipa\u00e7\u00e3o humana.<br \/>\nTamb\u00e9m deve nos lembrar das dificuldades di\u00e1rias de nossas companheiras, amigas, m\u00e3es e irm\u00e3s, nos mostrando que ainda h\u00e1 muito a se fazer, e nos fortalecendo para, coletivamente, nos organizarmos e darmos continuidade a essa grande batalha.<\/p>\n<p>Por isso lutamos e convidamos todas as jovens estudantes e trabalhadoras a lutarem conosco:<\/p>\n<p>Pela den\u00fancia e combate di\u00e1rio \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica! Abaixo o feminic\u00eddio!<br \/>\nPelo fim de toda forma de machismo nas escolas e na universidade!<br \/>\nPelo fim do abuso e do ass\u00e9dio sexual de mulheres no ambiente educacional e profissional!<br \/>\nAbaixo \u00e0 cultura do estupro!<br \/>\nSal\u00e1rio e direitos iguais para trabalhos iguais! Melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho! Chega de triplas jornadas!<br \/>\nPelo fim das demiss\u00f5es e arrocho dos sal\u00e1rios das jovens trabalhadoras!<br \/>\nPelo aumento da licen\u00e7a paternidade e maternidade!<br \/>\nPor mais creches p\u00fablicas, gratuitas e de qualidade!<br \/>\nPor politicas de perman\u00eancia \u00e0s m\u00e3es estudantes!<br \/>\nPela descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto! Pelo fim da viol\u00eancia obst\u00e9trica!<br \/>\nPor uma sociedade em que tenhamos direito \u00e0 vida! Pelo socialismo!<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos rosas, queremos a emancipa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/PDF2panfletos8mar%C3%A7oCOR.pdf\">Clique aqui para baixar panfleto do 08 de mar\u00e7o<\/a><\/p>\n<blockquote data-secret=\"oqdGPunUMx\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"http:\/\/ujc.org.br\/8-de-marco-um-convite-a-emancipacao\/\">8 DE MAR\u00c7O: UM CONVITE \u00c0 EMANCIPA\u00c7\u00c3O<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/ujc.org.br\/8-de-marco-um-convite-a-emancipacao\/embed\/#?secret=oqdGPunUMx\" data-secret=\"oqdGPunUMx\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;8 DE MAR\u00c7O: UM CONVITE \u00c0 EMANCIPA\u00c7\u00c3O&#8221; &#8212; UJC\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Chegamos ao 8 de mar\u00e7o! 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