{"id":10641,"date":"2016-03-16T15:52:56","date_gmt":"2016-03-16T18:52:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10641"},"modified":"2016-04-16T12:17:14","modified_gmt":"2016-04-16T15:17:14","slug":"construcao-de-um-bloco-de-hegemonia-proletario-popular-e-a-unica-resposta-possivel-ao-impasse-que-vive-a-sociedade-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10641","title":{"rendered":"constru\u00e7\u00e3o de um Bloco de Hegemonia prolet\u00e1rio-popular \u00e9 a \u00fanica resposta poss\u00edvel ao impasse que vive a sociedade brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/03\/13\/160313205530_sao_paulo_protestos_13_marco_2016_640x360_bbcbrasil_nocredit.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>ANTONIO CARLOS MAZZEO<\/p>\n<p>Assistimos ontem o festival de absurdidades que expressa a forma-consci\u00eancia de grande parte da pequena-burguesia (ou, se quiserem para ilustrar, a &#8220;classe m\u00e9dia&#8221;) brasileira. N\u00e3o adianta <!--more-->dizer que o fascismo cotidiano est\u00e1 localizado somente no Sul e no Sudeste do Brasil. Como diz Marilena Chaui, a aberra\u00e7\u00e3o cognitiva \u00e9 a ess\u00eancia fundante da consci\u00eancia da \u201cclasse m\u00e9dia\u201d.<\/p>\n<p>A pequena-burguesia sempre foi base pol\u00edtica do fascismo, isto \u00e9 at\u00e9 historicamente did\u00e1tico. Basta que lembremos da base social cl\u00e1ssica dos fascismos europeus, a pequeno-burguesia e o lumpen proletariado (em alem\u00e3o, Lumpenproletariat, o proletariado em farrapos &#8211; marginais, mendigos, ladr\u00f5es, etc.), todos com baixa forma\u00e7\u00e3o cultural, extremamente religiosos, (falsos) moralistas e antidemocr\u00e1ticos, segmento de classe esse, muito bem representado pelo pseudo-teatr\u00f3logo nazista Hans Johst, em sua pe\u00e7a Schlageter (1933), quando faz o personagem central de sua trama dizer: \u201cQuando ou\u00e7o a palavra cultura, saco logo meu rev\u00f3lver&#8221; (&#8220;Wenn ich Kultur h\u00f6re &#8230; entsichere ich meinen Browning&#8221;)<\/p>\n<p>Em per\u00edodos de crise e de desorganiza\u00e7\u00e3o prolet\u00e1rio-popular a pequena burguesia cresce tendo como discurso ideol\u00f3gico o mais rebaixado senso comum. Isso n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio do Brasil, basta que vejamos o que ocorre na Europa, com as rea\u00e7\u00f5es mais reacion\u00e1rias e racistas contra a imigra\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o h\u00e1 um crescimento meramente espont\u00e2neo. Os fascistas tem seus quadros dirigentes prontos a organizar os setores mais conservadores e despolitizados da sociedade. No caso do Brasil, n\u00e3o h\u00e1 o que tergiversar, isso acontece e a responsabilidade direta \u00e9 do PT, que est\u00e1 colhendo o que plantou. Pior, plantou e deixou parte dessa colheita para os setores da esquerda antagonista. Heran\u00e7a maldita da socialdemocracia!<\/p>\n<p>A socialdemocracia-tardia aliada com o grupo sindicalista-economicista, os n\u00facleos hegem\u00f4nicos do PT, assumiu, em 2002, a tarefa de administrar e modernizar o capitalismo brasileiro. Para tal, procurou atrelar o movimento sindical &#8211; especialmente a CUT, ao projeto de moderniza\u00e7\u00e3o conservadora, que absorvia a proposta dos setores monopolistas da burguesia brasileira, visando integr\u00e1-la ao concerto do capitalismo internacional. Lula n\u00e3o hesitou em golpear o funcionalismo p\u00fablico, atingindo a forma da aposentadoria dos trabalhadores do setor p\u00fablico, retirando suas aposentadorias integrais , sem dar, ao menos, o benef\u00edcio do FGTS. Dilma em seus governos, foi diminuindo os gastos com pol\u00edticas p\u00fablicas e respondeu \u00e0 crise mundial do capitalismo aderindo \u00e0 cartilha do FMI e do Banco Mundial, arrochando os recursos para as pol\u00edticas de car\u00e1ter social e ampliando as vantagens dos empres\u00e1rios. Mais ainda, os governos petistas distanciaram-se de suas bases sociais, optando por alian\u00e7as com os setores mais reacion\u00e1rios da pol\u00edtica nacional. Na primeira crise de instabilidade econ\u00f4mica, o resultado foi o progressivo esgar\u00e7amento dessas alian\u00e7as e o consequente surgimento de uma articula\u00e7\u00e3o para tirar o PT do governo, e devolver a administra\u00e7\u00e3o do capitalismo \u00e0 burguesia.<\/p>\n<p>Diante dessa situa\u00e7\u00e3o de crise, a rea\u00e7\u00e3o da classe ficou muito prejudicada. De um lado, pelos 13 anos e meio de despolitiza\u00e7\u00e3o e de coopta\u00e7\u00e3o, pelos governos petistas, \u00e0 ilus\u00e3o de que era poss\u00edvel ao proletariado partilhar as benesses do capitalismo com a burguesia, de que o proletariado estava se transformando em \u201cclasse m\u00e9dia\u201d. Segundo e, como consequ\u00eancia, a hegemonia socialdemocrata sufocou por d\u00e9cadas os partidos da esquerda antagonista, sempre combatidos pelas dire\u00e7\u00f5es petistas, hegemonicamente anticomunistas e antissocialistas, que estigmatizaram os partidos revolucion\u00e1rios como \u201cradicais, inconsequentes, porra-loucas, etc.<\/p>\n<p>A despolitiza\u00e7\u00e3o, a hegemonia de uma m\u00eddia fuleira, delet\u00e9ria e fundamentalmente antinacional e antipopular, a coopta\u00e7\u00e3o e a in\u00e9pcia do PT em afrontar a ofensiva da extrema direita e dos setores golpistas, fizeram crescer nos setores desorganizados dos trabalhadores, dos segmentos do precariado a sedimenta\u00e7\u00e3o de um pensamento ligado ao mais rudimentar e reacion\u00e1rio senso comum, o que Wilhem Reich chamou de a\u201cpsicologia de massas do fascismo.\u201d<br \/>\nComo fazer para reagir \u00e0 crise? N\u00e3o podemos apoiar uma oposi\u00e7\u00e3o corrupta e in\u00e9pta, uma lumpen-burguesia d\u00e9bil e claramente fascista. Temos que ir \u00e0s ruas apoiar um governo que vem golpeando os direitos dos trabalhadores, que despolitiza sua a\u00e7\u00e3o e que alia-se ao mais retr\u00f3grado, quando cria a lei antiterrorismo para atingir militantes antagonistas?<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que o proletariado e seus aliados devem ter independ\u00eancia de classe e autonomia em suas decis\u00f5es pol\u00edticas. Diante da atual clivagem e do car\u00e1ter que se apresenta a radicaliza\u00e7\u00e3o da luta de classes o conjunto dos setores mais avan\u00e7ados do movimento deve apresentar uma proposta, lembrando que h\u00e1 o risco de um hiato de projeto socialista e antagonista, diante da derrocada ideol\u00f3gica, moral e \u00e9tica do PT.<\/p>\n<p>O \u00e2mbito da luta de classes \u00e9 a realidade objetiva, da\u00ed n\u00e3o podemos ler o real a partir do que desejamos que ele seja. Como dizia o velho Lenin, h\u00e1 que se dar respostas concretas \u00e0 realidade concreta, de modo que n\u00e3o podemos fingir que a radicaliza\u00e7\u00e3o da crise n\u00e3o atingir\u00e1 diretamente a classe, n\u00e3o somente no plano econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m no \u00e2mbito das liberdades democr\u00e1ticas &#8211; como j\u00e1 se verificou no ensaio geral da invas\u00e3o pela PM de Alckmin, de uma assembleia do sindicato dos metal\u00fargicos do ABC, em Diadema.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia de classe deve estar balizada na imediata organiza\u00e7\u00e3o e aglutina\u00e7\u00e3o dos setores vinculados diretamente \u00e0 luta, quer dizer, chamando os Movimentos Sociais, como o MST e o MTST, e os outros movimentos por sa\u00fade educa\u00e7\u00e3o, defesa ecol\u00f3gicas e do meio-ambiente, os setores do LGBTT, etc, al\u00e9m dos sindicatos e das organiza\u00e7\u00f5es classistas, que juntamente com os partidos pol\u00edticos socialistas e revolucion\u00e1rios devem apresentar aos trabalhadores uma alternativa democr\u00e1tico-radical e um projeto econ\u00f4mico que tire imediatamente o pa\u00eds da estagna\u00e7\u00e3o, apontando para a necessidade de se ampliar e fortalecer o mercado interno, aglutinando, nessa proposta, as cooperativas de trabalhadores, do campo e da cidade e ampliando as reformas agr\u00e1ria e urbana, na perspectiva de se fortalecer o Poder Popular e as bases social e ideologicamente direcionadas ao socialismo.<\/p>\n<p>Somente a organiza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores poder\u00e1 dimensionar a a\u00e7\u00e3o consequente do proletariado nesse contexto de crise. Para tanto, \u00e9 fundamental construir um Programa Pol\u00edtico de Unidade das Esquerdas Socialistas e Revolucion\u00e1rias, que seja amplamente discutido com os setores organizados do proletariado. A constru\u00e7\u00e3o de um bloco de hegemonia prolet\u00e1rio e popular \u00e9 a \u00fanica resposta ao impasse que vive a sociedade brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"ANTONIO CARLOS MAZZEO Assistimos ontem o festival de absurdidades que expressa a forma-consci\u00eancia de grande parte da pequena-burguesia (ou, se quiserem para ilustrar, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10641\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-10641","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2LD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10641","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10641"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10641\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}