{"id":10665,"date":"2016-03-21T14:56:26","date_gmt":"2016-03-21T17:56:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10665"},"modified":"2016-04-16T12:20:50","modified_gmt":"2016-04-16T15:20:50","slug":"enfrentar-a-ofensiva-do-capital-a-partir-das-lutas-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10665","title":{"rendered":"Enfrentar a ofensiva do capital a partir das lutas dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/-nAZ_yKRfljo\/VvA2GB1149I\/AAAAAAAALrU\/m1cjEYLBt-QIzrTYTOaXHIdHFf363-KqACCo\/s791-Ic42\/2016-03-21.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>(Nota pol\u00edtica do PCB)<\/p>\n<p>A crise pol\u00edtica e institucional brasileira vem se agravando de maneira acelerada, com o aumento da fragilidade do governo e o deslocamento de parcelas expressivas da burguesia para o campo do impeachment. Estamos assistindo a uma disputa suja, pr\u00f3pria do chamado<!--more--> <i>estado democr\u00e1tico de direito<\/i>, onde o setor hegem\u00f4nico da burguesia viola as regras e leis que ele pr\u00f3prio instituiu, afrontando a Constitui\u00e7\u00e3o e manipulando informa\u00e7\u00f5es para atingir seus interesses. A hipocrisia das classes dominantes revela-se claramente no fato de o processo de impeachment ser comandado por Eduardo Cunha, corrupto que j\u00e1 deveria estar na cadeia. Al\u00e9m disso, mais de 100 parlamentares est\u00e3o sendo investigados em fun\u00e7\u00e3o de graves den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, como Michel Temer, A\u00e9cio Neves, Renan Calheiros, al\u00e9m de alguns governadores e outros pol\u00edticos da ordem.<\/p>\n<p>Os setores que querem derrubar o governo s\u00e3o ainda mais conservadores e buscam aplicar com rapidez o que o PT vem implementando de forma gradual, para n\u00e3o contrariar parte de sua base social, formada por sindicalistas e ativistas sociais. S\u00e3o as velhas oligarquias financeiras ligadas ao capital internacional, os oligop\u00f3lios industriais, comerciais e de servi\u00e7os, o agroneg\u00f3cio e todos aqueles que ganharam rios de dinheiro com a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes do governo petista.<\/p>\n<p>Diante da crise econ\u00f4mica mundial e seus impactos no Brasil e da impossibilidade de o PT continuar o apassivamento das massas, a burguesia resolveu acabar com a terceiriza\u00e7\u00e3o e formar um governo &#8220;puro sangue&#8221;. Essa constata\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o nos leva a hipotecar solidariedade a esse governo que, mesmo acossado pela direita, sancionou, \u00e0s v\u00e9speras das manifesta\u00e7\u00f5es que chamou em sua pr\u00f3pria defesa, a Lei Antiterrorismo que, na pr\u00e1tica, \u00e9 semelhante \u00e0 Lei de Seguran\u00e7a Nacional dos tempos da ditadura e visa criminalizar e perseguir os movimentos sociais.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o entre setores do judici\u00e1rio, do parlamento, de empres\u00e1rios e da m\u00eddia corporativa \u00e9 uma grave amea\u00e7a \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas, duramente conquistadas pelos trabalhadores, com destaque para a forma incisiva e constante com que a rede Globo manipula as informa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que este monop\u00f3lio se envolve em tramas s\u00f3rdidas para atender seus interesses e os daqueles que lhe financiam. Lamentavelmente, ao longo de todo o ciclo petista esta organiza\u00e7\u00e3o foi um das mais privilegiadas com verbas publicit\u00e1rias do governo, que agora reclama da forma como est\u00e3o sendo veiculadas as informa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o tomou nenhuma medida no sentido de restringir o poder dos oligop\u00f3lios midi\u00e1ticos e promover a democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O principal respons\u00e1vel por essa ofensiva da direita \u00e9 o pr\u00f3prio Partido dos Trabalhadores, que n\u00e3o s\u00f3 praticou nesse per\u00edodo uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes, como desenvolveu a coopta\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as sindicais e de movimentos sociais e a despolitiza\u00e7\u00e3o das massas. O que est\u00e1 acontecendo agora \u00e9 resultado das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que o PT fez nesses mais de 13 anos de governo. Vale lembrar que a burguesia possui mecanismos suficientes para interferir na institucionalidade de acordo com seus interesses. Portanto, o que est\u00e1 acontecendo, a rigor, n\u00e3o \u00e9 um golpe contra essa democracia, mas uma manobra da burguesia que n\u00e3o precisa mais do PT para gerenciar o capitalismo. Desde o in\u00edcio, estamos contra esse processo de impeachment porque entendemos que, seja qual for o resultado, ser\u00e1 contra os interesses dos trabalhadores. Advertimos, no entanto, que as classes dominantes, diante do fato de que os seus principais dirigentes pol\u00edticos est\u00e3o envolvidos com a corrup\u00e7\u00e3o, aceleram o processo de impeachment para resolver rapidamente esse problema pol\u00edtico e, em seguida, abafar as outras den\u00fancias contra seus quadros.<\/p>\n<p>Somos visceralmente contra a corrup\u00e7\u00e3o e a promiscuidade que existe na sociedade capitalista entre os interesses privados e p\u00fablicos e entendemos a indigna\u00e7\u00e3o de amplos setores das massas com a corrup\u00e7\u00e3o que se instalou, h\u00e1 muito tempo, em praticamente todas as esferas do Estado. Mesmo levando em conta que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 da natureza do sistema capitalista e que as for\u00e7as conservadoras procuram por todos os meios manipular a opini\u00e3o p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o a este tema, exigimos que as investiga\u00e7\u00f5es sejam aprofundadas e que todos os envolvidos, sem exce\u00e7\u00e3o, sejam punidos exemplarmente, independentemente da posi\u00e7\u00e3o que ocupam no governo, no Parlamento ou nas empresas.<\/p>\n<p>Esse governo, mesmo que escape do processo de impeachment, n\u00e3o vai mudar de rumo. Ao contr\u00e1rio, est\u00e1 envolvido num c\u00edrculo vicioso no qual, a cada concess\u00e3o que faz, a burguesia exige novas concess\u00f5es. Se sobreviver, seu destino \u00e9 continuar implementando a pol\u00edtica neoliberal. Qualquer novo governo da burguesia poder\u00e1 ser ainda mais prejudicial aos trabalhadores. Em ambos os casos promover\u00e3o os ajustes e cortes de direitos exigidos pelo capital; a diferen\u00e7a pode ser no tempo, na forma e na intensidade.<\/p>\n<p>Com o acirramento da crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica, emerge um ciclo de luta aberta entre capital e trabalho, processo que foi ofuscado e apassivado pelos governos PT. Esse n\u00e3o \u00e9 um momento para pessimismo, perplexidade ou passividade. Os trabalhadores precisam confiar em sua organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o para derrotar as for\u00e7as reacion\u00e1rias a servi\u00e7o do capitalismo.<\/p>\n<p>Portanto, esta \u00e9 uma conjuntura especial em que um ciclo est\u00e1 se esgotando e outro est\u00e1 nascendo. \u00c9 o momento para se iniciar a reorganiza\u00e7\u00e3o de todas as for\u00e7as e partidos do campo socialista, do sindicalismo classista, dos movimentos sociais da cidade e do campo e ambientais, dos coletivos anticapitalistas e de todos aqueles que desejam e lutam por uma sociedade justa e igualit\u00e1ria, constituindo um grande bloco de lutas para enfrentar esta grave conjuntura. \u00c9 preciso construir um programa pol\u00edtico de unifica\u00e7\u00e3o dessas lutas, com a participa\u00e7\u00e3o de todos, para levar adiante a contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ofensiva do capital e buscar uma alternativa \u00e0 esquerda para os trabalhadores, de forma a construir um novo rumo para o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional do PCB (21 de mar\u00e7o de 2016)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"(Nota pol\u00edtica do PCB) A crise pol\u00edtica e institucional brasileira vem se agravando de maneira acelerada, com o aumento da fragilidade do governo \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10665\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-10665","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2M1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}