{"id":1067,"date":"2010-12-15T13:11:01","date_gmt":"2010-12-15T13:11:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1067"},"modified":"2010-12-15T13:11:01","modified_gmt":"2010-12-15T13:11:01","slug":"nao-sei-se-e-fascismo-ou-farsismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1067","title":{"rendered":"\u2018N\u00e3o sei se \u00e9 fascismo ou farsismo\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Entrevista ao Correio da Cidadania,da<\/em><em><strong> soci\u00f3loga Vera Malaguti, <\/strong><\/em><em>secret\u00e1ria geral do Instituto Carioca de Criminologia (ICC)<\/em><\/p>\n<p><em>Rio de Janeiro e Seguran\u00e7a P\u00fablica:<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Vera Malaguti<\/strong><\/em><em> critica duramente os governos estadual e federal, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada das for\u00e7as armadas na quest\u00e3o, de legalidade question\u00e1vel. &#8220;Tudo \u00e9 ilegal aqui. Estamos vivendo em regime de exce\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou, referindo-se tamb\u00e9m \u00e0s viol\u00eancias cometidas contra moradores inocentes das \u00e1reas invadidas pelas for\u00e7as oficiais.<\/em><\/p>\n<p><em>Para ela, tal processo \u00e9 parte de uma pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas pobres, idealizada pelos EUA h\u00e1 d\u00e9cadas, que visa tamb\u00e9m garantir um controle militarizado da vida das pessoas, al\u00e9m de abrir caminho para &#8220;os neg\u00f3cios transnacionais e ol\u00edmpicos&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>Malaguti questiona firmemente a pol\u00edtica de seguran\u00e7a do governo Cabral, por considerar as UPPs &#8211; Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora &#8211; e toda a recente opera\u00e7\u00e3o mais uma a\u00e7\u00e3o de marketing, baseada nas mesmas pol\u00edticas de repress\u00e3o sem investimento social, amplamente fracassadas.. &#8220;Est\u00e3o ocupando a cidade. Para que fluam os grandes neg\u00f3cios transnacionais e esportivos. Para que as pessoas possam fruir sem serem incomodadas pela nossa pobreza&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>A entrevista completa, na qual Vera n\u00e3o poupa nem o ex-secret\u00e1rio Luiz Eduardo Soares (&#8220;ele \u00e9 um pouco respons\u00e1vel pela glorifica\u00e7\u00e3o do BOPE como solu\u00e7\u00e3o&#8221;), cujas an\u00e1lises foram elogiadas por setores progressistas, pode ser conferida a seguir.<\/em><\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: O apaziguamento do clima de guerra que se instalou no Rio, a partir da colabora\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito e da For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a na expuls\u00e3o dos traficantes do Morro do Alem\u00e3o, levou a um clima de euforia entre a popula\u00e7\u00e3o, seguido pela maior parte da m\u00eddia. Como encara, nesse sentido, as a\u00e7\u00f5es imediatas que foram tomadas pelo governo nos \u00faltimos dias para controlar a crise?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Estranhei muito. Eu penso que a euforia foi fruto de uma campanha midi\u00e1tica. Gosto de falar com base em evid\u00eancias, mas desde o in\u00edcio considerei muito estranhos os acontecimentos. Comparando com aquela vez em S\u00e3o Paulo, em 2006, quando a cidade parou, na hora em que o governo decidiu mobilizar as for\u00e7as armadas, ainda se teve uma meia d\u00fazia de carros queimados, mas nenhuma v\u00edtima. Tudo foi engatilhado de um jeito que pareceu muito estranho. Se formos ver a an\u00e1lise da m\u00eddia, como a da Folha, que dessa vez foi mais cr\u00edtica, v\u00ea-se que existia uma combina\u00e7\u00e3o com a Rede Globo, tanto que na v\u00e9spera eles anunciavam o \u2018Tropa de Elite 3\u2019, e no dia seguinte transmitiram aquilo o dia inteiro. Diante do que acontecia, creio que a rea\u00e7\u00e3o foi desproporcional em rela\u00e7\u00e3o ao ocorrido, e a\u00ed n\u00e3o entendemos de fato como foram as coisas. Seriam 600 homens, ou n\u00e3o? As apreens\u00f5es mostradas tamb\u00e9m n\u00e3o fazem muito sentido, porque o envolvimento das for\u00e7as armadas em tais situa\u00e7\u00f5es \u00e9 muito questionado no mundo inteiro.<\/p>\n<p>Os EUA, por exemplo, pro\u00edbem suas for\u00e7as armadas de trabalharem como pol\u00edcia. No entanto, estimulam muito que as for\u00e7as armadas latinas entrem nesta guerra perdida, como no caso do M\u00e9xico, grande exemplo disso.<\/p>\n<p>Desde 94, quando da opera\u00e7\u00e3o Rio 1, as conversas com o Comando Militar do Leste sempre receberam a recusa das for\u00e7as armadas brasileiras, por ser algo perigoso. Da mesma forma que a pol\u00edcia se desmantela nessa guerra sem fim, as for\u00e7as armadas, que na verdade s\u00e3o respons\u00e1veis pela nossa soberania, poderiam passar pelo mesmo. Atir\u00e1-las nessa guerra perdida \u00e9 uma aventura. As for\u00e7as armadas norte-americanas n\u00e3o entrariam nessa jamais.<\/p>\n<p>Portanto, creio que foi um ato midi\u00e1tico, como tudo que \u00e9 feito pelo governo do estado do Rio de Janeiro. S\u00f3 que desta vez o governo federal embarcou na aventura, a meu ver de forma muito irrespons\u00e1vel, correndo o risco de colocar as for\u00e7as armadas brasileiras num impasse geopol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Mas no momento espec\u00edfico, e diante da dificuldade da pol\u00edcia carioca no enfrentamento frontal ao tr\u00e1fico dos morros, a presen\u00e7a do Ex\u00e9rcito, assim como da Marinha e Aeron\u00e1utica, n\u00e3o seria necess\u00e1ria como medida emergencial?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Em 2006, em S\u00e3o Paulo, aconteceu algo muito mais grave, muito mais profundo, e as for\u00e7as armadas nem foram cogitadas. Quando entraram, tinha-se meia d\u00fazia de carros queimados e nenhuma v\u00edtima. Na Fran\u00e7a, \u00e9 normal queimarem 300 carros num protesto, e o ex\u00e9rcito franc\u00eas nunca entrou pra interferir. E nunca considerou esses atos terrorismo, e sim manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acho que tudo faz parte de uma escalada do modelo norte-americano de ocupa\u00e7\u00e3o. Inclusive saiu uma entrevista do ministro (da Justi\u00e7a, e futuro governador do Rio Grande do Sul) Tarso Genro no P\u00e1gina 12, da Argentina, na qual os jornalistas se assustaram com as declara\u00e7\u00f5es dele, pois tinham um jarg\u00e3o b\u00e9lico constante.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 um modelo fracassado, pois os EUA est\u00e3o perdendo a guerra no Iraque nessa acep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Fracasso da guerra \u00e0s drogas tamb\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Exatamente. A guerra \u00e0s drogas j\u00e1 virou um mico mundial. Portanto, essa escalada do Rio de Janeiro me parece fazer parte do processo que mencionei. J\u00e1 tivemos a chacina do Pan, tamb\u00e9m no Alem\u00e3o. \u00c9 algo muito midi\u00e1tico, e tamb\u00e9m perigoso, por ser uma escalada b\u00e9lica.<\/p>\n<p>E agora, miraculosamente, acabou tudo, est\u00e1 tudo calmo. O que acontece no Rio de Janeiro de verdade? Acho que ainda faltam elementos para afirmarmos algo com responsabilidade, mas me pareceu tudo muito r\u00e1pido e alinhado \u00e0 Globo. Parecia tudo parte dos efeitos Tropa de Elite. Tanto que na v\u00e9spera do \u2018Dia D\u2019, a manchete do O Globo era \u2018Tropa de Elite 3\u2019. E depois houve aquela cobertura toda, enquanto do lado de l\u00e1 se viam escombros, tanto que houve v\u00e1rias compara\u00e7\u00f5es com Canudos.<\/p>\n<p>E o <em>day after<\/em> \u00e9 aquilo que a gente conhece sempre, a hist\u00f3ria de invas\u00f5es da pol\u00edcia \u00e0s comunidades faveladas.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Na invas\u00e3o do Alem\u00e3o, em 2007, durante o Pan, foi a mesma coisa, e nem o tr\u00e1fico de drogas, nem o controle armado do territ\u00f3rio por criminosos foram, no entanto, at\u00e9 hoje eliminados. Pelo contr\u00e1rio, estamos novamente diante do mesmo morro, agora com uma ocupa\u00e7\u00e3o ainda mais extensa, a partir da participa\u00e7\u00e3o direta da For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a, da Pol\u00edcia Federal, do Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica. Trata-se da persist\u00eancia in\u00f3cua e equivocada de uma pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Sim. Os moradores sendo humilhados, torturados, tendo suas casas roubadas, reviradas, aquilo que a gente conhece. Agora com o agravante da glorifica\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edcia militarizada, um efeito perverso que enxerguei nos filmes Tropa de Elite, e que me parece formar esse todo, de glorifica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a militar.<\/p>\n<p>O saudoso coronel Carlos Magno Nazar\u00e9 Teixeira, assassinado em 99, policial militar com forma\u00e7\u00e3o humana, profunda, cr\u00edtica, escreveu um artigo intitulado \u2018A remilitariza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica\u2019. \u00c9, de fato, um processo. O Brasil aderiu agora; e, surpreendentemente, a partir do governo federal.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Esse cen\u00e1rio n\u00e3o tem sido constru\u00eddo, com a ajuda da m\u00eddia, como forma de criar uma legitima\u00e7\u00e3o para a Copa e as Olimp\u00edadas? A for\u00e7a militarizada n\u00e3o serve pra sufocar os gritos contr\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Com certeza. Al\u00e9m disso, abrir caminho tamb\u00e9m para os grandes neg\u00f3cios transnacionais. Crime organizado \u00e9 isso a\u00ed. Esses neg\u00f3cios ol\u00edmpicos e transnacionais fazem parte da estrat\u00e9gia de ocupa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas pobres. \u00c9 mais um cap\u00edtulo dos \u2018muros ecol\u00f3gicos\u2019, \u2018paredes ac\u00fasticas\u2019, que v\u00e3o murando e isolando as \u00e1reas pobres. Depois, as pessoas falam que \u00e9 uma alternativa. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma alternativa ao modelo, e sim seu aprofundamento, chegando agora na ocupa\u00e7\u00e3o militarizada das favelas.<\/p>\n<p>Eu chamo de gest\u00e3o policial da vida. Pra fazer uma festa tem que pedir autoriza\u00e7\u00e3o. Por isso, creio estarmos diante de um projeto de ocupa\u00e7\u00e3o militarizada nas \u00e1reas de pobreza do Rio de Janeiro, com uma cobertura vergonhosa da grande m\u00eddia.<\/p>\n<p>O Lo\u00efc Wacquan escreveu artigos como \u2018Punir os Pobres\u2019, \u2018A Penaliza\u00e7\u00e3o da Mis\u00e9ria\u2019, mas um em especial chama a aten\u00e7\u00e3o: \u2018Da Penaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 Militariza\u00e7\u00e3o\u2019. Durante esses dias, ele me mandou uma mensagem perguntando isso: &#8220;Vera, estou vendo tudo pela TV. \u00c9 aquilo mesmo, da penaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o?&#8221;. Acho que \u00e9 exatamente isso. Demonizam-se algumas atividades em certas regi\u00f5es, depois se criminaliza e se entra com tudo no lugar em quest\u00e3o. \u00c9 o que tamb\u00e9m chamamos de ind\u00fastria do controle do crime, \u00e9 uma modalidade de economia. As pr\u00f3prias for\u00e7as armadas, em parte, resistem a isso.<\/p>\n<p>Mas como parece que nosso ministro da Defesa gosta de trocar inconfid\u00eancias com ministros americanos, como vazou o Wikileaks, vimos que os EUA queriam saber se o Rio de Janeiro poderia sofrer terrorismo e que lhes interessava vender-nos tecnologia para tal combate.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: N\u00e3o s\u00f3 vender equipamentos, como at\u00e9 editar uma lei antiterrorismo, como tamb\u00e9m foi vazado.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Tudo o que acontece s\u00e3o tecnologias de guerra sendo vendidas. Os jornais mostravam os blindados, a pol\u00edcia dizia que gostava&#8230; Enfim, estamos comprando as sucatas das derrotas dos EUA no Iraque e no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: De Israel tamb\u00e9m, haja vista que o Brasil, e especialmente o Rio, \u00e9 um grande cliente dos israelenses no mercado de armas, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Certamente. Israel \u00e9 o grande parceiro das vendas de servi\u00e7os e tecnologia nessa \u00e1rea. Mas antes \u00e9 preciso construir o discurso do inimigo, o que o grande jurista argentino Zaffaroni chama de \u2018direito penal do inimigo\u2019. As garantias v\u00e3o sendo suspensas, prendem-se os familiares, advogados. Ou seja, estamos vivendo no Rio um Estado de Exce\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vi nenhum morador dessas \u00e1reas aplaudindo. Como tamb\u00e9m nunca vi morador elogiar UPP, apenas vejo a m\u00eddia dizer que eles aprovam. Na cobertura do <em>day after,<\/em> s\u00f3 vi morador se sentindo humilhado, violentado, esculachado, roubado&#8230; A hist\u00f3ria de sempre, desde Canudos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se o nome adequado \u00e9 fascismo ou farsismo.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: J\u00e1 v\u00eam soando rumores de que o Ex\u00e9rcito poderia permanecer nas \u00e1reas conflagradas por tempo maior que os cerca de 8 meses inicialmente cogitados, fincando suas bandeiras nessas \u00e1reas at\u00e9 a Copa do Mundo. Ao lado do comentado risco de contamina\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito pelo tr\u00e1fico, uma perman\u00eancia t\u00e3o estendida \u00e9 a prova cabal da pol\u00edtica de militariza\u00e7\u00e3o imposta pelos EUA, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Eu acho um perigo para a soberania nacional colocar as for\u00e7as armadas nessa guerra perdida. E digo mais: n\u00e3o me parece que a situa\u00e7\u00e3o do Haiti seja bonita, onde nossas for\u00e7as armadas comandam uma ocupa\u00e7\u00e3o. Como est\u00e1 l\u00e1? Nossas for\u00e7as armadas v\u00e3o se transformar em pol\u00edcia de conten\u00e7\u00e3o de pobreza absoluta? Eu acho uma tristeza, al\u00e9m de um precedente perigoso.<\/p>\n<p>E tem ainda o circo das ONGs: a Viva Rio, que aqui no Rio \u00e9 chamada de \u2018Viva Rico\u2019, esteve l\u00e1 no Haiti. Vai participar aqui tamb\u00e9m?<\/p>\n<p>Tirar as for\u00e7as armadas de seu papel, de garantir a soberania nacional, \u00e9 o sonho dourado dos EUA. As for\u00e7as armadas deles n\u00e3o entram jamais numa empreitada dessas, mas eles recomendam a todos os outros que o fa\u00e7am.<\/p>\n<p>O governo Lula aderir a isso \u00e9 uma vergonha.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Sem contar a sens\u00edvel quest\u00e3o acerca da legalidade de tal atua\u00e7\u00e3o, muito question\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Tudo \u00e9 ilegal aqui. Estamos vivendo em regime de exce\u00e7\u00e3o, tudo \u00e9 ilegal. Desde a inviolabilidade do lar at\u00e9 a grava\u00e7\u00e3o das pris\u00f5es de advogados, fora outras coisas que j\u00e1 citamos.<\/p>\n<p>E a OAB do Rio j\u00e1 apoiou a opera\u00e7\u00e3o desde o come\u00e7o. Em vez de ficar na trincheira de luta, observando se as garantias constitucionais est\u00e3o sendo levadas em conta, j\u00e1 entrou apoiando, como tamb\u00e9m o fez na opera\u00e7\u00e3o de 2007 no Alem\u00e3o.<\/p>\n<p>E a atua\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia&#8230;<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Parece que est\u00e3o transmitindo mais uma atra\u00e7\u00e3o dominical.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Exatamente. E com a glorifica\u00e7\u00e3o da trucul\u00eancia, da militariza\u00e7\u00e3o. \u00c9 de fato a glorifica\u00e7\u00e3o da figura do Capit\u00e3o Nascimento.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Fora o massacre ideol\u00f3gico, com as mesmas figuras defendendo por horas e horas todas as a\u00e7\u00f5es, com as mesmas id\u00e9ias de sempre, que, como voc\u00ea j\u00e1 disse, s\u00f3 acumularam fracassos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>\u00c9 uma cobertura que serve muito mais para as pessoas n\u00e3o entenderem o que acontece. E, no final, os resultados s\u00e3o p\u00edfios. Cad\u00ea os 600 homens, cad\u00ea as armas? Aparece uma bazuca aqui, outra ali&#8230;<\/p>\n<p>Sinceramente, acho que, se olharmos bem, vamos ver que as for\u00e7as armadas, pol\u00edcias civil, militar, fizeram um fiasco, prendendo um monte de p\u00e9 rapado. N\u00e3o h\u00e1 novidades no front.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 pol\u00edtica das UPPs no Rio de Janeiro, tanto no que se refere ao conceito e objetivos que lhes d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o, como \u00e0 forma pela qual v\u00eam sendo conduzidas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>\u00c9 parte de todo esse jogo. \u00c9 uma obra de arte midi\u00e1tica, uma pe\u00e7a de marketing. O governador do Rio \u00e9 expert nisso. O Rio tem o maior investimento em seguran\u00e7a p\u00fablica e est\u00e1 em pen\u00faltimo no ranking da educa\u00e7\u00e3o de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se pegarmos o que o governo do estado investe em marketing&#8230; As UPPs s\u00e3o mais uma pe\u00e7a publicit\u00e1ria, parte dessa militariza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica, por se tratar de uma ocupa\u00e7\u00e3o militar, na qual os moradores s\u00e3o obrigados a se submeter a tudo, at\u00e9 a pedir permiss\u00e3o pra fazer uma festa. Al\u00e9m de significar a glorifica\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o policial da vida &#8211; dos pobres, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>E a prefeitura, cujos integrantes participam do mesmo projeto pol\u00edtico, entra com o Choque de Ordem, que busca tirar todas as estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia dos pobres na rua. Mas, ao mesmo tempo, as ruas do Rio s\u00e3o invadidas por empresas transnacionais.<\/p>\n<p>Portanto, o camelozinho pobre n\u00e3o pode botar suas bugigangas na Vieira Souto. Mas no fim de semana retrasado um laborat\u00f3rio franc\u00eas, enorme, estava l\u00e1 com container, fazendo exames de c\u00e2ncer de pele e distribuindo filtro solar.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Fazendo exames e, claro, uma bel\u00edssima a\u00e7\u00e3o de marketing.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>\u00c9. A empresa pode. Mas as estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia dos pobres, criadas pelo povo, n\u00e3o. Essas s\u00e3o demonizadas e criminalizadas. Agora, a ocupa\u00e7\u00e3o militar. Uma vergonha. Mesmo com todas as cr\u00edticas que tenho, nunca esperava um papel\u00e3o desses do governo federal, que entrou na jogada.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: O soci\u00f3logo Luiz Eduardo Soares adverte que sem ir \u00e0 raiz da rela\u00e7\u00e3o prom\u00edscua entre policiais e traficantes as UPPs n\u00e3o t\u00eam chance alguma de sucesso, visto que seriam contaminadas pelo mesmo esquema de corrup\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>\u00c9, pode ser, mas o Luiz Eduardo Soares \u00e9 um pouco respons\u00e1vel, \u00e9 o criador do Capit\u00e3o Nascimento, o novo her\u00f3i nacional.<\/p>\n<p>Tenho uma posi\u00e7\u00e3o muito cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do Luiz Eduardo Soares. Ele \u00e9 um pouco respons\u00e1vel pela glorifica\u00e7\u00e3o do BOPE como solu\u00e7\u00e3o. Mas ele alterna tamb\u00e9m. Est\u00e1 esperando a pol\u00edcia ficar limpa no capitalismo&#8230; Vai ter que esperar um bocado.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m est\u00e1 limpo no capitalismo, mas quem est\u00e1 menos limpo \u00e9 a sociologia fluminense, que est\u00e1 toda inserida no mercado, nossa! Na cobertura, apareciam todos apoiando a opera\u00e7\u00e3o. Inclusive ele, na \u00faltima entrevista, disse: &#8220;sou a favor da repress\u00e3o, mas&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Portanto, tenho uma vis\u00e3o muito cr\u00edtica a ele especificamente, pois acho que os Tropas de Elite 1 e 2 tiveram esse efeito perverso. Tanto que o \u00e1pice do 2 \u00e9 a tortura do pol\u00edtico corrupto. E a tortura \u00e9 a estrela dos dois filmes. Por isso, acho-o muito respons\u00e1vel pelo que culminou com o Globo chamando toda a hist\u00f3ria de \u2018Tropa de Elite 3\u2019.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Mas o que pensa dessa rela\u00e7\u00e3o prom\u00edscua entre policiais e traficantes, assim com de seu impacto sobre as UPPs?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Acho que o proibicionismo, a pol\u00edtica criminal de drogas dos EUA, \u00e0 qual aderimos desde a ditadura, produz esse resultado, raz\u00e3o pela qual as for\u00e7as armadas n\u00e3o podem entrar, pois v\u00e3o se desmantelar.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um problema moral, e sim de escolha pol\u00edtica que se faz. Quanto mais repress\u00e3o, maior custo. E pol\u00edticas que n\u00e3o legalizam o segundo emprego do policial, jogando-o na ilegalidade, s\u00f3 contribuem ainda mais.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o moral das pol\u00edcias, mas uma quest\u00e3o econ\u00f4mica, dentro de um capitalismo selvagem.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: O mesmo soci\u00f3logo h\u00e1 algum tempo tem ressaltado que o tr\u00e1fico armado, tal qual se apresenta hoje, \u00e9 um modelo em processo de extin\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o devido \u00e0 exist\u00eancia das UPPs, mas em fun\u00e7\u00e3o de sua estrutura pesada e custosa, tendente, portanto, a caminhar para formas mais sofisticadas de crime organizado. As mil\u00edcias t\u00e3o preponderantes hoje no Rio, cujos membros s\u00e3o em grande parte policiais, seriam uma dessas modalidades mais \u2018atualizadas\u2019 do crime organizado. Diante do que se viu no Rio, voc\u00ea comunga dessa avalia\u00e7\u00e3o, de que o tr\u00e1fico armado nos moldes atuais esteja realmente em extin\u00e7\u00e3o no Rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Acho que ainda n\u00e3o tenho, nem ele, elementos para afirmar isso. Pierre Bourdieu criticava muito o que chamava de <em>fast thinker<\/em>. Aqueles caras que a grande m\u00eddia sempre procura. Pode ver que a grande m\u00eddia procura sempre os mesmos. \u00c9 uma penca, n\u00e3o vou citar nomes. Pra voc\u00ea dizer algo assim, tem que se fazer uma pesquisa, se aprofundar, mas para a Globo News eles sempre sabem tudo j\u00e1 na hora dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Eu sou uma <em>slow-thinker<\/em>. N\u00e3o tenho elementos para confirmar essa teoria ainda.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Mas, de toda forma, as mil\u00edcias t\u00eam sido um bra\u00e7o fort\u00edssimo do crime organizado, at\u00e9 com mais tent\u00e1culos, e sem combat\u00ea-las n\u00e3o vai adiantar absolutamente nada, no final das contas, eliminar somente os comandos tradicionais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Claro. Estranhamente, o governo estadual resolveu combater somente uma das empresas do com\u00e9rcio varejista de drogas. Qualquer pessoa com o m\u00ednimo de intelig\u00eancia, conhecendo o mercado, sabe que em caso de se partir pra cima de algu\u00e9m em seu espa\u00e7o, retirando-o de l\u00e1, tal espa\u00e7o ser\u00e1 ocupado por outra empresa. Mais uma vez, todo esse aparato foi pra cima de uma das empresas. Estranhamente, as outras (mil\u00edcias) t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o maior com a pol\u00edcia. Natural.<\/p>\n<p>Houve um momento em que todo mundo dizia que as mil\u00edcias eram autodefesa ao narcotr\u00e1fico. Deu no que deu. As mil\u00edcias cresceram, primeiro sendo glorificadas, e agora fica tudo meio embolado.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: O que pensa sobre o modelo de pol\u00edcia hoje existente? Quais seriam, a seu ver, as pol\u00edticas p\u00fablicas e medidas que, a m\u00e9dio e longo prazos, realmente incidiram sobre este modelo de modo a enfrentar o tr\u00e1fico e a viol\u00eancia em uma cidade como o Rio de Janeiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Primeiramente, acabar com o proibicionismo, ou seja, a pol\u00edtica proibicionista norte-americana. E, claro, as velhas pol\u00edticas p\u00fablicas: escola p\u00fablica de tempo integral, sa\u00fade, enfim, todo o universo da agenda que perdemos, porque agora nossa agenda \u00e9 s\u00f3 seguran\u00e7a p\u00fablica, ela vem na frente de tudo.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, o protagonismo da juventude popular, pois uma das coisas que a criminaliza\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia faz \u00e9 tamb\u00e9m criminalizar a pot\u00eancia juvenil, popular, transformando-a em bandidagem.<\/p>\n<p>Precisamos recuperar os movimentos pol\u00edticos que d\u00e3o pot\u00eancia e protagonismo \u00e0 juventude popular. E n\u00e3o demoniz\u00e1-los, criminaliz\u00e1-los e agora aniquil\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: E o que pensa sobre o atual modelo de pol\u00edcia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>\u00c9 o mesmo de sempre. \u00c9 a hist\u00f3ria da pol\u00edcia do Brasil. Come\u00e7ou para erradicar quilombos e assim continua. Erradicando e \u2018pacificando\u2019 quilombos. N\u00e3o mudou nada.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Para evitar questionamentos quanto \u00e0 pol\u00edtica salarial e ao or\u00e7amento p\u00fablico, o governo faz a citada vista grossa para v\u00e1rias \u2018ilegalidades\u2019, como os bicos feitos por policiais de modo a incrementar seus ganhos &#8211; bicos que, em fun\u00e7\u00e3o do mencionado \u2018proibicionismo\u2019, est\u00e3o na raiz do tr\u00e1fico e da forma\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias. Diante desse cen\u00e1rio todo, seria poss\u00edvel lidar com a situa\u00e7\u00e3o atual, de modo a que a raiz da degringolada fosse de fato enfrentada, sem um novo enfoque para as pol\u00edticas p\u00fablicas, e sem, ademais, um novo olhar para a cidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>O Luiz Eduardo, por exemplo, gosta de vender modelos de seguran\u00e7a. Acho que o modelo de seguran\u00e7a \u00e9 algo que precisa ser constru\u00eddo coletivamente. E utopicamente tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Toda cidade que precisa de muita organiza\u00e7\u00e3o policial tem algo de muito errado. As cidades seguras s\u00e3o aquelas que precisam de pouca pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A desigualdade social, a brutaliza\u00e7\u00e3o da pobreza, essas medidas compensat\u00f3rias, que aprofundam os nexos da desigualdade&#8230; Precisamos construir um modelo de felicidade para a cidade, no qual a seguran\u00e7a seria a \u00faltima prioridade. Por\u00e9m, n\u00e3o acredito nisso.<\/p>\n<p>Estamos voltando \u00e0 Rep\u00fablica Velha, \u00e9poca em que, quando se pensava na quest\u00e3o social, pegava-se um rev\u00f3lver. Estou me sentindo na Rep\u00fablica velha, quando as quest\u00f5es sociais eram resolvidas pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Precisamos de menos pol\u00edcia, menos pris\u00e3o, mais beleza, mais cultura, mais alegria, mais pot\u00eancia juvenil e popular, protagonizando as coisas.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Finalmente, como vislumbra que o futuro governador do Rio, assim como a futura presidente do Brasil, v\u00e3o lidar com o tema da Seguran\u00e7a P\u00fablica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Olha, estou morrendo de medo dos dois. A perspectiva \u00e9 sombria. E como o ministro da Defesa ser\u00e1 mantido&#8230; Parece que estaremos bem com as embaixadas americana e israelense.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Podemos, dessa forma, imaginar uma intensifica\u00e7\u00e3o desse modelo militarista de media\u00e7\u00e3o social?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vera Malaguti: <\/strong>Est\u00e3o ocupando a minha cidade. A linda, insubmissa e rebelde cidade do Rio de Janeiro. Para que fluam os grandes neg\u00f3cios transnacionais e esportivos. Para que as pessoas possam fruir sem serem incomodadas pela nossa pobreza. Essa \u00e9 a minha triste impress\u00e3o dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Como eu disse, n\u00e3o sei se \u00e9 fascismo ou farsismo.<\/p>\n<p><strong>Val\u00e9ria Nader, economista, \u00e9 editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito \u00e9 jornalista.<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=5287<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: epsjv.fiocruz.br\n\n\n\n\n\n\n\n\nEscrito por Gabriel Brito e Val\u00e9ria Nader, da Reda\u00e7\u00e3o CORREIO DA CIDADANIA\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1067\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[88],"tags":[],"class_list":["post-1067","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c101-criminalizacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-hd","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1067\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}