{"id":10670,"date":"2016-03-21T20:28:58","date_gmt":"2016-03-21T23:28:58","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10670"},"modified":"2016-04-16T12:21:19","modified_gmt":"2016-04-16T15:21:19","slug":"resolucao-sobre-a-conjuntura-politica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10670","title":{"rendered":"Resolu\u00e7\u00e3o sobre a conjuntura pol\u00edtica brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/-RbxO4FWijXE\/VvCDJbb2Q3I\/AAAAAAAALro\/11uuEgONPQMRnrjhRIikg1YTdFDjtOKdACCo\/s720-Ic42\/2016-03-21.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><strong>Dire\u00e7\u00e3o Nacional da Organiza\u00e7\u00e3o Comunista Arma da Cr\u00edtica (OCAC)<\/strong><\/p>\n<p>13 de mar\u00e7o de 2016<\/p>\n<p>Diante dos recentes acontecimentos que aprofundaram a crise pol\u00edtica como a \u201ccondu\u00e7\u00e3o coercitiva\u201d e o pedido de pris\u00e3o preventiva de Lula, e com base em nossas resolu\u00e7\u00f5es anteriormente divulgadas, em especial a resolu\u00e7\u00e3o da Dire\u00e7\u00e3o Nacional de 31 de janeiro de 2016, consideramos que:<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<ol>\n<li><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal\/images\/stories\/outras-opinioes.png?w=747\" alt=\"\" \/>As iniciativas sobre o afastamento de Dilma da presid\u00eancia e as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o contra o PT e Lula, com toda a pol\u00eamica que geram, se inserem na disputa entre as representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e de setores do aparelho de Estado pelo gerenciamento do capitalismo brasileiro, expressando, em \u00faltima inst\u00e2ncia, disputas entre as fra\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas das classes dominantes. Os grandes monop\u00f3lios disputam o apoio do Estado para garantir melhores condi\u00e7\u00f5es na concorr\u00eancia interburguesa.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>Os posicionamentos de setores do poder judici\u00e1rio, da Pol\u00edcia Federal com apoio da grande m\u00eddia, extrapolando alguns limites da legalidade burguesa, que t\u00eam um direcionamento maior contra PT, Dilma, Lula e aliados, s\u00e3o express\u00f5es dessas contradi\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>Em todo esse processo de crise pol\u00edtica, em que est\u00e3o em pauta a corrup\u00e7\u00e3o, a Lava-Jato e o afastamento de Dilma, n\u00e3o est\u00e1 em jogo uma disputa entre os interesses dos explorados\/oprimidos, de um lado, e os das classes dominantes\/imperialismo, do outro.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"4\">\n<li>Mesmo com nuances e pequenas diferen\u00e7as entre setores que defendem o governo Dilma e setores da oposi\u00e7\u00e3o, como o PSDB e seus aliados, quanto \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica e social, incluindo as \u201cpol\u00edticas p\u00fablicas\u201d e a proximidade com o imperialismo, qualquer que seja o desfecho desta disputa, o povo n\u00e3o sair\u00e1 ganhando. O foco nesses enfrentamentos tem servido para nublar as causas de fundo da crescente deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho das massas populares: a explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li>Os ataques a Dilma e a Lula n\u00e3o se configuram em si numa tentativa de \u201cgolpe de Estado\u201d no sentido de mudan\u00e7a de classes no poder. Pois as disputas em jogo se d\u00e3o no campo dos setores que, essencialmente, gerenciam os interesses das fra\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas das classes dominantes, dentre elas as fra\u00e7\u00f5es do setor produtor de commodities para exporta\u00e7\u00e3o, do setor financeiro que valoriza o capital principalmente na esfera financeiro-especulativa e das empreiteiras.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"6\">\n<li>No momento, no Brasil n\u00e3o existe um movimento de massas mobilizado por transforma\u00e7\u00f5es sociais. Portanto, uma perspectiva \u201cgolpista\u201d contra o movimento de massas n\u00e3o est\u00e1 colocada, como ocorreu em 1964. Naquele per\u00edodo, o governo de Jo\u00e3o Goulart, com apoio de expressivo movimento oper\u00e1rio e popular \u00e0s reformas de base, tomava medidas que contrariavam os interesses do capital estrangeiro, do imperialismo e de setores das classes dominantes, como a lei da remessa de lucros e da reforma agr\u00e1ria. Nesse sentido, \u00e9 equivocada a compara\u00e7\u00e3o da atual conjuntura, em que o governo de Dilma se esmera em ajustar-se \u00e0 pol\u00edtica do grande capital nacional e internacional, \u00e0 de 1964, no governo de Jango.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"7\">\n<li>Ajustar-se a essa pol\u00edtica foi condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o PT chegar ao poder, vide a \u201cCarta aos brasileiros\u201d assinada por Lula em 2002. A \u201ccapacidade\u201d de Lula, Dilma, dos governos do PT e aliados, controlarem e abafarem o movimento popular combativo criou melhores condi\u00e7\u00f5es para o grande capital alcan\u00e7ar um alto grau de concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e se beneficiar sem escr\u00fapulos da maioria dos recursos p\u00fablicos. Nesse sentido, o PT e seus aliados ajudaram a barrar o crescimento da luta do proletariado, a desorganizar o movimento oper\u00e1rio e popular classista, obstaculizando o desenvolvimento da luta revolucion\u00e1ria, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o das massas populares.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"8\">\n<li>Pode-se considerar \u201cgolpe\u201d de um setor entre aqueles que disputam a ger\u00eancia da acumula\u00e7\u00e3o capitalista. E gerenciar o capitalismo significa garantir a explora\u00e7\u00e3o, aumentar a taxa de mais-valia, como forma de aumentar a taxa de lucro. Essa \u00e9 a l\u00f3gica desse modo de produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o est\u00e3o em jogo, portanto e no fundamental, os interesses populares.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"9\">\n<li>A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente \u00e0s sociedades divididas em classe e em especial ao capitalismo, e ser\u00e1 efetivamente combatida com a sua derrota. Hoje, com o desenvolvimento capitalista, o sistema imperialista, com alto grau de acumula\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital, as cifras da corrup\u00e7\u00e3o no mundo e no Brasil tamb\u00e9m se tornaram astron\u00f4micas. Alguns poucos grandes monop\u00f3lios, com seu grande poder econ\u00f4mico, organizam uma rede de influ\u00eancia, que \u00e9 \u201ccorrupta\u201d, no Estado e na sociedade, para garantir seus interesses de classe, a busca por altos lucros.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"10\">\n<li>O fato de ser inerente ao capitalismo n\u00e3o significa que n\u00e3o devemos denunciar e exigir a apura\u00e7\u00e3o, a puni\u00e7\u00e3o para os corruptos e corruptores. No caso, tanto do esquema de corrup\u00e7\u00e3o do PT e aliados, como do PSDB e outros partidos. Mas a den\u00fancia deve identificar o \u201crespons\u00e1vel\u201d principal: a burguesia enquanto classe. Devemos tamb\u00e9m denunciar as campanhas ideol\u00f3gicas, demag\u00f3gicas, dos aparelhos de Estado da burguesia, da ideologia dominante, que colocam a corrup\u00e7\u00e3o como a \u201cpauta\u201d nacional principal a ser resolvida, do interesse de \u201ctodos\u201d, naturalizando a verdadeira \u201cpauta\u201d nacional e popular: a violenta explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"11\">\n<li>Not\u00edcias que escancaram a natureza de classe do capitalismo s\u00e3o abafadas, tem pequenos registros nos meios de comunica\u00e7\u00e3o da burguesia: <i>\u201c<\/i><span style=\"color: #000000;\"><i>A crise de desigualdade no mundo \u2018saiu do controle\u2019, diz a ONG Oxfam em relat\u00f3rio lan\u00e7ado hoje [16 de janeiro de 2016]. O intervalo entre ricos e pobres no mundo alcan\u00e7ou novos extremos. Em 2015, <\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\"><i><b>a riqueza de<\/b><\/i><\/span><i> <\/i><span style=\"color: #000000;\"><i><b>62 indiv\u00edduos equivalia \u00e0 de 3,6 bilh\u00f5es de pessoas<\/b><\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>, a metade da popula\u00e7\u00e3o global. Em 2010, eram 388 pessoas com a mesma riqueza de metade da popula\u00e7\u00e3o mundial, e em 2014 eram 80 os milion\u00e1rios. A riqueza dos 62 mais ricos do mundo cresceu 44% em cinco anos, desde 2010. Trata-se de um crescimento de mais de US$ 542 bilh\u00f5es. &#8230;. \u2018Ocorreu uma acelera\u00e7\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o de riqueza\u2019, diz Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam do Brasil, comentando a tend\u00eancia de aumento da desigualdade no mundo.\u201d <\/i><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"12\">\n<li>Fechar os olhos para esse processo h\u00e1 muito denunciado por Marx e que hoje atinge contornos dram\u00e1ticos e de barb\u00e1rie &#8211; e que certamente n\u00e3o \u00e9 contrarrestado por \u201cpol\u00edticas p\u00fablicas\u201d maiores ou menores do Banco Mundial &#8211; e colocar a corrup\u00e7\u00e3o no centro das quest\u00f5es nacionais \u00e9 de interesse das classes dominantes. Estas ficam com o campo cada vez mais livre para fazer prevalecer a sua pol\u00edtica de enfrentar a crise com a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, ampliando a mis\u00e9ria e a pobreza no Brasil.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"13\">\n<li>Consideramos verdadeiros \u201cgolpes\u201d contra o povo as medidas anti-crise do governo federal como o ajuste fiscal que implica em corte nos investimentos p\u00fablicos das \u00e1reas sociais &#8211; sa\u00fade, saneamento, educa\u00e7\u00e3o, transporte, moradia, etc; a restri\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas; as propostas de reformas na previd\u00eancia; a amplia\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00f5es, nomeadas como parcerias p\u00fablico-privadas e concess\u00f5es, e o avan\u00e7o no entreguismo em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00e9-sal. Essas medidas tamb\u00e9m s\u00e3o aplicadas pelos governos estaduais e municipais.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"14\">\n<li>Existe no mundo e no Brasil o avan\u00e7o do processo de fascistiza\u00e7\u00e3o, de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos populares combativos e revolucion\u00e1rios, com o objetivo de tentar impedir o crescimento da resist\u00eancia \u00e0s pol\u00edticas anti-crise do capitalismo\/imperialismo. Pol\u00edticas que t\u00eam agravado o desemprego, o arrocho salarial, a pobreza e a barb\u00e1rie.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"15\">\n<li>No Brasil, as repercuss\u00f5es da crise econ\u00f4mica do capitalismo mundial tornaram-se mais agudas no \u00faltimo per\u00edodo, principalmente a partir de 2015 e, nesse cen\u00e1rio, a tend\u00eancia \u00e9 aumentarem as lutas de resist\u00eancia do povo. E, como contrapartida das classes dominantes, o crescimento da repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e popular.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"16\">\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o ao processo de fascistiza\u00e7\u00e3o no Brasil, n\u00e3o podemos deixar de denunciar as a\u00e7\u00f5es do Estado brasileiro e seu aparato policial e jur\u00eddico. Como exemplo, a lei antiterrorismo do governo federal aprovada pelo Congresso Nacional; os ataques e massacres aos povos ind\u00edgenas; a ocupa\u00e7\u00e3o pelas for\u00e7as armadas e pol\u00edcias militares estaduais de favelas; a repress\u00e3o \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es e greves de professores, de estudantes, de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, de oper\u00e1rios; a pris\u00e3o e os processos jur\u00eddicos contra manifestantes no Rio de Janeiro durante a Copa do Mundo de Futebol em 2014.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"17\">\n<li>Por que caberia \u00e0s for\u00e7as populares e revolucion\u00e1rias tomar partido numa disputa entre representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que objetivamente defendem interesses de fra\u00e7\u00f5es das classes dominantes? Porque uma delas, o PT, se apresenta com o r\u00f3tulo de \u201cesquerda\u201d, porque os meios de comunica\u00e7\u00e3o, com seus interesses espec\u00edficos, assim a denomina?<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"18\">\n<li>Entrar nesse jogo \u2013 colocar como quest\u00e3o central da atual conjuntura a mobiliza\u00e7\u00e3o contra o \u201cgolpe de Estado\u201d, a defesa da \u201clegalidade burguesa\u201d, a resposta a cada quest\u00e3o imediata da disputa pol\u00edtica entre os setores que optaram pelo gerenciamento do capitalismo, \u00e9 tirar o foco dos interesses das massas, da luta de classes. \u00c9 tirar o foco da defesa dos interesses populares dentro da necess\u00e1ria vis\u00e3o estrat\u00e9gica, de acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, em uma perspectiva de longo prazo, de construir uma alternativa popular e revolucion\u00e1ria. De construir as condi\u00e7\u00f5es subjetivas para fazer a revolu\u00e7\u00e3o, derrotar o capitalismo, colocar outro bloco de classes no poder &#8211; o proletariado e seus aliados &#8211; na perspectiva de construir o socialismo. Entrar nesse jogo \u00e9 tamb\u00e9m se desgastar politicamente no mar de lama de corrup\u00e7\u00e3o em que o PT se envolveu, ao incorporar pr\u00e1ticas dos partidos burgueses tradicionais. E a escolha do \u201cmenos pior\u201d em geral acaba abrindo espa\u00e7o para a escolha entre o mais ou menos corrupto&#8230;<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"19\">\n<li>Nessa conjuntura \u00e9 necess\u00e1rio dar continuidade ao trabalho de mobilizar e organizar as massas para resistir \u00e0s investidas do capital, na luta concreta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho, lutas que est\u00e3o colocadas e est\u00e3o em curso. E nesse processo, pela sua pr\u00e1tica e experi\u00eancia, as massas desenvolverem a consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias para conquistar os seus objetivos estrat\u00e9gicos. Concentrar-se em construir e pavimentar o caminho pr\u00f3prio das lutas populares \u00e9 a forma pol\u00edtica de disputar as massas para a alternativa que lhe diz respeito, que lhe fortalece, que liberta e emancipa os explorados e oprimidos. E \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o consequente de enfrentar as posi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas das classes dominantes, a\u00ed inclu\u00eddas as correntes com vi\u00e9s fascista, de extrema-direita e anticomunistas.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"20\">\n<li>A den\u00fancia de viola\u00e7\u00f5es da legalidade democr\u00e1tica, na atual crise pol\u00edtica e em outros casos, deve ser feita e tem sentido integrada \u00e0 luta pela garantia das liberdades democr\u00e1ticas conquistadas, que possibilitem melhores condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para atua\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e demais classes dominadas. Nesse processo, h\u00e1 que denunciar o car\u00e1ter de classe da democracia burguesa que, essencialmente, garante ao proletariado o \u201cdireito\u201d de ser explorado. Os setores mais oprimidos da popula\u00e7\u00e3o historicamente sentem na pr\u00f3pria pele que n\u00e3o existe uma democracia no geral, sem car\u00e1ter de classe, como tamb\u00e9m n\u00e3o existe uma justi\u00e7a neutra. O Estado de direito na sociedade capitalista, em sua ess\u00eancia, existe para a garantia da domina\u00e7\u00e3o burguesa.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"21\">\n<li>Setores governistas denunciaram com veem\u00eancia a condu\u00e7\u00e3o coercitiva de Lula e a invas\u00e3o do Instituto Lula e outras atitudes de ju\u00edzes e da pol\u00edcia que ganham enorme repercuss\u00e3o midi\u00e1tica. Mas tal veem\u00eancia n\u00e3o \u00e9 notada quando se trata da viol\u00eancia que a explora\u00e7\u00e3o e a barb\u00e1rie capitalista imp\u00f5em cotidianamente ao proletariado e setores oprimidos. Essa viol\u00eancia tem sido naturalizada. Invas\u00f5es de casas nos bairros populares, com tortura e desaparecimento de moradores de favelas, como Amarildo na Rocinha, autos de resist\u00eancia para camuflar execu\u00e7\u00f5es de jovens pobres e negros, s\u00e3o fatos que ocorrem no dia a dia e na maioria das vezes nem \u00e9 noticiado.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"22\">\n<li>H\u00e1, portanto, outro caminho a ser trilhado \u2013 o que vem sendo pavimentado pelas lutas populares. Lutas dos trabalhadores da cidade e do campo, do proletariado nas greves contra arrocho salarial e o desemprego, de estudantes, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, professores, contra as remo\u00e7\u00f5es, por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho, pelo passe-livre, em defesa da demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas, contra os gastos exorbitantes em mega eventos, contra a criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas populares e a viol\u00eancia policial, entre outras.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"23\">\n<li>A crise pol\u00edtica agrava a crise econ\u00f4mica, acelera o processo de regress\u00e3o social, de deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida da massa, paralisa o governo federal. Em meio \u00e0 crescente insatisfa\u00e7\u00e3o social, crescem tamb\u00e9m as posi\u00e7\u00f5es de extrema-direita e anticomunistas. Mas h\u00e1 outro aspecto a ser destacado, como afirmamos na Resolu\u00e7\u00e3o da II Confer\u00eancia Nacional da Organiza\u00e7\u00e3o Comunista Arma da Cr\u00edtica (OCAC) &#8211; \u201cSobre o partido leninista\u201d, de dezembro de 2015:<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"24\">\n<li>\u201c[&#8230;] criam-se melhores perspectivas para o trabalho pol\u00edtico comunista, revolucion\u00e1rio, na medida em que a crise do capitalismo mundial e brasileiro exp\u00f5e mais abertamente as caracter\u00edsticas inerentes ao capitalismo, aprofundando a explora\u00e7\u00e3o e a barb\u00e1rie. Abrem-se melhores condi\u00e7\u00f5es para esclarecer as massas sobre os interesses de classe, antag\u00f4nicos, em jogo, a partir de suas experi\u00eancias e lutas. Esse trabalho exige dedica\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia, perseveran\u00e7a, combatividade e disciplina, e tem o objetivo de acumular for\u00e7as, se enraizar na massa e construir a linha pol\u00edtica justa, em sintonia com a teoria cient\u00edfica do proletariado, os princ\u00edpios revolucion\u00e1rios do marxismo-leninismo.\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"25\">\n<li>Para construir a alternativa popular e socialista enquanto estrat\u00e9gia, os comunistas e revolucion\u00e1rios brasileiros t\u00eam um desafio: \u201cNa concep\u00e7\u00e3o leninista, e este \u00e9 o ponto que ressaltamos, a constru\u00e7\u00e3o do Partido \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel ao aumento do n\u00edvel de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das massas populares com o objetivo de construir as condi\u00e7\u00f5es subjetivas para a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o, conquistar o poder, na perspectiva da constru\u00e7\u00e3o do socialismo rumo ao comunismo, acabando com as sociedades divididas em classes.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"26\">\n<li>Nesse sentido, a tarefa principal dos comunistas na conjuntura brasileira \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o do Partido, do partido leninista, integrado ao processo de unifica\u00e7\u00e3o dos comunistas, do fortalecimento da OCAC e das for\u00e7as pol\u00edticas que podem se somar e avan\u00e7ar para uma posi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, prolet\u00e1ria. Essa tarefa n\u00e3o se constr\u00f3i num piscar de olhos, apesar da urg\u00eancia de concretiz\u00e1-la. D\u00e1-se no fogo da luta de classes. Estamos atrasados, mas cabe aos comunistas irem \u00e0 luta. Essa \u00e9 uma tarefa que se os comunistas n\u00e3o se debru\u00e7arem, n\u00e3o realizarem dentro de uma perspectiva revolucion\u00e1ria, nenhum outro setor, por mais combativo que seja, realizar\u00e1.\u201d (Resolu\u00e7\u00e3o da II Conf. Nacional da OCAC).\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<p>Dire\u00e7\u00e3o Nacional da Organiza\u00e7\u00e3o Comunista Arma da Cr\u00edtica (OCAC)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dire\u00e7\u00e3o Nacional da Organiza\u00e7\u00e3o Comunista Arma da Cr\u00edtica (OCAC) 13 de mar\u00e7o de 2016 Diante dos recentes acontecimentos que aprofundaram a crise pol\u00edtica \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10670\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-10670","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2M6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10670","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10670"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10670\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}