{"id":1068,"date":"2010-12-17T13:59:26","date_gmt":"2010-12-17T13:59:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1068"},"modified":"2010-12-17T13:59:26","modified_gmt":"2010-12-17T13:59:26","slug":"megaincendio-florestal-revela-ruina-de-vilas-palestinas-destruidas-no-fim-dos-anos-1940","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1068","title":{"rendered":"Megainc\u00eandio florestal revela ru\u00edna de vilas palestinas destru\u00eddas no fim dos anos 1940"},"content":{"rendered":"\n<p>O tr\u00e1gico inc\u00eandio nas florestas que forravam o Monte Carmel, na cidade israelense de Haifa e que resultou na morte de 41 pessoas e na destrui\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f4nio nacional, trouxe \u00e0 tona um tema inc\u00f4modo para a hist\u00f3ria de Israel. No local, nos anos 1940, viviam centenas de fam\u00edlias palestinas, que foram for\u00e7adas a abandonar suas propriedades pelo ex\u00e9rcito israelense. Somente uma pequena comunidade de palestinos permaneceu no local.<\/p>\n<p>O maior inc\u00eandio da hist\u00f3ria de Israel demorou quatro dias para ser extinguido e revelou a falta de preparo e de log\u00edstica para enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o de tamanhas propor\u00e7\u00f5es. Cerca de 20 pa\u00edses enviaram ajuda a\u00e9rea, equipamentos t\u00e9cnicos e pessoal para apagar as chamas, inclusive carros de bombeiro dos territ\u00f3rios palestinos.<\/p>\n<p>Formada principalmente por \u00e1rvores con\u00edferas, como eucaliptos, as florestas foram criadas a partir de1948 pelo FNJ (Fundo Nacional Judaico), uma organiza\u00e7\u00e3o criada em 1901 para criar e desenvolver terras na Palestina para judeus. Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, o FNJ se tornou um instrumento da expans\u00e3o judaica.<\/p>\n<p>A den\u00fancia de que no local havia vilas palestinas \u00e9 corroborada pelo historiador palestino Jonny Mansour, que estuda a trajet\u00f3ria da comunidade palestina de Haifa. Ele vive na parte baixa da cidade e p\u00f4de observar a destrui\u00e7\u00e3o da floresta no Carmel. De acordo com ele, onde hoje h\u00e1 cidades israelenses e parques naturais, havia vilas palestinas. \u201cUm dos lugares que foram queimados foi a vila de Umm-Al-Zinnat, completamente destru\u00edda\u201d, afirmou ao <strong>Opera Mundi<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com um <a href=\"http:\/\/palestinemap.bangpound.org\/?zoom=11&amp;lat=32.73333&amp;lon=35.05&amp;layers=BTFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">mapa disponibilizado pela organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3-palestina BagPoud<\/a>, que mostra a localiza\u00e7\u00e3o de antigas vilas palestinas no terr\u00edt\u00f3ria da Palestina, a regi\u00e3o de Haifa era ocupada por mais de dez cidades palestinas.<\/p>\n<p>Conforme conta o historiador israelense Illan Papp\u00e8 no livro <em>Limpeza \u00c9tnica da Palestina<\/em>, diversos pontos habitados por palestinos foram alvo de uma pol\u00edtica de antirrepatria\u00e7\u00e3o nos anos 1940, logo ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel: \u201ca maior parte das atividades j\u00e1 para o final das opera\u00e7\u00f5es de limpeza \u00e9tnica de 1948 estavam focadas em implementar a pol\u00edtica de antirrepatria\u00e7\u00e3o de Israel em dois n\u00edveis. O primeiro era nacional, introduzidas em agosto de 1948 por uma decis\u00e3o do governo israelense de destruir as vilas tomadas e transform\u00e1-las em novos assentamentos judeus ou em florestas \u2018naturais\u2019. O segundo era diplom\u00e1tico, esfor\u00e7ar-se ao m\u00e1ximo para amenizar a press\u00e3o internacional crescente sobre Israel para permitir o retorno dos refugiados.\u201d<\/p>\n<p>Mansour contou a hist\u00f3ria da vila de Ein Hod (chamada pelos palestinos de Ayn Hawd) antes de maio de 1948, a mais famosa entre as vilas ocultas que emergiram do fogo do Carmel. \u201cEm 1948, o ex\u00e9rcito israelense disse aos moradores que deixassem a vila momentaneamente e que a eles seria permitido retornar. Uma parte da popula\u00e7\u00e3o armou um acampamento em uma caverna pr\u00f3xima \u00e0 vila original. Mas perceberam que n\u00e3o poderiam voltar, pois viam a constru\u00e7\u00e3o de uma cidade judaica. Os palestinos permaneceram pr\u00f3ximo a sua antiga vila e durante o inc\u00eandio, ficaram a pouqu\u00edssimos metros do fogo\u201d. Tanto a cidade judaica quanto a vila palestina foram evacuadas pelas autoridades israelenses durante o inc\u00eandio.<\/p>\n<p><strong>Aspecto europeu<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de encobrir a \u201climpeza\u201d feita em localidades palestinas, as florestas de con\u00edferas que comp\u00f5em os parques nacionais serviram tamb\u00e9m para tentar dar a Israel um aspecto mais europeu. O jornalista Max Blumenthal, em artigo no site <a href=\"http:\/\/electronicintifada.net\/v2\/article11661.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Electronic Intifada<\/a>, explicou como isso foi feito no Monte Carmel.<\/p>\n<p>\u201cO FNJ plantou centenas de milhares de \u00e1rvores sobre vilas palestinas ainda rec\u00e9m-destru\u00eddas como al-Tira, ajudando a estabelecer o Parque Nacional Carmel. Uma \u00e1rea da face sul do Monte Carmel lembrava tanto a paisagem do Alpes Su\u00ed\u00e7os que foi apelidada de \u2018Pequena Sui\u00e7a\u2019. Claro, as \u00e1rvores do FNJ eram pouco adapt\u00e1veis ao ambiente da Palestina. A maioria das amostras que o Fundo planta em um lugar como Jerusal\u00e9m simplesmente n\u00e3o sobrevive, e requer planta\u00e7\u00e3o frequente. Em outros lugares, as folhas das con\u00edferas mataram esp\u00e9cies de plantas nativas e causaram dano ao ecossistema. E, como vimos na queimada do Carmel, as chamas das \u00e1rvores do FNJ se espalharam como um pavio inflam\u00e1vel no calor seco\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Blumenthal, que visitou a cidade de Ein Hod, os pr\u00f3prios habitantes reconhecem que ali viviam palestinos. Ao questionar uma israelense se ela sabia que, onde atualmente h\u00e1 um bar, funcionava uma mesquita, ela responde: &#8220;Mas tudo em Israel \u00e9 assim. Esse pa\u00eds inteiro foi criado em cima de vila \u00e1rabes. Ent\u00e3o \u00e9 melhor deixar de lado isso.&#8221;<\/p>\n<p>Em seu livro de mem\u00f3rias, David Ben-Gurion, o primeiro chefe de governo de Israel, escreveu: &#8220;Quando olho pela minha janela e vejo as \u00e1rvores, elas trazem um significado de beleza e encanto pessoal maior do que os que senti na Su\u00ed\u00e7a e na Escandin\u00e1via. Porque cada uma dessas \u00e1rvores foi plantada por n\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Investiga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o luto pelas mortes provocadas pelo inc\u00eandio no Monte Carmel, agora as aten\u00e7\u00f5es da m\u00eddia e da popula\u00e7\u00e3o se voltam para a investiga\u00e7\u00e3o dos culpados pelo desastre. E n\u00e3o sobram cr\u00edticas para o governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.<\/p>\n<p>A imprensa do pa\u00eds j\u00e1 chama o inc\u00eandio de a \u201cSegunda Guerra do L\u00edbano\u201d. Em 2006, o ex\u00e9rcito de Israel n\u00e3o conseguiu destruir o grupo Hizbollah, alvo das opera\u00e7\u00f5es. O fracasso foi um dos fatores para a queda do ent\u00e3o primeiro-ministro Ehud Olmert.<\/p>\n<p>Muitos israelenses questionaram a habilidade do governo em lidar com desastres ecol\u00f3gicos. O fogo s\u00f3 foi extinguido ap\u00f3s a ajuda de pa\u00edses da Europa, al\u00e9m de Chipre, Egito, Jord\u00e2nia e Turquia, com quem Israel tem tido estremecimento nas rela\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos dois anos. E, por \u00faltimo, carros de bombeiros foram enviados dos territ\u00f3rios ocupados da Palestina.<\/p>\n<p>O chefe da Defesa Civil da cidade de Bel\u00e9m, Ibrahim Ayish, disse \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias palestina<em> Maan<\/em> que 21 homens da Cisjord\u00e2nia e quarto carros de bombeiros totalmente equipados estavam ajudando israelenses e as for\u00e7as internacionais que tentavam controlar o fogo perto de Haifa.<\/p>\n<p>Netanyahu pode sair ileso do fiasco, mas o mesmo n\u00e3o pode ser dito de seu ministro de Interior, Eli Yishai. Em relat\u00f3rio do Controlador Geral do Estado, Micha Lindenstrauss, liberado na quarta-feira (08\/12), Yishai foi apontado como principal culpado pela \u201cdeteriora\u00e7\u00e3o e falta de preparo das for\u00e7as de combate a fogo de Israel e dos servi\u00e7os de ajuda de emerg\u00eancia\u201d, informou o jornal israelense <em>Haaretz<\/em>.<\/p>\n<p>O despreparo custou 41 vidas e fez 17 mil pessoas serem evacuadas. O preju\u00edzo pode chegar a dois bilh\u00f5es de shekels (cerca de um bilh\u00e3o de reais) entre perdas, reconstru\u00e7\u00f5es de casas, estradas e infraestrutura.<\/p>\n<p>O controlador-geral j\u00e1 apontava em relat\u00f3rio de 2007 que o servi\u00e7o de combate a fogo era o mais fraco entre as for\u00e7as de resgate de Israel. E em relat\u00f3rio no in\u00edcio deste ano, declarou que a situa\u00e7\u00e3o havia se deteriorado.<\/p>\n<p>O <em>Haaretz<\/em> pediu em editorial do dia 6 de dezembro a ren\u00fancia do ministro do Interior. \u201cYishai acusa o Ministro das Finan\u00e7as, Yuval Steinitz, e seus oficiais do Tesouro de ignorar suas requisi\u00e7\u00f5es para aumentar a receita de combate a fogo. Mas ele mesmo n\u00e3o mostrou a mesma persist\u00eancia que teveem suas batalhas contra os filhos de trabalhadores migrantes, ou \u00e0 expans\u00e3o dos assentamentos em Jerusal\u00e9m Oriental\u201d.<\/p>\n<p>O controlador n\u00e3o decidiu ainda se far\u00e1 uma investiga\u00e7\u00e3o detalhada sobre o inc\u00eandio do Carmel. Segundo o di\u00e1rio israelense, ele esperar\u00e1 recomenda\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de Aperfei\u00e7oamento dos Servi\u00e7os do Governo para uma investiga\u00e7\u00e3o nacional dos eventos do inc\u00eandio ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio ao pr\u00f3prio Comit\u00ea.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/reportagens_especiais_ver.php?idConteudo=8158\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Opera Mundi<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: operamundi.com.br\n\n\n\n\n\n\n\n\nOpera Mundi\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1068\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-1068","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-he","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1068"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1068\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}