{"id":10748,"date":"2016-04-08T14:20:35","date_gmt":"2016-04-08T17:20:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10748"},"modified":"2016-05-05T22:40:57","modified_gmt":"2016-05-06T01:40:57","slug":"capitalismo-e-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10748","title":{"rendered":"Capitalismo e \u201csustentabilidade\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/-Ix2a3JiVqsk\/VuNKG-H6DkI\/AAAAAAAALpY\/Br7mIw6dRtYMllH6N65NbG3RDSqxL48hgCCo\/s1497-Ic42\/opp9.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>A partir dos anos 1970, a quest\u00e3o ambiental deixou de ser uma bandeira apenas dos movimentos sociais e se tornou mais complexa, com a entrada em cena de outros sujeitos, em especial os empres\u00e1rios, em articula\u00e7\u00e3o com a Academia (Clube de Roma) e os organismos multilaterais (ONU e as confer\u00eancias ambientais). O percurso do debate inclui o Relat\u00f3rio Meadows elaborado pelo Clube de Roma e intitulado \u201cLimites do crescimento\u201d (1972), o Relat\u00f3rio Brundtland (1987), elaborado pela Comiss\u00e3o Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que estabelece o conceito de \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d e ganha proje\u00e7\u00e3o na RIO-92, al\u00e9m de diversas confer\u00eancias clim\u00e1ticas e ambientais, chegando at\u00e9 a mais recente, a 21\u00aa Confer\u00eancia do Clima (COP 21), realizada em Paris, no m\u00eas de dezembro de 2015. <!--more--><\/p>\n<p>Do itiner\u00e1rio de relat\u00f3rios, confer\u00eancias e compromissos pol\u00edticos, resulta a ideia de que o crescimento econ\u00f4mico atual deva respeitar certos limites para que n\u00e3o comprometa a vida de gera\u00e7\u00f5es futuras. Tais limites s\u00e3o sempre entendidos como externos ao crescimento econ\u00f4mico e incluem desde a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, passando pela destrui\u00e7\u00e3o das matas e a eros\u00e3o gen\u00e9tica, dentre outros. Da\u00ed a aposta no desenvolvimento de \u201ctecnologias limpas\u201d, que seriam capazes de minimizar os impactos ambientais do crescimento.<\/p>\n<p>Uma \u201ceconomia verde\u201d garantiria o uso racional dos recursos naturais atrav\u00e9s da atribui\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os aos bens naturais. As disputas no mercado levariam as empresas a desenvolver tecnologias mais adequadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental, ainda que isso venha a significar um aumento dos pre\u00e7os para o consumidor. A mercantiliza\u00e7\u00e3o da natureza pode ser verificada nas chamadas \u201cbolsas verdes\u201d, onde se vendem, dentre outros, os chamados cr\u00e9ditos de carbono, ou seja, o \u201cdireito\u201d de poluir, desde que respeitados os limites impostos pelo pr\u00f3prio mercado.<\/p>\n<p>Enquanto isso, na vida cotidiana, a vis\u00e3o de que o cuidado do planeta por cada indiv\u00edduo levar\u00e1 a um mundo sustent\u00e1vel \u00e9 reproduzida pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa e por muitas escolas. Juntando-se essa ideia \u00e0 vis\u00e3o de que a humanidade em seu conjunto \u00e9 respons\u00e1vel pelos problemas ambientais, ocorre uma tend\u00eancia a atribuir a \u201cculpa\u201d ora a um ego\u00edsmo, ora a um consumismo excessivo, atribu\u00eddos aos cidad\u00e3os em particular, n\u00e3o ao sistema como um todo.<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es que pretendem estabelecer limites ao crescimento econ\u00f4mico, resultantes do pr\u00f3prio jogo de mercado ou de atitudes individuais, n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o o car\u00e1ter incontrol\u00e1vel do capitalismo. Afinal, como conciliar as limita\u00e7\u00f5es ambientais \u2013 inclusive a diferen\u00e7a de ritmos entre natureza e capital \u2013 sem que haja limites \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do capital? Esta \u00e9 decorrente da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho no processo de transforma\u00e7\u00e3o da natureza em mercadorias e se desdobra na concorr\u00eancia capitalista para verificar qual capital particular ser\u00e1 capaz de realizar aquela explora\u00e7\u00e3o na forma de acumula\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a permanente expans\u00e3o t\u00e9cnica do capital e das rela\u00e7\u00f5es mercantis, ampliando a explora\u00e7\u00e3o, tanto da for\u00e7a de trabalho, quanto da natureza.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser limitada, apenas destru\u00edda. Mantida a l\u00f3gica mercantil, mudan\u00e7as meramente t\u00e9cnicas ou baseadas em mudan\u00e7as de atitudes individuais n\u00e3o t\u00eam a capacidade de atingir o cerne do problema, ou seja, o pr\u00f3prio metabolismo do capital. A elimina\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es capitalistas torna-se uma necessidade hist\u00f3rica na medida em que a expans\u00e3o do capital coloca em risco a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da humanidade, ainda que, por um per\u00edodo, a destrui\u00e7\u00e3o, combinada com a escassez, possa ser elemento para ampliar a lucratividade do capital.<\/p>\n<p>O PODER POPULAR N\u00ba 9: http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10615<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A partir dos anos 1970, a quest\u00e3o ambiental deixou de ser uma bandeira apenas dos movimentos sociais e se tornou mais complexa, com \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10748\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[140],"tags":[],"class_list":["post-10748","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c140-jornal-o-poder-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Nm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10748\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}