{"id":1075,"date":"2010-12-21T19:51:36","date_gmt":"2010-12-21T19:51:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1075"},"modified":"2017-11-29T13:45:59","modified_gmt":"2017-11-29T16:45:59","slug":"a-construcao-do-socialismo-na-bolivia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1075","title":{"rendered":"A constru\u00e7\u00e3o do Socialismo na Bol\u00edvia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/AUTORESMARCOSDOMICH2.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->III Encontro Civiliza\u00e7\u00e3o ou Barb\u00e1rie<\/p>\n<p>Marcos Domich*<\/p>\n<p><em>Homens inteligentes que n\u00e3o cometam erros n\u00e3o h\u00e1 nem pode haver. Inteligente \u00e9 quem comete erros, mas sabe corrigi-los bem e depressa.<\/em><\/p>\n<p><em>Lenine<\/em><\/p>\n<p>Desde o 22 de Janeiro deste ano se colocou em cima da mesa da discuss\u00e3o pol\u00edtica a constru\u00e7\u00e3o do socialismo no nosso pa\u00eds. Os dois mais altos dirigentes do governo e do processo, Evo Morales Ayma e \u00c1lvaro Garc\u00eda Linera, expuseram de forma cristalina essa perspectiva hist\u00f3rica. Al\u00e9m de ratificarem a linha anticapitalista e anti-imperialista, definiram a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo construindo o socialismo que muitas vezes se fez acompanhar do adjectivo comunit\u00e1rio. \u00c1lvaro Garcia encarregou-se de fundamentar teoricamente essa possibilidade, retomando posi\u00e7\u00f5es marxistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, para come\u00e7ar a caminhada nessa perspectiva hist\u00f3rica, h\u00e1 que ter em conta muitas premissas tanto de car\u00e1cter objectivo, como subjectivo. Ao socialismo n\u00e3o se chega unicamente por um acto de vontade. Ao mesmo tempo que \u00e9 certo que esta vontade, que \u00e9 uma vontade espec\u00edfica \u2013 a vontade das massas trabalhadoras, sobretudo \u2013 tem de ser uma vontade adequada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es objectivas.<\/p>\n<p>O desenvolvimento dos processos sociais, econ\u00f3micos e pol\u00edticos na Bol\u00edvia chegou a um ponto crucial. Esse ponto determina-se como o ponto de inflex\u00e3o a partir do qual se abrem dois caminhos completamente distintos no seu significado e destino hist\u00f3rico. Um \u00e9 o caminho da reforma social e o outro da revolu\u00e7\u00e3o social. A via das reformas, sem d\u00favida pode melhorar a vida na sociedade, quando se destina a reparar a vida da gente que mais necessita. Mas as reformas n\u00e3o tocam nas bases do sistema social que est\u00e1 na origem das desigualdades sociais e na pauperiza\u00e7\u00e3o da maioria das pessoas, sobretudo dos pobres e explorados. A revolu\u00e7\u00e3o, por outro lado, destr\u00f3i as bases do regime antigo criando novas rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o e liquidando a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. A revolu\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um modo de transi\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica caduca para outra superior. Todavia a revolu\u00e7\u00e3o, contrariamente a uma vis\u00e3o simplista e apressada, n\u00e3o se constr\u00f3i da noite para o dia.<\/p>\n<p>At\u00e9 chegar \u00e0s metas do que poder\u00edamos denominar uma sociedade basicamente socialista, h\u00e1 um processo relativamente comprido, denominado de transi\u00e7\u00e3o, que vai da velha sociedade caduca e injusta at\u00e9 \u00e0 nova mais justa, equitativa e livre. A ess\u00eancia do per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o \u00e9 a execu\u00e7\u00e3o das tarefas no campo da economia, fortalecendo as formas sociais de propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o e a adequa\u00e7\u00e3o de essa economia a um novo regime pol\u00edtico-jur\u00eddico. \u00c9 um processo cont\u00ednuo, de mudan\u00e7as democr\u00e1ticas e revolucion\u00e1rias que corresponde ao que os cl\u00e1ssicos formularam no conceito de revolu\u00e7\u00e3o permanente ou ininterrupta.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o permanente, como a conceberam Marx e Engels e n\u00e3o em interpreta\u00e7\u00f5es distorcidas, radica, em suas pr\u00f3prias palavras, \u00e9 aquela em que: \u201c\u2026 os nossos interesses e a nossa tarefa consiste em fazer a revolu\u00e7\u00e3o ininterruptamente at\u00e9 que as classes \u2013 mais ou menos \u2013 dominantes sejam afastadas do poder; at\u00e9 que o proletariado conquiste o poder estatal.\u201d Esta formula\u00e7\u00e3o atesta o dito: n\u00e3o \u00e9 um processo r\u00e1pido e a sua dura\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de prever. O que fica claro, aqui, \u00e9 que se necessitar\u00e1 de um longo processo de educa\u00e7\u00e3o das massas para manter o seu esp\u00edrito revolucion\u00e1rio e o fortalecimento e alargamento do sector da propriedade social dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Em suma, manter o vigor da disposi\u00e7\u00e3o de construir a nova ordem, vencendo o capitalismo na produ\u00e7\u00e3o dos bens materiais e na forja de uma mente que supere os desequil\u00edbrios do individualismo capitalista.<\/p>\n<p>A primeira ruptura na etapa de transi\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico do Estado, das m\u00e3os opressoras de antes, para as m\u00e3os emancipadoras do presente. Esta \u00e9 a fase pol\u00edtica da revolu\u00e7\u00e3o. A fase social propriamente dita, consiste na mudan\u00e7a do sistema de propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o e, sobre esta base, o estabelecimento de novas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. Dito em outros termos, significa suprimir as causas da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.<\/p>\n<p>A causa principal da explora\u00e7\u00e3o do homem \u00e9 que os meios de produ\u00e7\u00e3o (terra, instrumentos, m\u00e1quinas, instala\u00e7\u00f5es, etc.) est\u00e3o nas m\u00e3os dos outros homens. Enquanto uns os possuem outros n\u00e3o t\u00eam sen\u00e3o a sua for\u00e7a de trabalho (manual ou intelectual). N\u00e3o \u00e9 pura ret\u00f3rica o dito no Manifesto Comunista: os expropriados, os trabalhadores, n\u00e3o t\u00eam outra coisa a perder que n\u00e3o as suas correntes.<\/p>\n<p>O poder econ\u00f3mico gera poder pol\u00edtico e \u00e9 a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o que outorga esse poder que, em princ\u00edpio, pressup\u00f5e o poder de explorar o trabalho alheio. Implica tamb\u00e9m muitos outros efeitos; sobre esse poder econ\u00f3mico surge toda uma estrutura que, passando pelo poder pol\u00edtico, a forma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, a textura moral social e individual, chega ao ideol\u00f3gico, ao psicol\u00f3gico, \u00e0 esfera total da consci\u00eancia social.<\/p>\n<p>Em resumo, pode dizer-se que a rela\u00e7\u00e3o de propriedade com os meios de produ\u00e7\u00e3o imprime o seu selo at\u00e9 naquele espa\u00e7o t\u00e3o sublimado como o dos sentimentos e afectos e naquele que se conhece como a simb\u00f3lica social; engendra toda uma afectividade de propriet\u00e1rio ou proprietarista. Na sociedade humana e sobretudo na dividida em classes, este afecto engendra a paix\u00e3o que explica desde a ambi\u00e7\u00e3o pela pequena posse de alguma propriedade at\u00e9 \u00e0 busca de uma grande fortuna. Atribui-se ao sacerdote guerrilheiro colombiano Camilo Torres uma afirma\u00e7\u00e3o que explica a for\u00e7a deste afecto: \u201co rico, entre perder a vida ou a carteira, prefere perder a vida\u201d.<\/p>\n<p>Em redor do assunto da propriedade est\u00e1 o cerne das discuss\u00f5es e da confronta\u00e7\u00e3o na sociedade boliviana nestes dias. As classes e diversos sectores sociais e as nacionalidades e etnias, com uma ou outra simbologia, movem-se em torno da propriedade em geral, mas em particular em torno da propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Na sociedade capitalista, inclusive em \u00e2mbitos em que se pode imaginar que n\u00e3o h\u00e1 preconceitos ou temores sobre o seu destino, n\u00e3o deixam de se manifestar receios e d\u00favidas. Vivem dependentes de que n\u00e3o os despojem. \u00c9 que at\u00e9 nos espa\u00e7os de menor preconceito se desconhece que, no mais radical dos processos revolucion\u00e1rios, houve (e h\u00e1) uma diferen\u00e7a entre a propriedade pessoal \u2013 ferramentas de trabalho pessoais; a casa e o carro (se o t\u00eam) e at\u00e9 a terra familiar ou particular \u2013 e a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, no sentido estritamente capitalista do termo.<\/p>\n<p>Os receios dos menos preconceituosos, nos pouco informados politicamente, convertem-se em atormentadas predisposi\u00e7\u00f5es e certezas de amea\u00e7as. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o se encarregam de agigant\u00e1-los e gerar ondas de rumores que acabam por criar, pelo menos, uma oposi\u00e7\u00e3o passiva contra o governo.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos examinar em detalhe os elementos que manobra e com os quais agita, a oposi\u00e7\u00e3o das direitas, em \u201cdefesa da propriedade\u201d. S\u00f3 referimos alguns dos seus slogans: \u201cV\u00e3o tirar as casas!\u201d, \u201cVai tudo passar para o Estado!\u201d, \u201cN\u00e3o haver\u00e1 mais empresas privadas\u201d, \u201cN\u00e3o haver\u00e1 mais escolas nem universidades privadas!\u201d, \u201dV\u00e3o encerrar os consult\u00f3rios privados!\u201d\u2026 \u201ce as farm\u00e1cias\u201d \u2026 \u201co Estado \u00e9 um mau administrador\u201d, \u201ca burocracia engole tudo\u201d, \u201ccresce a corrup\u00e7\u00e3o\u201d, e assim at\u00e9 ao infinito.<\/p>\n<p>Com formas completamente distintas, a extrema-esquerda radical tem os seus pr\u00f3prios slogans que, no fundo, levam a \u00e1gua ao mesmo moinho desestabilizador e refor\u00e7am os temores dos incautos que acreditam que de facto esses slogans podem concretizar-se. Os incautos, muitos e variados, n\u00e3o diferenciam o car\u00e1cter deste governo e a realidade da extrema-esquerda. Esta lan\u00e7a aprecia\u00e7\u00f5es e consignas da seguinte natureza: \u201ceste \u00e9 um governo neoliberal\u201d, \u201ca nacionaliza\u00e7\u00e3o realizada \u00e9 uma farsa\u201d, \u201cdeve confiscar-se todos os bens aos ricos\u201d, e assim por diante.<\/p>\n<p>As disputas com as direitas e com as fac\u00e7\u00f5es esquerdistas e a infinita batalha com os meios dominados pelo conservadorismo e as transnacionais da comunica\u00e7\u00e3o, se bem que t\u00eam import\u00e2ncia, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o relevantes como as diferen\u00e7as no seio do pr\u00f3prio governo e nos sectores sociais que se reclamam partid\u00e1rios da mudan\u00e7a. H\u00e1 uma compreens\u00e3o muito diversa sobre o assunto da ess\u00eancia e do alcance do tema da propriedade privada, sobretudo da dos meios de produ\u00e7\u00e3o. \u00d3bvio que esta falta de clareza cria confus\u00e3o e impede uma concretiza\u00e7\u00e3o fluida das ac\u00e7\u00f5es governamentais.<\/p>\n<p>No governo, e isto estende-se ao partido governante, existem tr\u00eas correntes bastante distintas entre si; alguns analistas contabilizam at\u00e9 sete. N\u00e3o entraremos em detalhe acerca da corrente que consideramos revolucion\u00e1ria e de op\u00e7\u00e3o nitidamente socialista. Esta corrente, geralmente, de inspira\u00e7\u00e3o marxista e marxista-leninista n\u00e3o \u00e9 homog\u00e9nea e n\u00e3o \u00e9 a mais numerosa.<\/p>\n<p>Outra corrente \u00e9 a que podemos associar a uma concep\u00e7\u00e3o social-democrata e que manobra, precisamente, v\u00e1rias alavancas da economia e das finan\u00e7as do pa\u00eds. Os seus partid\u00e1rios s\u00e3o muito cautelosos no que respeita \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es verdadeiramente importantes na base econ\u00f3mica. Tem-se a impress\u00e3o que alguns deles prefeririam que as coisas, nesta mat\u00e9ria t\u00e3o espinhosa, ficassem como est\u00e3o. T\u00eam um p\u00e2nico em transtornar a economia ao tentar transforma\u00e7\u00f5es estruturais. Sua ac\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica baseia-se na protec\u00e7\u00e3o das suas reservas internacionais, nas exporta\u00e7\u00f5es, antes de mais de mat\u00e9rias-primas; na poupan\u00e7a de despesa na administra\u00e7\u00e3o estatal. Os pre\u00e7os altos das mat\u00e9rias-primas e a cota\u00e7\u00e3o est\u00e1vel da moeda norte-americana, serviu-lhes de confirma\u00e7\u00e3o do acerto da sua gest\u00e3o econ\u00f3mica. Igualmente podem gabar-se do not\u00e1vel aumento das reservas internacionais, de um crescimento positivo do PIB (com uma m\u00e9dia de 5% durante os \u00faltimos 5 anos), do aumento da riqueza nacional, a diminui\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de pobreza, particularmente rural; da estabilidade relativa dos pre\u00e7os ao consumidor.<\/p>\n<p>A corrente mais caudalosa \u2013 que pode ser identificada e englobada, na generalidade, no indigenismo, sendo mais extensa e variada que a anterior \u2013 defende a expans\u00e3o da propriedade, de toda a propriedade, incluindo a dos meios de produ\u00e7\u00e3o, sempre e quando levem um selo ind\u00edgena. Em alguns casos, este prop\u00f3sito manifestou-se na reivindica\u00e7\u00e3o imperativa de determinadas \u00e1reas de trabalho e de onde se cruzou com a presen\u00e7a de trabalhadores de outro sector social. Concretamente, algumas comunidades camponesas tentaram deslocar trabalhadores mineiros, em particular cooperativistas, de algumas minas. Fazem-no sobre o princ\u00edpio de \u201cterra-territ\u00f3rio\u201d ou propriedade ancestral que compreende n\u00e3o s\u00f3 a superf\u00edcie mas sim toda a riqueza que se pode encontrar no subsolo. Apoiam-se tamb\u00e9m numa interpreta\u00e7\u00e3o ampla da nova Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Estado. Esta estabelece a obrigatoriedade da consulta para a explora\u00e7\u00e3o de recursos que se encontrem em \u00e1reas que pertencem a povos origin\u00e1rios (art. 316 inc. 1). Por\u00e9m, neste caso, os trabalhos realizavam-se em conformidade com as antigas concess\u00f5es entregues, habitualmente, a mineiros origin\u00e1rios, com base nas disposi\u00e7\u00f5es actuais. Por \u00faltimo, n\u00e3o t\u00eam faltado, nos sectores do indigenismo radical que, felizmente, est\u00e3o fora do governo, posturas mais intransigentes como o direito, por exemplo, a negociar directamente a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais com empresas estrangeiras.<\/p>\n<p>Esta pol\u00edtica indigenista vem envolta com um conjunto de conceitos que, no melhor dos casos, n\u00e3o est\u00e3o contra a perspectiva de um desenvolvimento em transi\u00e7\u00e3o para um sistema socialista, mas \u00e9 evidente tamb\u00e9m que n\u00e3o o tomam em conta como uma possibilidade certa. Mais exacto seria dizer: iludem-no. Substituem-no por uma vis\u00e3o id\u00edlica do trabalho, por agora impratic\u00e1vel. Transformam o desej\u00e1vel em utopia.<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o indigenista tem alguns pilares sobre os quais assenta e, em geral, est\u00e3o divididos por todos os grupos que se reclamam origin\u00e1rios puros. N\u00e3o \u00e9 objectivo desta apresenta\u00e7\u00e3o analisar algo que \u00e9 dif\u00edcil resumir neste espa\u00e7o. Haver\u00e1 tempo para cerrar o dente neste problem\u00e1tico assunto. Mais assinalamos o que mais se adormece e \u00e9 precisamente o mais necess\u00e1rio: a converg\u00eancia e a unidade de todas as for\u00e7as populares e de trabalhadores, na tarefa de afian\u00e7ar e avan\u00e7ar o processo de mudan\u00e7a. A pedra angular das suas posi\u00e7\u00f5es \u00e9 de nega\u00e7\u00e3o de todo o te\u00f3rico ou instrumental-org\u00e2nico que, de alguma forma, provenha da Europa ou, de forma mais lata, do \u201cocidente\u201d. Subtilmente assentaram-se ideias que n\u00e3o nasceram da cria\u00e7\u00e3o te\u00f3rica pr\u00f3pria. Na realidade s\u00e3o ideias importadas ou introduzidas sobretudo por ONG\u2019s.<\/p>\n<p>Entre elas est\u00e3o, por exemplo, o apartidarismo que se converteu em antipartidarismo generalizado e sem o menor objectivo de distinguir entre si quaisquer partidos pol\u00edticos. A palavra de ordem nunca foi sempre lutar contra a \u201cpartidocracia\u201d, colocando no mesmo saco todos os partidos. Desde essa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 negam a necessidade de partidos, sejam de esquerda, mas at\u00e9 dos sindicatos. Estes \u00faltimos, at\u00e9 contra a tradi\u00e7\u00e3o de mais de meio s\u00e9culo de organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores agr\u00edcolas em sindicatos agr\u00edcolas, filiados na Central Obrera Boliviana. Alegam que tanto os partidos como os sindicatos s\u00e3o de \u201corigem europeia\u201d. \u00c9 a primeira evid\u00eancia do esquecimento ou da recusa do enfoque classista, pois, os partidos pol\u00edticos representam, quase invariavelmente, os interesses das classes sociais e os sindicatos igualmente, mas de maneira mais espec\u00edfica, promovem os interesses concretos dos assalariados.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a exaltar-se, em substitui\u00e7\u00e3o dos partidos e dos sindicatos, as organiza\u00e7\u00f5es sociais, categoria, obviamente, muito ampla. Nunca se negou a necessidade de trabalhar com elas. Assim se convergem na luta, mas \u00e9 necess\u00e1rio dot\u00e1-las de uma organicidade m\u00ednima e sobretudo manter a tens\u00e3o sobre a base de um programa com maior alcance hist\u00f3rico. Estamos de acordo com a necessidade de levar a fundo a origem destas correntes: \u201cCom o falso pressuposto e o argumento enganoso de que os relatos p\u00f3s-modernos e as metaf\u00edsicas acad\u00e9micas p\u00f3s-estruturalistas nascem\u2026 do solo ind\u00edgena (?) e brotam\u2026 das culturas origin\u00e1rias (?) uma vez mais, como j\u00e1 ocorrera (antes) (\u2026) se terminava adoptando como pr\u00f3prio um discurso te\u00f3rico forjado exclusivamente a partir de uma experi\u00eancia pol\u00edtica distante, alheia: a de aquela gera\u00e7\u00e3o europeia derrotada em 1968, desiludida durante toda a d\u00e9cada de 70 e finalmente incorporada no sistema durante os anos 80\u201d.<\/p>\n<p>Vale a pena recordar algumas categorias na sua escala de prioridades. Para o indigenismo fortemente caracterizado como tal, a natureza e sobretudo a pachamama (m\u00e3e-terra) \u00e9 mais importante que o homem. Este, ao fim e ao cabo, \u00e9 um filho, mais um produto da terra. Concep\u00e7\u00e3o distinta aquela que defendemos: \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o social, a vida em sociedade, o trabalho, o que cria o homem social. Isto \u00e9 o que o diferencia dos animais, inclusive daqueles que se encontrem no mais elevado n\u00edvel da escala zool\u00f3gica, a que pertencemos.<\/p>\n<p>Num importante encontro (Cimeira sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica em Cochabamba, em Maio passado) \u2013 que teve muitos aspectos positivos e mobilizadores em defesa do meio ambiente e na condena\u00e7\u00e3o do capitalismo e a sua responsabilidade na mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u2013 o representante boliviano chegou a defender que os origin\u00e1rios \u201cv\u00e3o mais al\u00e9m do capitalismo e do socialismo, j\u00e1 que estes eram igualmente predadores\u201d. N\u00e3o demonstrou um s\u00f3 dado que avalize esta compara\u00e7\u00e3o do socialismo ao capitalismo, mas a frase foi lan\u00e7ada e ali ficou como expoente de uma posi\u00e7\u00e3o com pretens\u00f5es de colocar-se acima do socialismo, particularmente do socialismo marxista.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil sintetizar o conjunto de conceitos que desferem os te\u00f3ricos da indigenidade que sem diz\u00ea-lo directamente, pretendem que a sua concep\u00e7\u00e3o de vida, do mundo e do homem, supera o que define o socialismo e muito particularmente o socialismo cient\u00edfico. Elegemos a apresenta\u00e7\u00e3o aqui de um livro que refere a concep\u00e7\u00e3o de suma qama\u00f1a, como um resumo que nos d\u00e1 uma ideia do emaranhado discursivo da \u201ccosmovis\u00e3o andina\u201d: \u201cA Rep\u00fablica da Bol\u00edvia n\u00e3o conseguiu constituir-se em Estado-na\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o-tempo da modernidade. E eis que a modernidade cessou e com ela a forma Estado-na\u00e7\u00e3o, o modo industrial de produzir, a vis\u00e3o mecanicista, atomista e redutora de interagir com a realidade. O pr\u00f3prio conceito de realidade se relativizou e tornou-se probabil\u00edstico e qu\u00e2ntico. Portanto os mitos de Desenvolvimento e do Progresso tamb\u00e9m chegaram ao seu fim. Nesta transi\u00e7\u00e3o de \u00e9poca, n\u00e3o obstante, coexistem revoltas, as in\u00e9rcias fantasmag\u00f3ricas do passado e as virtudes, n\u00e3o reconhecidas como tais, do mundo que amanhece\u201d E conclui: \u201c\u00c9 de vida ou morte que os bolivianos, na Assembleia Constituinte deram um passo adiante como vanguarda pol\u00edtica da humanidade, dando-nos uma constitui\u00e7\u00e3o que seja capaz de traduzir politicamente o novo paradigma cient\u00edfico t\u00e9cnico e a cosmovis\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e origin\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p>Um dos tra\u00e7os centrais desta concep\u00e7\u00e3o \u00e9 opor-se aos conceitos, definidos como exclusivamente ocidentais, de desenvolvimento e industrializa\u00e7\u00e3o. Em algum outro momento Medina define que o modelo b\u00edblico do \u00c9den e da vis\u00e3o aristot\u00e9lica da \u201cBoa vida na cidade\u201d separam, ambos, o homem e a natureza e conclui quase de modo polpotiano: \u201cN\u00e3o \u00e9 a Cidade, mas a Chacra; n\u00e3o \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o mas a simbiose com a natureza, o espa\u00e7o-tempo da qualidade de vida\u201d.<\/p>\n<p>Como um resultado directo desta concep\u00e7\u00e3o, que pretende negar a ci\u00eancia \u2013 e no fundo n\u00e3o est\u00e1 ganha para as perspectivas revolucion\u00e1rias do processo de mudan\u00e7a \u2013 observa-se, na actual conjuntura, um risco de paralisa\u00e7\u00e3o da actividade revolucion\u00e1ria das organiza\u00e7\u00f5es sociais, de regresso \u00e0s posi\u00e7\u00f5es dos objectivos concretos, limitados, sectoriais, e do abandono de algo que caracterizou a resist\u00eancia ao neoliberalismo: a defesa comprometida e priorit\u00e1ria dos interesses \u00e0 escala nacional. \u00c9 sem d\u00favida um processo de fetichiza\u00e7\u00e3o (ainda n\u00e3o insuper\u00e1vel), por tr\u00e1s do simbolismo andino, de linguagem, de ritos. A situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que se concretizou em Outubro de 2003 \u00e9 impens\u00e1vel sem a participa\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es sociais. \u00c9 necess\u00e1rio, pois, voltar a activar a efervesc\u00eancia revolucion\u00e1ria de tempos n\u00e3o muito distantes.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o polemizar agora nem com a social-democracia nem com o indigenismo, mas sublinhar como estas correntes podem desviar a aten\u00e7\u00e3o dos temas vitais, dos objectivos centrais do processo para este materialize as transforma\u00e7\u00f5es que permitir\u00e3o desabrochar o caminho at\u00e9 uma sociedade superior.<\/p>\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel determinar, al\u00e9m do ponto de inflex\u00e3o, em que n\u00edvel de avan\u00e7o do processo de transforma\u00e7\u00e3o nos encontramos. Aprovou-se uma nova Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Estado Plurinacional; conquistou-se uma s\u00f3lida maioria parlamentar pela transforma\u00e7\u00e3o; conquistou-se 6 em 9 governa\u00e7\u00f5es; de ter uma presen\u00e7a maiorit\u00e1ria na maioria das assembleias departamentais; de dominar mais de 220 das 312 autarquias que existem no Pa\u00eds; de encaminhar-se uma renova\u00e7\u00e3o ambiciosa do \u00f3rg\u00e3o judicial e, o mais significativo, de ter derrotado politica e operativamente os intentos desestabilizadores e separatistas.<\/p>\n<p>Este n\u00edvel e simultaneamente ponto de inflex\u00e3o, desde a nossa vis\u00e3o, assinala que praticamente se completou com \u00eaxito a fase pol\u00edtica da revolu\u00e7\u00e3o. O sintoma principal de essa mudan\u00e7a \u00e9 que as velhas classes dominantes e exploradoras foram retiradas das principais estruturas de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas esta afirma\u00e7\u00e3o tem de ser relativizada. N\u00e3o \u00e9 o mesmo ocupar alguns centros altos da estrutura pol\u00edtica e depur\u00e1-la de toda a heran\u00e7a da hermen\u00eautica funcion\u00e1ria, dos h\u00e1bitos e costumes da burocracia sobre tudo, e at\u00e9 da sua composi\u00e7\u00e3o de pessoal. O velho persiste muito tempo na sociedade e o processo de decanta\u00e7\u00e3o dura muito tempo e requer um trabalho como o de um mecanismo de relojoaria. Muita de esta gente \u00e9 necess\u00e1ria para o processo de constru\u00e7\u00e3o da nova ordem e a partir de certa \u00e9tica e de certa disposi\u00e7\u00e3o meramente patri\u00f3tica convertem-se em necess\u00e1rios, ainda que nunca em imprescind\u00edveis.<\/p>\n<p>Tampouco entraremos na an\u00e1lise de outros aspectos do funcionamento da sociedade no processo de mudan\u00e7a. Em particular daqueles que se referem ao elemento humano, a sua psicologia e orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, aos seus h\u00e1bitos, \u00e0 sua conduta quotidiana. Nem ao papel nefasto que joga o elemento adicionado \u00e0 \u00faltima hora e este processo de mudan\u00e7a; aqueles que saltaram cinicamente para o carro da vit\u00f3ria eleitoral. Nem t\u00e3o-pouco \u00e0 ampla capa n\u00e3o s\u00f3 de oportunistas pol\u00edticos, de aqueles, at\u00e9 piores, em s\u00f3 pensam no seu benef\u00edcio pessoal, n\u00e3o s\u00f3 il\u00edcito como muitas vezes atinge propor\u00e7\u00f5es escandalosas. Quando se pensa neste conjunto de detalhes vemos qu\u00e3o distantes estamos do aparecimento do homem novo, n\u00e3o s\u00f3 individual, mas como sujeito colectivo.<\/p>\n<p>Miguel Urbano abordou este tema do homem construtor do socialismo levantando profundas interroga\u00e7\u00f5es. Inferimos do seu trabalho que o que primeiro h\u00e1 a despejar s\u00e3o as ideias rom\u00e2nticas e apressadas acerca do homem novo. Sua forma\u00e7\u00e3o, como tal, exige muito tempo e sobretudo implica aquele ideal das sociedades socialistas avan\u00e7adas: o paulatino desaparecimento das diferen\u00e7as de classe. Chegar ao sonho da igualdade \u2013 uma das aspira\u00e7\u00f5es socialistas que se menciona pouco \u2013 se a intui como alta e dif\u00edcil de alcan\u00e7ar, a partir do estado da pessoa actual e a partir sobretudo da sua consci\u00eancia.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o, de Urbano, acerca de que passada a \u00e9poca gloriosa e rom\u00e2ntica dos momentos estelares de uma revolu\u00e7\u00e3o, as gera\u00e7\u00f5es que a conhecem pela hist\u00f3ria e \u00e0s vezes a conhecem mal, n\u00e3o actuam como o prescreveria a sua perten\u00e7a a uma sociedade em que vai desaparecendo a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem e, objectivamente, se vive melhor que na sociedade capitalista, \u00e9 dif\u00edcil de responder. Atrevemo-nos a pensar que uma das alavancas para a alcan\u00e7ar \u00e9 uma crescente democracia e a crescente participa\u00e7\u00e3o pessoal no trabalho e nas decis\u00f5es colectivas. Isso levar\u00e1 \u00e0 forja quotidiana do homem novo, fen\u00f3meno que n\u00e3o se d\u00e1 da noite para o dia e que tem de entender, por sua vez, que no pr\u00f3prio desenvolvimento vivencial, cultural, et\u00e1rio e biol\u00f3gico da personalidade em permanente din\u00e2mica e mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Para finalizar o caso boliviano, um aspecto que merece uma an\u00e1lise detalhada \u00e9 a correla\u00e7\u00e3o e o estado das for\u00e7as pol\u00edticas. Na direita cl\u00e1ssica e na neo-direita, suced\u00e2nea da neo-esquerda dos anos 70, houve grandes remodela\u00e7\u00f5es. Provocaram o virtual desaparecimento dos partidos, terr\u00edveis cis\u00f5es e em geral o derrube do conjunto das suas ideias neo-liberais. Sobre isto, repetimos o que disse em seu tempo Almaraz: possuem \u201cideias (t\u00e3o escassas) que cabiam numa casca de noz\u201d. Por\u00e9m o importante \u00e9 examinar cuidadosamente os seus reagrupamentos e sobretudo as suas novas poses. Uma dirigente camponesa caricaturava a situa\u00e7\u00e3o desta maneira: \u201ca direita agora veste-se de ponchos e [ojotas]\u201d.<\/p>\n<p>Trespassando as trincheiras da direita \u00e9 \u00f3bvio que n\u00e3o passamos por alto o que n\u00e3o \u00e9 uma simples trincheira, mas sim uma fortaleza: a bateria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ao seu servi\u00e7o e que trabalham a toda a for\u00e7a distorcendo a informa\u00e7\u00e3o, desinformando, semeando estere\u00f3tipos negativos, avivando preconceitos e incitando a manifesta\u00e7\u00f5es e ac\u00e7\u00f5es que deteriorem ou prejudiquem o processo. Infelizmente a resposta do governo e da esquerda \u00e9 insuficiente e muitas vezes inadequada. Estas duas trincheiras citadas, h\u00e1 que o sublinhar, est\u00e3o grandemente suportadas por ajudas estrangeiras milion\u00e1rias. Como nunca se evidenciaram os movimentos de entidades como a USAID que opera atrav\u00e9s de milhares de tent\u00e1culos como as Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais.<\/p>\n<p>Completa, na generalidade, a tarefa pol\u00edtica chega a parte correspondente \u00e0 mudan\u00e7a da pr\u00f3pria estrutura da sociedade, da sua base. Sem a transforma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de esta estrutura, toda a mudan\u00e7a pol\u00edtica pode dar em nada. Ainda mais, pode ser sucedida por um processo contra-revolucion\u00e1rio. A experi\u00eancia internacional nesta mat\u00e9ria \u00e9 muito amarga para os trabalhadores, para os povos que a sofreram. \u00c9 sobre esta quest\u00e3o da proposta econ\u00f3mica que deve haver a maior clareza, mais exactamente a maior lucidez de consci\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Nesta mat\u00e9ria n\u00e3o cabem as ambiguidades nem a substitui\u00e7\u00e3o dos objectivos nem a mudan\u00e7a de uma planifica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica por ideias ut\u00f3picas. O desenvolvimento nacional soberano, integrado na ALBA e em benef\u00edcio dos trabalhadores e do povo boliviano \u00e9 a meta inequ\u00edvoca, o objectivo invari\u00e1vel do processo de mudan\u00e7a, se queremos converter este numa revolu\u00e7\u00e3o verdadeira e n\u00e3o numa mera reforma progressista. Efectuar realmente o que chamamos o Resgate da P\u00e1tria, rumo ao Socialismo. Obviamente o processo de mudan\u00e7a n\u00e3o nos levar\u00e1 \u00e0s metas fixadas num per\u00edodo curto. H\u00e1 que despojar-se de todo o tempo de ilus\u00f5es, de falsas ideias acerca da constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade. Ao socialismo chegaremos, s\u00f3 atravessando \u2013 com sabedoria, com flexibilidade, sem dogmatismos nem desvios, contemplando a pr\u00f3pria realidade \u2013 \u00e9 dif\u00edcil, \u00e0s vezes caminho tortuoso, da transi\u00e7\u00e3o do capitalismo ao socialismo. Mas antes de mais necessitamos de unidade popular e organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>*Marcos Domich, Professor da Universidade de La Paz, \u00e9 amigo e colaborador de <a href=\"http:\/\/odiario.info\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">odiario.info<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\n(O necess\u00e1rio processo de rectifica\u00e7\u00f5es e precis\u00f5es)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1075\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[89],"tags":[],"class_list":["post-1075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c102-civilizacao-ou-barbarie"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-hl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1075\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}