{"id":10918,"date":"2016-04-25T18:32:14","date_gmt":"2016-04-25T21:32:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=10918"},"modified":"2016-05-20T20:49:33","modified_gmt":"2016-05-20T23:49:33","slug":"a-minustah-nao-e-uma-missao-humanitaria-esta-presente-no-haiti-no-processo-de-recolonizacao-de-toda-a-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10918","title":{"rendered":"A MINUSTAH N\u00c3O \u00c9 UMA MISS\u00c3O HUMANIT\u00c1RIA. EST\u00c1 PRESENTE NO HAITI NO PROCESSO DE RECOLONIZA\u00c7\u00c3O DE TODA A REGI\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/chalmers-wc3a1lmaro-paz_opera-mundi-0915-620x400.jpg?resize=620%2C400\" alt=\"imagem\" \/>Entrevista com Camille Chalmers, secret\u00e1rio da Plataforma Haitiana pela Defensa de um Desenvolvimento Alternativo (PHADA) e integrante do Jubileu Sul.<\/p>\n<p>Mario Hernandez \/ Resumen Latinoamericano\/ 11 de abril de 2016<!--more--><\/p>\n<p>M.H.: Em comunica\u00e7\u00e3o com Montevid\u00e9u, com o ativista haitiano pelos direitos humanos, Camille Chalmers. Gostaria que voc\u00ea comentasse qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o pela qual passa seu pa\u00eds e quais s\u00e3o os motivos para voc\u00ea se encontrar na capital da Rep\u00fablica Oriental do Uruguai.<\/p>\n<p>C.Ch.: Estamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o sumamente dif\u00edcil no Haiti, que \u00e9 o resultado de doze anos de ocupa\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da Minustah, que \u00e9 supostamente uma for\u00e7a para manter a paz , por\u00e9m que teve um resultado sumamente negativo.<\/p>\n<p>Nesta conjuntura, estamos vivendo uma crise eleitoral muito profunda que significou um protesto global dos movimentos populares no Haiti frente \u00e0s tentativas de manipular a elei\u00e7\u00e3o e dificultar a express\u00e3o do voto popular.<\/p>\n<p>Durante o ano de 2015, se produziram duas elei\u00e7\u00f5es, a \u00faltima em 9 de outubro, onde a maioria do setor democr\u00e1tico e os informes e avalia\u00e7\u00f5es realizadas mostram que foram elei\u00e7\u00f5es totalmente fraudulentas com manipula\u00e7\u00f5es grosseiras, inclusive chegando ao c\u00famulo de querer criar uma c\u00e9dula com um s\u00f3 candidato, porque o segundo colocado se negou a ir \u00e0s urnas acreditando ter sido uma farsa eleitoral total.<\/p>\n<p>Assim, chegamos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o institucional que \u00e9 resultado de uma vis\u00e3o pol\u00edtica de parte da oligarquia que nunca aceitou as conquistas democr\u00e1ticas conseguidas ap\u00f3s o per\u00edodo da ditadura de Duvalier.<\/p>\n<p>O governo de Martelly tentou restabelecer a ditadura, por\u00e9m n\u00e3o pode faz\u00ea-lo gra\u00e7as \u00e0 resist\u00eancia do povo. Durante 5 anos n\u00e3o organizou elei\u00e7\u00f5es, portanto, chegamos a um ponto onde existe um vazio e muitas dificuldades para restabelecer as elei\u00e7\u00f5es republicanas.<\/p>\n<p>O interessante \u00e9 que o povo aprendeu muito entre 2010 e 2015, e n\u00e3o puderam repetir o que fizeram em 2010, quando impuseram Martelly como presidente ainda que n\u00e3o correspondesse ao voto popular. Em 2015 ocorreu uma resist\u00eancia muito ampla dos setores pol\u00edticos, dos setores populares e das organiza\u00e7\u00f5es sociais que obrigaram a parar o processo eleitoral de 22 de janeiro.<\/p>\n<p>M.H.: Existir\u00e1 uma pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds? Como voc\u00ea v\u00ea o futuro do ponto de vista institucional?<\/p>\n<p>C.Ch.: O dilema atual \u00e9 que o imperialismo quer acelerar o processo para chegar \u00e0s elei\u00e7\u00f5es e estabelecer um novo presidente antes de 14 de maio. Querem que se fa\u00e7a uma c\u00e9dula aceitando os resultados do primeiro turno. Os setores democr\u00e1ticos no Haiti decidiram que isso \u00e9 inaceit\u00e1vel porque ter\u00e3o resultados eleitorais muito repudiados, que n\u00e3o v\u00e3o construir decis\u00f5es leg\u00edtimas e respeitadas. \u00c9 muito importante aproveitarmos esta crise para repensar o sistema eleitoral e estabelecermos um que seja soberano, controlado pelos atores sociais e pol\u00edticos, e que esteja em rela\u00e7\u00e3o com os problemas do pa\u00eds. Temos um sistema totalmente colonial na atualidade, controlado por for\u00e7as externas, um sistema muito custoso e que n\u00e3o corresponde ao exerc\u00edcio c\u00edvico de constru\u00e7\u00e3o institucional.<\/p>\n<p>M.H.: Que atividade voc\u00ea foi desenvolver em Montevid\u00e9u?<\/p>\n<p>C.Ch.: Estou no contexto de uma campanha para conseguir a retirada das tropas da Minustah. Estamos preparando um grande dia de mobiliza\u00e7\u00e3o continental, que ser\u00e1 em 1\u00b0 de junho, onde vamos reclamar sua retirada. No entanto, tamb\u00e9m ser\u00e1 um dia de mobiliza\u00e7\u00e3o contra a militariza\u00e7\u00e3o, contra as bases militares estadunidenses no Caribe e estamos aqui para dizer que n\u00e3o s\u00f3 precisam se retirar, como se deve lan\u00e7ar um processo de repara\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a e indeniza\u00e7\u00e3o de tudo o que se fez durante estes 12 anos. O exemplo mais cruel \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o do c\u00f3lera, quando as tropas das Na\u00e7\u00f5es Unidas em junho de 2010 introduziram uma enfermidade no Haiti que n\u00e3o existia anteriormente e at\u00e9 hoje matou 9.000 cidad\u00e3os e cidad\u00e3s haitianas e infectaram quase 170.000 pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 indignante ver que as Na\u00e7\u00f5es Unidas n\u00e3o est\u00e3o investindo em recursos t\u00e9cnicos e financeiros para erradicar o c\u00f3lera enquanto o povo est\u00e1 morrendo no Haiti. \u00c9 preciso indenizar os familiares das v\u00edtimas, construir um sistema que permita o acesso universal \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e indenizar o pa\u00eds pelos danos sofridos pela introdu\u00e7\u00e3o desta enfermidade.<\/p>\n<p>M.H.: Voc\u00ea pode fazer alguma declara\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 retirada das tropas uruguaias a n\u00edvel governamental, j\u00e1 que \u00e9 um dos pa\u00edses que mais tropas envia \u00e0 Minustah?<\/p>\n<p>C.C.: Em visitas anteriores, tivemos conversa\u00e7\u00f5es com a presid\u00eancia, com o minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e com o Parlamento. Por\u00e9m, desta vez nos concentramos mais na opini\u00e3o p\u00fablica, nas redes sociais, porque creio que hoje muita gente tem uma clara consci\u00eancia do fracasso dessa miss\u00e3o, do resultado totalmente negativo contemplando os objetivos postulados em 2004 e a necessidade de terminar com esta experi\u00eancia, lan\u00e7ando processos reais de solidariedade com o povo do Haiti \u00e0 imagem, por exemplo, da coopera\u00e7\u00e3o que temos com Cuba, com a presen\u00e7a de mais de 800 m\u00e9dicos cubanos divididos nas comunidades rurais mais distantes, e que est\u00e3o fazendo um trabalho maravilhoso, estando totalmente integrados \u00e0s comunidades. \u00c9 uma coopera\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria que n\u00e3o gera d\u00edvida e que se faz com respeito \u00e0 cultura e \u00e0 hist\u00f3ria haitiana.<\/p>\n<p>M.H.: Voc\u00ea quer acrescentar algo mais?<\/p>\n<p>C.Ch.: Acredito que \u00e9 importante que se difunda a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para expor o papel da Minustah, que n\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o humanit\u00e1ria, est\u00e1 inserida dentro do projeto da militariza\u00e7\u00e3o integral do Caribe e \u00e9 uma for\u00e7a que est\u00e1 presente no Haiti no processo de recoloniza\u00e7\u00e3o de toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A Minustah participou diretamente na repress\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es populares quando est\u00e1vamos reclamando o aumento do salario m\u00ednimo, esteve presente no processo de privatiza\u00e7\u00e3o da telefonia p\u00fablica, quando expulsaram 3.000 trabalhadores ilegalmente, a Minustah esteve presente para torna-lo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Existe uma alian\u00e7a muito clara entre a Minustah e as for\u00e7as antidemocr\u00e1ticas, conservadoras e retr\u00f3gradas no Haiti, atrav\u00e9s da qual nos parece que \u00e9 sumamente urgente que se reconhe\u00e7a esse fracasso e que, ao mesmo tempo, pensemos quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias que podemos construir diretamente de povo em povo.<\/p>\n<p>Quando nasceu a na\u00e7\u00e3o haitiana, ela se deu com uma convic\u00e7\u00e3o internacionalista e contribuiu para o refor\u00e7o das lutas independentistas do continente. Assim, me parece natural que agora tenhamos esta constru\u00e7\u00e3o internacionalista que necessitamos frente \u00e0 nova agressividade do imperialismo.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2016\/04\/11\/entrevista-a-camille-chalmers-secretario-de-la-plataforma-haitiana-por-la-defensa-de-un-desarrollo-alternativo-phada-e-integrante-de-jubileo-sur-la-minustah-no-es-una-mision-humanitaria-esta-pres\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entrevista com Camille Chalmers, secret\u00e1rio da Plataforma Haitiana pela Defensa de um Desenvolvimento Alternativo (PHADA) e integrante do Jubileu Sul. 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