{"id":11005,"date":"2016-05-11T14:40:43","date_gmt":"2016-05-11T17:40:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11005"},"modified":"2016-06-02T19:10:34","modified_gmt":"2016-06-02T22:10:34","slug":"em-chiloe-todo-um-povo-luta-contra-aqueles-que-contaminam-suas-aguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11005","title":{"rendered":"Em Chilo\u00e9 todo um povo luta contra aqueles que contaminam suas \u00e1guas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"388\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/foto_0000003020160505111443-620x388.jpg?resize=620%2C388\" alt=\"imagem\" \/>por Carlos Azn\u00e1rez<\/p>\n<p>6 de maio de 2016 \u2013 N\u00e3o \u00e9 exagerado dizer que quase no fim do mundo, em pleno Oceano Pacifico, no sul do Chile, Chilo\u00e9 \u00e9 um dos arquip\u00e9lagos mais referenciais desse pa\u00eds. No entanto, como muitas vezes acontece com aqueles territ\u00f3rios que n\u00e3o implicam as grandes cidades nem seu derivado de superlota\u00e7\u00e3o populacional e consumo voraz, as ilhas \u2013 como quase todo o sul \u2013 foram historicamente negligenciadas pela metr\u00f3pole chilena. Ali habitam, trabalham e sofrem aventuras econ\u00f4micas para sobreviver, pouco mais de 167 mil chilotes, que \u00e9 como se denomina comumente os nativos desse lugar. <!--more-->Al\u00e9m de cada tanto receber alguns turistas (a maioria do pr\u00f3prio pa\u00eds), os chilotes se dedicam \u00e0 pesca. Na realidade, essa \u00e9 precisamente seu sinal de identidade e tamb\u00e9m de orgulho. Ser pescador ou pescadora artesanal (ali abunda o salm\u00e3o) \u00e9 para quem o pratica como forma de vida, uma verdadeira cultural, que passa de pais para filhos e que re\u00fane boa parcela de dissabores, mas tamb\u00e9m, de quando em vez, promover uma alegria \u201cpara ajudar a seguir aguentando\u201d, como escreveu um dos poetas da zona.<\/p>\n<p>Hoje, no entanto, Chilo\u00e9 se transformou em uma grande barricada de protesto, por culpa das grandes empresas salmoneras que converteram o arquip\u00e9lago em um gigantesco centro de contamina\u00e7\u00e3o. Ao que parece, a impunidade e o desprezo por aqueles que trabalham e vivem nas ilhas, levou a que muitas destas companhias que habitualmente comercializam o salm\u00e3o, despejem no mar toneladas de nutrientes do dejeto de pescados. Isto provocou um aumento desproporcional da quantidade de algas, incentivando assim a denominada mar\u00e9 vermelha, que atualmente amea\u00e7a numerosos pontos pesqueiros do Pac\u00edfico. Como se sabe, quando se d\u00e1 este fen\u00f4meno o consumo de mariscos contaminados pode afetar seriamente a sa\u00fade das pessoas, inclusive gerar a morte e, por isso, as autoridades chilenas chamaram a popula\u00e7\u00e3o a comprar estes produtos s\u00f3 em lugares autorizados, al\u00e9m de limitar ao m\u00e1ximo a pesca at\u00e9 que o mar remesse.<\/p>\n<p>Isto quer dizer que Chilo\u00e9 vive uma cat\u00e1strofe ambiental e, como consequ\u00eancia da mesma, os pescadores s\u00e3o os que levam a pior parte. Ao n\u00e3o irem para o mar, n\u00e3o pescam e, portanto, n\u00e3o cobram nem podem alimentar suas fam\u00edlias. Por\u00e9m, o pior de todo este quadro \u00e9 que, como sempre ocorre, foram precisamente esses trabalhadores e trabalhadoras que desde h\u00e1 muito tempo advertiram o governo de Michelle Bachelet sobre a atitude criminosa das grandes empresas salmoneras, ao desrespeitar as normas b\u00e1sicas para n\u00e3o contaminar. Nada obtiveram, j\u00e1 que o governo fez ouvidos surdos frente a demandas t\u00e3o justas e, \u00e9 claro, os empres\u00e1rios continuaram fazendo dinheiro e multiplicando suas manobras de destruir o meio ambiente.<\/p>\n<p>Frente a este panorama, qual Fuentovejuna, milhares de pescadores artesanais de Chilo\u00e9 se colocaram de p\u00e9, mobilizando-se e fechando rotas. V\u00e1rias comunas do arquip\u00e9lago foram ocupadas, como Ancud, Quell\u00f3n e Queil\u00e9n, impedindo a circula\u00e7\u00e3o e evitando, assim, que nenhum tipo de transporte possa entrar nem sair da ilha. \u201cVamos permanecer com a estrada fechada at\u00e9 que nos deem uma solu\u00e7\u00e3o, porque o prefeito ofereceu um b\u00f4nus de cem mil pesos. Por\u00e9m, quem vive com isso? N\u00f3s estamos h\u00e1 quase tr\u00eas meses sem trabalhar. A autoridade vem e fecha as praias e a\u00ed a gente fica sem trabalhar. Vamos dar lutar at\u00e9 o final porque tudo o que ganharam os pescadores foi na rua, brigando\u201d, nos disse Chile Hern\u00e1ndez, presidente do sindicato de pescadores artesanais Viento Sur, da localidade de Ancud.<\/p>\n<p>A resposta de Bachelet e seus companheiros utilizou a mesma receita aplicada aos estudantes, enviando mais carabineros para reprimir aqueles que s\u00f3 reclamam para poder trabalhar e viver dignamente. Esta atitude, somada \u00e0 a\u00e7\u00e3o de guardas e pessoal da seguran\u00e7a das empresas salmoneras, tratando de aterrorizar os mobilizados, faz com que o protesto cres\u00e7a cada dia mais. Para piorar, em um encontro informativo com o ministro da Economia, Luis Felipe C\u00e9spedes, os pescadores o repreenderam porque o funcion\u00e1rio evitava oferecer solu\u00e7\u00f5es. Tal foi o clima da conversa, que em um momento uma das dirigentes perguntou gritando ao \u201csenhor ministro\u201d: \u201cPor acaso voc\u00ea pode viver com os cem mil pesos que nos oferecem?\u201d, e isto fez com que um assessor do funcion\u00e1rio se indignasse com o \u201cabuso\u201d. Como sempre ocorre com certa burocracia estatal, sempre est\u00e3o atentos aos detalhes pouco importantes e jamais sintonizam com a realidade dos de baixo.<\/p>\n<p>Para os pescadores, a quest\u00e3o est\u00e1 muito clara: O Governo lava as m\u00e3os frente ao drama que afeta milhares de fam\u00edlias, tampouco quer conceder-lhes a l\u00f3gica reivindica\u00e7\u00e3o de abonar um b\u00f4nus que ajude a atenuar as perdas que ocasiona o n\u00e3o sair para trabalhar e, por outro lado, protege convenientemente os ricos empres\u00e1rios das salmoneras. Esses mesmos que para amenizar os odores dos milh\u00f5es salm\u00f5es mortos, despejam qu\u00edmicas que agora provocam esta crise.<\/p>\n<p>Assim, os pescadores aprofundam as medidas de luta e em meio \u00e0 fuma\u00e7a dos pneus queimados e dos gritos de \u201cqueremos justi\u00e7a\u201d, homens, mulheres e crian\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o dispostos a ceder caso n\u00e3o sejam respeitados e atendidos \u201ccomo cidad\u00e3os que somos e n\u00e3o como popula\u00e7\u00e3o exclu\u00edda\u201d, afirmam. O combust\u00edvel come\u00e7ar a escassear como parte dos bloqueios das estradas, nos col\u00e9gios os professores solid\u00e1rios suspendem as aulas e se somam com seus alunos \u00e0s marchas e concentra\u00e7\u00f5es, e se faltava algum ingrediente, n\u00e3o s\u00e3o poucos os deputados (alguns deles do pr\u00f3prio partido de Bachelet) que se manifestam em apoio aos \u201crebeldes\u201d e advertem que se n\u00e3o existir uma r\u00e1pida solu\u00e7\u00e3o, o conflito pode ser maior ao que se viveu em Ays\u00e9n, a outra popula\u00e7\u00e3o do sul chileno que durou v\u00e1rias semanas e que n\u00e3o pode ser resolvida nem com gases nem com balas de borracha.<\/p>\n<p>Como s\u00edmbolo da for\u00e7a deste povo chilote, enquanto se vela a noite nas estradas fechadas, os habitantes se apinham em torno de fog\u00f5es para afugentar o frio. De repente, entre o agitar de bandeiras, muitas delas mapuches, os vizinhos come\u00e7am a cantar em voz baixa um coro que diz: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o existe pescado, j\u00e1 n\u00e3o existe pescado, porque os grandes daquele banco os levaram\u201d. Aparece um viol\u00e3o e um par de concertinas, e a m\u00fasica se soma ao vozerio, que fica mais e mais potente. Surgem risos, surgem tamb\u00e9m alguns passos de dan\u00e7a improvisada, por\u00e9m tamb\u00e9m existe insatisfa\u00e7\u00e3o de anos, de s\u00e9culos de tanta pobreza.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2016\/05\/07\/chile-en-chiloe-todo-un-pueblo-lucha-contra-quienes-contaminan-sus-aguas-por-carlos-aznarez\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Carlos Azn\u00e1rez 6 de maio de 2016 \u2013 N\u00e3o \u00e9 exagerado dizer que quase no fim do mundo, em pleno Oceano Pacifico, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11005\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[87],"tags":[],"class_list":["post-11005","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c100-chile"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Rv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11005"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11005\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}