{"id":1105,"date":"2011-01-06T00:02:48","date_gmt":"2011-01-06T00:02:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1105"},"modified":"2011-01-06T00:02:48","modified_gmt":"2011-01-06T00:02:48","slug":"os-presos-palestinos-sao-o-corpo-da-resistencia-desde-1965","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1105","title":{"rendered":"\u201cOs presos palestinos s\u00e3o o corpo da resist\u00eancia desde 1965\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"justify\">Rebeli\u00f3n<\/p>\n<p>Khaled Shahrour \u00e9 um homem pequeno, de movimentos \u00e1geis, que fala com as m\u00e3os, com os olhos, com os gestos&#8230; Fala com todo o corpo. Majed o apresentou como um \u201ccombatente\u201d. Membro da Frente Popular de Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, passou 18 anos nas pris\u00f5es sionistas e nelas se formou politicamente, aprendeu a interpretar a forma de atua\u00e7\u00e3o dos israelenses, a organizar-se e organizar a resist\u00eancia dos presos palestinos. Uma vez fora, atua como um elo de liga\u00e7\u00e3o, coordenando e atendendo a organiza\u00e7\u00e3o dos presos dos diferentes c\u00e1rceres. \u00c0 medida que responde as minhas perguntas, vai se colocando em meu lugar e me corrige: \u201cn\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 essa pergunta. Voc\u00ea tem que me perguntar sobre a nossa aprendizagem na pris\u00e3o. Tem que me perguntar sobre o que aprendemos na resist\u00eancia&#8230;\u201d. Khaled conta que foi detido em 1967 e que esteve na pris\u00e3o at\u00e9 1985, quando foi libertado numa troca de presos com Israel, em 1985. Desde esse momento, continua lutando pelos palestinos presos nos mais diferentes lugares.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea pode nos contar os motivos da sua pris\u00e3o? Voc\u00ea foi preso sob quais acusa\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Na realidade, foram tr\u00eas acusa\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar, me acusaram de tentar me infiltrar contra o Estado de Israel, \u00e0 n\u00edvel armado. Em segundo lugar, me acusaram de eliminar colaboracionistas. J\u00e1 a terceira acusa\u00e7\u00e3o foi a de pertencer a um grupo ilegal, \u00e0 FPLP, na Jord\u00e2nia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Existem tr\u00eas tipos de pris\u00e3o em Israel: a pris\u00e3o administrativa, a pris\u00e3o por precau\u00e7\u00e3o ou preventiva, e a pris\u00e3o por justi\u00e7amento, ou seja, diretamente ligada \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o de pertencimento a um grupo terrorista. N\u00f3s fomos detidos sob esta terceira acusa\u00e7\u00e3o. Era a primeira etapa da luta palestina, em 1967: a Guerra dos Seis Dias. Em minha unidade, \u00e9ramos 19 pessoas encabe\u00e7adas por Abu Ali Mustafa, mais tarde Secret\u00e1rio Geral da FPLP e assassinado em 2002. Do nosso grupo, todos morreram, s\u00f3 ficamos os quatro. N\u00f3s fomos presos quando tent\u00e1vamos sair da Jord\u00e2nia. Est\u00e1vamos numa fase de prepara\u00e7\u00e3o e armazenamento de muni\u00e7\u00f5es. Fomos detidos sob a acusa\u00e7\u00e3o de sermos vinculados a um grupo terrorista. Assim, fomos interrogados e submetidos a mil formas de tortura. Foram utilizadas torturas que tentam arrancar de voc\u00ea um reconhecimento de culpabilidade. Possuem como objetivo arrancar declara\u00e7\u00f5es que permitam levar voc\u00ea ao julgamento e, quase que de maneira autom\u00e1tica, \u00e0 condena\u00e7\u00e3o pelos tribunais israelenses. Nos torturaram f\u00edsica e psicologicamente, em in\u00fameras etapas, para arrancar confiss\u00f5es que servissem a eles. Uma vez tendo em m\u00e3os o suficiente para poder levar \u00e0 julgamento, voc\u00ea \u00e9 julgado e d\u00e3o por certa a sua culpabilidade, ainda que voc\u00ea n\u00e3o tenha feito nada daquilo que foi declarado.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas possu\u00edam algum tipo de assessoramento legal? Algum tipo de garantia? Em que condi\u00e7\u00f5es ocorreu o julgamento?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Naquele momento, a situa\u00e7\u00e3o era muito particular. Nos submeteram a um tribunal militar e nomearam um advogado. N\u00f3s recusamos o advogado. Se n\u00f3s o tiv\u00e9ssemos aceitado, estar\u00edamos reconhecendo, implicitamente, o tribunal que nos julgava. Obrigaram um advogado \u00e1rabe assumir nossa defesa, por\u00e9m n\u00f3s n\u00e3o o aceitamos. Dissemos que \u00e9ramos lutadores pela liberdade, contr\u00e1rios \u00e0s for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o e que, portanto, n\u00e3o reconhec\u00edamos um tribunal das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o e nem os advogados por elas nomeados. N\u00f3s diz\u00edamos que n\u00e3o nos arrepend\u00edamos de nada e seguir\u00edamos lutando quando nos colocassem em liberdade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Existem dois crit\u00e9rios que, para Israel, s\u00e3o importantes: a seguran\u00e7a, a partir de sua \u00f3tica, e o efeito pol\u00edtico. Quando h\u00e1 um auge na luta dos palestinos, multiplicam por cem as deten\u00e7\u00f5es e aumentam as condena\u00e7\u00f5es com o intuito de dissuadir e desmoralizar. Quando a situa\u00e7\u00e3o se acalma, as deten\u00e7\u00f5es s\u00e3o menores e tamb\u00e9m as condena\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, estive preso durante 18 anos, de 8 de dezembro de 1967 at\u00e9 8 de maio de 1985.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Como foi a sua liberta\u00e7\u00e3o? Por que libertaram voc\u00ea? Os organismos internacionais interviram? <\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A minha liberta\u00e7\u00e3o foi parte de uma troca de prisioneiros israelenses. Foi um acordo entre o FPLP \u2013 Comando Geral \u2013 e Israel para libertar soldados israelenses detidos pela dita organiza\u00e7\u00e3o, em troca de presos palestinos.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Na realidade, isso \u00e9 o reconhecimento de um estado de guerra e n\u00e3o de terrorismo, como dizem os israelenses?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Sim. Israel n\u00e3o reconhece oficialmente. Implicitamente sim, reconhece que est\u00e1 em estado de guerra. Somente numa situa\u00e7\u00e3o de for\u00e7a se colocam obrigados a trocar prisioneiros e reconhecem indiretamente a ocupa\u00e7\u00e3o. Agora, \u00e9 claro, quando a negocia\u00e7\u00e3o com eles \u00e9 feita pacificamente, n\u00e3o s\u00e3o capazes de reconhecer absolutamente nada e nem de p\u00f4r os prisioneiros em liberdade.<\/p>\n<p><strong>Qual vem sendo sua atividade desde que foi posto em liberdade?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Atualmente, desempenho a luta em v\u00e1rias frentes. Por um lado, como militante da FPLP, exer\u00e7o a atividade como jornalista e escritor. Tamb\u00e9m sou presidente da Comiss\u00e3o de Presos das Pris\u00f5es Israelenses e sou membro do Comit\u00ea de Disciplina da FPLP. \u00c9 claro que tamb\u00e9m atuo como pai em casa, com meus filhos.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Quais s\u00e3o os problemas mais importantes dos presos palestinos neste momento?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Israel tem dois objetivos com rela\u00e7\u00e3o aos presos. Como ser humano, pretende convert\u00ea-lo num problema para sua fam\u00edlia, para a sociedade, invalid\u00e1-lo f\u00edsica e psicologicamente. N\u00f3s, na pris\u00e3o, buscamos superar esta situa\u00e7\u00e3o e tratamos de nos formar, de nos converter em uma escola de constru\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o e, assim, fazer fracassar esta estrat\u00e9gia. Ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio esquecer a raz\u00e3o pelo qual estamos presos e nem acabar com a causa da liberta\u00e7\u00e3o da Palestina. Nosso objetivo \u00e9 claro: continuar com essa luta independentemente de onde estamos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por\u00e9m , voc\u00ea teria que me perguntar sobre a nossa aprendizagem na pris\u00e3o. O que aprendemos que nos ajuda a sobreviver e a manter viva a causa.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Bem, ent\u00e3o me fale sobre essa aprendizagem.<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Uma das ferramentas de luta que temos desenvolvido nas pris\u00f5es e que \u00e9 muito eficaz \u00e9 a greve por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Ela nos permite contra-atacar os efeitos do isolamento e da tortura. O fato de lutar pela melhoria das condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e ps\u00edquicas dos presos \u00e9 uma das armas mais mort\u00edferas para preserva\u00e7\u00e3o da nossa mente e do nosso corpo, para podermos prosseguir na luta por todo o futuro. Israel pretende nos converter em cad\u00e1veres, mantendo-nos vivos, por\u00e9m como zumbis. Eles buscam o nosso aniquilamento em vida, para que n\u00e3o mais tenhamos nenhuma serventia para nossas fam\u00edlias e nem para nossa sociedade. O objetivo \u00e9 que n\u00f3s sejamos uma carga para eles e tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria causa.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Que tipo de atividades voc\u00eas realizam com os presos que permanecem no c\u00e1rcere?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A greve como forma de luta possui variantes. Uma via \u00e9 nos negarmos a prestar servi\u00e7os, como por exemplo, nos barbearmos. Outra, \u00e9 n\u00e3o admitirmos que a dire\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o nos entreviste, recusarmos media\u00e7\u00f5es de pessoas jur\u00eddicas que pretendem se oferecer como mediadores sensatos. Tamb\u00e9m praticamos a greve de fome, inclusive a rebeli\u00e3o contra os carcereiros. \u00c0s vezes, perdemos um companheiro porque o ex\u00e9rcito lan\u00e7a helic\u00f3pteros contra as pris\u00f5es. A luta dos presos est\u00e1 coordenada e possui o apoio log\u00edstico de fora para ter maior poder de influ\u00eancia na administra\u00e7\u00e3o e de negocia\u00e7\u00e3o, obrigando, assim, os servi\u00e7os penitenci\u00e1rios a negociarem. Trata-se de uma luta que depende de n\u00f3s mesmos, pois tudo o que fazemos parte da consci\u00eancia dos presos. Se n\u00e3o fizermos assim, n\u00e3o serve para absolutamente nada. O que fazemos aqui fora deve ser o reflexo do que \u00e9 feito dentro da pris\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Que valor voc\u00ea d\u00e1 a este F\u00f3rum \u00c1rabe de Apoio aos Presos?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Isto \u00e9 uma cerim\u00f4nia, uma pequena luz que terminar\u00e1 por se apagar. N\u00e3o me parece ser um m\u00e9todo de luta. Temos que entender bem a fase da luta em que estamos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 preciso levar em conta que o corpo da resist\u00eancia, em seu conjunto, s\u00e3o os presos, tanto os que est\u00e3o dentro como os que est\u00e3o fora. Eles s\u00e3o o corpo da resist\u00eancia desde 1965. Somos um todo, com uma entidade pr\u00f3pria \u00e0 margem das organiza\u00e7\u00f5es a que pertencemos e somos a garantia de continuidade da luta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Primeiro, temos que levar em conta as diferentes etapas pelas quais atravessa a luta palestina. Na primeira etapa, a luta era gen\u00e9rica, tratava-se de uma causa nacional que estava acima e era independente das organiza\u00e7\u00f5es. Em termos de consci\u00eancia, superava as diferen\u00e7as partid\u00e1rias. Para todos era uma luta de resist\u00eancia contra o inimigo ocupante. Depois, surgiram diferentes categorias de presos, segundo a pris\u00e3o em que estivessem. Isso ocorre por conta do grau diferenciado de implica\u00e7\u00e3o na resist\u00eancia. A pris\u00e3o na qual eu estive, a Ascalon, era uma pris\u00e3o emblem\u00e1tica. Tos n\u00f3s t\u00ednhamos as condena\u00e7\u00f5es mais longas dentro deste c\u00e1rcere, pois \u00e9ramos guerrilheiros, represent\u00e1vamos a vanguarda que, de alguma forma, servia de exemplo para o resto dos presos dos c\u00e1rceres israelenses. Est\u00e1vamos num momento anterior ao da milit\u00e2ncia pol\u00edtica. Caso n\u00e3o tivesse sido elaborado este tipo de resist\u00eancia, a luta dos presos teria fracassado.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que acabo de narrar \u00e9 a primeira etapa, de 1965 at\u00e9 1973. A segunda etapa \u00e9 quando se transferem aos presos as contradi\u00e7\u00f5es da milit\u00e2ncia pol\u00edtica, as contradi\u00e7\u00f5es relacionadas com a idade biol\u00f3gica, as resultantes do nosso pertencimento a um ou outro grupo. Neste momento, Israel redobra a utiliza\u00e7\u00e3o dos colaboracionistas, d\u00e1 privil\u00e9gios a uns frente a outros para fomentar os enfrentamentos entre os palestinos. A etapa entre 1973 e 1976 \u00e9 muito negativa. Aqui, eu resumi muito o que aconteceu. J\u00e1 a terceira etapa se caracteriza pelo come\u00e7o de uma nova transfer\u00eancia de contradi\u00e7\u00f5es ao inimigo, a Israel.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estas etapas resumem nossa aprendizagem. Aprendemos nas pris\u00f5es a respeitar as diferen\u00e7as internas mediante o di\u00e1logo democr\u00e1tico e antep\u00f4r o interesse geral dos palestinos, sua causa nacional, o combate contra o inimigo, acima das discrep\u00e2ncias. Isto \u00e9 o que estamos conseguindo com o movimento dos presos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que acontece nos c\u00e1rceres \u00e9 completamente distinto do que ocorre com os palestinos do lado de fora, onde predominam as diferen\u00e7as. A terceira etapa de que falo \u00e9 a de supera\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es. Isto n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o existem discrep\u00e2ncias trasladadas a partir do mundo exterior. Podemos citar como exemplo os acordos de Oslo, que geraram importantes tens\u00f5es entre os presos. Por\u00e9m, ainda assim, a linha dominante vem sendo uma maior conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, uma maior coordena\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo democr\u00e1tico para contribuir com a causa. Da\u00ed surgiu o documento dos presos, t\u00e3o importante para definir sua posi\u00e7\u00e3o e demandar a unidade na luta. \u00c9 necess\u00e1rio ratificar: este documento foi uma iniciativa dos presos, n\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Ele nasceu em 2005 e \u00e9 reconhecido como o documento dos presos. Nele se faz prevalecer a unidade na luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o acima de qualquer discrep\u00e2ncia pol\u00edtica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Hoje em dia, depois dos acordos de Oslo, de 1993, estamos ante uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil. Existem 350 presos anteriores a estes acordos que n\u00e3o foram levados em considera\u00e7\u00e3o. Israel vem separando os presos do Fatah dos do Hamas, estes dos da FPLP, que s\u00e3o separados dos de 1948, separam \u00e1rabes de palestinos&#8230; E isso \u00e9 um reflexo da realidade exterior, da fragmenta\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia. Vem se produzindo uma ferida profunda no estado de \u00e2nimo dos presos. Nesse sentido, a unidade se converte numa arma fundamental para superar esta situa\u00e7\u00e3o, para que a luta dos presos se mantenha e que n\u00e3o se consiga a despolitiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode consentir essa separa\u00e7\u00e3o entre os presos da Cisjord\u00e2nia dos de Gaza, dos presos do Fatah dos do Hamas e do resto&#8230;<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>O que ocorre com os jovens? Os jovens palestinos que s\u00e3o encarcerados tamb\u00e9m possuem esse compromisso?<\/strong><\/p>\n<p>Existem duas gera\u00e7\u00f5es no c\u00e1rcere. H\u00e1 a gera\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia armada e os filhos da Intifada. Enquanto a consci\u00eancia da primeira gera\u00e7\u00e3o \u00e9 nacionalista, global e integradora, a dos jovens da Intifada possui maior tend\u00eancia ao particular, para seu grupo, para sua forma de enfocar concretamente a luta. N\u00f3s pertencemos a uma etapa que se tenta eliminar. O sionismo vem se espalhando sobre a Palestina como nunca, tratando de abrir essa brecha geracional. Estamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o parecida com a do Titanic: o que est\u00e1 no barco se afunda e o que est\u00e1 na \u00e1gua morre. H\u00e1 uma tentativa acelerada de liquida\u00e7\u00e3o da etapa revolucion\u00e1ria palestina muito not\u00f3ria. Lamentavelmente as novas gera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o inclu\u00eddas nos acordos de Dayton, n\u00e3o s\u00e3o conscientes desta situa\u00e7\u00e3o e s\u00e3o separadas para que n\u00e3o tenham uma vis\u00e3o de conjunto da luta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Noutro dia ocorreu um fato neste sentido. Se organizou uma concentra\u00e7\u00e3o contra o processo de negocia\u00e7\u00f5es diretas e os jovens palestinos atacaram os membro da executiva da OLP. Quando perguntaram a eles se conheciam os dirigentes palestinos que haviam sido atacados, se conheciam seus nomes, n\u00e3o conheciam ningu\u00e9m, recordavam muito pouco do pr\u00f3prio Arafat. Se manifestavam contra as negocia\u00e7\u00f5es diretas e quando sa\u00edram os membros do Comit\u00ea Executivo, os pegaram sem conhec\u00ea-los. Isto n\u00e3o \u00e9 o reflexo de que a realidade \u00e9 muito mais complicada, mas sim a falta que faz n\u00e3o ter um sentido hist\u00f3rico da luta palestina.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Quais passos voc\u00ea acredita que devam ser dados, tanto pelas organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o fora como pelas organiza\u00e7\u00f5es de apoio aos presos?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil dizer qual \u00e9 a etapa em que nos encontramos e qual seria a estrat\u00e9gia a seguir. Acredito que devemos seguir a m\u00e1xima de Gramsci, quando dizia que devemos ser pessimistas na realidade, mas otimistas na vontade. Estamos numa aldeia globalizada e tudo est\u00e1 relacionado. A luta n\u00e3o \u00e9 simples para saber de antem\u00e3o que um caminho \u00e9 melhor que outro, por\u00e9m o certo \u00e9 que temos que come\u00e7ar a atuar. E esta situa\u00e7\u00e3o deveria desembocar na cria\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de for\u00e7as que saibam capturar o momento hist\u00f3rico e tra\u00e7ar uma linha estrat\u00e9gica determinada, de sa\u00edda globalizada, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao tema palestino. Desde a pr\u00e9-hist\u00f3ria at\u00e9 o espa\u00e7o, h\u00e1 um caminho longo que n\u00e3o \u00e9 reto, mas ascendente. Eu sigo acreditando que existe sa\u00edda. \u00c9 como os barcos, temos que tra\u00e7ar em zig-zag, mas sem perder o objetivo.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>O que voc\u00ea pensa sobre o Hezbollah? Voc\u00ea acredita que ele pode cumprir um papel no processo de unidade do mundo \u00e1rabe e na causa palestina?<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os Estados Unidos seguem sendo um imp\u00e9rio e pretendem acabar com o Hezbollah, porque pretendem acabar com a S\u00edria, com o L\u00edbano&#8230; Os EUA n\u00e3o cessar\u00e3o seu empenho de golpear. Por\u00e9m, o imp\u00e9rio ficar\u00e1 no m\u00e1ximo 25 anos tentando destruir todas as resist\u00eancias. Enquanto isso, o Hezbollah forma parte do eixo que consolida a resist\u00eancia do mundo \u00e1rabe. Ser\u00e1 um aliado fundamental contra a ocupa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que tem uma grande influ\u00eancia em todo o mundo \u00e1rabe. No entanto, n\u00e3o podemos saber qual ser\u00e1 sua evolu\u00e7\u00e3o. A aus\u00eancia das for\u00e7as de esquerda, laicas, agrava muito as coisas. Estamos presos entre uma direita colaboracionista e uma esquerda incapaz. Levamos muitos anos de luta e n\u00e3o temos conseguido objetivos concretos. Isto produz um desencanto nas massas que se refugiam na religi\u00e3o. Quando fracassou a revolu\u00e7\u00e3o de 1905, muitos dos setores populares russos se refugiaram na religi\u00e3o, igual ao que ocorre agora. Ter\u00edamos que estudar como superar esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">*Esta entrevista foi realizada em 5 de dezembro, no F\u00f3rum \u00c1rabe Internacional de Apoio aos Presos dos C\u00e1rceres da Ocupa\u00e7\u00e3o, ocorrido em Argel. Esse trabalho n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem a ajuda de Majed Dibsi, que nos apresentou o companheiro Khaled, traduziu as perguntas, respostas e revisou a transcri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Rebeli\u00f3n publicou este artigo com a permiss\u00e3o da autora, mediante uma licen\u00e7a do Creative Commons, respeitando sua liberdade para public\u00e1-lo em outras fontes.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Somos Todos Palestinos\n\n\n\n\n\n\n\n\n\u00c1ngeles Diez\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1105\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-1105","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-hP","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}