{"id":1106,"date":"2011-01-06T00:08:47","date_gmt":"2011-01-06T00:08:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1106"},"modified":"2011-01-06T00:08:47","modified_gmt":"2011-01-06T00:08:47","slug":"a-estrategia-de-tensao-o-terrorismo-nao-reinvidicado-da-otan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1106","title":{"rendered":"A estrat\u00e9gia de tens\u00e3o. O terrorismo n\u00e3o reinvidicado da OTAN"},"content":{"rendered":"\n<p>Daniele Ganser, Prof. de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea, presidente da ASPO-Sui\u00e7a e autor do livro \u201cEx\u00e9rcitos Secretos da OTAN\u201d revela-nos nesta entrevista dada a Silvia Cattori a exist\u00eancia na NATO de uma rede clandestina ligada ao terrorismo, formada pelo Clandestine Planning Committee (CPC) e o Allied Clandestine Committee (ACC), bem como a responsabilidade da CIA e do MI6 na sua cria\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e treino. Se em It\u00e1lia foi provada h\u00e1 anos a exist\u00eancia dessas redes terroristas, tal n\u00e3o sucedeu nos restantes pa\u00edses, apesar do Daniele Ganser ter conseguido <strong>\u201cprovar que esses ex\u00e9rcitos secretos existiam, n\u00e3o apenas em It\u00e1lia, mas em toda a Europa Ocidental: na Fran\u00e7a, na B\u00e9lgica, nos Pa\u00edses Baixos, na Noruega, na Dinamarca, na Su\u00e9cia, na Finl\u00e2ndia, na Turquia, na Espanha, em Portugal, na \u00c1ustria, no Luxemburgo, na Alemanha.\u201d <\/strong>\u201cMas quando se pede explica\u00e7\u00f5es a membros da CIA ou da NATO (\u2026) limitam-se a dizer que<strong> talvez possa ter havido alguns elementos criminosos que tenham escapado ao seu controlo\u201d. <\/strong>Ao ler esta entrevista, quem n\u00e3o recorda as v\u00e1rias meadas que ficaram por desatar e que poderiam esclarecer os crimes terroristas cometidos em plena Revolu\u00e7\u00e3o de Abril?<\/p>\n<p><strong>Silvia Cattori &#8211; (SC): <\/strong>A sua obra consagrada aos ex\u00e9rcitos secretos da NATO [1] explica o que \u00e9 a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o [2] e o grande perigo dos terrorismos bandeira-falsa [3]. O livro mostra-nos como a NATO durante a Guerra Fria \u2013 em coordena\u00e7\u00e3o com os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses europeus ocidentais e com o Pent\u00e1gono \u2013 serviu-se de ex\u00e9rcitos secretos, recrutou espi\u00f5es nos meios da extrema-direita e organizou actos terroristas que foram atribu\u00eddos \u00e0 extrema esquerda. Sabendo isso, podemo-nos interrogar sobre o que se possa passar hoje em dia sem n\u00f3s o sabermos.<\/p>\n<p><strong>Daniele Ganser &#8211; (DG): <\/strong>\u00c9 muito importante compreender o que a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o realmente \u00e9 e como funcionou durante esse per\u00edodo. Isso poder-nos-\u00e1 ajudar a esclarecer o presente e a ver melhor em que medida ela est\u00e1 hoje em dia ainda em funcionamento.<\/p>\n<p>Pouca gente sabe o que a express\u00e3o estrat\u00e9gia da tens\u00e3o significa. Por isso \u00e9 importante falar dela e explicar o que significa. \u00c9 uma t\u00e1ctica que consiste em cometer atentados criminosos com as pr\u00f3prias m\u00e3os e atribu\u00ed-los a um outro qualquer. A palavra tens\u00e3o refere-se \u00e0 tens\u00e3o emocional, \u00e0quilo que cria um sentimento de medo. A palavra estrat\u00e9gia refere-se ao que alimenta o medo das pessoas em rela\u00e7\u00e3o a um certo grupo.<\/p>\n<p>As estruturas secretas da NATO eram equipadas, financiadas e treinadas pela CIA, em coordena\u00e7\u00e3o com o MI6 (servi\u00e7os secretos brit\u00e2nicos) para combater as for\u00e7as armadas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em caso de guerra, mas tamb\u00e9m, segundo as informa\u00e7\u00f5es de que hoje se disp\u00f5e, para cometer atentados terroristas em diversos pa\u00edses [4].<\/p>\n<p>Foi assim que, nos anos 70, os servi\u00e7os secretos italianos utilizaram ex\u00e9rcitos secretos para cometerem atentados terroristas com o fim de provocar o medo na popula\u00e7\u00e3o e depois acusar os comunistas de terem sido os autores. Foi isto numa altura em que o Partido Comunista tinha um poder legislativo importante no Parlamento. A estrat\u00e9gia de tens\u00e3o tivera por fim desacredit\u00e1-lo e enfraquec\u00ea-lo, para impedi-lo de poder chegar ao poder executivo.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Saber o que significa \u00e9 uma coisa. Mas continua a ser dif\u00edcil acreditar que os nossos governos tenham podido deixar a NATO, os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o europeus ocidentais e a CIA amea\u00e7ar a seguran\u00e7a dos seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os!<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>A NATO estava no cora\u00e7\u00e3o dessa rede clandestina ligada ao terror; o Clandestine Planning Committee (CPC) e o Allied Clandestine Committee (ACC), que est\u00e3o hoje perfeitamente identificados, eram subestruturas clandestinas da Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica. Agora, ainda que tudo isso seja j\u00e1 bem conhecido, continua a ser dif\u00edcil saber quem fazia o qu\u00ea. N\u00e3o h\u00e1 documentos que mostrem quem comandava, quem organizava a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o, como a NATO, os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o europeus ocidentais, a CIA, o MI6 e os terroristas recrutados nos meios da extrema-direita distribu\u00edam os pap\u00e9is. A \u00fanica certeza que temos \u00e9 que havia, no interior dessas estruturas clandestinas, elementos que utilizaram a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o. Os terroristas de extrema-direita explicaram nas suas exposi\u00e7\u00f5es que foram os servi\u00e7os secretos e a NATO quem os haviam apoiado nessa guerra clandestina. Mas quando se pede explica\u00e7\u00f5es a membros da CIA ou da NATO &#8211; coisa que fiz durante v\u00e1rios anos &#8211; limitam-se a dizer que talvez possa ter havido alguns elementos criminosos que tenham escapado ao seu controlo.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Esses ex\u00e9rcitos secretos estavam activos em todos os pa\u00edses europeus ocidentais?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Com as minhas pesquisas consegui provar que esses ex\u00e9rcitos secretos existiam, n\u00e3o apenas em It\u00e1lia, mas em toda a Europa Ocidental: na Fran\u00e7a, na B\u00e9lgica, nos Pa\u00edses Baixos, na Noruega, na Dinamarca, na Su\u00e9cia, na Finl\u00e2ndia, na Turquia, na Espanha, em Portugal, na \u00c1ustria, no Luxemburgo, na Alemanha. A princ\u00edpio pensava-se que houvesse uma estrutura de guerrilha \u00fanica e que, portanto, todos esses ex\u00e9rcitos tivessem participado na estrat\u00e9gia de tens\u00e3o, logo em atentados terroristas. Ora, \u00e9 importante saber que nem todos esses ex\u00e9rcitos secretos participaram em atentados e compreender o que os diferenciava, porque eles tinham duas actividades distintas. O que parece hoje claro \u00e9 que as estruturas clandestinas da NATO, no conjunto chamadas Stay Behind [5], estavam concebidas \u00e0 partida para levar a cabo guerrilhas em caso de ocupa\u00e7\u00e3o da Europa Ocidental por parte da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Os Estados Unidos diziam que essas redes de guerrilha eram necess\u00e1rias para colmatar a imprepara\u00e7\u00e3o em que se encontraram os pa\u00edses invadidos pela Alemanha.<\/p>\n<p>Um certo n\u00famero de pa\u00edses que sofreram a ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3, como a Noruega, queriam tirar li\u00e7\u00f5es da sua incapacidade demonstrada de resistir ao ocupante e disseram a si pr\u00f3prios que, em caso de nova ocupa\u00e7\u00e3o, deveriam estar mais bem preparados e ter um ex\u00e9rcito secreto como segunda op\u00e7\u00e3o, se porventura o ex\u00e9rcito cl\u00e1ssico ficasse desfeito. Havia nesses ex\u00e9rcitos secretos gente honesta, patriotas sinceros que queriam simplesmente defender o seu pa\u00eds em caso de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Se bem compreendo, esses Stay Behind cujo objectivo inicial era preparar-se para a eventualidade duma invas\u00e3o sovi\u00e9tica foram desviados dele para combater a esquerda. Custa a perceber porque raz\u00e3o os partidos de esquerda n\u00e3o investigaram, n\u00e3o denunciaram esses desvios mais cedo?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Se se tomar o caso da It\u00e1lia, parece que, de cada vez que o Partido Comunista interpelou o governo pedindo explica\u00e7\u00f5es sobre o ex\u00e9rcito secreto que operava no pa\u00eds com o nome de c\u00f3digo Gladio [6], nunca teve resposta sob o pretexto de segredo de Estado. N\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o em 1990 que Giulio Andreotti [7] reconheceu a exist\u00eancia do Gladio e das suas liga\u00e7\u00f5es com a NATO, a CIA e o MI6 [8]. \u00c9 nessa \u00e9poca tamb\u00e9m que o juiz Felice Casson conseguiu provar que o verdadeiro autor do atentado de Peteano em 1972, que abalou toda a It\u00e1lia e que fora at\u00e9 ent\u00e3o atribu\u00eddo a militantes da extrema-esquerda, era de facto Vincenzo Vinciguerra, pr\u00f3ximo do Ordine Nuovo, um grupo de extrema-direita. Vinciguerra confessou haver cometido o atentado de Peteano com a ajuda dos servi\u00e7os secretos italianos. Vinciguerra falou tamb\u00e9m da exist\u00eancia desse ex\u00e9rcito secreto Gladio e explicou como, durante a Guerra Fria, esses atentados clandestinos causaram a morte de mulheres e crian\u00e7as [9]. Afirmou tamb\u00e9m que esse ex\u00e9rcito secreto, controlado pela NATO, tinha ramifica\u00e7\u00f5es por toda a Europa. Quando apareceu essa informa\u00e7\u00e3o houve uma crise pol\u00edtica em It\u00e1lia. E \u00e9 gra\u00e7as \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es do juiz Felice Casson que se tem hoje conhecimento dos ex\u00e9rcitos secretos da NATO.<\/p>\n<p>Na Alemanha quando os socialistas do SPD souberam, em 1990, que existia no seu pa\u00eds &#8211; como em todos os outros pa\u00edses europeus &#8211; um ex\u00e9rcito secreto, e que essa estrutura estava ligada aos servi\u00e7os secretos alem\u00e3es, bradaram esc\u00e2ndalo aos quatro ventos e acusaram o partido democrata-crist\u00e3o (CDU). Este reagiu dizendo: se nos acusais, vamos a p\u00fablico dizer como v\u00f3s tamb\u00e9m, com Willy Brandt, participastes na conspira\u00e7\u00e3o. Coincidiu isto com as primeiras elei\u00e7\u00f5es na Alemanha reunificada, que o SPD esperava ganhar. Os dirigentes do SPD compreenderam que isso n\u00e3o seria um bom tema eleitoral e acabaram por dar a entender que, no fim de contas, esses ex\u00e9rcitos secretos eram justific\u00e1veis.<\/p>\n<p>No Parlamento Europeu, em Novembro de 1990, levantaram-se vozes dizendo que n\u00e3o se podia tolerar a exist\u00eancia de ex\u00e9rcitos clandestinos, nem deixar por explicar os actos de terror cuja verdadeira origem n\u00e3o era clara e que era necess\u00e1rio investigar. O Parlamento Europeu protestou na altura por escrito junto da NATO e do presidente George Bush senior. Mas nada foi feito.<\/p>\n<p>S\u00f3 na It\u00e1lia, Su\u00ed\u00e7a e B\u00e9lgica foram levados a cabo inqu\u00e9ritos p\u00fablicos, e s\u00f3 nestes pa\u00edses se p\u00f4s um pouco de ordem neste assunto e se publicou relat\u00f3rios sobre os ex\u00e9rcitos secretos.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>E hoje em dia? Esses ex\u00e9rcitos clandestinos estar\u00e3o ainda activos? Haver\u00e1 estruturas nacionais secretas que escapem ao controlo dos Estados?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Para um historiador \u00e9 dif\u00edcil de responder a essa quest\u00e3o. N\u00e3o se disp\u00f5e dum relat\u00f3rio oficial pa\u00eds por pa\u00eds. Nas minhas obras analiso factos que posso provar.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 It\u00e1lia, existe um relat\u00f3rio que afirma que o ex\u00e9rcito secreto Gladio foi suprimido. Sobre a exist\u00eancia do ex\u00e9rcito secreto P26 na Su\u00ed\u00e7a, houve, em Novembro de 1990, semelhante relat\u00f3rio do Parlamento. Assim, os ex\u00e9rcitos clandestinos que armazenaram explosivos em esconderijos um pouco por toda a Sui\u00e7a foram dissolvidos.<\/p>\n<p>Mas nos outros pa\u00edses n\u00e3o se fez nada. Em Fran\u00e7a quando o presidente Fran\u00e7ois Mitterrand afirmou que tudo isso pertencia ao passado, soube-se logo a seguir que essas estruturas secretas continuavam activas com a afirma\u00e7\u00e3o de Giulio Andreotti que o presidente franc\u00eas mentia: \u00abDiz o senhor que os ex\u00e9rcitos secretos j\u00e1 n\u00e3o existem; ora, aquando da reuni\u00e3o secreta no Outono de 1990, v\u00f3s, franceses, tamb\u00e9m est\u00e1veis presentes; n\u00e3o diga portanto que j\u00e1 n\u00e3o existem\u00bb. Mitterrand ficou bastante zangado com Andreotti pois, ap\u00f3s esta revela\u00e7\u00e3o, foi obrigado a rectificar a sua declara\u00e7\u00e3o. Mais tarde, o antigo chefe dos servi\u00e7os secretos franceses, o almirante Pierre Lacoste, confirmou que esses ex\u00e9rcitos secretos existiam tamb\u00e9m em Fran\u00e7a e que a Fran\u00e7a estivera tamb\u00e9m implicada em atentados terroristas [10].<\/p>\n<p>\u00c9 portanto dif\u00edcil dizer se tudo isso est\u00e1 acabado. E, ainda que as estruturas Gladio tenham sido dissolvidas, pode-se sem d\u00favida ter criado outras, continuando-se a servir desta t\u00e9cnica da estrat\u00e9gia da tens\u00e3o e das bandeiras-falsas.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Pode-se pensar que, ap\u00f3s a derrocada da URSS, os Estados Unidos e a NATO tenham continuado a aplicar a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o e as bandeiras-falsas em outras frentes?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>As minhas pesquisas concentraram-se sobre o per\u00edodo da Guerra-Fria na Europa. Mas sabe-se que, em outros s\u00edtios, houve bandeiras-falsas cuja responsabilidade provou-se terem sido dos Estados Unidos. Um exemplo: os atentados em 1953 no Ir\u00e3o, no princ\u00edpio atribu\u00eddos aos comunistas iranianos.<\/p>\n<p>Ora ficou comprovado que a CIA e o MI6 se serviram de agentes provocadores para orquestrar a queda o governo de Mohamed Mossadegh. Isto no quadro da guerra pelo controlo do petr\u00f3leo. Outro exemplo: os atentados no Egipto em 1954 que ao princ\u00edpio se atribu\u00eda aos mu\u00e7ulmanos. Ficou mais tarde provado, naquilo que se chama o caso Lavon [11], que foram agentes da Mossad os autores. Neste caso tratou-se de Israel conseguir que as tropas brit\u00e2nicas n\u00e3o sa\u00edssem do Egipto para garantir a seguran\u00e7a de Israel. Assim, temos exemplos hist\u00f3ricos que mostram qe a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o e as falsas-bandeiras foram utilizadas pelos EUA, Gr\u00e3 Bretanha e Israel. \u00c9 preciso continuarmos as pesquisas nestas \u00e1reas porque, na sua hist\u00f3ria, outros pa\u00edses utilizaram tamb\u00e9m a mesma estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Estas estruturas clandestinas da NATO, criadas depois da Segunda Guerra Mundial por iniciativa dos Estados Unidos para dotar os pa\u00edses europeus duma guerrilha capaz de resistir a uma invas\u00e3o sovi\u00e9tica, no fim de contas n\u00e3o serviram para mais nada que levar cabo ac\u00e7\u00f5es criminosas contra os cidad\u00e3os europeus! Tudo leva a crer que os Estados Unidos tinham afinal outros objectivos.<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Tem raz\u00e3o em levantar essa quest\u00e3o. Os Estados Unidos estavam interessados no controlo pol\u00edtico. Esse controlo pol\u00edtico \u00e9 um elemento essencial da estrat\u00e9gia de Washington e Londres. O general Geraldo Serravalle, chefe do Gladio, a rede italiana do Stay Behind, d\u00e1 um exemplo disso no seu livro. Ele conta que compreendeu que os Estados Unidos n\u00e3o estavam interessados na prepara\u00e7\u00e3o dessa guerrilha em caso de invas\u00e3o sovi\u00e9tica quando viu que, o que interessava aos agentes da CIA que assistiam aos exerc\u00edcios de treino do ex\u00e9rcito secreto que ele dirigia, era assegurar que esse ex\u00e9rcito funcionasse de modo a controlar as ac\u00e7\u00f5es dos militantes comunistas. O medo deles era a subida ao poder dos comunistas em pa\u00edses como a Gr\u00e9cia, a It\u00e1lia ou a Fran\u00e7a. Era portanto para isso que servia a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o: orientar e influenciar a pol\u00edtica de certos pa\u00edses da Europa Ocidental.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Disse que o elemento emocional \u00e9 um factor importante na estrat\u00e9gia da tens\u00e3o. Portanto, o terror, cuja origem \u00e9 ainda vaporosa e incerta, e o medo que ele provoca, servem para manipular a opini\u00e3o. Ontem ateava-se o medo do comunismo; hoje n\u00e3o se ateia o medo do Isl\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Sim, h\u00e1 um paralelo bem claro.<\/p>\n<p>Como prepara\u00e7\u00e3o da guerra contra o Iraque disse-se que Sadam Hussein possu\u00eda armas biol\u00f3gicas, que havia um elo entre o Iraque e os atentados de 11 de Setembro, ou que havia um elo entre o Iraque e os terroristas da Al Qaida. Mas nada disso era verdade. Com essas mentiras pretendia-se fazer crer ao mundo que os mu\u00e7ulmanos queriam estender o terrorismo por todo o lado e que essa guerra era necess\u00e1ria para combater o terror.<\/p>\n<p>Ora, a verdadeira raz\u00e3o da guerra \u00e9 o controlo dos recursos energ\u00e9ticos. A geologia determinou que as riquezas em g\u00e1s e petr\u00f3leo se concentrem nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos. Quem os queira a\u00e7ambarcar tem de se esconder atr\u00e1s deste g\u00e9nero de manipula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o podem dizer \u00e0s pessoas que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 muito mais petr\u00f3leo, e que o m\u00e1ximo da produ\u00e7\u00e3o global \u2013 o \u201cpeak oil\u201d [12] \u2013 dar-se-\u00e1 provavelmente antes de 2020; nem que \u00e9 preciso ir busc\u00e1-lo ao Iraque; porque isso seria dizerem que \u00e9 necess\u00e1rio matar crian\u00e7as por petr\u00f3leo. E t\u00eam raz\u00f5es para n\u00e3o quererem dizer tal coisa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o podem dizer \u00e0s pessoas que no Mar C\u00e1spio h\u00e1 reservas enormes e que t\u00eam planos para construir um oleoduto at\u00e9 ao Oceano \u00cdndico, e que, como n\u00e3o se pode passar pelo Ir\u00e3o ao sul, nem pela R\u00fassia ao norte, ser\u00e1 necess\u00e1rio passar por leste, pelo Turquemenist\u00e3o e pelo Afeganist\u00e3o, e que \u00e9 portanto necess\u00e1rio controlar esses pa\u00edses. Por isso se qualifica os mu\u00e7ulmanos de \u00abterroristas\u00bb. N\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o grandes mentiras, mas se forem repetidas vezes sem conta, as pessoas acabar\u00e3o por crer nelas e na utilidade das guerras antimu\u00e7ulmanas; assim como esquecer\u00e3o que h\u00e1 muitas formas de terrorismo, e que a viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma especialidade apenas mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Em suma, essas estruturas clandestinas poderiam ter sido dissolvidas, mas a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o pode ter continuado?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Exacto. Pode-se ter dissolvido essas estruturas mas formado outras novas. \u00c9 preciso explicar como s\u00e3o a t\u00e1ctica e a manipula\u00e7\u00e3o na estrat\u00e9gia da tens\u00e3o. Nada disso \u00e9 legal. Mas para os Estados \u00e9 mais f\u00e1cil manipular as pessoas que dizer-lhes que se est\u00e1 tentando deitar m\u00e3o ao petr\u00f3leo alheio.<\/p>\n<p>De qualquer modo, nem todos os atentados prov\u00eaem da estrat\u00e9gia da tens\u00e3o. Mas \u00e9 dif\u00edcil saber quais s\u00e3o os manipulados e quais n\u00e3o s\u00e3o. Mesmo quem saiba que um certo n\u00famero de atentados s\u00e3o manipulados por Estados para desacreditar um inimigo pol\u00edtico, esbarra contra um obst\u00e1culo psicol\u00f3gico. Ap\u00f3s um atentado as pessoas t\u00eam medo, est\u00e3o confusas. \u00c9 muito dif\u00edcil ter ideia que a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o, a estrat\u00e9gia da bandeira-falsa, \u00e9 uma realidade.<\/p>\n<p>\u00c9 mais f\u00e1cil aceitar a manipula\u00e7\u00e3o e dizer a si pr\u00f3prio: \u201cH\u00e1 trinta anos que me mantenho informado e nunca ouvi falar de ex\u00e9rcitos criminosos nenhuns. Os mu\u00e7ulmanos atacam-nos, e \u00e9 por isso que os combatemos.\u201d<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Desde 2001 a Uni\u00e3o Europeia instaurou medidas antiterroristas. Mais tarde tornou-se evidente que essas medidas permitiram \u00e0 CIA raptar pessoas e transport\u00e1-las para s\u00edtios secretos para as torturar. Os Estados europeus n\u00e3o se tornaram um pouco ref\u00e9ns da sua submiss\u00e3o aos Estados Unidos?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Os Estados europeus tiveram uma atitude bastante fraca em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos ap\u00f3s os atentados de 11 de Setembro de 2001. Depois de terem afirmado que as pris\u00f5es secretas eram ilegais, deixaram de intervir. E o mesmo fizeram com os prisioneiros de Guant\u00e2namo. Na Europa levantaram-se vozes afirmando: \u00abN\u00e3o se pode privar os prisioneiros de defesa e de advogado.\u00bb Mas quando Madame Angela Merkel levantou esta quest\u00e3o, os Estados Unidos deixaram claramente entender que a Alemanha estava de certo modo implicada no Iraque e que os seus servi\u00e7os secretos haviam contribu\u00eddo para a prepara\u00e7\u00e3o dessa guerra e que portanto deveriam manter-se calados.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Em tal contexto, com tantas zonas de sombra, que seguran\u00e7a traz a NATO aos povos que se presume proteger, permitindo desta maneira aos servi\u00e7os secretos manipular?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Em rela\u00e7\u00e3o aos atentados terroristas manipulados pelos ex\u00e9rcitos secretos da rede Gladio durante a Guerra Fria \u00e9 preciso determinar com clareza qual foi a implica\u00e7\u00e3o real da NATO neles e saber o que realmente se passou. Trataram-se de actos isolados ou organizados secretamente pela NATO? At\u00e9 hoje a NATO tem sempre recusado falar da estrat\u00e9gia da tens\u00e3o e do terrorismo durante a Guerra Fria. A NATO recha\u00e7a qualquer quest\u00e3o relativa ao Gladio.<\/p>\n<p>Hoje em dia a NATO \u00e9 usada como um ex\u00e9rcito ofensivo, mas n\u00e3o foi para isso que a organiza\u00e7\u00e3o foi criada. Foi activada dessa maneira no dia 12 de Setembro de 2001, imediatamente ap\u00f3s os atentados em Nova Iorque. Os dirigentes da NATO afirmam que a raz\u00e3o da sua participa\u00e7\u00e3o na guerra contra os afeg\u00e3os \u00e9 combater o terrorismo.<\/p>\n<p>Ora a NATO est\u00e1 em risco de perder essa guerra. Haver\u00e1 ent\u00e3o uma grande crise, debates; o que vir\u00e1 a permitir saber se a NATO conduz, tal como diz, uma guerra contra o terrorismo, ou se se encontra numa situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 que se encontrava durante a Guerra-Fria com o ex\u00e9rcito secreto Gladio, onde tinha uma liga\u00e7\u00e3o ela pr\u00f3pria com o terror. Os pr\u00f3ximos anos dir\u00e3o se a NATO age para al\u00e9m da miss\u00e3o para que foi fundada: defender os pa\u00edses europeus e os Estados Unidos em caso de invas\u00e3o sovi\u00e9tica, evento que nunca se deu. A NATO n\u00e3o foi fundada para se apoderar do petr\u00f3leo e do g\u00e1s dos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Percebe-se porque Israel, a quem interessa aumentar os conflitos nos pa\u00edses \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos, encoraja os Estados Unidos nesse sentido. Mas que interesse possa ser o dos Estados europeus em enviar tropas para guerras decididas pelo Pent\u00e1gono, como no Afeganist\u00e3o, por exemplo?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Penso que a Europa esteja confusa. Os Estados Unidos s\u00e3o presentemente os senhores da for\u00e7a e os Europeus t\u00eam tend\u00eancia a pensar que o melhor a fazer \u00e9 colaborar com o mais forte.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 bom pensar um pouco melhor. Os parlamentares europeus cedem facilmente \u00e0 press\u00e3o dos Estados Unidos, os quais reclamam continuamente tropas para esta ou aquela frente. Quanto mais os pa\u00edses europeus cederem, tanto mais se submeter\u00e3o, e tanto mais se confrontar\u00e3o com problemas cada vez maiores.<\/p>\n<p>No Afeganist\u00e3o, os alem\u00e3es e os brit\u00e2nicos est\u00e3o sob o comando do ex\u00e9rcito americano. Estrategicamente n\u00e3o \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o do interesse desses pa\u00edses. Recentemente os Estados Unidos mandaram os alem\u00e3es dispor as suas tropas tamb\u00e9m no sul do Afeganist\u00e3o em zonas onde as batalhas s\u00e3o mais duras. Se os alem\u00e3es aceitarem, arriscam-se a serem massacrados pelas for\u00e7as afeg\u00e3s, que rejeitam a presen\u00e7a de qualquer ocupante que seja.<\/p>\n<p>A Alemanha deveria, com toda a seriedade, perguntar-se se n\u00e3o deveria retirar os seus 3000 soldados do Afeganist\u00e3o. Mas, para os alem\u00e3es, desobedecer \u00e0s ordens dos Estados Unidos, de quem s\u00e3o um pouco como vassalos, \u00e9 um passo dif\u00edcil a dar.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Que sabem as autoridades que nos governam hoje em dia da estrat\u00e9gia da tens\u00e3o? Continuar\u00e3o a permitir aos fazedores de guerras fomentarem golpes de Estado, raptarem e torturarem pessoas, sem nada fazer? T\u00eam as autoridades ainda os meios necess\u00e1rios de os impedir de levar a cabo tais crimes?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>N\u00e3o sei. Como historiador, observo, tomo notas. Como conselheiro pol\u00edtico, afirmo sempre que h\u00e1 que n\u00e3o ceder a manipula\u00e7\u00f5es cuja ideia \u00e9 criar o medo e a fazer crer que os \u00abterroristas\u00bb s\u00e3o sempre os mu\u00e7ulmanos; afirmo que se trata duma luta pelos recursos energ\u00e9ticos; que \u00e9 preciso encontrar formas de sobreviver \u00e0 pen\u00faria energ\u00e9tica sem ser no sentido da militariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode resolver os problemas de tal jeito; assim s\u00f3 se agravam.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Ao observar a diaboliza\u00e7\u00e3o dos \u00e1rabes e dos mu\u00e7ulmanos na perspectiva do conflito israelo-palestiniano, diz-se que n\u00e3o tem nada a ver com o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Sim, nesse caso, sim. Mas na perspectiva dos Estados Unidos trata-se de facto de controlar as reservas energ\u00e9ticas do bloco euro-asi\u00e1tico que se situa na \u00abelipse estrat\u00e9gica\u00bb que vai do Azerbaij\u00e3o, passando pelo Turquemenist\u00e3o e o Cazaquist\u00e3o at\u00e9 \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita, o Iraque, o Kuwait e o Golfo P\u00e9rsico.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente a\u00ed, nessa regi\u00e3o, onde se desenrola toda a pretensa guerra \u00abcontra o terrorismo\u00bb, que se concentram as mais importantes reservas de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Na minha opini\u00e3o, tudo isto n\u00e3o \u00e9 mais do que um jogo geoestrat\u00e9gico no qual a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o pode sen\u00e3o perder. Porque se os Estados Unidos chegam a controlar esses recursos, e com o agravamento da crise energ\u00e9tica, a\u00ed estar\u00e3o eles a dizer: \u201cquereis g\u00e1s?, quereis petr\u00f3leo? Pois sim, mas em troca n\u00f3s queremos isto e aquilo\u00bb.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos n\u00e3o dar\u00e3o de gra\u00e7a petr\u00f3leo e g\u00e1s aos pa\u00edses europeus. Pouca gente sabe que o \u00abpeak oil\u00bb, o m\u00e1ximo de produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 foi atingido no Mar do Norte, e que, consequentemente, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Europa &#8211; a produ\u00e7\u00e3o da Noruega e da Gr\u00e3 Bretanha &#8211; est\u00e1 em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>No dia em que as pessoas se derem conta que estas guerras \u00abcontra o terrorismo\u00bb s\u00e3o manipula\u00e7\u00e3o, e que as acusa\u00e7\u00f5es contra os mu\u00e7ulmanos s\u00e3o em parte propaganda, ficar\u00e3o bastante surpreendidas. Os Estados europeus t\u00eam que acordar e compreender por fim como funciona a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o.<\/p>\n<p>E t\u00eam que aprender tamb\u00e9m a dizer n\u00e3o aos Estados Unidos. Al\u00e9m disso, nos Estados Unidos tamb\u00e9m h\u00e1 muita gente que n\u00e3o quer esta militariza\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Fez tamb\u00e9m pesquisas sobre os atentados de 11 de Setembro de 2001 e assinou um livro [13] em conjunto com outros intelectuais que se preocupam com as incoer\u00eancias e as contradi\u00e7\u00f5es na vers\u00e3o oficial dos eventos e nas conclus\u00f5es da comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito mandatada pelo senhor Bush. N\u00e3o teme vir a ser acusado de \u00abteoria da conspira\u00e7\u00e3o\u00bb?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Os meus estudantes e outras pessoas t\u00eam-me perguntado se esta \u00abguerra contra o terrorismo\u00bb est\u00e1 de facto relacionada com o petr\u00f3leo e o g\u00e1s e se os atentados de 11 de Setembro foram de facto manipulados, ou \u00e9 uma coincid\u00eancia que os mu\u00e7ulmanos de Ossama bin Laden tenham atacado exactamente na altura em que os pa\u00edses ocidentais come\u00e7avam a perceber uma crise do petr\u00f3leo? Comecei portanto a interessar-me pelo que se escreveu sobre o 11 de Setembro e a estudar tamb\u00e9m o relat\u00f3rio oficial apresentado em Junho de 2004.<\/p>\n<p>Quando se mergulha neste assunto, uma pessoa apercebe-se de imediato que h\u00e1 um grande debate planet\u00e1rio \u00e0 volta do que realmente se passou em 11 de Setembro de 2001.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o que se tem n\u00e3o \u00e9 muito precisa. Uma pessoa come\u00e7a-se logo por perguntar porque raz\u00e3o, num relat\u00f3rio de 600 p\u00e1ginas, nem sequer est\u00e1 mencionada a derrocada da terceira torre que ocorreu nesse mesmo dia. A comiss\u00e3o n\u00e3o se refere sen\u00e3o \u00e0 derrocada das duas torres, as \u201cTwin Towers\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 uma terceira torre de 170 metros de altura que se esbarrondou: a chamada WTC7. No caso dessa torre, fala-se dum pequeno inc\u00eandio.<\/p>\n<p>Falei com professores que conheciam bem a estrutura desses edif\u00edcios,que afirmam que um pequeno inc\u00eandio, em tal caso, n\u00e3o poderia nunca destruir uma estrutura daquelas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria oficial sobre o 11 de Setembro e as conclus\u00f5es da comiss\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o cred\u00edveis. Tal aus\u00eancia de clareza p\u00f5e os investigadores numa situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil. Reina tamb\u00e9m a confus\u00e3o sobre o que de facto se ter\u00e1 passado no Pent\u00e1gono. Nas fotografias que se tem \u00e9 muito dif\u00edcil ver um avi\u00e3o e n\u00e3o se consegue perceber como \u00e9 que um avi\u00e3o teria atingido o edif\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>O Parlamento da Venezuela pediu aos Estados Unidos mais explica\u00e7\u00f5es sobre a origem dos atentados. N\u00e3o deveria este ser um exemplo a seguir?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>H\u00e1 muitas incertezas sobre o 11 de Setembro. Os parlamentares, os acad\u00e9micos, os cidad\u00e3os podem pedir contas sobre os que realmente se passou. Penso que \u00e9 importante continuarmos a questionar-nos sobre o assunto. \u00c9 um evento que ningu\u00e9m consegue esquecer; cada um de n\u00f3s lembra-se onde estava naquele momento preciso. \u00c9 incr\u00edvel que, cinco anos mais tarde, n\u00e3o se tenha ainda clarificado a quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Dir-se-ia que tudo se passa como se as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o quisessem p\u00f4r em causa a vers\u00e3o oficial. Ter-se-iam deixado manipular pela desinforma\u00e7\u00e3o organizada e pelos estrategas da tens\u00e3o e pelas bandeiras-falsas?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>\u00c9-se manipul\u00e1vel quando se tem medo: medo de perder o seu trabalho, medo de perder o respeito das pessoas que se ama. N\u00e3o se consegue sair desta espiral de viol\u00eancia e de terror se se deixar tomar pelo medo.<\/p>\n<p>\u00c9 normal ter medo, mas \u00e9 preciso falar abertamente desse medo e das manipula\u00e7\u00f5es que o geram. Ningu\u00e9m poder\u00e1 escapar \u00e0s suas consequ\u00eancias. E isso \u00e9 t\u00e3o mais grave quanto os respons\u00e1veis pol\u00edticos agem frequentemente sob o efeito do medo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso encontrar for\u00e7a para dizer: \u00abSim, tenho medo de saber que estas mentiras causam sofrimento nas pessoas; sim, tenho medo de pensar que n\u00e3o h\u00e1 mais petr\u00f3leo; sim, tenho medo de pensar que o terrorismo de que se fala \u00e9 consequ\u00eancia de manipula\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o me vou deixar intimidar\u00bb.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>At\u00e9 que ponto pa\u00edses como a Su\u00ed\u00e7a participam, neste momento, na estrat\u00e9gia da tens\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Penso que n\u00e3o haja estrat\u00e9gia da tens\u00e3o na Su\u00ed\u00e7a. Este pa\u00eds n\u00e3o sofre atentados terroristas. Mas, a verdade \u00e9 que, na Su\u00ed\u00e7a como em outras partes, os pol\u00edticos que temem os Estados Unidos e a sua for\u00e7a t\u00eam tend\u00eancia a dizer-se: s\u00e3o bons amigos, n\u00e3o temos interesse em batermo-nos contra eles.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Essa maneira de pensar e de cobrir as mentiras que decorrem a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o n\u00e3o os torna um pouco c\u00famplices dos crimes de que ela \u00e9 a respons\u00e1vel? A come\u00e7ar pelos jornalistas e pelos partidos pol\u00edticos?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Pessoalmente penso que toda a gente \u2013 jornalistas, acad\u00e9micos, pol\u00edticos \u2013 devem de reflectir sobre as implica\u00e7\u00f5es da estrat\u00e9gia da tens\u00e3o e das bandeiras-falsas. Estamos perante, \u00e9 verdade, fen\u00f3menos que escapam a qualquer compreens\u00e3o. Por isso, de cada vez que h\u00e1 um atentado terrorista, \u00e9 preciso questionarmo-nos e procurar descortinar o que ele esconde. E isso n\u00e3o ser\u00e1 sen\u00e3o quando se admita oficialmente que as bandeiras-falsas s\u00e3o uma realidade, e que se possa fazer uma lista das bandeiras-falsas ao longo da hist\u00f3ria e pormo-nos de acordo sobre o que se dever\u00e1 fazer.<\/p>\n<p>A procura da paz \u00e9 o tema que me interessa. \u00c9 importante abrir o debate sobre a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o e tomar nota que se trata dum fen\u00f3meno bem real. Porque, enquanto se recusar a reconhecer a sua exist\u00eancia, n\u00e3o se poder\u00e1 agir. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante explicar o que significa realmente a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o. E, uma vez compreendido, n\u00e3o se deixar tomar pelo medo e pelo \u00f3dio contra um grupo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dizer que n\u00e3o \u00e9 apenas um pa\u00eds que est\u00e1 implicado nisto; que s\u00e3o s\u00f3 os Estados Unidos, a It\u00e1lia, Israel ou os iranianos, mas isto sucede em todo o lado, se bem que certos pa\u00edses participem mais intensamente que outros. O que \u00e9 preciso \u00e9 compreender, sem acusar tal ou tal pa\u00eds ou tal ou tal pessoa. O medo e o \u00f3dio n\u00e3o ajudam a avan\u00e7ar mas sim paralisam o debate. Vejo muitas acusa\u00e7\u00f5es contra os Estados Unidos, contra Israel, contra a Gr\u00e3-Bretanha, ou alternativamente contra o Ir\u00e3o ou a S\u00edria.<\/p>\n<p>A procura da paz ensina-nos que n\u00e3o nos devemos basear em acusa\u00e7\u00f5es fundadas no nacionalismo, e que n\u00e3o \u00e9 preciso nem \u00f3dio nem medo; que o mais importante \u00e9 explicar. E essa compreens\u00e3o ser\u00e1 ben\u00e9fica para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>SC: <\/strong>Porque \u00e9 que o seu livro consagrado aos ex\u00e9rcitos secretos da NATO, publicado em ingl\u00eas, traduzido em italiano, em turco, em esloveno e, em breve, em grego, n\u00e3o foi publicado em franc\u00eas?<\/p>\n<p><strong>DG: <\/strong>Ainda n\u00e3o encontrei editor em Fran\u00e7a. Se algum editor estiver interessado em publicar o meu livro, \u00e9 com muito gosto que o verei traduzido em franc\u00eas.<\/p>\n<p>partilhar este<\/p>\n<p><strong>Notas: <\/strong><\/p>\n<p>[1] Nato\u2019s secret Armies: Terrorism in Western Europe por Daniele Ganser, pref\u00e1cio de John Prados. Ed. Frank Cass, 2005. ISBN 07146850032005<\/p>\n<p>[2] Foi depois do atentado na Piazza Fontana em Mil\u00e3o em 1969 que a express\u00e3o estrat\u00e9gia da tens\u00e3o foi ouvida pela primeira vez.<\/p>\n<p>[3] False flag operations (opera\u00e7\u00f5es bandeira-falsa) \u00e9 a express\u00e3o usada para designar as ac\u00e7\u00f5es terroristas cometidas secretamente por governos ou organiza\u00e7\u00f5es e de modo que pare\u00e7a terem sido cometidas por outros.<\/p>\n<p>[4] \u201cStay-behind: les r\u00e9seaux d\u2019ing\u00e9rence am\u00e9ricains\u201d por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 20 de Agosto de 2001.<\/p>\n<p>[5] Stay behind (significa: ficar atr\u00e1s em caso de invas\u00e3o sovi\u00e9tica) \u00e9 o nome dado \u00e0s estruturas clandestinas treinadas para levaram a cabo um guerra de guerrilhas.<\/p>\n<p>[6] Gladio designa o conjunto dos ex\u00e9rcitos secretos europeus que estavam sob a direc\u00e7\u00e3o da CIA.<\/p>\n<p>[7] Presidente do Conselho de Ministros, membro da democracia crist\u00e3.<\/p>\n<p>[8] \u201cRapport Andreotti sur l\u2019Op\u00e9ration Gladio\u201d documento de 26 de Fevereiro de 1991, Biblioteca da Rede Voltaire.<\/p>\n<p>[9] \u201c1980: Carnage \u00e0 Bologne, 85 morts\u201d , Rede Voltaire, 12 de Mar\u00e7o de 2004.<\/p>\n<p>[10] \u201cLa France autorise l\u2019action des services US sur son territoire\u201d por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 8 de Mar\u00e7o de 2004.<\/p>\n<p>[11] Affaire Lavon, do nome do ministro da Defesa israelense que teve que se demitir quando a Mossad foi desmascarada como tendo tido parte nesses actos criminosos.<\/p>\n<p>[12] Ver: \u201cOdeurs de p\u00e9trole \u00e0 la Maison-Blanche\u201d, Rede Voltaire, 14 de Dezembro de 2001. \u201cLes ombres du rapport Cheney\u201d por Arthur Lepic, 30 de Mar\u00e7o de 2004. \u201cLe d\u00e9placement du pouvoir p\u00e9trolier\u201d por Arthur Lepic, 10 de Maio de 2004. \u201cDick Cheney, le pic p\u00e9trolier et le compte \u00e0 rebours final\u201d por Kjell Aleklett, 9 de Mar\u00e7o de 2005. \u201cL\u2019adaptation \u00e9conomique \u00e0 la rar\u00e9faction du p\u00e9trole\u201d por Thierry Meyssan, 9 de Junho de 2005.<\/p>\n<p>[13] 9\/11 American Empire: Intellectual speaks out, sob a direc\u00e7\u00e3o de David Ray Griffin, Olive Branch Press, 2006<\/p>\n<p><em>* Jornalista su\u00ed\u00e7a<\/em><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.odiario.info<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nSilvia Cattori*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1106\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1106","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-hQ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1106"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}