{"id":11075,"date":"2016-05-17T14:40:18","date_gmt":"2016-05-17T17:40:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11075"},"modified":"2016-06-02T19:12:12","modified_gmt":"2016-06-02T22:12:12","slug":"a-conjuntura-nao-permite-ilusoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11075","title":{"rendered":"A conjuntura n\u00e3o permite ilus\u00f5es!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/-CmG_xDhOXWI\/VztXXI2cZ6I\/AAAAAAAAL_0\/CW4YAeO6YC8vBeeg1kHhRTlbOhN-f1RPQCCo\/s1308\/rodrigo-lima.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Rodrigo Lima*<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o Senado aprovar a admissibilidade do processo de impeachment e consequente afastamento de Dilma Rousseff da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, a conjuntura pol\u00edtica nacional ganha uma nova configura\u00e7\u00e3o. Depois de 13 anos de governos petistas, o PT volta para o campo da oposi\u00e7\u00e3o e o velho bloco de direita (que n\u00e3o estava totalmente fora do governo nesse ciclo pol\u00edtico) retoma <!--more-->o governo, agora sem a necessidade de um intermedi\u00e1rio, ou de um bombeiro da luta de classes. Contudo, velhos esquemas de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade podem sinalizar que a din\u00e2mica pol\u00edtica retomar\u00e1 o mesmo patamar dos anos 1990, quando o PT j\u00e1 consolidado como principal for\u00e7a pol\u00edtica da esquerda brasileira, capitaneava as criticas aos governos neoliberais de plant\u00e3o e expressava sua hegemonia no movimento de massas de forma avassaladora.<\/p>\n<p>O quadro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. A atual crise capitalista, com sua origem em 2008\/2009, nas economias centrais segue seu curso. O capital, na busca de um rearranjo de sua capacidade de extra\u00e7\u00e3o de mais-valia e amplia\u00e7\u00e3o das taxas gerais de lucro, lan\u00e7a ataques cada vez mais pesados contra \u00e0 classe trabalhadora em escala internacional. O processo de explora\u00e7\u00e3o do trabalho se d\u00e1 sob um forte ataque aos povos (a partir das guerras provocadas pelo imperialismo), nas perdas de direitos, na intensifica\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, no contexto das chamadas pol\u00edticas de austeridade ou ajuste, que visam atender as demandas do capital financeiro internacional.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es para pol\u00edticas de pacto e concilia\u00e7\u00e3o de classes, que s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis em cen\u00e1rio de crescimento econ\u00f4mico, revelam-se cada vez mais dif\u00edceis de serem sustentadas. Da\u00ed uma das bases da explica\u00e7\u00e3o do esgotamento do chamado ciclo progressista na Am\u00e9rica Latina. A burguesia, em sua sanha pela retomada dos seus lucros, n\u00e3o est\u00e1 mais disposta a conceder ou terceirizar os governos nacionais, ainda que seja para for\u00e7as pol\u00edticas j\u00e1 domesticadas e inseridas nos projetos de acumula\u00e7\u00e3o do capital, como foi o caso dos governos do PT. Ainda nesse af\u00e3 da retomada do controle total das pol\u00edticas econ\u00f4micas de aprofundamento da explora\u00e7\u00e3o do trabalho, as burguesias tem alimentado movimentos fascistas em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, como uma esp\u00e9cie de plano alternativo de governo, no caso do fracasso da implementa\u00e7\u00e3o das suas pol\u00edticas no marco da farsa da democracia liberal.<\/p>\n<p>Esse pano de fundo, revela o quanto o PT, que j\u00e1 havia desenhado uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o, antes mesmo de chegar ao governo federal, a partir da Carta aos Brasileiros (2002), buscou e de certa forma ainda busca, mesmo apeado do governo, manter-se como uma alternativa confi\u00e1vel para os planos do capital. O neodesenvolvimentismo, assim tamb\u00e9m nomeado o projeto socioecon\u00f4mico do per\u00edodo lulodilmista, que alguns setores reformistas apontam como a sa\u00edda para a crise, em verdade foi o modelo que produziu as contradi\u00e7\u00f5es que levaram ao quadro que estamos vivendo. Tal pol\u00edtica fortaleceu a burguesia monopolista (em suas diversas fra\u00e7\u00f5es) e conduziu a classe trabalhadora para um cen\u00e1rio de ilus\u00f5es, desmobiliza\u00e7\u00e3o e apassivamento, a partir de uma sensa\u00e7\u00e3o de ascens\u00e3o social baseada no consumismo, que falseava a perda e a precariza\u00e7\u00e3o constante de direitos que marcaram os \u00faltimos 13 anos.<\/p>\n<p>O processo de impeachment, conduzido de forma artificial e apoiado por segmentos da burguesia industrial, pelos conglomerados midi\u00e1ticos, e com o consentimento do capital financeiro, foi uma forma encontrada pela classe dominante de constituir um rearranjo institucional que permitisse que as reformas necess\u00e1rias para sua tentativa de retomada das taxas de lucro, possa ser acelerada, numa concerta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pelo alto, que permita a aplica\u00e7\u00e3o dessa agenda, que tem no documento Ponte para o Futuro, apresentada pelo PMDB, o horizonte de desmonte e violentos ataques contra a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Aqui \u00e9 importante uma considera\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o nos deixarmos levar pelas chamadas \u201condas\u201d de opini\u00e3o que acabam conduzindo organiza\u00e7\u00f5es e militantes sociais para um discurso que acaba atendendo \u00e0 t\u00e1tica petista. Na tentativa fracassada de sobreviv\u00eancia, os reformistas criaram o mote: \u201cN\u00e3o vai ter Golpe!\u201d, como uma forma de unifica\u00e7\u00e3o de setores importantes da classe trabalhadora. J\u00e1 desacreditados junto \u00e0 pr\u00f3pria base de sustenta\u00e7\u00e3o social que manteve esse projeto vigente, principalmente ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o do Plano Levy, que n\u00e3o diferiu em sua ess\u00eancia ao projeto Ponte para o Futuro, o bloco de sustenta\u00e7\u00e3o do Governo Dilma, abandonou a bandeira do \u201cFica Dilma\u201d pela bandeira da defesa da Democracia (burguesa, \u00e9 claro). Contudo, ainda que o avan\u00e7o conservador seja not\u00e1vel, e os ataques diretos contra o PT atinjam o conjunto da esquerda, as tentativas de barrar o processo de impeachment, ainda que impulsionadas por amplos movimentos de massa, principalmente a partir do m\u00eas de mar\u00e7o deste ano, n\u00e3o conseguiram criar uma unidade e avan\u00e7ar no combate \u00e0 agenda da direita. Essencialmente, pelo car\u00e1ter e pelo projeto petista, que ao contr\u00e1rio de algumas expectativas, n\u00e3o tinha a menor possibilidade de uma guinada \u00e0 esquerda, e cujos defensores apostaram at\u00e9 os \u00faltimos minutos em uma sa\u00edda conciliat\u00f3ria, como forma de sa\u00edda da crise.<\/p>\n<p>O governo Temer aplicar\u00e1 uma s\u00e9rie de medidas antipopulares como privatizar, precarizar o servi\u00e7o p\u00fablico, criminalizar os movimentos e as lutas sociais, implementar uma politica de arrocho e de perda de direitos. Esse pacote vir\u00e1 a galope; contudo, \u00e9 importante termos clareza de que essa agenda j\u00e1 vinha em curso no governo Dilma, com a entrega do pr\u00e9-sal, atrav\u00e9s dos leil\u00f5es do petr\u00f3leo e do acordo realizado com o PSDB, que culminou na aprova\u00e7\u00e3o da lei, formulada por Jos\u00e9 Serra, que permite \u00e0s petrol\u00edferas estrangeiras explorar o pr\u00e9-sal sem fazer parceria com a Petrobras; a privatiza\u00e7\u00e3o de portos, aeroportos; da retirada de direitos da classe trabalhadora, com ataques diretos ao servi\u00e7o p\u00fablico como \u00e9 o caso do PLP 257\/2016; do corte de recursos para as \u00e1reas sociais (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade); com a aprova\u00e7\u00e3o de duas leis que preparam o terreno para a criminaliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente e que ser\u00e1 intesificada, atrav\u00e9s da lei de garantia da lei e da ordem e da lei antiterrorista. Al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o das amplas benesses ao capital financeiro, que manteve durante os \u00faltimos 13 anos, assim como nos governos anteriores, total controle sobre o or\u00e7amento, atrav\u00e9s de uma divida p\u00fablica que nunca foi atacada, e sobre a qual Dilma vetou a possibilidade de auditoria, ainda no come\u00e7o deste ano.<\/p>\n<p>Nesse grave cen\u00e1rio, os setores consequentes da esquerda tendem a se unificar sob a bandeira do FORA TEMER. Mas essa bandeira, conjuntural, deve ser associada a uma movimenta\u00e7\u00e3o t\u00e1tica e a um horizonte estrat\u00e9gico. Aqui reside a pedra de toque dos debates que ser\u00e3o travados no campo popular e no seio da classe trabalhadora. O FORA TEMER, dever\u00e1 estar articulado a uma t\u00e1tica de composi\u00e7\u00e3o de uma ampla frente anticapitalista que vem se desenhando em uma s\u00e9rie de greves e ocupa\u00e7\u00f5es pa\u00eds afora, mas que precisam de uma maior unicidade e coes\u00e3o. A luta em defesa da democracia e da volta de Dilma, podem confundir os movimentos dos trabalhadores. O lulismo em busca da viabilidade eleitoral para 2018, buscar\u00e1 recompor o mesmo projeto que desenvolveu durante os seus treze anos de governo, por\u00e9m essa t\u00e1tica consiste numa ilus\u00e3o, pois foi essa movimenta\u00e7\u00e3o que levou a classe trabalhadora a um cen\u00e1rio de grave desmobiliza\u00e7\u00e3o e desorganiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo a bandeira do \u201cFora todos!\u201d, encampado por algumas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, associada ao chamado por elei\u00e7\u00f5es gerais, \u00e9 em verdade uma sa\u00edda reformista e que articula-se, ainda que de forma indireta, \u00e0 agenda da direita. Envidar esfor\u00e7os, organiza\u00e7\u00e3o e luta da classe trabalhadora para uma sa\u00edda institucional, nos marcos das elei\u00e7\u00f5es burguesas, seria uma forma de refor\u00e7ar as ilus\u00f5es com o Estado burgu\u00eas e conduzir a classe trabalhadora para o apassivamento, na expectativa de uma sa\u00edda eleitoral como resolu\u00e7\u00e3o dos problemas. Elei\u00e7\u00f5es gerais, na atual conjuntura, tenderiam a preparar a cama para um governo de direita legitimado pelo voto.<\/p>\n<p>Todas as lutas sociais encampadas no Brasil, principalmente ap\u00f3s o bi\u00eanio 2012\/2013, t\u00eam constru\u00eddo novas e din\u00e2micas formas de luta contra o capital. A tarefa dos revolucion\u00e1rios \u00e9 participar ativamente dessas lutas, na busca da constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os do Poder Popular, que articulem as lutas cotidianas, a uma tomada de consci\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o de um horizonte estrat\u00e9gico que n\u00e3o pode ser uma atualiza\u00e7\u00e3o de propostas reformistas. A constru\u00e7\u00e3o de novas formas de organiza\u00e7\u00e3o da classe, inevitavelmente se chocar\u00e3o contra os interesses do capital. Neste sentido, o Socialismo tem de ser colocado na ordem do dia. A conjuntura internacional tem revelado que \u00e9 cada vez mais atual a consigna, lan\u00e7ada por Rosa Luxemburgo, do Socialismo ou Barb\u00e1rie!<\/p>\n<p>A luta \u00e9 \u00e1rdua, mas teremos de saber travar o bom combate. O atual cen\u00e1rio de retrocesso n\u00e3o pode ser colocado na conta da esquerda socialista, mas sim no fracasso da tardia social-democracia brasileira e do seu projeto democr\u00e1tico popular. A esquerda socialista n\u00e3o pode ser responsabilizada pelo avan\u00e7o conservador, mas sim o petismo e seus aliados que combateram duramente os setores de esquerda no interior dos movimentos sociais, enquanto estendiam seus bra\u00e7os para os setores da direita, que o tra\u00edram sem o menor pudor, como j\u00e1 era de se esperar.<\/p>\n<p>A conjuntura ser\u00e1 muito dura para a classe trabalhadora e para os movimentos populares. A agenda anti-povo se intensificar\u00e1 e se aprofundar\u00e1, sob o governo ilegitimo de Michel Temer. \u00c9 preciso enfrentar a dura conjuntura, que j\u00e1 estamos vivendo, mas sem ilus\u00f5es, e sim com o necess\u00e1rio e permanente desafio de construirmos uma sa\u00edda real para a classe trabalhadora, uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>* Rodrigo Lima \u00e9 membro do Comit\u00ea Regional de Santa Catarina do Partido Comunista Brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rodrigo Lima* Ap\u00f3s o Senado aprovar a admissibilidade do processo de impeachment e consequente afastamento de Dilma Rousseff da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, a \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11075\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-11075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2SD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11075\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}