{"id":1108,"date":"2011-01-07T16:31:48","date_gmt":"2011-01-07T16:31:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1108"},"modified":"2011-01-07T16:31:48","modified_gmt":"2011-01-07T16:31:48","slug":"entrevista-com-jesus-santrich-sobre-o-destaque-de-bolivar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1108","title":{"rendered":"Entrevista com Jes\u00fas Santrich sobre o destaque de Bol\u00edvar"},"content":{"rendered":"\n<p>*Jes\u00fas Santrich \u00e9 integrante do Estado Maior Central das FARC-EP<\/p>\n<p>17\/12\/2010-abp noticias<\/p>\n<p><strong>Sabemos que as FARC-EP formam uma organiza\u00e7\u00e3o que se reivindica marxista-leninista e bolivariana. Explique por que.<\/strong><\/p>\n<p>Antes de mais nada, gostaria de saudar todos voc\u00eas e os que ir\u00e3o escutar ou ler essa nossa conversar. Eu gostaria de come\u00e7ar dizendo que as FARC s\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o insurgente, uma organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira, pol\u00edtico-militar que possui um prop\u00f3sito central em sua luta: conquistar a paz com justi\u00e7a social para todos os colombianos. Dentro do marco de nosso ide\u00e1rio, desejamos tamb\u00e9m que essa justi\u00e7a social se irradie em toda Nossa Am\u00e9rica. A partir da\u00ed, podemos concluir o porqu\u00ea de sermos marxistas-leninistas e porque somos bolivarianos. Uma e outra forma de pensamento tem esses mesmos prop\u00f3sitos: a busca da paz, da justi\u00e7a, da igualdade e da liberdade para um coletivo humano. Portanto, se observarmos as metas e os objetivos, tanto o marxismo-leninismo quanto o bolivarismo, colocam seus empenhos nessas reivindica\u00e7\u00f5es. Eles coincidem. Em consequ\u00eancia disso, as FARC seguem por este mesmo caminho.<\/p>\n<p><strong>Sim\u00f3n Bol\u00edvar, Marx e Lenin pertencem a tempos hist\u00f3ricos diferentes. Os dois \u00faltimos lutaram pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo, enquanto Bol\u00edvar lutou pela independ\u00eancia e emancipa\u00e7\u00e3o dos povos da Nossa Am\u00e9rica. Diante disso, como se confluem o bolivarismo e o marxismo-leninismo? Existem contradi\u00e7\u00f5es em ambas correntes de pensamento? Como elas s\u00e3o compreendidas pelas FARC?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, o marxismo-leninismo e o bolivarismo s\u00e3o dois temas complexos. \u00c9 necess\u00e1rio estud\u00e1-los bastante para encontrar as similitudes e encontrar as poss\u00edveis contradi\u00e7\u00f5es que possam existir entre um e outro. Nas FARC, o que n\u00f3s focamos s\u00e3o as conflu\u00eancias. Acreditamos que existem muitas similaridades e as mais importantes est\u00e3o relacionadas com os prop\u00f3sitos defendidos por ambos. Embora as \u00e9pocas sejam diferentes, s\u00e3o propostas para se alcan\u00e7ar metas espec\u00edficas, relacionadas \u00e0 conquista da paz, da justi\u00e7a social, da igualdade e da liberdade dos povos. Essa \u00e9 sua maior coincid\u00eancia. \u00c9 no aspecto da ordem social que possuem mais identidade e, na medida em que possuem essa identidade, se complementam, se entrela\u00e7am, se amarram, se viram para o mesmo fluxo de uma corrente com muita for\u00e7a, para apresentar sa\u00eddas aos problemas que, mesmo em \u00e9pocas distintas, t\u00eam plena vig\u00eancia. Existe o problema da fome, o da opress\u00e3o aos povos por parte das classes exploradoras que existiam tanto na \u00e9poca de Bol\u00edvar como na vida de Marx e de Lenin. Ent\u00e3o, digo que, atualmente, esses problemas se apresentam agravados. Por isso esse pensamento segue tendo vig\u00eancia. Isso acontece porque s\u00e3o propostas, s\u00e3o op\u00e7\u00f5es para superar essa hist\u00f3ria de injusti\u00e7a e chegar \u00e0 conquista da igualdade, a conquista da verdadeira liberdade.<\/p>\n<p>Nas FARC, ao inv\u00e9s de nos preocupamos em encontrar pontos de contradi\u00e7\u00e3o, tratamos de encontrar os maiores pontos de coincid\u00eancia. \u00c0s vezes, escutamos opositores do marxismo-leninismo dizerem que se trata de uma ideologia forasteira. Talvez em outras partes do mundo, o bolivarismo seja uma ideologia forasteira e dizer isso pode conduzir a uma express\u00e3o de chauvinismo.<\/p>\n<p>Nas FARC, consideramos que qualquer express\u00e3o de pensamento, surja onde surja, se \u00e9 em benef\u00edcio da humanidade, n\u00e3o tem nacionalidade, n\u00e3o tem dono. \u00c9 patrim\u00f4nio da humanidade. \u00c9 o que acontece com o marxismo e com o bolivarismo. Entrando em detalhes e profundidade, poder\u00edamos analisar que Bol\u00edvar, em muitas de suas express\u00f5es, em muitos de seus escritos, fala de Deus e que o marxismo-leninismo, em sua concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica materialista, nega a exist\u00eancia de Deus. Poder\u00edamos dizer, a partir da\u00ed, que existe uma contradi\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s, esses s\u00e3o aspectos secund\u00e1rios frente a todos os pontos de coincid\u00eancia que possuem um e outro acerca da proposta social. \u00c9 a isso que recorrem as FARC em seu projeto de luta.<\/p>\n<p>O que \u00e9 bom para a humanidade, sem deixar de lado as peculiaridades de cada povo, deve encontrar conflu\u00eancia. No caso de Bol\u00edvar, buscamos essa firmeza de identidade em toda Nossa Am\u00e9rica, a firmeza, o respeito, a valoriza\u00e7\u00e3o que faz das tradi\u00e7\u00f5es as mais aut\u00eanticas dos povos amer\u00edndios, ajudando a entender e compreender, da melhor maneira, as circunst\u00e2ncias em que vivem os setores mais oprimidos da \u00e9poca de sua luta, como era o caso dos escravos e dos ind\u00edgenas. Uma das bandeiras principais era acabar com a escravid\u00e3o, com a servid\u00e3o e alcan\u00e7ar a liberdade para todos os homens, elevando-os a categoria de cidad\u00e3os. Estes elementos de autenticidade, como eu dizia, s\u00e3o tomados por Bol\u00edvar conjuntamente com as demais contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p>Se estudarmos os pensadores que falam sobre Bol\u00edvar, veremos que uma das principais reflex\u00f5es feitas \u00e9 que o Libertador utilizou muito os escritos de Rousseau e dos pensadores do Iluminismo e da Ilustra\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida, tais embasamentos o ajudaram muito em suas elabora\u00e7\u00f5es. A isso se somou toda sua experi\u00eancia, toda a sua raiz, os costumes dos povos amer\u00edndios e dos povos trazidos, de forma obrigada, da distante \u00c1frica. Ent\u00e3o, ele objetivava ser como o pintor: usar a melhor paleta, a melhor mistura para a melhor obra. A\u00ed est\u00e1 o que eu dizia sobre os elementos aut\u00eanticos, de como ele contribuiu ao resto da humanidade. Utilizou-se de sua humanidade, de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, de sua identidade e devolveu \u00e0 humanidade em geral. E n\u00e3o por casualidade, mas como decis\u00e3o dentro do humanismo internacionalista, solid\u00e1rio e universal. S\u00e3o estes princ\u00edpios que figuram na concep\u00e7\u00e3o de Bol\u00edvar, assim como na concep\u00e7\u00e3o de Marx e de Lenin. \u00c9 esta identidade e conflu\u00eancia de pensamentos que nos interessa, mais que as contradi\u00e7\u00f5es. S\u00e3o nessas concep\u00e7\u00f5es que n\u00f3s das FARC-EP nos baseamos.<\/p>\n<p><strong>Falamos sobre a concep\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria que tinha Bol\u00edvar. Como ela influencia na concep\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria das FARC-EP?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma pergunta complexa, mas tentarei responder. Eu n\u00e3o sei se voc\u00ea j\u00e1 escutou um repente, uma improvisa\u00e7\u00e3o dos \u00edndios nabor\u00ed. Eles s\u00e3o uma esp\u00e9cie de repentistas, os melhores da Nossa Am\u00e9rica. Um repentista cubano disse assim:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u201cBol\u00edvar de a\u00e7o e mel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Eu tremo quando te evoco,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">capit\u00e3o do Orinoco,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">tendo os Andes como quartel,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">os cascos do teu corcel<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">v\u00e3o colocando centelhas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">n\u00e3o deixando rastros de servos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">nem de tiranos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">de tuas m\u00e3os sa\u00edam<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">povos livres como estrelas\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que Bol\u00edvar representa. Bol\u00edvar n\u00e3o \u00e9 um te\u00f3rico consciente. Ao escrever, n\u00e3o fez com a inten\u00e7\u00e3o de deixar escrito. N\u00e3o era seu of\u00edcio ou sua profiss\u00e3o teorizar. \u00c9 um homem que teoriza juntamente com a execu\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica. Por isso n\u00e3o temos como objetivo encontrar um comp\u00eandio, um manual sobre teoria da hist\u00f3ria, da filosofia, da pol\u00edtica. Por\u00e9m, de fato, quando observamos as cartas, os pronunciamentos, as conclama\u00e7\u00f5es, todo o conjunto \u00e9 uma verdadeira c\u00e1tedra. Uma c\u00e1tedra que tem uma transcend\u00eancia muito importante, porque vai sendo constru\u00edda \u00e0 medida que Bol\u00edvar avan\u00e7a em seu projeto revolucion\u00e1rio. Ao mesmo tempo em que ele avan\u00e7a no projeto revolucion\u00e1rio, promove a execu\u00e7\u00e3o de suas id\u00e9ias. Quando falo de Bol\u00edvar em algumas conversas, em alguns papos, sempre fa\u00e7o uma diferencia\u00e7\u00e3o entre o ide\u00e1rio de Bol\u00edvar, de suas id\u00e9ias em geral. Em Bol\u00edvar, \u00e0s vezes observamos a exist\u00eancia de id\u00e9ias que surgem de uma determinada conjuntura, para resolver um determinado problema ou uma necessidade de ordem pr\u00e1tica. No entanto, existem outras id\u00e9ias de muito mais transcend\u00eancia, de muita import\u00e2ncia que est\u00e3o apresentadas ou concebidas para o tempo futuro, para o tempo vindouro. Talvez pare\u00e7am inating\u00edveis para o momento que estamos vivendo, mas pensando nos nossos ideais, essas id\u00e9ias constituintes de seu ide\u00e1rio, refletem que sua a\u00e7\u00e3o se torna cada vez mais intr\u00e9pida, mais decidida, mais revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>No mesmo sentido, est\u00e1 a concep\u00e7\u00e3o de Bol\u00edvar. Para ele, a hist\u00f3ria \u00e9 o homem, \u00e9 a a\u00e7\u00e3o do homem em tempos diversos, nutrindo-se do passado de sua identidade. Por conta disso, eu expresso muito a palavra raiz. \u00c9 o homem bebendo da mem\u00f3ria, \u00e9 o homem tomando as subst\u00e2ncias de seus ancestrais, de seus av\u00f3s, das experi\u00eancias do povo. Isso \u00e9 a identidade retornando do passado, vindo ao presente por uma luta que se faz necess\u00e1ria. N\u00e3o s\u00f3 com o intuito de planej\u00e1-la, mas de fazer dela um dever fundamental. Uma luta n\u00e3o somente para as gera\u00e7\u00f5es do presente, mas sim como uma possibilidade de melhorar a sociedade do futuro.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as dimens\u00f5es do tempo em Bol\u00edvar e que fazem parte de sua concep\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria de Bol\u00edvar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 execu\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica. \u00c9 uma conjun\u00e7\u00e3o entre a teoria e a pr\u00e1xis, num ciclo infinito de execu\u00e7\u00f5es, de experi\u00eancias que v\u00e3o deixando marcas no tempo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea perguntou sobre a identidade da concep\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do marxismo-leninismo e do bolivarismo. J\u00e1 n\u00e3o digo Bol\u00edvar, mas sim bolivarismo. Fa\u00e7o essa distin\u00e7\u00e3o porque o Bol\u00edvar n\u00e3o milita apenas em suas id\u00e9ias. Ao lado dele existem muitos povos militando em torno dessas id\u00e9ias. Existem muitos dirigentes, muitas lideran\u00e7as militando em torno desses prop\u00f3sitos, em torno desse ide\u00e1rio. Por isso, falo bolivarismo. Falar Bol\u00edvar \u00e9 retirar a ess\u00eancia da dimens\u00e3o de seu pensamento e esta n\u00e3o est\u00e1 somente em sua \u00e9poca, mas tamb\u00e9m na nossa. Hoje, milhares e milhares de pessoas se baseiam nesse pensamento, o interpretam, o executam e o praticam na busca de seus objetivos altru\u00edstas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nessa busca em encontrar identidades ou diferen\u00e7as, encontramos, culturalmente, em Bol\u00edvar a cren\u00e7a em Deus. Em muitas de suas conclama\u00e7\u00f5es, evoca e fala em nome de Deus, mas n\u00e3o como fonte fatalista da hist\u00f3ria. Ele n\u00e3o cr\u00ea no determinismo da natureza, nem das condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas, nem no determinismo do poderoso \u201cdedo de Deus\u201d. Para ele, existe uma influ\u00eancia tanto de elementos da consci\u00eancia, como materiais. Por\u00e9m, no devir das sociedades est\u00e1 presente o homem e, sobretudo, os povos que possuem o papel de definir o rumo da hist\u00f3ria. Nessa quest\u00e3o h\u00e1 identidade com o marxismo-leninismo. Na concep\u00e7\u00e3o materialista dial\u00e9tica e hist\u00f3rica, o devir dos povos, o desenvolvimento das sociedades, a hist\u00f3ria em si, est\u00e1 definida pelo papel desempenhado pelos povos dentro dos processos de produ\u00e7\u00e3o. Em Bol\u00edvar ocorre, basicamente, o mesmo.<\/p>\n<p>Portanto, afirmo ser esta a coincid\u00eancia principal. Se nos debru\u00e7armos em maiores detalhes, a concep\u00e7\u00e3o de Bol\u00edvar de que at\u00e9 sua \u00e9poca os governos e os estados se aperfei\u00e7oaram em oprimir e n\u00e3o libertar, tamb\u00e9m coincide com a concep\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da luta de classes, a partir da apari\u00e7\u00e3o da propriedade privada. Assim, podemos dizer que Bol\u00edvar e o marxismo possuem claro que, somente destruindo a m\u00e1quina do Estado, que oprime, \u00e9 que se pode construir uma nova sociedade. Ambos os ide\u00e1rios tomam como meta poss\u00edvel a justi\u00e7a, a igualdade e a liberdade de toda a humanidade. No bolivarismo, est\u00e1 a id\u00e9ia da Col\u00f4mbia, em princ\u00edpio, como integra\u00e7\u00e3o hemisf\u00e9rica e, depois, como integra\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria do Universo. O que se pretende alcan\u00e7ar no marxismo \u00e9 a busca desta mesma integra\u00e7\u00e3o no comunismo. Ambos objetivam a busca da liberdade para o povo, a cria\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00f5es e rep\u00fablicas livres, explicando que a liberdade n\u00e3o \u00e9 somente o rompimento das cadeias de um jugo determinado, mas sim que a mesma deva ser proveniente da consci\u00eancia dos homens em particular e da sociedade em geral.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel compararmos essa id\u00e9ia com a concep\u00e7\u00e3o burguesa e imperialista da hist\u00f3ria, que \u00e9 antinatural, arranjada pelos interesses mesquinhos e freio consciente e brutal do devir da humanidade em dire\u00e7\u00e3o a concretiza\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a e da justi\u00e7a. No bolivarismo e no marxismo \u00e9 apresentado, do princ\u00edpio ao fim, o anti-imperialismo. As duas concep\u00e7\u00f5es coincidem com o humano princ\u00edpio de busca da solidariedade no conjunto social. Tudo isso faz a perfei\u00e7\u00e3o da liberdade como possibilidade da realiza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do homem. Em particular do homem, por\u00e9m, antes de tudo, da sociedade. Por conta disso, a luta revolucion\u00e1ria em Bol\u00edvar e no marxismo-leninismo n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas um dever. Talvez o mais humano dos deveres. Esses elementos devem se integrar na concep\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria no bolivarismo e no marxismo-leninismo. A hist\u00f3ria n\u00e3o se det\u00e9m. Ela \u00e9 o avan\u00e7o da sociedade para um estado superior de justi\u00e7a, de igualdade, de liberdade, onde se acredita na ess\u00eancia natural da solidariedade existente nos seres humanos.<\/p>\n<p><strong>Desde quando as FARC-EP adotaram o ide\u00e1rio bolivariano?<\/strong><\/p>\n<p>Cobrar vig\u00eancia das id\u00e9ias revolucion\u00e1rias n\u00e3o basta. Apenas se pode cobrar sua justi\u00e7a e sua verdade. Elas n\u00e3o est\u00e3o presentes no meio ambiente, no ar, imperturb\u00e1veis. Num mundo onde existe a luta de classes, as contradi\u00e7\u00f5es entre aqueles que exploram e os que s\u00e3o explorados, existem id\u00e9ias que est\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o a tais pr\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m as contr\u00e1rias a defesa da emancipa\u00e7\u00e3o, da liberdade, da justi\u00e7a, como ocorre com as id\u00e9ias de Bol\u00edvar. No caso da Col\u00f4mbia, \u00e9 assim: as id\u00e9ias ganham vida quando saem das bibliotecas, dos arquivos e das prateleiras, por\u00e9m para conseguirem entrar nas consci\u00eancias e andar pelas pr\u00f3prias pernas do povo, \u00e9 preciso lutar contra \u00e0quelas impostas aos contr\u00e1rios \u00e0 convers\u00e3o desse ide\u00e1rio em motor da a\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a, na a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Esse fato ocorre com as id\u00e9ias de Bol\u00edvar, j\u00e1 que elas t\u00eam estado presente n\u00e3o somente na hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia, mas sim em toda a Nossa Am\u00e9rica, desde 1819, momento de in\u00edcio da a\u00e7\u00e3o aberta do Libertador. Por\u00e9m, a partir desse momento, passaram a existir muitos opositores. Talvez um dos seus mais inflamados seja Santander e os santenderistas. Ao mesmo tempo em que Bol\u00edvar se opunha \u00e0 servid\u00e3o e ao escravismo, \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica aos europeus e \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o dos povos do mundo aos exploradores, tamb\u00e9m ia crescendo o fervor pela liberdade na cabe\u00e7a dos bolivarianos. Em contrapartida, aumentava assustadoramente a irrita\u00e7\u00e3o dos poucos mesquinhos santanderistas que possu\u00edam o poder econ\u00f4mico e a possibilidade de acabar com o pensamento bolivariano, que j\u00e1 estava na consci\u00eancia dos povos. Isso n\u00e3o mudou com os herdeiros do santanderismo e os exploradores seguiram buscando esmagar as id\u00e9ias e o ide\u00e1rio do Libertador. Eu explicava o momento em que Bol\u00edvar, que era um mestre da a\u00e7\u00e3o constante, chamado de mestre da energia, tinha alguns projetos para a conjuntura apresentada, para as dificuldades que se foram demonstradas no caminho e tinha planos de resolu\u00e7\u00e3o dessas situa\u00e7\u00f5es imediatas. Por\u00e9m, suas melhores id\u00e9ias est\u00e3o projetadas no futuro. Voc\u00ea se d\u00e1 conta disso na Carta da Jamaica, que cont\u00e9m projetos sobre a unidade da Am\u00e9rica. Mas ele n\u00e3o pretendia consolidar imediatamente essa proposta quando fez o projeto contido na Carta. Ele nem sequer tinha o ex\u00e9rcito que, posteriormente, controlou em suas m\u00e3os. Ent\u00e3o, o primeiro passo dado foi a constitui\u00e7\u00e3o desse ex\u00e9rcito para, depois, iniciar a expedi\u00e7\u00e3o de Callos e de Jacmel. Ao tomar Angostura \u00e9 que v\u00ea a possibilidade de avan\u00e7ar para a integra\u00e7\u00e3o. Ainda sem ter uma Venezuela em suas m\u00e3os e com um governo provis\u00f3rio, planejou a cria\u00e7\u00e3o da Grande Col\u00f4mbia para integrar, num primeiro momento, a Nova Granada e a Col\u00f4mbia. Mas ainda n\u00e3o tinha em seu controle os pa\u00edses que iriam integrar essa Grande Col\u00f4mbia. Promoveu a batalha de Boyac\u00e1, proclamou aos mil ventos e disse que o Equador fazia parte dela. E foi construindo, conforme as possibilidades reais, planejando e projetando, de acordo com o desejo mais forte, o prop\u00f3sito mais sublime concebido. Esse \u00e9 o ide\u00e1rio. Portanto, uma coisa s\u00e3o as id\u00e9ias para o imediato. Elas s\u00e3o muito grandes e louv\u00e1veis, pois t\u00eam rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente com o entorno mais pr\u00f3ximo, mas com os prop\u00f3sitos que est\u00e3o relacionados a toda humanidade. O prop\u00f3sito bolivariano vai al\u00e9m da Grande Col\u00f4mbia. Alguns o limitam ao grande prop\u00f3sito de integrar a Grande Col\u00f4mbia, o Peru, Equador, Bol\u00edvia, Venezuela, por\u00e9m a id\u00e9ia da Col\u00f4mbia vai mais al\u00e9m. \u00c9 uma id\u00e9ia hemisf\u00e9rica, \u00e9 uma id\u00e9ia universal de consolidar a solidariedade no universo. Esse \u00e9 o ide\u00e1rio. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a que eu estabele\u00e7o entre o que s\u00e3o as propostas para o momento e o que \u00e9 o ide\u00e1rio como pensamento de Bol\u00edvar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por mais que seus inimigos queiram esmagar estas id\u00e9ias, n\u00e3o conseguir\u00e3o. Isso porque elas possuem rela\u00e7\u00e3o com a natureza do homem. Assim como Bol\u00edvar, acreditamos que o homem n\u00e3o \u00e9 o lobo do homem, mas sim, por natureza, \u00e9 instintivo, \u00e9 soci\u00e1vel. Acreditamos que o homem possua entranhas de justi\u00e7a e de solidariedade. Sabemos que a hist\u00f3ria tem que marchar nesse rumo, pois tem que ter a ess\u00eancia do homem. E essa que estamos mencionando agora \u00e9 compartilhada pelos grandes humanistas da hist\u00f3ria do pensamento, onde figura Bol\u00edvar. Acreditamos nisso e sabemos que a hist\u00f3ria vai tomar este rumo. Essa conquista ter\u00e1 vig\u00eancia por muitos anos, n\u00e3o s\u00f3 para a \u00e9poca de Bol\u00edvar, para a nossa \u00e9poca, mas tamb\u00e9m para as \u00e9pocas vindouras. Isso demonstra o car\u00e1ter futurista de seu pensamento. Naquela \u00e9poca se pensava que a id\u00e9ia da integra\u00e7\u00e3o, da unidade n\u00e3o seria poss\u00edvel. Bol\u00edvar n\u00e3o a via como um prop\u00f3sito remoto, colocava os degraus para alcan\u00e7ar, ao menos, o prop\u00f3sito da integra\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria americana, ainda que sem os Estados Unidos. Os Estados Unidos eram um fator de decomposi\u00e7\u00e3o, um fator de choque contra esse ideal solid\u00e1rio. Ent\u00e3o, ele falava da integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Meridional como um prop\u00f3sito a ser constru\u00eddo depois, pelo Congresso. Por\u00e9m, n\u00e3o era porque geraria uma esp\u00e9cie de chauvinismo americanista. Falava da Col\u00f4mbia hemisf\u00e9rica e, depois, insistiu novamente, falando da integra\u00e7\u00e3o de todos os pa\u00edses da terra, de todo o universo. Por conta disso, falava de que a Am\u00e9rica era a esperan\u00e7a do universo. No entanto, a Am\u00e9rica ressurgia como o pa\u00eds da explora\u00e7\u00e3o. Ele tinha um planejamento que despoluiria essa pr\u00e1tica medieval, essa pr\u00e1tica colonialista que marcou com tanta \u00eanfase a hist\u00f3ria at\u00e9 o s\u00e9culo XIX. Hoje, existe uma remarca\u00e7\u00e3o desse car\u00e1ter colonialista no imperialismo ianque e no imperialismo praticado por muitas pot\u00eancias da Europa. Portanto, segue vigente o pensamento de Bol\u00edvar.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil afastar um pensamento deste tipo, ainda mais estando t\u00e3o identificado com a ess\u00eancia humana, que \u00e9 a ess\u00eancia da justi\u00e7a e da solidariedade. N\u00e3o gosto de falar no caso da Col\u00f4mbia, porque Col\u00f4mbia \u00e9 um desprop\u00f3sito. Falar da Nova Granada como Col\u00f4mbia \u00e9 contradizer o ide\u00e1rio do Libertador. Quando Bol\u00edvar falava da Col\u00f4mbia, falava da id\u00e9ia integradora da Nova Granada, da Venezuela, do Equador, enfim, do hemisf\u00e9rio americano. Por\u00e9m, temos que ressaltar que essa \u00e9 uma consequ\u00eancia de todos os fatos ocorridos ao longo da hist\u00f3ria. Aqui em nosso pa\u00eds, da academia at\u00e9 o sistema educacional, nas escolas, nos col\u00e9gios e nas universidades, tratam de cercear as id\u00e9ias emancipat\u00f3rias de Bol\u00edvar. Se n\u00e3o conseguem cercear, ocultam ou, pelo menos, tergiversam-nas e quando se evoca o her\u00f3i montado num pedestal de m\u00e1rmore, \u00e9 para deix\u00e1-lo morto e frio, para que n\u00e3o sirva de exemplo, mantendo distantes suas id\u00e9ias que deveriam entrar em marcha pelo povo, em busca de suas reivindica\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 o que ocorre aqui. Contudo, o pensamento de Bol\u00edvar \u00e9 sentimentalmente internalizado. N\u00e3o h\u00e1 compatriota nesta parte do territ\u00f3rio americano que n\u00e3o leve em seu cora\u00e7\u00e3o Bol\u00edvar. Digo isto para explicar que, no caso das FARC-EP, cada guerrilheiro primeiro tem de ser sentimentalmente bolivariano, antes mesmo de ser guerrilheiro. N\u00f3s temos um afeto muito grande pelas id\u00e9ias do pai da P\u00e1tria. Ent\u00e3o, a primeira aproxima\u00e7\u00e3o de Bol\u00edvar pode ser de tipo sentimental, inclusive informalmente bolivariana. As FARC se refletem na constru\u00e7\u00e3o de um projeto, na busca de um caminho para encontrar a liberdade, na edifica\u00e7\u00e3o da id\u00e9ia de uma segunda e definitiva independ\u00eancia. Quando se diz isso, se est\u00e1 invocando a defesa independentista de Bol\u00edvar. Eu n\u00e3o poderia dizer que desde a funda\u00e7\u00e3o das FARC, em 27 de maio de 1964, a organiza\u00e7\u00e3o adotou Bol\u00edvar, formal e estruturalmente, como sua estrela e seu guia. Mas posso afirmar que adotou sentimentalmente. Esse aspecto est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o, mais que na consci\u00eancia dos combatentes, aclarando a convic\u00e7\u00e3o comunista. Na mente dos dirigentes comunistas da \u00e9poca, Bol\u00edvar esteve presente como guia. Refiro-me \u00e0 grande reivindica\u00e7\u00e3o feita por Gilberto Vieira, antes da funda\u00e7\u00e3o das FARC, sobre a personalidade do projeto de Bol\u00edvar como uma alternativa para os pa\u00edses de Nossa Am\u00e9rica, como uma solu\u00e7\u00e3o a todos os problemas existentes.<\/p>\n<p>Em Nossa Am\u00e9rica isso est\u00e1 latente e n\u00e3o podemos perder de vista. O aporte te\u00f3rico de Gilberto Vieira ajuda a esclarecer muito essa contradi\u00e7\u00e3o que existia. Mesmo porque, se dizia que Marx havia objetado Bol\u00edvar. Teoricamente, Marx objetou Bol\u00edvar e foi um dos erros do Marx humano desconhecer Bol\u00edvar. Ele teve a possibilidade. Algumas fontes indicaram quem era realmente este personagem. Em grande parte, s\u00e3o os comunistas colombianos que ajudam a esclarecer porque Marx adotou esta posi\u00e7\u00e3o. No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio dizer que Marx adotou uma posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o marxista sobre Bol\u00edvar. Uma posi\u00e7\u00e3o marxista \u00e9 aquela que reivindica este personagem como uma lideran\u00e7a popular em busca da justi\u00e7a, n\u00e3o somente dos povos de Nossa Am\u00e9rica, mas de todo o mundo. Talvez os anos 80 tenham marcado a nossa tomada de decis\u00e3o, de maneira mais enf\u00e1tica de integrar o pensamento boliviano, j\u00e1 n\u00e3o de maneira sentimental, j\u00e1 n\u00e3o de maneira afetiva, mas sim de forma racional e mais consciente ao acervo te\u00f3rico que move nossa organiza\u00e7\u00e3o insurgente. Como eu disse, n\u00f3s revolucion\u00e1rios conflu\u00edmos onde quer que estejamos e o pensamento revolucion\u00e1rio tamb\u00e9m coincide, independentemente da \u00e9poca e do lugar onde tenha surgido. Ent\u00e3o, com Bol\u00edvar n\u00f3s estamos coincidindo desde o nascimento da organiza\u00e7\u00e3o, desde as \u00e9pocas de Irco e de Chaparral, quando se remontou o surgimento da organiza\u00e7\u00e3o armada comunista. Desde essa \u00e9poca estamos coincidindo na pr\u00e1tica, porque temos os mesmos prop\u00f3sitos. N\u00f3s estamos buscando a justi\u00e7a, a igualdade, a liberdade e esses elementos s\u00e3o antecedentes para a constru\u00e7\u00e3o de uma verdadeira democracia. Democracia esta que \u00e9 necess\u00e1ria para o estabelecimento de uma verdadeira rep\u00fablica popular. \u00c9 isso o que queremos e o que temos buscado. E, nesse sentido, nos chamamos estatutariamente bolivarianos, j\u00e1 que temos uma pr\u00e1tica bolivariana.<\/p>\n<p>Nos anos 80, de maneira dirigida, o camarada Manuel, que \u00e9 um art\u00edfice fundamental em seu ex\u00e9rcito, pensamento e a\u00e7\u00e3o, e o camarada Jacobo Arenas, come\u00e7aram a difundir intensamente o pensamento bolivariano nos documentos internos. Inclusive, na \u00e9poca das tentativas de di\u00e1logo com Uribe, existiam alguns livros do camarada Jacobo Arenas referentes ao processo de paz. Em alguns deles, existem verdadeiros comp\u00eandios das principais id\u00e9ias do Libertador em todos os aspectos, inclusive do Bol\u00edvar construtor n\u00e3o somente de na\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de Estados, do Bol\u00edvar estadista, que tinha um conceito de poder, de como organizar a sociedade, como reger as pessoas e de que maneira conduzir essa sociedade.<\/p>\n<p>H\u00e1 um personagem que n\u00e3o podemos omitir, tamanha a import\u00e2ncia de seu papel: o camarada Efra\u00edn Guzm\u00e1n. Por que eu o menciono? Porque ele foi de extrema valia para a difus\u00e3o nas Frentes. O camarada Efra\u00edn Guzm\u00e1n foi o primeiro comandante guerrilheiro que conduziu professores para que fossem, de frente em frente, difundindo o pensamento bolivariano. Essa a\u00e7\u00e3o era feita, obviamente, com a coordena\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o do estado maior central. Mesmo porque a difus\u00e3o de um pensamento que favorece a nossa atua\u00e7\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o de toda a dire\u00e7\u00e3o. Repito: todo nossa pr\u00e1tica como revolucion\u00e1rios coincide com Bol\u00edvar. Se entre revolucion\u00e1rios coincidimos, ent\u00e3o entre farianos, marxistas-leninistas temos que coincidir com o bolivarismo. Hoje, podemos dizer que te\u00f3rica, conceitualmente e estatutariamente somos tamb\u00e9m bolivarianos. Isso est\u00e1 colocado desde a Oitava Confer\u00eancia, em 93. Nossos estatutos assinalam claramente que as FARC-EP s\u00e3o um ex\u00e9rcito de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar, marxista-leninista e bolivariano. Isto \u00e9 muito bonito, pois parece que fomos primeiro, na pr\u00e1tica, bolivarianos e \u00e9 melhor que seja assim.<\/p>\n<p>Conclui-se que toda pessoa verdadeiramente marxista, j\u00e1 que o marxismo \u00e9 um pensamento humanista, tem que ser bolivariano. Quando come\u00e7a a conhecer a genialidade totalmente entregue ao bem social que tinha Bol\u00edvar, compreende porque este \u00e9 um caminho. O marxismo de interpreta\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o acertado, somado a cada realidade, deve ter uma particular interpreta\u00e7\u00e3o, existindo a\u00e7\u00f5es adequadas a mesma essa realidade. Para o caso da Nossa Am\u00e9rica, na primeira independ\u00eancia, a interpreta\u00e7\u00e3o do mundo que assumiu as pen\u00farias dos ind\u00edgenas escravizados e dos mesti\u00e7os empobrecidos foi a bolivariana. Ent\u00e3o, podemos dizer que essa \u00e9 a melhor interpreta\u00e7\u00e3o de nosso meio, a que mais se aproxima dos problemas que hoje temos. Se somos realmente marxistas, temos o entendimento de que o bolivarismo \u00e9 o que vai nos ajudar a fazer uma real interpreta\u00e7\u00e3o do mundo, al\u00e9m de nos dar as ferramentas para fazermos uma mudan\u00e7a real no mundo. Isso \u00e9 o marxismo-leninismo, n\u00e3o uma filosofia para a especula\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o. \u00c9 uma filosofia para a interpreta\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o da realidade, de igual maneira o bolivarismo.<\/p>\n<p>Se o bolivarismo nos fala da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais humana, mais justa, necessariamente ca\u00edmos no marxismo. Hoje, o marxismo-leninismo \u00e9 a filosofia que busca o ideal mais alto para os seres humanos e acredita na possibilidade de conquista desse ideal: a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade onde o homem colabore mutuamente com o homem, solidariamente. Uma sociedade comunista. Compreendemos que o bolivarismo e o marxismo s\u00e3o f\u00f3rmulas que t\u00eam por resultado um enorme potencial, capaz de possibilitar as transforma\u00e7\u00f5es necessitadas pelo mundo para ser de todos e para todos. Ambos s\u00e3o pr\u00e1ticas de interpreta\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o quando genuinamente assumidos.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os principais elementos que retomam do projeto pol\u00edtico e social de Sim\u00f3n Bol\u00edvar para a constru\u00e7\u00e3o da Nova Col\u00f4mbia?<\/strong><\/p>\n<p>O poder e o Estado s\u00e3o categorias de tipo pol\u00edtico. Talvez elas n\u00e3o tenham em Bol\u00edvar a mesma acep\u00e7\u00e3o que tem hoje. No caso do Estado, podemos dizer que \u00e9 a express\u00e3o jur\u00eddica de tudo que est\u00e1 relacionado \u00e0 na\u00e7\u00e3o e sua organiza\u00e7\u00e3o. A express\u00e3o espiritual e de consci\u00eancia da na\u00e7\u00e3o \u00e9 o que Bol\u00edvar define na palavra P\u00e1tria. A P\u00e1tria em Bol\u00edvar \u00e9 o maior dos sentidos, o maior dos esfor\u00e7os defendidos pelo Libertador para a consolida\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade. Por\u00e9m, como base e como coluna de todos estes conceitos, o principal \u00e9 a palavra Povo. Toda a concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social em Bol\u00edvar \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o do bem-estar do povo. Dele pode sair qualquer sorte de conceitos: o de justi\u00e7a, igualdade, liberdade, democracia, rep\u00fablica, poder, o de Estado e o de na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos t\u00eam como ess\u00eancia o bem-estar, a busca pela m\u00e1xima felicidade do povo. O governo quase se identifica com Estado. Talvez n\u00e3o tenha a mesma acep\u00e7\u00e3o, em princ\u00edpio, que o conceito de Estado contido no leninismo. Para o leninismo, o Estado \u00e9 essa express\u00e3o jur\u00eddica, esse aparato dominado e utilizado pelas classes poderosas para oprimir as classes mais desfavorecidas. Aqui, digo que se assemelha ao governo, por\u00e9m n\u00e3o como deve ser. Em Bol\u00edvar, esse governo deve gerar a maior quantidade de felicidade poss\u00edvel para o povo. Por fim, o que representa o Estado no momento em que ele estava lutando contra a Espanha tem o mesmo sentido que em Lenin. Esse aparato contra o qual estava lutando tinha que ser destru\u00eddo e, para isso, construiu um ex\u00e9rcito. \u00c9 fundamental entender que a concep\u00e7\u00e3o de guerra em Bol\u00edvar est\u00e1 ligada a esta concep\u00e7\u00e3o de Estado. Para ele, a guerra n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas um dever. \u00c9 preciso assumi-la para poder acabar com toda a opress\u00e3o gerada pela Espanha. Existe uma frase muito importante de Bol\u00edvar que n\u00e3o podemos perder de vista: \u201ctodo homem que possa fazer um bem a humanidade, se converte em delinquente caso permane\u00e7a ocioso\u201d. A isso podemos encaixar a id\u00e9ia de que a guerra \u00e9 um dever. Est\u00e1 expresso no manifesto de Cartagena e, assim, Bol\u00edvar assumiu essa concep\u00e7\u00e3o porque a guerra deveria destruir a m\u00e1quina de opress\u00e3o, que era o imp\u00e9rio espanhol, para poder construir uma nova estrutura, onde a liberdade resplandecesse.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa explana\u00e7\u00e3o, podemos afirmar que o povo \u00e9 o poder. Existem in\u00fameras maneiras disso ser demonstrado. Assim, \u00e9 dele que deve vir o mandato para atuar em benef\u00edcio das maiorias. Por\u00e9m, uma coisa \u00e9 esse poder elaborado, relativamente acabado. Quando digo relativamente \u00e9 porque acredito que sempre h\u00e1 a possibilidade de melhorar, principalmente se constituindo uma democracia que atue, resolvendo as necessidades materiais e espirituais, com a participa\u00e7\u00e3o direta da maior quantidade de gente e para toda a gente. \u00c9 essa a possibilidade vista por Bol\u00edvar. N\u00e3o na monarquia, n\u00e3o na tirania, mas sim na rep\u00fablica, que passa a ser um de seus objetivos. A rep\u00fablica democr\u00e1tica \u00e9 uma das bandeiras mais altru\u00edstas apresentadas por Bol\u00edvar. No entanto, uma coisa s\u00e3o as concep\u00e7\u00f5es e outra \u00e9 como o poder poderia se ajustar \u00e0s circunst\u00e2ncias em que Bol\u00edvar estava vivendo. Explico: a rep\u00fablica \u00e9 o ideal de Bol\u00edvar. Um poder organizado como apresentado no Congresso de Angostura, fundamentado na igualdade dos homens entre si, entre os povos, dentro de cada ser e em sua consci\u00eancia. Um poder fundamentado na moral e nas luzes, que priorize a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, da servid\u00e3o, na distribui\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria da propriedade e na universaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o para construir a rep\u00fablica virtuosa. O pr\u00f3prio sistema se retroalimenta, aperfei\u00e7oando mais e mais a participa\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de mais e mais homens livres. Por\u00e9m, chegar a esse patamar, implica sair da escurid\u00e3o que existe, espalhando a mesma escravid\u00e3o e servid\u00e3o. Implica enfrentar, dentro e fora do ex\u00e9rcito libertador, \u00e0queles que se op\u00f5em ao projeto. \u00c9 por isso que Bol\u00edvar teve que assumir decis\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o parte do bolivarismo.<\/p>\n<p>O pensamento bolivariano \u00e9 o maior acabado, o que possui mais perman\u00eancia. \u00c9 o projeto pelo qual luta o Libertador. Ent\u00e3o, existem alguns aspectos que n\u00e3o s\u00e3o ess\u00eancia desse pensamento, mas sim a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para defender cada passo do avan\u00e7o de seu projeto social. Um exemplo disso \u00e9 a ditadura, uma ditadura democr\u00e1tica, como a de 1817, com a qual foi poss\u00edvel consolidar o ex\u00e9rcito que ascendeu \u00e0 Bocay\u00e1 e, depois, resultou na Grande Col\u00f4mbia, a partir de Angostura. Eu diria que se converteu em ditadura, mas se ele n\u00e3o o fizesse nesse momento, sua conquista n\u00e3o se consolidaria. Ele n\u00e3o unificaria o ex\u00e9rcito e, caso n\u00e3o o unificasse, n\u00e3o seria poss\u00edvel se sustentar, manter o governo provis\u00f3rio que foi formado quando tomou Angostura. E ainda, se n\u00e3o fizesse isso, n\u00e3o teria conseguido sequer organizar o congresso de Angostura e, menos ainda, n\u00e3o teria sido poss\u00edvel ascender at\u00e9 Boyac\u00e1 e ultrapassar os obst\u00e1culos que o possibilitaram proclamar a Grande Col\u00f4mbia. Existem decis\u00f5es de conjuntura que, na boca de qualquer distra\u00eddo ou mal intencionado, s\u00e3o enumeradas como a\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas do Libertador. Mentira. Elas foram medidas tomadas para consolidar os avan\u00e7os de uma rep\u00fablica democr\u00e1tica, ou ditadura popular, que defendia os interesses dos desfavorecidos, Essa necessidade de deu quando, depois, da conven\u00e7\u00e3o de Oca\u00f1a, a mesquinhez santanderista prorrompeu para desfechar o golpe de morte ao projeto da Grande Col\u00f4mbia. A\u00ed, dizem: \u201cBol\u00edvar se converteu num ditador!\u201d. Mentira. Mesmo sendo uma ditadura, existia um conselho de Estado que tinha mais poder que ele mesmo. Assim, Bol\u00edvar assinou o fim da ditadura, desembocando nas elei\u00e7\u00f5es para eleger o governo livre e democr\u00e1tico. Assumiu isso para defender os interesses dos ind\u00edgenas e dos negros, a quem as classes dominantes queriam manter em escravid\u00e3o. Retiraram os servos e escravos da Espanha para entreg\u00e1-los aos exploradores. \u00c9 necess\u00e1rio considerar esses elementos para falar do poder defendido por Bol\u00edvar. O poder \u00e9 o povo, \u00e9 dele que adv\u00e9m todo o mandato. Esse poder se organiza numa rep\u00fablica democr\u00e1tica, que s\u00f3 pode ser constitu\u00edda por homens livres. Naquele momento, n\u00e3o bastava que fossem apenas livres das cadeias da Espanha, mas sim livres de qualquer imp\u00e9rio. Caso n\u00e3o fossem livres em sua consci\u00eancia, n\u00e3o seriam homens virtuosos, homens que sa\u00edam da escurid\u00e3o com a luz da moral, com a luz da educa\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, se considera que ela deva ser gratuita, deva ser uma obriga\u00e7\u00e3o, um dever do Estado, oferecida a todos os cidad\u00e3os ind\u00edgenas, negros, mesti\u00e7os e brancos, independentemente de qual seja sua origem geogr\u00e1fica, de classe, racial. E isto n\u00e3o \u00e9 somente teoria. Existem muitos exemplos pr\u00e1ticos que podem sustentar, que podem dar for\u00e7a a esta argumenta\u00e7\u00e3o do Libertador.<\/p>\n<p>Nessa constru\u00e7\u00e3o de poder, o ex\u00e9rcito possui um papel muito importante, pois ele \u00e9 formado pelo mesmo povo. Falamos que o poder est\u00e1 agregado, assimilado, que o poder adv\u00e9m do povo e o ex\u00e9rcito \u00e9 o povo em armas, que defende as liberdades cidad\u00e3s. O povo organizado dessa maneira passa a ter condi\u00e7\u00f5es de defender seus interesses. No entanto, mesmo com a for\u00e7a das armas, com a justi\u00e7a de suas raz\u00f5es, esse novo homem que \u00e9 gerado nessa nova rep\u00fablica democr\u00e1tica deve possuir a virtuosidade. Ent\u00e3o, o ex\u00e9rcito se insere como um mecanismo de express\u00e3o da moral, da virtuosidade desse povo. Em nada se assemelha ao tipo de ex\u00e9rcito que temos hoje em dia, totalmente distante dos interesses e das necessidades populares. Ele se insere dentro de todo o conjunto de organismos do povo que t\u00eam como papel a condu\u00e7\u00e3o da sociedade. Ent\u00e3o, h\u00e1 outro fator importante: a unidade. \u00c0s vezes, \u00e9 apresentada a dicotomia de que primeiro surge a unidade e dela se gerar\u00e1 a liberdade. O fato \u00e9 que esses s\u00e3o elementos que v\u00e3o atuando em conjunto. Ao mesmo tempo em que se vai gerando a liberdade, se vai consolidando e solidificando a unidade. Isso, na pr\u00e1tica, n\u00f3s podemos ver quando Bol\u00edvar libertou parte da Venezuela e a Nova Granada unificou esse esfor\u00e7o para seguir com as liberta\u00e7\u00f5es, saindo at\u00e9 Carabobo. Ao promover a liberdade, a unidade cresceu, a liberta\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou o sul e assim sucessivamente. Cada passo de liberdade \u00e9 um passo para a consolida\u00e7\u00e3o da unidade e cada passo de unidade \u00e9 um passo que d\u00e1 f\u00e9 e garantia de liberdade. Tudo isso est\u00e1 integrado. A unidade se apresenta inclu\u00edda nessa concep\u00e7\u00e3o tradicional liberal, resultado da divis\u00e3o do poder em executivo, legislativo e judici\u00e1rio, mas que n\u00e3o fala da divis\u00e3o, enquanto complementa\u00e7\u00e3o dessas ramifica\u00e7\u00f5es do poder, de uma complementa\u00e7\u00e3o que gera uma unidade de dentro, da qual deve estar imbu\u00eddo tamb\u00e9m o poder moral. J\u00e1 falamos do poder moral como um elemento que ajuda na multiplica\u00e7\u00e3o da virtuosidade do povo. Um poder que, na pr\u00e1tica, entra na garantia dos mais d\u00e9beis. Um poder dos que, talvez, n\u00e3o estejam diretamente na dire\u00e7\u00e3o ou na execu\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es desse poder.<\/p>\n<p>Quanto ao assunto da unidade, ess\u00eancia do poder, a concep\u00e7\u00e3o bolivariana \u00e9 revolucion\u00e1ria para aquela \u00e9poca e para esta, para aquelas alian\u00e7as que se faziam entre as na\u00e7\u00f5es do mundo para oprimir, por exemplo, a Santa Alian\u00e7a. A quem se buscava libertar? Ningu\u00e9m. O que se buscava era restabelecer as col\u00f4nias dos imp\u00e9rios do mundo. A uni\u00e3o americana come\u00e7ava a surgir com muita for\u00e7a. Os Estados Unidos da Am\u00e9rica surgiam j\u00e1 com a id\u00e9ia de avassalar as muitas partes do mundo e, principalmente, as na\u00e7\u00f5es mais poderosas que rompiam as cadeias com o colonialismo espanhol. A unidade apresentada por Bol\u00edvar \u00e9 uma unidade fundamentada na solidariedade, na coopera\u00e7\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es, onde nenhuma se coloca mais poderosa que a outra. Todas iguais no que tange a ajuda e colabora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para gerar um eixo de poder que se impusesse sobre os demais, mas que se colocasse em termos de igualdade. \u00c9 importante ressaltar isso porque \u00e9 uma id\u00e9ia que se converte numa necessidade na atualidade, j\u00e1 que a polaridade ianque amea\u00e7a esmagar qualquer outra possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de sociedade ao impor essa id\u00e9ia de estrangulamento das iniciativas de autonomia.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea quer dizer com assumir esse ide\u00e1rio de unidade de Bol\u00edvar?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 que todas as na\u00e7\u00f5es de Nossa Am\u00e9rica podem fazer um esfor\u00e7o comum de solidariedade em todos os campos, com um par\u00e2metro de igualdade entre essas na\u00e7\u00f5es para que, como uma s\u00f3 pot\u00eancia, possam enfrentar os abusos do imperialismo. N\u00e3o somente para fazer a defesa da livre determina\u00e7\u00e3o dos povos, da op\u00e7\u00e3o de construir uma sociedade justa para toda a humanidade, mas sim para que se possa ter um avan\u00e7ado eixo de poder, de constru\u00e7\u00e3o de uma nova alternativa para todo o universo, para todo o mundo. \u00c9 importante lembrar que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a Nossa Am\u00e9rica que padece por conta dos abusos do imperialismo. Isso tamb\u00e9m acontece na Europa, na \u00c1sia, na \u00c1frica ou em qualquer outra latitude de terra. Ent\u00e3o, hoje mais do que nunca, frente a essa arremetida criminosa do imperialismo, \u00e9 cobrada a vig\u00eancia do ide\u00e1rio bolivariano de unidade.<\/p>\n<p>A unidade n\u00e3o \u00e9 uma palavra simples, sucinta. Unidade para exercer a solidariedade, a defesa. Unidade para estender a m\u00e3o \u00e0queles que tamb\u00e9m necessitam elaborar uma rota de constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, escutar que um outro mundo \u00e9 poss\u00edvel. Claro, \u00e9 poss\u00edvel. Por\u00e9m, se n\u00e3o nos unirmos em torno da solidariedade isso n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel. Eu acredito que exista uma decis\u00e3o hoje de que se unifiquem as na\u00e7\u00f5es do mundo que sejam contr\u00e1rias \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o da fome e da mis\u00e9ria dos povos. Existe uma identidade, uma cren\u00e7a num novo esfor\u00e7o porque \u00e9 da unidade que se coloca um freio no imperialismo.<\/p>\n<p><strong>Concretamente, como as FARC-EP materializam isso? Como pensam colocar em pr\u00e1tica uma Nova Col\u00f4mbia?<\/strong><\/p>\n<p>De diversas maneiras, uma delas \u00e9 como estamos fazendo. A constru\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito do Povo \u00e9 um exemplo disso. \u00c9 um ex\u00e9rcito bolivariano dentro do qual buscamos e, acredito, estamos conseguindo criar uma pot\u00eancia, uma organiza\u00e7\u00e3o com enfoque te\u00f3rico, mas tamb\u00e9m com for\u00e7a capaz de levar adiante uma luta que seja capaz de combater aos que se op\u00f5em a constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a. Essa \u00e9 uma maneira. O fato de nos esfor\u00e7armos para construir o ex\u00e9rcito bolivariano \u00e9 uma maneira de assumir Bol\u00edvar. Ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 teoria, mas sim pr\u00e1tica, um verdadeiro mestre de energia. Diz\u00edamos que Bol\u00edvar foi assumido primeiro de maneira pr\u00e1tica e, depois, chegamos \u00e0s conceitua\u00e7\u00f5es e \u00e0 teoria, a todos os elementos que integram o bolivarismo. Quando digo que primeiro assumimos de maneira pr\u00e1tica \u00e9 porque o bolivarismo j\u00e1 estava na consci\u00eancia dos combatentes de forma arraigada. A consci\u00eancia j\u00e1 tinha sido semeada pela id\u00e9ia de justi\u00e7a, de igualdade, de liberdade, de democracia como prop\u00f3sitos priorit\u00e1rios, pelos quais estamos dispostos a dar a vida. Isso \u00e9 uma forma de assumir o bolivarismo. Existem muitas outras formas de constru\u00e7\u00e3o do movimento bolivariano, onde n\u00e3o s\u00f3 os homens das armas, mas tamb\u00e9m as pessoas dos bairros e comunidades ind\u00edgenas e negras, as pessoas do movimento agr\u00e1rio, de todos os setores da sociedade participem e se expressem como queiram em torno de como querem que se construa a Nova Col\u00f4mbia. \u00c9 uma maneira de assumir Bol\u00edvar. H\u00e1 um aspecto principal em retomar de Bol\u00edvar uma parte da unidade. N\u00f3s queremos a unidade de todos os setores sociais para modificar esta estrutura de poder injusta que persiste na Col\u00f4mbia. O outro elemento \u00e9 a democracia, a busca, a constru\u00e7\u00e3o dela para o desenvolvimento dos projetos das FARC. Se bem somos uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar, aquilo que se executa \u00e9 o que absorvemos do querer das comunidades. Nosso plano de luta, nosso plano estrat\u00e9gico, nosso programa de constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade se faz considerando as necessidades das comunidades. Escutamos as necessidades atrav\u00e9s dos diferentes canais da clandestinidade que existem entre o povo em geral e o povo armado, que somos n\u00f3s. H\u00e1 outra maneira tamb\u00e9m. N\u00f3s temos um projeto de Estado e de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. N\u00f3s aspiramos ao lado do povo a tomada do poder e o poder vai em coincid\u00eancia com a concep\u00e7\u00e3o bolivariana. Tal concep\u00e7\u00e3o defende que a execu\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es desse poder devem ser acordadas conforme o povo queira, o povo deseje e assim o temos concebido. Em princ\u00edpio, talvez seja necess\u00e1rio assumir uma ditadura e o ex\u00e9rcito revolucion\u00e1rio tenha que tomar muitas decis\u00f5es. Enquanto isso, se busca neutralizar os herdeiros do santanderismo que defendem a perman\u00eancia do servilismo, da escravid\u00e3o, da mis\u00e9ria e do desemprego na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, mais de 55% da popula\u00e7\u00e3o vive em condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria, de mis\u00e9ria degradante. Muitos n\u00e3o est\u00e3o dispostos a compartilhar as riquezas retiradas do solo, do suor e do sangue colombiano. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio neutralizar essa situa\u00e7\u00e3o pela via armada, pois eles se mant\u00eam no poder utilizando os m\u00e9todos mais deplor\u00e1veis e mais sanguin\u00e1rios de repress\u00e3o. O militarismo, o paramilitarismo, a guerra suja caracterizam o exerc\u00edcio do poder nas classes economicamente fortes aqui na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Isso que estou dizendo n\u00e3o se conquista da noite para o dia. \u00c9 preciso fazer todo um esfor\u00e7o organizativo de educa\u00e7\u00e3o, de a\u00e7\u00e3o com as massas. Dizemos que o povo \u00e9 quem deve conquistar todas estas transforma\u00e7\u00f5es e buscar estes prop\u00f3sitos. E n\u00f3s somos parte do povo. O povo, enquanto palavra lan\u00e7ada no vazio, n\u00e3o conquista nada. N\u00e3o \u00e9 o povo como express\u00e3o, mas como realidade, n\u00e3o visto apenas como uma guerrilha, mas valendo-se de todas as capacidades, de todas as potencialidades que existam no coletivo. Ele possui capacidades e formas de se organizar. As FARC podem ser apontadas como uma das suas cria\u00e7\u00f5es. As FARC n\u00e3o devem ser compreendidas como algo separado do povo, como uma coisa et\u00e9rea. Sim como uma cria\u00e7\u00e3o de filhos do povo que se organizam para conquistar as reivindica\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em seu seio.<\/p>\n<p>A estrutura guerrilheira tem se organizado, assim como a miliciana, a do partido clandestino e a do movimento bolivariano. Dentro de todas elas existe uma forma\u00e7\u00e3o marxista-leninista, mas tamb\u00e9m uma forma\u00e7\u00e3o bolivariana. Na forma\u00e7\u00e3o dos quadros, dos dirigentes, desde os mais altos aos guerrilheiros rec\u00e9m-ingressos, todos recebem a forma\u00e7\u00e3o bolivariana nas escolas de forma\u00e7\u00e3o. A guerrilha, a mil\u00edcia, o partido e o movimento bolivariano est\u00e3o integrados. Buscamos n\u00e3o s\u00f3 a nossa forma\u00e7\u00e3o enquanto revolucion\u00e1rios, mas sim a forma\u00e7\u00e3o de todos os filhos da Am\u00e9rica. Isso \u00e9 o que queremos. \u00c9 uma luta que estamos travando e acreditamos que seja uma luta em que devem participar todos os jovens, todas as lideran\u00e7as da Col\u00f4mbia e da Nossa Am\u00e9rica. Objetivamos que o pensamento bolivariano, a c\u00e1tedra bolivariana se difunda nas escolas, col\u00e9gios, universidades, nas ruas, nos sindicatos e nas barricadas, como forma de municiar com elementos e ferramentas de luta a cada um dos compatriotas americanos. N\u00f3s proporcionamos essa forma\u00e7\u00e3o aqui e cuidamos para que ela chegue \u00e0s barricadas e aos jovens atrav\u00e9s de nossos contatos. Produzimos documentos, m\u00fasicas porque entendemos que essa concep\u00e7\u00e3o bolivariana deve se arraigar fortemente na parte mais profunda da consci\u00eancia e do esp\u00edrito. Por isso, devem ser escutadas as can\u00e7\u00f5es que falam da luta, da consci\u00eancia, do amor contido no ideal bolivariano, das id\u00e9ias e pensamentos que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com todas as facetas da vida humana. Dentro desses elementos que recorremos e que levamos \u00e0 pr\u00e1tica, talvez um dos mais bonitos seja a solidariedade. N\u00e3o somos apenas solid\u00e1rios entre n\u00f3s. Prestamos solidariedade com tudo o que podemos. Nossa pr\u00f3pria luta \u00e9 um ato de solidariedade e deve ser entendido assim. Se existe a disposi\u00e7\u00e3o de entregar a vida, de morrer pelo outro, por nossos irm\u00e3os de p\u00e1tria, de pobreza, de mis\u00e9ria, essa luta deve ser compreendida como um ato bolivariano de solidariedade. A nossa solidariedade \u00e9 com todos os povos do mundo. N\u00e3o podemos estar presentes no Equador, no Peru, na Argentina, nas lutas dos haitianos, dos dominicanos, por\u00e9m nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1. Cada luta que realizamos nas montanhas, nas chapadas \u00e9 uma luta que fazemos pensando em cada um dos compatriotas, em cada um dos filhos da P\u00e1tria Grande, da p\u00e1tria americana. Porque, ao fim e ao cabo, como disse Mart\u00ed, \u201ctodos somos filhos de sua espada\u201d. Assim, encontramos a maneira de demonstrar nossa solidariedade: atrav\u00e9s das lutas que travamos. Lutamos por n\u00f3s mesmos, mas tamb\u00e9m por todos. De igual maneira sentimos que o que os demais povos fazem por suas lutas, tamb\u00e9m reflete a solidariedade com o povo colombiano. Essa similitude ocorre da mesma forma com que fazia Bol\u00edvar na Am\u00e9rica. \u00c9 como um grande tambor cujo o som vibrado num determinado lugar, ressoa em todo o continente. Esperamos que neste local onde se encontrasse o tambor, o golpe dado seja t\u00e3o forte que seu som seja escuta dentro e fora do continente. \u00c9 uma atitude antiimperialista vibrar o som do tambor, que quando soa, soa contra a forma mais degradante de explora\u00e7\u00e3o: o imperialismo. Esse imperialismo est\u00e1 fundamentalmente na cabe\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 do povo dos Estados Unidos, mas em seu governo. Torcemos que o povo norte-americano comece a nos ajudar a tocar o tambor, a ressoar, para que a liberdade alcance todo o continente.<\/p>\n<p><strong>Explique qual a rela\u00e7\u00e3o entre o Ex\u00e9rcito do Povo, que vem sendo constru\u00eddo pelas FARC, e o ex\u00e9rcito libertador de Bol\u00edvar.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s somos o Ex\u00e9rcito do Povo porque a luta que n\u00f3s levamos adiante como organiza\u00e7\u00e3o militar, obedece aos interesses dos setores majorit\u00e1rios desfavorecidos da Col\u00f4mbia. \u00c9 preciso dizer que lutamos pelos desempregados, pelas donas de casa que vivem na mis\u00e9ria, por toda a juventude que n\u00e3o tem oportunidades de estudo, de trabalho, de progresso, de se desenvolver como pessoas. Lutamos, enfim, pela maioria da popula\u00e7\u00e3o. O ex\u00e9rcito do libertador era tamb\u00e9m assim. Ele se constitu\u00eda pelo povo organizado em armas, assim como n\u00f3s somos, buscando, em sua \u00e9poca, conquistar as reivindica\u00e7\u00f5es fundamentais da maioria, como abolir a servid\u00e3o, a escravid\u00e3o, abolir todas as discrimina\u00e7\u00f5es que existiam sobre os setores mesti\u00e7os empobrecidos, sobre toda a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o espanhola que, de alguma maneira, era marginalizada.<\/p>\n<p>Agora, como povo armado, assim como o ex\u00e9rcito de Bol\u00edvar, nossa estrutura militar \u00e9 integrada, basicamente, por pessoas oriundas da classe social oprimida. Aqui, o grosso dos componentes do ex\u00e9rcito revolucion\u00e1rio s\u00e3o os filhos dos setores mais humildes, mais oprimidos da popula\u00e7\u00e3o colombiana. Essas s\u00e3o compara\u00e7\u00f5es mais simples. Podemos complementar dizendo que existe algo em que n\u00e3o encontramos coincid\u00eancia plena: a concep\u00e7\u00e3o que move estes dois ex\u00e9rcitos.<\/p>\n<p>Para Bol\u00edvar, o ex\u00e9rcito devia ser um componente moral fundamental. Devia ser como a consci\u00eancia do povo. Esse povo organizado, formado na virtude das luzes dos conceitos patriotas mais profundos, devia marcar a pauta. Deveria ser o exemplo de comportamento na sociedade. N\u00f3s consideramos o mesmo. O povo, na medida em que vai se organizando como ex\u00e9rcito revolucion\u00e1rio, deve desvincular ainda menos do conjunto da sociedade. Deve segurar ainda mais, agarrar as reivindica\u00e7\u00f5es, as concep\u00e7\u00f5es, as opini\u00f5es, os pontos de vista geral que possui a sociedade, no que se refere ao rumo a ser tomado para seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s falamos de ex\u00e9rcito dentro de uma concep\u00e7\u00e3o bolivariana, temos que falar do projeto social. Nessa concep\u00e7\u00e3o, o conceito de ex\u00e9rcito est\u00e1 totalmente ligado ao projeto social. Na \u00e9poca de Bol\u00edvar, no projeto imperava a justi\u00e7a, a igualdade, a liberdade, a possibilidade de construir a democracia e, dentro dessa perspectiva, construir uma rep\u00fablica popular. A conquista disso s\u00f3 seria alcan\u00e7ada atrav\u00e9s da luta, porque existia um elemento que n\u00e3o ia permitir avan\u00e7os: a opress\u00e3o da Espanha. Uma opress\u00e3o feita com forte aparato militar. Ent\u00e3o, nesse momento, Bol\u00edvar entendeu que a guerra se impunha n\u00e3o mais como uma op\u00e7\u00e3o, mas como um dever. Por ser um dever, colocava aqueles que n\u00e3o atuavam como delinquentes, al\u00e9m de figurarem ao lado dos opressores. Nesse sentido, n\u00e3o compartilhava a neutralidade. Deveria existir uma a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para reivindicar os interesses do conjunto da sociedade \u00e0 custa da vida de cada um.<\/p>\n<p>Hoje em dia, eu acredito que isso deve ser visto da seguinte forma: aquele que n\u00e3o assume o dever de empunhar a espada para buscar a justi\u00e7a, aquele que n\u00e3o assume o dever de lutar onde existam povos escravos para defend\u00ea-los \u00e9 t\u00e3o delinquente quanto o que oprime. Dessa maneira, se obriga a conceber uma forma de romper as cadeias que afligem uma sociedade. Se se define que a guerra \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, a guerra de todo o povo passa a ser leg\u00edtima defesa e, al\u00e9m disso, uma possibilidade de encontrar a liberdade. Isso implica que o projeto de sociedade est\u00e1 ligado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um aparato que possa contra-atacar a for\u00e7a inimiga. Isso est\u00e1 relacionado com as vias e as formas de luta. A constru\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito era vista por Bol\u00edvar, com base em sua conjuntura, como a \u00fanica possibilidade de luta, j\u00e1 que todas as outras alternativas se fechavam como resultado do terror implementado pela Espanha. Hoje em dia tamb\u00e9m, na medida em que se v\u00e3o fechando as possibilidades de di\u00e1logo com o advers\u00e1rio, em que milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o cada vez mais reprimidas, cada vez mais exploradas, torturadas, silenciadas, assassinadas para que n\u00e3o se levantem contra a situa\u00e7\u00e3o atual, em que se fecham os espa\u00e7os pac\u00edficos para encontrar sa\u00eddas para as contradi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, se converte em um dever assumir a luta armada e participar da constru\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito revolucion\u00e1rio, que lute pelas reivindica\u00e7\u00f5es populares. Isso \u00e9 um ex\u00e9rcito revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Entrevista com Jes\u00fas Santrich sobre o destaque de Bol\u00edvar<\/p>\n<p>por Comunicadores de Nuestra Am\u00e9rica<\/p>\n<p>*Jes\u00fas Santrich \u00e9 integrante do Estado Maior Central das FARC-EP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: lh3.ggpht.com\n\n\n\n\n\n\n\n\npor Comunicadores de Nuestra Am\u00e9rica\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1108\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-1108","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-hS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1108\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}