{"id":1109,"date":"2011-01-07T16:44:09","date_gmt":"2011-01-07T16:44:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1109"},"modified":"2011-01-07T16:44:09","modified_gmt":"2011-01-07T16:44:09","slug":"tropas-de-desestabilizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1109","title":{"rendered":"Tropas de Desestabiliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"JUSTIFY\">\u201cA Minustah deveria pacificar o pa\u00eds e hoje estamos pior. A Minustah mata haitianos&#8221;, denunciou Ladiou Novembre, professor de ensino m\u00e9dio em Porto Pr\u00edncipe, durante uma das dezenas de manifesta\u00e7\u00f5es que eclodiram por todo o pa\u00eds nos \u00faltimos meses contra a ocupa\u00e7\u00e3o militar da Minustah, a Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Estabiliza\u00e7\u00e3o do Haiti.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">De fato, 2010 tem sido o ano mais controverso da atua\u00e7\u00e3o da Minustah, que ocupa o territ\u00f3rio haitiano desde julho de 2004, quando foi criada sob o pretexto de que o Haiti representava \u201cuma amea\u00e7a \u00e0 paz e seguran\u00e7a da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Durante os \u00faltimos seis anos foram recorrentes as den\u00fancias de tortura, estupro e assassinato por parte de soldados da Minustah. Al\u00e9m disso, passados mais de onze meses desde o terremoto que abalou o pa\u00eds em 12 de Janeiro de 2010, as tropas da ONU ainda n\u00e3o foram capazes de dar uma resposta eficaz \u00e0s vitimas do terremoto. Ru\u00ednas e acampamentos improvisados tomam as ruas da capital Porto Pr\u00edncipe, mas n\u00e3o se v\u00ea nenhuma movimenta\u00e7\u00e3o por parte das tropas militares para reconstru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios e edif\u00edcios.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ainda sob os efeitos dos estragos causados pelo terremoto, uma epidemia de c\u00f3lera se alastrou pelo pa\u00eds a partir de meados de outubro, matando at\u00e9 a primeira quinzena de dezembro mais de dois mil haitianos e infectando outros 100 mil. Uma pesquisa divulgada no in\u00edcio de dezembro pelo jornal Le Nouvelliste confirmou aquilo que a popula\u00e7\u00e3o haitiana j\u00e1 suspeitava: foi a pr\u00f3pria Minustah quem introduziu a c\u00f3lera no Haiti. A pedido do governo da Fran\u00e7a, o epidemiologista franc\u00eas Renaud Piarroux realizou uma investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica durante o m\u00eas de novembro e concluiu que a bact\u00e9ria causadora da c\u00f3lera foi trazida a solo haitiano pelo batalh\u00e3o nepal\u00eas das Na\u00e7\u00f5es Unidas localizado no munic\u00edpio de Mirebalais, \u00e0s margens do Rio Lartibonite, que corta boa parte do pa\u00eds e \u00e9 indicado como o principal foco de dissemina\u00e7\u00e3o da epidemia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A essa conjuntura calamitosa somaram-se conturbadas elei\u00e7\u00f5es presidenciais realizadas sob o aval da ONU no \u00faltimo dia 28 de novembro. Apesar dos apelos de diversos setores da popula\u00e7\u00e3o haitiana, de ONGs estrangeiras e inclusive da maioria dos candidatos, que solicitavam o adiamento da elei\u00e7\u00e3o at\u00e9 que a epidemia estivesse sob controle, a Minustah, junto com o Conselho Eleitoral Provis\u00f3rio [CEP], decidiram manter a data do pleito. O resultado foram elei\u00e7\u00f5es marcadas por diversas irregularidades como aus\u00eancia e saque de urnas, atua\u00e7\u00e3o truculenta de militares, deten\u00e7\u00f5es, tiros e o assassinato de um jovem no departamento de Lartibonite, segundo informa\u00e7\u00f5es da imprensa local e de observadores internacionais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os dias posteriores ao pleito foram marcados por den\u00fancias de fraudes e marchas populares exigindo o cancelamento das elei\u00e7\u00f5es, sendo que pelo menos duas pessoas foram mortas em confronto com as tropas da ONU. Os aeroportos locais foram fechados. Os resultados preliminares divulgados em 07 de novembro pelo CEP mostraram a vit\u00f3ria em primeiro turno da ex-primeira-dama Mirlande Manigat, de 70 anos, com 31,37% dos votos, seguida por Jude Celestin, candidato do atual presidente Rene Preval, com 22,48%, enquanto o cantor Michel Martelly ocupava o terceiro lugar, com 21,85%.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Novos protestos foram registrados no pa\u00eds ap\u00f3s o an\u00fancio dos resultados, j\u00e1 que os simpatizantes de Martelly acreditam que fraudes levaram o candidato governista ao segundo turno, que deve acontecer em janeiro. Ap\u00f3s as reiteradas den\u00fancias e a press\u00e3o internacional, a Minustah e o Conselho Eleitoral Provis\u00f3rio (CEP) do Haiti anunciaram no dia 09 de dezembro que revisariam os resultados do primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 diante desse quadro de caos generalizado, com elei\u00e7\u00f5es fraudulentas, epidemia de c\u00f3lera se alastrando a cada dia, ru\u00ednas e acampamentos improvisados causados por furac\u00f5es e terremotos que se encontra o Haiti atualmente, o que faz emergir a pergunta sobre qual a real fun\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o da ONU no pa\u00eds e que papel ela joga na conjuntura atual do pa\u00eds e do continente. Mas para responder a essa quest\u00e3o \u00e9 preciso compreender n\u00e3o s\u00f3 a forma\u00e7\u00e3o em si do Haiti enquanto na\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m inserir a Minustah dentro da trajet\u00f3ria de constante interfer\u00eancia de for\u00e7as estrangeiras, armadas ou n\u00e3o, nessa forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>For\u00e7as estrangeiras<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O processo revolucion\u00e1rio que culminou com a independ\u00eancia haitiana em 1804 foi marcado por duras e sangrentas batalhas. Durante treze anos, mulatos e escravos daquela que era a col\u00f4nia mais pr\u00f3spera das Am\u00e9ricas derrotaram as tr\u00eas maiores pot\u00eancias b\u00e9licas do mundo. Os ex\u00e9rcitos da Espanha, Inglaterra e Fran\u00e7a foram expulsos da pequena ilha caribenha e no dia primeiro de janeiro de 1804 o general Jean Jacques Dessalines declarou a independ\u00eancia do Haiti, at\u00e9 hoje a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o de escravos vitoriosa da hist\u00f3ria. Como afirma Gerald Mathurin, agr\u00f4nomo e coordenador do movimento campon\u00eas KROS [K\u00f2dinasyon Rejyonal \u00d2ganizasyon Sid\u00e8s]: \u201cSa\u00edmos do nada, de uma condi\u00e7\u00e3o subumana, de uma massa de gente que n\u00e3o falava a mesma l\u00edngua, que era a\u00e7oitada dia e noite. E desta condi\u00e7\u00e3o conseguimos com destreza e com vis\u00e3o liberar um pa\u00eds e fazer a independ\u00eancia. \u00c9 um ato maior na hist\u00f3ria do mundo, porque vamos colocar em cena uma ra\u00e7a, uma qualidade de pessoas que antes se afirmava n\u00e3o serem humanos\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mas as pot\u00eancias ocidentais venderiam caro a derrota e continuaram com as amea\u00e7as de invas\u00e3o do territ\u00f3rio haitiano. Isso obrigou os primeiros governantes haitianos a conformar uma verdadeira economia de defesa, investindo maci\u00e7amente na aquisi\u00e7\u00e3o de armamentos e na constru\u00e7\u00e3o de fortes por toda a costa haitiana, no intuito de impedir uma nova invas\u00e3o e a recoloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mas n\u00e3o era s\u00f3 com armas que as for\u00e7as estrangeiras pressionavam o Haiti. A Fran\u00e7a, em conluio com os Estados Unidos, impuseram um embargo econ\u00f4mico ao novo pa\u00eds. Sem a possibilidade de aumentar suas divisas com a exporta\u00e7\u00e3o de produtos, sem recursos para continuar resistindo \u00e0s investidas militares, vendo os generais do antigo ex\u00e9rcito libertador imersos em disputas e assassinatos pelo poder, em 1825 o ent\u00e3o presidente Jean Pierre Boyer sede \u00e0 press\u00e3o francesa e concorda com o pagamento de uma suposta \u2018d\u00edvida da independ\u00eancia\u2019 a sua ex-metr\u00f3pole, o que na pr\u00e1tica sepultou de vez qualquer possibilidade de soberania econ\u00f4mica da jovem na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Conforma-se ent\u00e3o, nas palavras do economista Camille Chalmers, \u201cum Estado olig\u00e1rquico, um Estado ao redor de novas classes dominantes que constru\u00edram seu poder marginalizando sistematicamente a classe camponesa que havia realizado a revolu\u00e7\u00e3o antiescravista. Dessa forma, trata-se de um Estado que se constitui de maneira totalmente oposta \u00e0 na\u00e7\u00e3o. Um Estado opressivo, um Estado olig\u00e1rquico, um Estado depredador, que define seus interesses sobre o interc\u00e2mbio comercial com o estrangeiro e com o mercado capitalista\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 desta cis\u00e3o entre Estado e popula\u00e7\u00e3o que nascer\u00e1 o clima de instabilidade pol\u00edtica que permear\u00e1 a hist\u00f3ria do Haiti at\u00e9 os dias de hoje. As seguidas interven\u00e7\u00f5es estrangeiras que vir\u00e3o, ao inv\u00e9s de sanar essa situa\u00e7\u00e3o, apenas a refor\u00e7ar\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 o que acontece em 1915, quando cerca de 20.000 marines estadunidenses invadem o pa\u00eds e l\u00e1 permanecem at\u00e9 1936, criando um Estado totalmente dependente e com um ex\u00e9rcito que obedece \u00e0s ordens que vem diretamente de Washington, realizando assim a substitui\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do Haiti ante as pot\u00eancias europ\u00e9ias pela depend\u00eancia direta aos Estados Unidos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mas as interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o pararam por a\u00ed. Em 1957 o ditador Fran\u00e7ois Duvalier chegou ao poder sob os ausp\u00edcios do governo estadunidense. Durante os 29 anos de ditadura militar \u2013 primeiro com Fran\u00e7ois Duvalier e, a partir de sua morte em 1971, com seu filho Jean Claude Duvalier \u2013 foram assassinados mais de 30.000 haitianos e a d\u00edvida externa do pa\u00eds subiu 40%.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Com a queda da ditadura dos Duvalier no final da d\u00e9cada de oitenta, configura-se no Haiti um movimento de massas que busca resgatar a soberania nacional, um movimento popular que n\u00e3o estava lutando somente contra a ditadura, mas reivindicava tamb\u00e9m mudan\u00e7as substanciais no contrato social. Uma nova reparti\u00e7\u00e3o da riqueza, a realiza\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria e o fim da marginaliza\u00e7\u00e3o do setor campon\u00eas. Foi esse movimento de massas que elegeu o padre Jean Bertrand Aristide para a presid\u00eancia em 1990. Este movimento t\u00e3o forte foi duramente golpeado atrav\u00e9s de dois golpes de estado, em 1991 e 1994, com mais de 20.000 soldados dos Estados Unidos e toda uma estrat\u00e9gia de divis\u00e3o, fragmenta\u00e7\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o do movimento social popular atrav\u00e9s dos projetos de desenvolvimento das ONGs e das ag\u00eancias humanit\u00e1rias como a USAID. Assim que, frente a esse movimento popular que tinha reivindica\u00e7\u00f5es claramente anti-neoliberais, montou-se todo um projeto neoliberal e grande parte da classe dominante haitiana aderiu a esse projeto, que foi implantado aproveitando a grande repress\u00e3o ao movimento social. Estima-se que cerca de quatro mil haitianos foram mortos nesse per\u00edodo e mais de 12 mil militantes sociais for\u00e7ados a exilar-se do pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>Novo s\u00e9culo, novas ocupa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O s\u00e9culo XXI se inicia com uma nova elei\u00e7\u00e3o de Jean Bertrand Aristide para a presid\u00eancia do Haiti. Diante de um governo conturbado, que tenta conjugar fr\u00e1geis aspira\u00e7\u00f5es soberanas com os interesses neoliberais imperialistas, a popula\u00e7\u00e3o haitiana presencia o surgimento de grupos paramilitares que, patrocinados pela CIA, iniciam o processo de desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo em meados de 2003, at\u00e9 que em 2004 \u2013 ano do bicenten\u00e1rio da independ\u00eancia haitiana \u2013 Aristide \u00e9 novamente deposto do poder ap\u00f3s uma nova ocupa\u00e7\u00e3o militar estadunidense.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A invas\u00e3o dos marines \u00e9 seguida pela resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU que determina a cria\u00e7\u00e3o de uma miss\u00e3o de estabiliza\u00e7\u00e3o do Haiti, j\u00e1 que o pa\u00eds \u00e9 visto como uma amea\u00e7a para a seguran\u00e7a do hemisf\u00e9rio. Formada por soldados de 36 pa\u00edses, tendo o ex\u00e9rcito brasileiro \u00e0 frente e contando com a presen\u00e7a massiva de contingentes latino-americanos, as tropas da Minustah desembarcam em solo haitiano em abril de 2004, sob a falsa ret\u00f3rica de uma coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul que escamoteia uma ocupa\u00e7\u00e3o militar no continente americano em pleno s\u00e9culo XXI. Seus objetivos se dividem em quatro pilares fundamentais: estabilizar o pa\u00eds; pacificar e desarmar os grupos guerrilheiros e rebeldes; promover elei\u00e7\u00f5es livres e probas e fomentar o desenvolvimento institucional e econ\u00f4mico do Haiti.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nos primeiros anos de ocupa\u00e7\u00e3o militar, a Minustah se confrontou de fato com grupos armados e sequestradores que se escondiam em bairros pobres e representavam uma amea\u00e7a para a sociedade. Esses grupos foram eliminados ou presos, tanto que hoje o Haiti possui uma m\u00e9dia de apenas 15 homic\u00eddios para cada 10 mil habitantes, enquanto pa\u00edses mais desenvolvidos como o Brasil e a \u00c1frica do Sul ostentam, respectivamente, 57 e 250 homic\u00eddios por 10 mil habitantes. A Minustah cumpria assim um de seus pap\u00e9is, estabilizar o pa\u00eds frente \u00e0s amea\u00e7as dos \u201cbandos\u201d. Lamentavelmente, a tropas da ONU n\u00e3o se preocuparam em eliminar ou prender os chefes dos grupos paramilitares patrocinados pela CIA, muito menos em garantir elei\u00e7\u00f5es probas e o desenvolvimento econ\u00f4mico do Haiti.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>Crise estrutural<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A vulnerabilidade causada pela epidemia de c\u00f3lera, pela passagem de furac\u00f5es e pelo terremoto de 12 de Janeiro n\u00e3o se origina em cat\u00e1strofes naturais ou numa suposta falta de seguran\u00e7a no Haiti. A popula\u00e7\u00e3o haitiana se encontra nesta situa\u00e7\u00e3o de constante vulnerabilidade devido aos graves problemas estruturais que assolam o pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O Haiti \u00e9 hoje a na\u00e7\u00e3o mais pobre do continente americano, com 56% da popula\u00e7\u00e3o abaixo da linha da pobreza, 39% analfabeta e com uma expectativa de vida de apenas 58,1 anos. Segundo dados da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade), um em cada dois haitianos n\u00e3o tem acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e apenas 19% da popula\u00e7\u00e3o t\u00eam acesso ao sistema de saneamento b\u00e1sico. Apesar de ser uma sociedade essencialmente rural, com 66% da popula\u00e7\u00e3o vivendo no campo, as fam\u00edlias camponesas n\u00e3o tem acesso a terra ou cr\u00e9ditos, o que faz com que hoje o Haiti importe 80% dos alimentos que consome.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No Haiti, a mis\u00e9ria j\u00e1 existia antes de qualquer terremoto, furac\u00e3o ou c\u00f3lera.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ao n\u00e3o lidar com os problemas estruturais, atuando para amenizar as conseq\u00fc\u00eancias das trag\u00e9dias ao inv\u00e9s de buscar combater suas causas, a atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as estrangeiras s\u00f3 refor\u00e7a a instabilidade e vulnerabilidade do pa\u00eds. Entretanto, longe de configurar um erro de estrat\u00e9gia ou falta de conhecimento, essa parece ser uma atitude prenhe de intencionalidade. N\u00e3o por coincid\u00eancia, o Haiti \u00e9 hoje o 4\u00ba maior importador de arroz dos Estados Unidos, zonas francas \u2018maquiladoras\u2019 se espalham na fronteira com a Rep\u00fablica Dominicana enriquecendo atrav\u00e9s da super-explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a do trabalho, um contingente de cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de haitianos e haitianas serve de m\u00e3o-de-obra barata no exterior e o ex-presidente estadunidense Bill Clinton foi escolhido para gerir os $9,9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares a serem destinados \u00e0 Comiss\u00e3o Provis\u00f3ria para a Reconstru\u00e7\u00e3o do Haiti (CIRH).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ao que parece, a mis\u00e9ria haitiana gera lucros e suas trag\u00e9dias alimentam o desenvolvimento alheio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Diante dessa conjuntura, a grande pergunta que se coloca a popula\u00e7\u00e3o latino-americana e aos governos dos pa\u00edses que mant\u00e9m seus ex\u00e9rcitos ocupando o territ\u00f3rio haitiano h\u00e1 mais de seis anos \u00e9: que interesses defende realmente a Minustah e o que tem feito para ajudar o Haiti a superar sua crise estrutural?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para Gerald Mathurin, a resposta parece ser simples: \u201cOs militares que vieram antes, e os que v\u00eam agora, t\u00eam sempre a mesma miss\u00e3o, t\u00eam sempre o mesmo objetivo, que \u00e9 aplicar o projeto do imperialismo\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Artigo publicado na Revista America Latina en Movimiento 461 <a href=\"http:\/\/alainet.org\/publica\/461.phtml\" target=\"_blank\">http:\/\/alainet.org\/publica\/461.phtml<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: alainet.org\n\n\n\n\n\n\n\n\nJos\u00e9 Luis Patrola e Thalles Gomes\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1109\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-1109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-hT","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1109"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1109\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}