{"id":11119,"date":"2016-05-21T18:37:44","date_gmt":"2016-05-21T21:37:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11119"},"modified":"2016-06-02T19:13:43","modified_gmt":"2016-06-02T22:13:43","slug":"nakba-68-anos-de-ocupacao-sionista-da-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11119","title":{"rendered":"Nakba &#8211; 68 anos de ocupa\u00e7\u00e3o Sionista da Palestina"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/AUTORESMIKOPELED1.jpg?w=747\" alt=\"\" \/>Miko Peled*<\/p>\n<p>N\u00e3o foi por esquecimento que os media portugueses \u2013 r\u00e1dios, jornais e televis\u00f5es \u2013 ignoraram a criminosa ocupa\u00e7\u00e3o da Palestina pelos sionistas fez dia 15 de maio passado 68 anos. Tinham a agenda, se quisessem recordar a data. As agendas servem precisamente para isso. Foi um prop\u00f3sito que os qualifica.<!--more--><br \/>\nO texto que hoje publicamos, de um escritor israelense, ativista da luta pela Paz, nascido em Jerusal\u00e9m, em 1961, \u00e9 uma den\u00fancia, do comportamento sionista que o autor compara ao comportamento dos nazis para com os judeus.<\/p>\n<p>Sessenta e oito anos depois da ocupa\u00e7\u00e3o da Palestina as pessoas come\u00e7am a referir-se \u00e0 viola\u00e7\u00e3o e \u00e0 pilhagem sionistas da Palestina como um \u201cconflito\u201d. \u00c9 o \u201cconflito israelo-palestino\u201d ou a \u201cquest\u00e3o\u201d israelo-palestina; alguns at\u00e9 lhe chamam de \u201cdisputa\u201d e outros de \u201cproblema\u201d.<\/p>\n<p>Mads Gilbert disse-me recentemente que se algu\u00e9m na Noruega se referisse \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 da Noruega como um \u201cconflito\u201d ou \u201cdisputa\u201d, seria expulso da sala. Espero que isso se torne verdade em Fran\u00e7a ou na B\u00e9lgica e at\u00e9 na ilha de Jersey.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se referir\u00e1 \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3, para n\u00e3o mencionar as pol\u00edticas alem\u00e3s para com os judeus sob o regime nazi, como um conflito. No entanto, ao falarem da Palestina ocupada, onde a limpeza \u00e9tnica e o genoc\u00eddio t\u00eam sido uma realidade desde h\u00e1 68 anos, as pessoas muitas vezes abst\u00eam-se de usar o termo ocupa\u00e7\u00e3o \u2013 sobretudo relativamente a 1948, quando a parte do le\u00e3o da Palestina foi ocupada.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas coisas que n\u00e3o estamos autorizados a dizer sobre a\u00a0Nakba\u00a0palestina. Duas coisas que a sociedade ocidental \u201ccivilizada\u201d acha pouco educadas. A primeira \u00e9 comparar ou simplesmente justapor a experi\u00eancia judaica sob o regime nazi \u00e0 experi\u00eancia palestina sob o regime sionista. A segunda \u00e9 afirmar que a experi\u00eancia palestina \u00e9 um genoc\u00eddio lento e met\u00f3dico. Portanto, vou j\u00e1 pedir desculpa por quebrar as regras da sociedade civilizada e vou tratar j\u00e1 aqui destas duas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Os judeus da Alemanha e das partes da Europa que foram ocupadas pela Alemanha sofreram com as pol\u00edticas nazis de racismo e exterm\u00ednio f\u00edsico desde o momento em que Hitler chegou ao poder em 1933 at\u00e9 \u00e0 derrota da Alemanha em 1945. Os palestinos t\u00eam vivido sob as pol\u00edticas sionistas de\u00a0apartheid,\u00a0limpeza \u00e9tnica e lento genoc\u00eddio desde 1948 e n\u00e3o se v\u00ea um fim \u00e0 vista. \u00c9 verdade que o plano nazi de exterminar os judeus era r\u00e1pido, violento e muito eficaz, e felizmente os nazis foram derrotados e o genoc\u00eddio terminou. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que as pol\u00edticas sionistas n\u00e3o replicam as da Alemanha nazi e a matan\u00e7a dos palestinos n\u00e3o tem sido t\u00e3o horrenda. Ao mesmo tempo, as fam\u00edlias de Gaza que perderam os seus entes queridos em bombardeamentos israelitas indiscriminados, e milh\u00f5es de refugiados palestinos que est\u00e3o aprisionados em campos devem achar essas diferen\u00e7as irrelevantes.<\/p>\n<p>Caso haja alguma d\u00favida de que o que o regime sionista na Palestina, isto \u00e9, Israel, est\u00e1 a fazer \u00e9 genoc\u00eddio, o artigo 2\u00ba da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre genoc\u00eddio pode clarificar as coisas. Ele define o genoc\u00eddio como um dos seguintes actos cometidos com a inten\u00e7\u00e3o de destruir, totalmente ou em parte, um grupo nacional, \u00e9tnico, racial ou religioso. O artigo 3\u00ba estabelece quem pode ser punido pelo crime de genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Artigo II\u00ba: Na presente Conven\u00e7\u00e3o, genoc\u00eddio significa qualquer dos actos cometidos com inten\u00e7\u00e3o de destruir, totalmente ou em parte, um grupo nacional, \u00e9tnico, racial ou religioso, tal como:<\/p>\n<p>(a) matar membros do grupo;<br \/>\n(b) causar danos graves f\u00edsicos ou mentais a membros do grupo;<br \/>\n(c) infligir deliberadamente ao grupo condi\u00e7\u00f5es de vida calculadas para levar \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica totalmente ou em parte;<br \/>\n(d) impor medidas com a inten\u00e7\u00e3o de evitar nascimentos dentro do grupo;<br \/>\n(e) transferir pela for\u00e7a crian\u00e7as de um grupo para outro.<\/p>\n<p>Artigo III\u00ba: Os seguintes actos ser\u00e3o punidos:<\/p>\n<p>(a) genoc\u00eddio;<br \/>\n(b) conspira\u00e7\u00e3o para cometer genoc\u00eddio;<br \/>\n(c) incitamento directo e p\u00fablico para cometer genoc\u00eddio;<br \/>\n(d) tentativa de cometer genoc\u00eddio;<br \/>\n(e) cumplicidade em genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Durante os \u00faltimos sessenta e oito anos, Israel tornou a sua inten\u00e7\u00e3o mais que evidente atrav\u00e9s das suas ac\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos palestinos, e tr\u00eas dos actos do Artigo 2\u00ba e todos os do Artigo 3\u00ba se aplicam a Israel. Na realidade, tudo o que no artigo 3\u00ba se refere \u00e0 Palestina tamb\u00e9m se aplica aos EUA, Reino Unido, Fran\u00e7a, Alemanha e v\u00e1rios outros pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>A saga \u201cTempos de Cavalos Brancos\u201d, de Ibrahim Nasrallah, conta as hist\u00f3rias de uma Palestina que j\u00e1 n\u00e3o existe, e as obras de Walid Khalidi e Salman Abu Sitta recordam as cidades, vilas e aldeias que foram destru\u00eddas ainda vivem nos cora\u00e7\u00f5es dos palestinos em todo o mundo, e permitem-nos apreciar o que l\u00e1 existia antes da invas\u00e3o sionista.<\/p>\n<p>N\u00e3o era uma terra sem povo, n\u00e3o era um deserto feito para ser desabrochado por judeus, mas sim um pa\u00eds de uma diversidade rica, que foi um lar para uma na\u00e7\u00e3o viva e pr\u00f3spera feita de agricultores e intelectuais, escritores e pol\u00edticos, negociantes e construtores.<\/p>\n<p>Este ano, a comunidade palestina realizou eventos do dia da Nakba e manifesta\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds, comemorando a Nakba nas localidades onde foram destru\u00eddas aldeias em 1948. Os palestinos levavam bandeiras da Palestina, o que, dentro das fronteiras de 1948, \u00e9 algo de not\u00e1vel. E num caso, em Eljalil, a bandeira de Israel foi arrancada numa esquadra de pol\u00edcia e a bandeira palestiniana foi colocada no seu lugar. Milhares de pessoas assistiram a um evento no Negev, onde a aldeia de Wadi Zubala existiu at\u00e9 1948. Os moradores de Wadi Zubala foram para as colinas do sul de Hebron na Cisjord\u00e2nia, que nesse tempo estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o israelita. L\u00e1, eles compraram terras e estabeleceram-se em Um Hiran, onde vivem desde ent\u00e3o. Agora, colonos judeus tomaram as suas terras em Um Hiran, for\u00e7ando-os a sair das suas terras pela segunda vez.<\/p>\n<p>\u201cO velho morrer\u00e1 e o jovem esquecer\u00e1\u201d, \u00e9 o que os dirigentes sionistas dizem uns aos outros. Mas isto \u00e9 apenas uma fantasia. Os velhos morrem, infelizmente \u00e9 como anda o mundo, mas os jovens palestinos recordam. N\u00e3o h\u00e1 muito tempo, assisti a uma confer\u00eancia sobre a Palestina em Chicago. Como \u00e9 frequente no caso de confer\u00eancias \u00e0s quais mu\u00e7ulmanos e \u00e1rabes assistem, havia muitas, muitas crian\u00e7as pequenas presentes. \u00c9 uma alegria participar em tais confer\u00eancias. Durante uma pausa, alguns amigos e eu sent\u00e1mo-nos na sala do hotel e olh\u00e1mos as crian\u00e7as a brincar. Quando pergunt\u00e1mos a essas crian\u00e7as, que tinham todas nascido nos Estados Unidos e muitas dela j\u00e1 os pais tinham nascido nos Estados Unidos, de onde \u00e9 que elas eram, as respostas surgiram depressa e sem hesita\u00e7\u00e3o. Entre as suas respostas estavam Yaffa, Haifa, Isdud, Akka, Yibne, etc. Tanto para esquecer.<\/p>\n<p>Nader Elbanna diz sempre, \u201cA Nakba \u00e9 muito mais do que perder a terra e a casa\u201d. Fadwa, a minha cara metade, coloca a quest\u00e3o da Nakba em termos muito crus:<br \/>\n\u201cEu quero o meu pa\u00eds de volta, e quero que o meu pai tenha a sua dignidade de volta antes dele morrer. E depois de tudo o que eles nos fizeram e continuam a fazer-nos, os judeus nunca ser\u00e3o bem-vindos aqui.\u201d O pai dela tem 85 anos, \u00e9 um estudioso e um educador. \u201cPor ele se ter recusado a trabalhar com o Yahud, n\u00e3o p\u00f4de trabalhar de todo\u201d, disse-me ela. Ele recusou-se a colaborar com a pol\u00edcia secreta israelita, a Shabbak, e ent\u00e3o, com 40 anos, perdeu o emprego como director de escola e nunca mais conseguiu outro emprego.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do genoc\u00eddio, da limpeza \u00e9tnica e da morte e destrui\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m da humilha\u00e7\u00e3o e dos anos de sofrimento que nenhuma indeniza\u00e7\u00e3o ou restitui\u00e7\u00e3o poder\u00e1 alguma vez compensar, h\u00e1 um aspecto profundamente pessoal na Nakba. Todo o palestino foi tocado por isto e cada um tem uma hist\u00f3ria pessoal, comovente. E ainda h\u00e1 um fio comum entre as in\u00fameras hist\u00f3rias: n\u00e3o existe nenhuma disputa, nenhum conflito, apenas um povo que muito simplesmente quer o seu pa\u00eds de volta.<\/p>\n<p>*Miko Peled, 55 anos, israelense natural de Jerusal\u00e9m, escritor e ativista da paz.<\/p>\n<p>Publicado em\u00a0http:\/\/ahtribune.com\/ history\/904-nakba-day.html<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Solidariedade com a Palestina (comitepalestina@bdsportugal. org)<\/p>\n<blockquote data-secret=\"nIMHqhW6lb\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4020\">AMEA\u00c7A \u00c0 LIBERDADE DE EXPRESS\u00c3O<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4020\/embed#?secret=nIMHqhW6lb\" data-secret=\"nIMHqhW6lb\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;AMEA\u00c7A \u00c0 LIBERDADE DE EXPRESS\u00c3O&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Miko Peled* N\u00e3o foi por esquecimento que os media portugueses \u2013 r\u00e1dios, jornais e televis\u00f5es \u2013 ignoraram a criminosa ocupa\u00e7\u00e3o da Palestina pelos \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11119\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-11119","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Tl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11119\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}