{"id":11121,"date":"2016-05-21T18:47:23","date_gmt":"2016-05-21T21:47:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11121"},"modified":"2016-06-02T19:13:46","modified_gmt":"2016-06-02T22:13:46","slug":"remocoes-olimpicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11121","title":{"rendered":"Remo\u00e7\u00f5es Ol\u00edmpicas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/i65.tinypic.com\/1252ru1.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Projetos de infraestrutura e eventos como a Rio 2016 expulsam 15 milh\u00f5es de pessoas por ano de suas casas<\/p>\n<p><em>A casa de Maria da Penha Macena, moradora da Vila Aut\u00f3dromo, sendo demolida para a constru\u00e7\u00e3o da Vila Ol\u00edmpica<\/em><!--more--><\/p>\n<p>As casas demolidas da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/551812-jogos-olimpicos-no-brasil-a-cidade-na-vitrine-e-os-cidadaos-do-lado-de-fora-entrevista-especial-com-sandra-quintela\" target=\"_blank\"><strong>Vila Aut\u00f3dromo<\/strong><\/a>\u00a0viraram um \u00edcone dos despejos realizados para dar espa\u00e7o \u00e0s instala\u00e7\u00f5es ol\u00edmpicas. N\u00e3o foram as \u00fanicas do Rio, nem as \u00fanicas de cidades que sediam megaeventos. Tampouco \u00e9 um fen\u00f4meno recente ou localizado. O Conselho Noruegu\u00eas de Refugiados (<strong>CNR<\/strong>) est\u00e1 certo de que grandes projetos de infraestrutura, especialmente no caso de eventos esportivos internacionais, t\u00eam for\u00e7ado milh\u00f5es no mundo a deixarem suas habita\u00e7\u00f5es sem muitas garantias em troca.<br \/>\nA reportagem \u00e9 de\u00a0<strong>Flavia Milhorance<\/strong>, publicada por\u00a0<strong>#Colabora<\/strong>, 12-05-2016.<\/p>\n<p>O centro de monitoramento de deslocamentos internos, ligada ao\u00a0<strong>CNR<\/strong>, acompanha o movimento de popula\u00e7\u00f5es que precisam deixar suas casas devido a desastres naturais ou conflitos e buscar novos locais de moradia dentro de seu pr\u00f3prio pa\u00eds. A cada ano, o \u00f3rg\u00e3o publica dados atualizados num relat\u00f3rio, que \u00e9 usado por organiza\u00e7\u00f5es como a ONU para buscar novas pol\u00edticas e acordos. No documento deste ano, divulgado nesta quarta-feira, o \u00f3rg\u00e3o quis chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma pe\u00e7a que faltava:<\/p>\n<p>\u201cDecidimos incluir o grupo de pessoas deslocadas devido a projetos p\u00fablicos ou privados, que v\u00e3o desde obras de transporte, barragens etc. at\u00e9 eventos esportivos. Existe uma grande quantidade de pesquisa isolada sobre o assunto, mas n\u00e3o h\u00e1 dados globais que d\u00e3o a amplitude do fen\u00f4meno. Pelos poucos dados que temos, no entanto, acreditamos que o impacto \u00e9 enorme. H\u00e1 milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas deslocadas por essa raz\u00e3o ao redor do mundo a cada ano\u201d, explica\u00a0<strong>Alexandra Bilak<\/strong>, diretora interina do centro e uma das autoras do relat\u00f3rio \u201c<em>Global Report on Internal Displacement<\/em>\u00a0(<strong>GRID 2016<\/strong>)\u201d.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 tornar mais consistente e cont\u00ednua a coleta de informa\u00e7\u00f5es sobre o grupo. Estimativas parciais citadas pelo relat\u00f3rio apontam para 15 milh\u00f5es de pessoas deslocadas anualmente devido a\u00a0<strong>projetos de infraestrutura<\/strong>. Na China, seriam 80 milh\u00f5es de deslocamentos entre 1950 e 2015; e na \u00cdndia, 65 milh\u00f5es, entre 1947 e 2010.<br \/>\nEm poucos casos, as remo\u00e7\u00f5es seguem boas pr\u00e1ticas e garantem compensa\u00e7\u00f5es. Mas geralmente, diz o relat\u00f3rio, as popula\u00e7\u00f5es sofrem constantes viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, especialmente no caso de ind\u00edgenas e pobres.<\/p>\n<p>Neste ano, o documento destaca as remo\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0s\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/543246-olimpiadas-a-nova-justificativa-para-as-remocoes-no-rio-de-janeiro-entrevista-especial-com-gerardo-silva\" target=\"_blank\"><strong>Olimp\u00edadas do Rio<\/strong><\/a>, citando o caso da\u00a0<strong>Vila Aut\u00f3dromo<\/strong>, e descreve o processo desde 2009, ap\u00f3s as indica\u00e7\u00f5es da cidade para sediar os jogos e a\u00a0<strong>Copa do Mundo<\/strong>. O texto critica a falta de informa\u00e7\u00e3o prestada aos moradores durante o processo, as baixas compensa\u00e7\u00f5es financeiras, a longa dist\u00e2ncia das antigas moradias imposta \u00e0s fam\u00edlias e a s\u00e9rie de confrontos entre organiza\u00e7\u00f5es, moradores e autoridades policiais.<\/p>\n<p>\u201cCom o exemplo do Rio, quer\u00edamos mostrar que atr\u00e1s da fachada dos grandes eventos, existe muita vulnerabilidade e exclus\u00e3o\u201d, comenta\u00a0<strong>Alexandra<\/strong>. \u201cExistem milhares de exemplos como esse no mundo, ent\u00e3o \u00e9 claro que este tipo de projeto est\u00e1 colocando totalmente em xeque os objetivos de desenvolvimento inicialmente pretendidos. \u00c9 um desenvolvimento insustent\u00e1vel, porque est\u00e1 empurrando pessoas ainda mais para a pobreza\u201d.<\/p>\n<p>Quando questionado sobre o assunto, o prefeito do Rio,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/554190-eduardo-paes-e-sua-realidade-propria&amp;sa=U&amp;ved=0ahUKEwjjmZjIt9XMAhVMLB4KHa0LDJsQFggFMAA&amp;client=internal-uds-cse&amp;usg=AFQjCNHvcR9vp1p0bfke8O4zG478Nikhbg\" target=\"_blank\"><strong>Eduardo Paes<\/strong><\/a>, costuma dar outra vers\u00e3o. Em duas entrevistas recentes, uma no \u201c<strong>El Pa\u00eds<\/strong>\u201d e outra no \u201c<em>SwissInfo<\/em>\u00a0(<strong>SWI<\/strong>)\u201d,\u00a0<strong>Paes<\/strong>\u00a0disse que, embora entidades estimem milhares de remo\u00e7\u00f5es na cidade, o \u00fanico caso de fato relacionado \u00e0s\u00a0<strong>Olimp\u00edadas<\/strong>\u00a0foi o da\u00a0<strong>Vila Aut\u00f3dromo<\/strong>. Mesmo assim, o processo foi negociado e ningu\u00e9m saiu de l\u00e1 for\u00e7ado. \u201cEsse foi um processo dramatizado e explorado politicamente\u201d, criticou o prefeito ao \u201c<strong>SWI<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Milh\u00f5es de deslocamentos por desastres naturais e conflitos<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de incluir o caso de remo\u00e7\u00f5es para obras de infraestrutura, o\u00a0<strong>CNR<\/strong>\u00a0reuniu, pela primeira vez numa \u00fanica publica\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros de deslocamentos internos devido a\u00a0<strong>conflitos e desastres naturais<\/strong>. Segundo\u00a0<strong>Alexandra<\/strong>, assim \u00e9 poss\u00edvel ter uma vis\u00e3o mais completa da situa\u00e7\u00e3o no mundo, al\u00e9m de mostrar que a rela\u00e7\u00e3o entre causas e consequ\u00eancias dos deslocamentos n\u00e3o \u00e9 isolada.<\/p>\n<p>\u201cTendemos a pensar que os deslocamentos ocorrem por situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas\u201d, afirma\u00a0<strong>Alexandra<\/strong>. \u201cMas nunca h\u00e1 uma \u00fanica raz\u00e3o para a pessoa se mudar, a menos que seja um caso como o da\u00a0<strong>S\u00edria<\/strong>, onde casas s\u00e3o bombardeadas diariamente. Na maioria, no entanto, este processo \u00e9 mais complexo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo contexto, geralmente h\u00e1 instabilidade pol\u00edtica, viol\u00eancia constante, junto com incertezas econ\u00f4micas, que ainda podem ser intensificadas por press\u00f5es ambientais \u00e0 subsist\u00eancia\u201d, completa.<\/p>\n<p>Os 144 mil deslocamentos no\u00a0<strong>Sud\u00e3o<\/strong>, por exemplo, foram causados por\u00a0<strong>conflitos violentos<\/strong>, cujas ra\u00edzes est\u00e3o na seca e na degrada\u00e7\u00e3o ambiental, respons\u00e1vel por provocar uma crise alimentar, que, agravada, deixou fam\u00edlias famintas e sem suporte do governo. No Haiti, assentamentos informais superlotados e a inabilidade das autoridades em garantir seguran\u00e7a e a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ap\u00f3s o terremoto de 2010 formam o pano de fundo para os 1,5 mil deslocamentos.<\/p>\n<p>No total, segundo o relat\u00f3rio, foram mais de 27,8 milh\u00f5es de novos deslocamentos internos em 127 pa\u00edses durante 2015, mais do que as popula\u00e7\u00f5es de Nova York, Londres, Paris e Cairo combinadas. Destes, 19,2 milh\u00f5es est\u00e3o associados a desastres naturais, mais do que o dobro dos referentes a conflitos e viol\u00eancia (8,6 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Entre os\u00a0<strong>deslocamentos por conflitos<\/strong>, 4,8 milh\u00f5es est\u00e3o no Oriente M\u00e9dio ou Norte da \u00c1frica e est\u00e3o relacionados aos desdobramentos da Primavera \u00c1rabe e do fortalecimento do Estado Isl\u00e2mico. I\u00eamen, S\u00edria e Iraque representam mais da metade do total global.<br \/>\nNo caso daqueles ocasionados por\u00a0<strong>desastres naturais<\/strong>, a maioria ocorreu em pa\u00edses em desenvolvimento. O Sul e o Leste da \u00c1sia s\u00e3o os mais afetados. \u00cdndia (3,7 milh\u00f5es), China (3,6 milh\u00f5es) e Nepal (2,6 milh\u00f5es) t\u00eam os maiores n\u00fameros absolutos. No Brasil, segundo o relat\u00f3rio, seriam 59 mil por desastres, no caso, ocasionados pelas enchentes e desabamentos, bem conhecidos do brasileiro.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/554984-remocoes-olimpicas\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/554984-remocoes-olimpicas&amp;source=gmail&amp;ust=1463945614088000&amp;usg=AFQjCNEEmJyIPdgsXhU05uAB9dQWiyGg7w\">http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Projetos de infraestrutura e eventos como a Rio 2016 expulsam 15 milh\u00f5es de pessoas por ano de suas casas A casa de Maria \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11121\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-11121","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Tn","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11121"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11121\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}