{"id":11177,"date":"2016-05-28T15:44:42","date_gmt":"2016-05-28T18:44:42","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11177"},"modified":"2016-06-08T21:36:24","modified_gmt":"2016-06-09T00:36:24","slug":"a-argentina-depois-do-golpe-brando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11177","title":{"rendered":"A Argentina depois do golpe brando"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.comerciodojahu.com.br\/arquivos\/auto\/noticias\/160323230459_Pagina14b.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>\u2013 A marcha apressada do capitalismo mafioso<\/strong><\/p>\n<p>por Jorge Beinstein<\/p>\n<p><em>\u201cCedo ou tarde a resist\u00eancia popular pode chegar a converter-se em ofensiva geral contra o sistema. A acumula\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os combativos dos de baixo produzindo recuos nas elites dominantes terminaria por gerar um salto qualitativo de grandes dimens\u00f5es. <!--more-->N\u00e3o seria a primeira vez que ocorreria este fen\u00f4meno na Argentina, ainda que seu aspecto e conte\u00fado possam incluir muitas novidades\u201d. <\/em><\/p>\n<p>Na Argentina come\u00e7a formar-se um regime autorit\u00e1rio com apar\u00eancia constitucional, uma converg\u00eancia mafiosa de camarilhas empresariais, judiciais e medi\u00e1ticas monitorada pelo aparelho de intelig\u00eancia dos Estados Unidos. Mas o que demonstram os primeiros meses deste processo \u00e9 que a tentativa trope\u00e7a com numerosas dificuldades que amea\u00e7am convert\u00ea-la numa gigantesca crise de governabilidade. O contexto do seu desenvolvimento \u00e9 uma recess\u00e3o econ\u00f4mica que se vai aprofundando rumo \u00e0 depress\u00e3o, ou seja, um funcionamento econ\u00f4mico de baixa intensidade, com altas taxas de desemprego, sal\u00e1rios reais muito reduzidos e baratos em d\u00f3lares.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata do retorno do velho neoliberalismo dos anos 1990 nem muito menos de uma imita\u00e7\u00e3o do regime olig\u00e1rquico dos fins do s\u00e9culo XIX e sim da tentativa de instaura\u00e7\u00e3o de um sistema mafioso a parasitar sobre uma popula\u00e7\u00e3o desarticulada que alberga grandes espa\u00e7os de marginalidade e superexplora\u00e7\u00e3o laboral, realizando um saqueio sem precedentes de recursos naturais. Nessa dire\u00e7\u00e3o v\u00e3o-se impondo os instrumentos essenciais do regime ditatorial: controle completo dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, reconvers\u00e3o integral do sistema de seguran\u00e7a como ap\u00eandice do dos Estados Unidos [1], implanta\u00e7\u00e3o de mecanismos de destrui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social em grande escala, iniciativas medi\u00e1tico-judiciais tendentes a extirpar as oposi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se subordinem ao novo regime.<\/p>\n<p><strong>Submetimento colonial e decad\u00eancia perif\u00e9rica<\/strong><\/p>\n<p>Os tempos mudaram, a &#8220;doutrina da seguran\u00e7a nacional&#8221; em vigor na \u00e9poca de Videla e Pinochet coincidia com a vis\u00e3o militar-profissional do Imp\u00e9rio. Tratava-se do controle milim\u00e9trico da sociedade colonizada, administrada como um quartel que coincidiu historicamente com a \u00faltima etapa do predom\u00ednio nos Estados Unidos do tradicional &#8220;complexo militar-industrial&#8221;, alian\u00e7a entre a grande ind\u00fastria armamentista e os altos comandos militares subordinando as elites pol\u00edticas. Resultado do keynesianismo militar que marcou a superpot\u00eancia desde a Segunda Guerra Mundial e que entrou em decl\u00ednio nos anos 1980 [2] .<\/p>\n<p>Posteriormente o &#8220;Consenso de Washington&#8221; reinou durante a era de Carlos Menem na Argentina e de Collor de Mello e Cardoso no Brasil, assinalando o auge da financeiriza\u00e7\u00e3o da economia e da pol\u00edtica nos Estados Unidos e no conjunto das pot\u00eancias dominantes \u2013 sem por isso deixar de lado a componente militar, que come\u00e7ou a transformar-se.<\/p>\n<p>Esses dois momentos tr\u00e1gicos exprimiram a afirma\u00e7\u00e3o do submetimento colonial da Argentina, o primeiro com formato militar-ditatorial e o segundo com rosto civil-constitucional, que corresponderam a diferentes configura\u00e7\u00f5es imperialistas: No primeiro caso com um imperialismo industrial norte-americano em ascens\u00e3o, disputando a Guerra-fria e no segundo com a presen\u00e7a da \u00fanica superpot\u00eancia global que acabava de ganhar essa guerra e que se preparava para exercer a hegemonia planet\u00e1ria. Ainda que ao mesmo tempo se financeirizasse, o parasitismo come\u00e7ava a corroer o sistema, degradando seus pilares produtivos, instalando a cultura do consumismo desenfreado. Essa prosperidade mals\u00e3 contagiou elites perif\u00e9ricas. Nos Estados Unidos a partir de 2001 a festa converteu-se em onda militarista e a mega bolha financeira estalou em 2008. Na Argentina o show derivou na recess\u00e3o que por sua vez culminou com um grande desastre econ\u00f4mico, social e institucional em 2001.<\/p>\n<p>O atual submetimento da Argentina aos Estados Unidos n\u00e3o corresponde ao auge do Imp\u00e9rio e sim \u00e0 sua decad\u00eancia, sua degrada\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social, seu retrocesso geopol\u00edtico internacional de que procura compensar-se mediante o controle total do seu p\u00e1tio traseiro latino-americano. Procura assim assegurar a superexplora\u00e7\u00e3o de recursos naturais decisivos e tamb\u00e9m na introduzir a regi\u00e3o como pe\u00e7a pr\u00f3pria do seu jogo global: como isco para seus s\u00f3cios europeus na NATO ou como retaguarda segura na arma\u00e7\u00e3o do &#8220;Acordo Transpac\u00edfico&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 um imp\u00e9rio comandado por uma lumpen-burguesia financeira, sobrevivendo com baixas taxas de crescimento produtivo, parasitando sobre o resto do mundo, que n\u00e3o procura instaurar uma hierarquia mundial est\u00e1vel que se reproduza no longo prazo e sim depredar recursos naturais, degradar ou eliminar estados, destruir defesas sociais perif\u00e9ricas estendendo ofensivas desestruturantes, desintegradoras de identidades nacionais e culturais. Seu instrumento de interven\u00e7\u00e3o militar \u00e9 agora uma constela\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es guiadas pela doutrina da Guerra de Quarta Gera\u00e7\u00e3o [3] empregando mercen\u00e1rios de maneira intensiva, manipula\u00e7\u00f5es medi\u00e1ticas e outras atividades destinadas a destruir, tornar ca\u00f3ticos espa\u00e7os perif\u00e9ricos a fim de saque\u00e1-los.<\/p>\n<p>Em correspond\u00eancia com esse fen\u00f4meno as burguesias latino-americanas foram mutando at\u00e9 chegar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o actual onde grupos industriais, financeiros ou do agroneg\u00f3cio combinam seus investimentos tradicionais com outros mais rent\u00e1veis mas tamb\u00e9m mais vol\u00e1teis: Aventuras especulativas, neg\u00f3cios ilegais de todo tipo (desde o narco at\u00e9 opera\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias opacas passando por fraudes comerciais ou fiscais e outros empreendimentos turvos), transnacionalizando-se, convergindo com &#8220;investimentos&#8221; saqueadores provenientes do exterior. No caso argentino poder\u00edamos encontrar antecedentes no reinado da &#8220;p\u00e1tria financeira&#8221; durante a \u00faltima ditadura militar, o que por sua vez tem de ser visto como resultado do fim da era industrialista.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, a configura\u00e7\u00e3o lumpen-imperialista imp\u00f5e din\u00e2micas decadentes na periferia. Na Am\u00e9rica Latina chegou a hora do lumpen-capitalismo. As elites argentinas vinham avan\u00e7ando nessa dire\u00e7\u00e3o, a chegada de Macri \u00e0 presid\u00eancia exprime um enorme salto qualitativo, o pa\u00eds no seu conjunto acaba de entrar de modo brusco nesse processo.<\/p>\n<p><strong>Recess\u00e3o, depress\u00e3o e economia de baixa intensidade<\/strong><\/p>\n<p>Recentemente o FMI previu para a Argentina um crescimento econ\u00f4mico real negativo em 2016 da ordem dos -1%. Quando observamos as quedas que j\u00e1 se verificaram em indicadores decisivos desde Dezembro de 2015 \u00e9 poss\u00edvel baixar ainda mais esse n\u00famero, rumo aos -3% ou menos ainda.<\/p>\n<p>Verificou-se em muito pouco tempo uma forte redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios reais, provocada entre outros factores pela mega desvaloriza\u00e7\u00e3o, pelos aumentos dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e das tarifas de eletricidade, g\u00e1s e transportes, pela elimina\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o de reten\u00e7\u00f5es e seus impactos inflacion\u00e1rios, ao que se acrescenta a subida das taxas de juro e os despedimentos maci\u00e7os na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica (que come\u00e7am a ser seguidos pelo sector privado) com o que temos um panorama recessivo provocado pelo governo cujo objectivo principal \u00e9 reduzir os sal\u00e1rios reais e seu valor em d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Em certos c\u00edrculos a avalanche de mudan\u00e7as desencadeou o debate em torno do suposto &#8220;modelo de desenvolvimento&#8221; que a direita estaria a tentar impor. Decretos, endividamentos, subidas de pre\u00e7os e despedimentos sucederam-se de maneira vertiginosa. Procurar uma coer\u00eancia estrat\u00e9gica desenvolvimentista nesse conjunto \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua que a cada passo se choca com contradi\u00e7\u00f5es que obrigam a abandonar hip\u00f3teses \u2013 sem que se possa chegar a uma conclus\u00e3o minimamente rigorosa. Em primeiro lugar, a contradi\u00e7\u00e3o entre medidas que destroem o mercado interno para favorecer uma suposta onda exportadora \u2013 evidentemente invi\u00e1vel diante do recuo da economia global. Outra [contradi\u00e7\u00e3o] \u00e9 a subida das taxas de juro que comprimem o consumo e os investimentos na expectativa da chegada de fundos provenientes de um sistema internacional em crise \u2013 que praticamente a \u00fanica coisa que pode oferecer \u00e9 a arma\u00e7\u00e3o de bicicletas especulativas. [NR 1]<\/p>\n<p><strong>REP\u00daBLICA DE BANDIDOS<\/strong><\/p>\n<p>Alguns optaram por resolver o problema com a ado\u00e7\u00e3o de defini\u00e7\u00f5es abstratas t\u00e3o gerais quanto pouco operativas (&#8220;modelo favor\u00e1vel ao grande capital&#8221;, &#8220;restaura\u00e7\u00e3o neoliberal&#8221;, etc). Outros decidiram prosseguir o estudo mas cada vez que chegam a uma conclus\u00e3o satisfat\u00f3ria surge um novo facto que lhes deita abaixo o edif\u00edcio intelectual constru\u00eddo. E, finalmente, uns poucos, dentre os quais me encontro, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que procurar essa coer\u00eancia estrat\u00e9gica constitui uma tarefa imposs\u00edvel. A chegada da direita ao governo n\u00e3o significa a substitui\u00e7\u00e3o do modelo anterior (desenvolvimentista, neokeynesiano, ou como se queira qualificar) por um novo modelo (olig\u00e1rquico) de desenvolvimento e sim, simplesmente, o desdobramento de um gigantesco saqueio protagonizado por for\u00e7as entr\u00f3picas altamente destrutivas que convertem o pa\u00eds burgu\u00eas numa rep\u00fablica de bandidos.<\/p>\n<p>Isto nos deveria conduzir \u00e0 reflex\u00e3o acerca do significado do fim da era kirchnerista encarado por alguns como um trope\u00e7o resultante de uma derrota eleitoral por margem escassa e por outros como o produto de uma manipula\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica prolongada combinada com opera\u00e7\u00f5es da m\u00e1fia judicial, de grupos econ\u00f4micos concentrados e do aparelho de intelig\u00eancia dos Estados Unidos. Esta \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais pr\u00f3xima da realidade, contudo \u00e9 insuficiente. O &#8220;golpe brando&#8221; existiu (o que pulveriza a suposta legitimidade democr\u00e1tica do governo atual) mas falta explicar porque teve \u00eaxito.<\/p>\n<p>Se nos limitarmos a certos aspectos econ\u00f4micos do tema podemos observar que o motor externo come\u00e7ou a arrefecer a partir de 2012, a seguir \u00e0 breve recupera\u00e7\u00e3o da recess\u00e3o global de 2009. A situa\u00e7\u00e3o agravou-se desde meados de 2014 quando os pre\u00e7os das commodities ca\u00edram a pique. A economia ent\u00e3o passou a uma etapa de crescimentos an\u00eamicos sustentados pelo mercado interno. Os grandes exportadores aumentaram suas press\u00f5es destinadas a obter benef\u00edcios na economia nacional que lhes permitissem compensar os menores lucros externos convergindo com interesses financeiros e agrupando o conjunto da direita medi\u00e1tica, judicial e pol\u00edtica. Tratou-se de uma matilha que se foi fortalecendo \u00e0 medida que o seu inimigo perdia espa\u00e7o econ\u00f4mico e que se acentuava a crise global.<\/p>\n<p>Os equil\u00edbrios do governo tornaram-se cada vez mais inst\u00e1veis. As comportas neokeynesianas que bloqueavam a mar\u00e9 come\u00e7aram a sofrer fissuras para finalmente desmoronarem. A candidatura presidencial de Daniel Scioli foi uma op\u00e7\u00e3o defensiva e fraca que n\u00e3o p\u00f4de evitar o colapso. Desencadeou-se ent\u00e3o (foi desencadeada) a recess\u00e3o e diversos sinais nacionais e internacionais indicam-nos que est\u00e1 para ficar. Encontramo-nos diante do come\u00e7o de uma depress\u00e3o econ\u00f4mica, resultado da reprodu\u00e7\u00e3o de um sistema que entrou numa fase de contra\u00e7\u00e3o desordenada.<\/p>\n<p>Uma refer\u00eancia importante \u00e9 a da sa\u00edda da recess\u00e3o verificada a partir de 2003. Nesse per\u00edodo convergiram dois factores principais: a alta dos pre\u00e7os internacionais das commodities e a reanima\u00e7\u00e3o do mercado interno.<\/p>\n<p>O &#8220;motor externo&#8221; foi impulsionado pelo auge de mercados emergentes como os da China ou Brasil, entre outros, o que permitiu uma melhoria substancial das contas externas da Argentina. Os pre\u00e7os das commodities experimentaram altas not\u00e1veis nesses anos, impulsionados n\u00e3o s\u00f3 pela expans\u00e3o da procura internacional como tamb\u00e9m pelo crescimento da especula\u00e7\u00e3o financeira. As opera\u00e7\u00f5es globais com produtos financeiros derivados baseados em commodities em Dezembro de 2003 chegavam a 1,4 milh\u00e3o de milh\u00f5es de d\u00f3lares, em Dezembro de 2005 alcan\u00e7avam os 5,4 milh\u00f5es de milh\u00f5es, em Junho de 2007 chegavam aos 8,2 milh\u00f5es de milh\u00f5es e em Junho de 2008 aos 13,1 milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares. [4]<\/p>\n<p>Pelo seu lado, o &#8220;motor interno&#8221; funcionou impulsionado pela ascens\u00e3o do emprego, dos sal\u00e1rios reais e dos rendimentos das camadas m\u00e9dias. Em consequ\u00eancia, expandiu-se a procura interna e o tecido industrial, a economia argentina recuperou-se crescendo a taxas excepcionais. Como se sabe, o sal\u00e1rio real m\u00e9dio na Argentina experimenta uma tend\u00eancia descendente de longo prazo (desde meados dos anos 1970). Sofreu uma queda descomunal durante a crise dos anos 2001-2001, recuperou-se a seguir chegando aos n\u00edveis dos anos 1990 mas sem nunca alcan\u00e7ar os dos anos 1970, nem sequer os de meados dos anos 1980 [5] . Poder\u00edamos resumir o acontecido assinalando que a reanima\u00e7\u00e3o do mercado interno foi apoiado num forte crescimento do emprego e numa recupera\u00e7\u00e3o salarial limitada.<\/p>\n<p><strong>C\u00cdRCULO VICIOSO<\/strong><\/p>\n<p>Se o crescimento an\u00eamico dos \u00faltimos anos do governo anterior incentivou a vontade de rapina dos grupos econ\u00f4micos concentrados, \u00e9 altamente prov\u00e1vel que a recess\u00e3o atual a acentue muito mais. Ao contrair-se a economia, em consequ\u00eancia dos ajustes e das transfer\u00eancias de rendimentos, esses grupos tentar\u00e3o pelo menos sustentar seu volume real de lucros apropriando-se de uma por\u00e7\u00e3o crescente do rendimento nacional. Ainda que impulsionados pela sua pr\u00f3pria din\u00e2mica e pelo exerc\u00edcio da totalidade do poder, \u00e9 quase certo que procurar\u00e3o absorver um volume real maior. Al\u00e9m disso, as medidas que procuram reequilibrar os desequil\u00edbrios provocados pelas pr\u00f3prias medidas econ\u00f3micas do governo causam maior instabilidade e empobrecimento da maior parte da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso da tentativa de desacelerar a subida da cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar subindo as taxas de juro, com o que por vezes se consegue travar por pouco tempo essa tend\u00eancia \u2013 mas a custa do agravamento da recess\u00e3o. Ou quando se pretende diminuir o d\u00e9fice or\u00e7amental reduzindo a despesa p\u00fablica (despedindo empregados, encerrando programas, etc), o que agrava a recess\u00e3o e em consequ\u00eancia reduz as receitas fiscais e aumenta o d\u00e9fice. Em suma, encontramo-nos diante de um c\u00edrculo vicioso de concentra\u00e7\u00e3o de rendimentos, redu\u00e7\u00e3o do Estado e afundamento da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A queda dos sal\u00e1rios reais n\u00e3o estimula mais investimento interno ou externo, desestimulado pelo esvaziamento dos mercados nacional e global (n\u00e3o h\u00e1 alternativa exportadora). Enquanto isso o governo aparenta aferrar-se ao que seria a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o da economia: o endividamento externo que teoricamente lhe permitiria realizar investimentos reativadores. Mas o clima rarefeito do sistema financeiro internacional comprime o espa\u00e7o dos credores potenciais, cada vez mais duros diante de uma economia nacional deprimida. Na realidade, essa ansiedade por endividar-se n\u00e3o corresponde a uma paix\u00e3o desenvolvimentista e sim \u00e0 press\u00e3o dos grupos de neg\u00f3cios que acumularam super-lucros nestes \u00faltimos meses (exportadores, bancos, etc) e que precisam convert\u00ea-los em d\u00f3lares. \u00c9 a evas\u00e3o de capitais e n\u00e3o o investimento produtivo que pede o endividamento externo.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: os dois motores da sa\u00edda da recess\u00e3o na d\u00e9cada passada deixaram de funcionar. As pol\u00edticas que procuravam compensar o ciclo recessivo global foram eliminadas pelas classes dominantes \u2013 antes haviam sido \u00fateis para elas a fim de restabelecer a governabilidade e acumular lucros, agora destru\u00edram-nas porque travavam sua voracidade.<\/p>\n<p><strong>MODELO SINISTRO<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel elaborar um modelo excessivamente abstrato de estabiliza\u00e7\u00e3o do processo depressivo argentino sob a forma de &#8220;economia de baixa intensidade&#8221; ou de &#8220;pen\u00faria&#8221;, ou seja, uma estrutura econ\u00f4mica dual com um sector popular contra\u00eddo e uma elite a parasitar sobre o primeiro (super-explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e outros saqueios \u00e0s classes m\u00e9dias e baixas). Isso permitiria manter n\u00edveis de importa\u00e7\u00f5es relativamente baixos que assegurariam (nem sempre) saldos positivos da balan\u00e7a comercial destinados a pagar d\u00edvidas externas. Estas \u00faltimas, al\u00e9m de encherem os cofres das redes financeiras, poderiam ser utilizadas para bloquear perigos de implos\u00e3o e de revolta social operando como uma esp\u00e9cie de droga dosificada destinada a preservar a reprodu\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p>Esse modelo econ\u00f4mico sinistro precisaria inevitavelmente do apoio de um bem oleado mecanismo de repress\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o das classes inferiores. Seria a instaura\u00e7\u00e3o de um regime neofascista concordante com a doutrina da Guerra de quarta gera\u00e7\u00e3o [NR 2] (restringindo-nos \u00e0 realidade latino-americana n\u00e3o \u00e9 demais observar o que ocorre no M\u00e9xico ou em pa\u00edses da Am\u00e9rica Central). Exigiria al\u00e9m disso muita estabilidade no interior da articula\u00e7\u00e3o mafiosa, com atenua\u00e7\u00e3o das disputas internas perante um botim de volume vari\u00e1vel sujeito a numerosos factores de instabilidade locais e internacionais. Trata-se de um cen\u00e1rio de realiza\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil (mas n\u00e3o imposs\u00edvel) acompanhando tend\u00eancias depressivas globais em simult\u00e2neo com o aumento da volatilidade em mercados decisivos, prolifera\u00e7\u00e3o de guerras, deteriora\u00e7\u00f5es institucionais dos estados centrais, colapsos e crises graves de estados perif\u00e9ricos e outros sintomas claros que mostram um planeta a caminhar rumo a horizontes de alta turbul\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>O FANTASMA DO 2001<\/strong><\/p>\n<p>O governo macrista comporta-se como costumam faz\u00ea-lo os chamados &#8220;sistemas ca\u00f3ticos&#8221; que, ao contr\u00e1rio dos &#8220;inst\u00e1veis&#8221; (em desordem permanente) e dos &#8220;est\u00e1veis&#8221; (que tendem para a ordem de maneira irresist\u00edvel), oscilam entre um p\u00f3lo ordenador, ou seja, um &#8220;atractor&#8221; neofascista e for\u00e7as que o desordenam, que o conduzem para a crise de governabilidade.<\/p>\n<p>A marcha rumo \u00e0 ditadura mafiosa est\u00e1 escorada por tr\u00eas estrat\u00e9gias convergentes: a corrup\u00e7\u00e3o de dirigentes, a repress\u00e3o dos protestos sociais e pol\u00edticos e o bombardeamento medi\u00e1tico. S\u00e3o opera\u00e7\u00f5es de efic\u00e1cia incerta que circulam em meio ao afundamento econ\u00f3mico e da luta de interesses entre grupos dominantes. Apoiam-se al\u00e9m disso numa base social reaccion\u00e1ria cujo n\u00facleo duro impulsionado por uma euforia neofascista est\u00e1 incrustado nas classes m\u00e9dias e altas.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o de dirigentes pol\u00edticos e sindicais pode ser \u00fatil [ao governo] a curto prazo para impor decis\u00f5es impopulares ou travar protestos. No entanto, desgasta os corruptos, corr\u00f3i suas posi\u00e7\u00f5es de poder reduzindo a n\u00e3o muito longo prazo sua capacidade operativa, tornando-os mais vulner\u00e1veis perante o descontentamento popular. \u00c9 o que se percebe nos primeiros meses do governo macrista quanto \u00e0 compra de sindicalistas, deputados, senadores e governadores.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o avan\u00e7a, funciona um Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a subordinado ao aparelho de intelig\u00eancia dos Estados Unidos, regressaram as &#8220;pol\u00edcias bravas&#8221;, foi ditado um &#8220;Protocolo&#8221; de repress\u00e3o de protestos populares, aparecem as primeiras express\u00f5es, aparentemente desordenadas, de repress\u00e3o ilegal. Mas n\u00e3o \u00e9 seguro que essa estrat\u00e9gia de amedrontamento tenha \u00eaxito. \u00c9 poss\u00edvel que o seu efeito acabe por ser o oposto do que o governo procura. Na Argentina exista uma enraizada cultura de confronta\u00e7\u00e3o contra a brutalidade estatal que pode catalisar um transbordamento opositor.<\/p>\n<p>O bombardeamento medi\u00e1tico foi um instrumento decisivo para a chegada de Macri \u00e0 presid\u00eancia. Teve uma efic\u00e1cia elevada atacando o governo e ampliando um vazio pol\u00edtico que podia ser ocupado por opositores de direita que se limitavam a denunciar o oficialismo, contrapondo promessas vagas de felicidade futura. Agora esses media t\u00eam de arcar com a tarefa complexa de defender um regime claramente antipopular. Neste novo cen\u00e1rio, sua efic\u00e1cia \u00e9 decrescente e a tentativa de compensar esse decl\u00ednio aumentando a press\u00e3o medi\u00e1tica (j\u00e1 por si esmagadora) produz efeitos de satura\u00e7\u00e3o e descr\u00e9dito quanto \u00e0s referidas intoxica\u00e7\u00f5es, at\u00e9 gerar rep\u00fadios cada vez mais fortes.<\/p>\n<p>Finalmente, a base social neofascista pode ser fanatizada ao extremo pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o mas \u00e9 quase imposs\u00edvel impedir que sua \u00e1rea de influ\u00eancia, sobretudo nas classes m\u00e9dias, se v\u00e1 reduzindo \u00e0 medida que a depress\u00e3o econ\u00f3mica se prolonga \u2013 o que acabar\u00e1 por deteriorar esse sector reaccion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o sistema disp\u00f5e de instrumentos e apoios sociais cada vez mais vulner\u00e1veis. Sua for\u00e7a depende em \u00faltima inst\u00e2ncia do grau de debilidade do seu advers\u00e1rio: o espa\u00e7o popular, se este se puser em marcha e se fortalecer na luta o instrumental autorit\u00e1rio poderia sofrer fissuras, brechas cada vez mais importantes, seu inevit\u00e1vel centralismo operativo acossado por uma mar\u00e9 ascendente de ataques, resist\u00eancias e rep\u00fadios iria perdendo vitalidade, acentuando-se suas contradi\u00e7\u00f5es internas. O contexto global turbulento deveria contribuir para o referido processo.<\/p>\n<p>Cedo ou tarde a resist\u00eancia popular pode chegar a converter-se em ofensiva geral contra o sistema. A acumula\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os combativos dos de baixo produzindo recuos nas elites dominantes terminaria por gerar um salto qualitativo de grandes dimens\u00f5es. N\u00e3o seria a primeira vez que ocorreria este fen\u00f3meno na Argentina, ainda que seu aspecto e conte\u00fado possam incluir muitas novidades.<\/p>\n<p>Obviamente a grave deteriora\u00e7\u00e3o do governo macrista pode levar a uma remodela\u00e7\u00e3o da equipe presidencial (uma esp\u00e9cie de &#8220;governo-de-unidade-nacional&#8221;) ou a uma mudan\u00e7a institucional de governo destinado a estabilizar a situa\u00e7\u00e3o. Ainda assim, mesmo introduzindo medidas &#8220;sociais&#8221; mais ou menos audazes, este governo enfrentaria uma crise sist\u00e9mica esmagadora, muito mais grave que a de 2001, num contexto global depressivo. Uma conjuntura deste tipo dificilmente poderia ser superada com aspirinas rosadas ou de outra cor.<\/p>\n<p>Mal chegou \u00e0 presid\u00eancia Macri lan\u00e7ou \u00e0 grande velocidade uma enxurrada de decretos arbitr\u00e1rios, desenvolveu de imediato uma ofensiva para assegurar o controle direitista dos meios de comunica\u00e7\u00e3o [NR 3] , comprou (ou extorquiu) dirigentes pol\u00edticos e sindicais, reduziu o poder aquisitivo dos sal\u00e1rios e das pens\u00f5es, lan\u00e7ou uma onda de despedimentos de empregados p\u00fablicos, concretizou enormes transfer\u00eancias de rendimentos para as elites dominantes. Em suma: desenvolveu uma blitzkrieg destinada a evitar resist\u00eancias poss\u00edveis antes que estas se organizassem. De qualquer modo n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de impor este saqueio gigantesco mediante um sistema de negocia\u00e7\u00f5es. O n\u00edvel de destrui\u00e7\u00e3o conseguido em t\u00e3o pouco tempo provavelmente o ter\u00e1 convencido do seu \u00eaxito, incitando-o a continuar a avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>A irrup\u00e7\u00e3o devastadora das elites dominantes poderia ser assimilada \u00e0 de um ex\u00e9rcito a penetrar num vasto territ\u00f3rio. No come\u00e7o a ofensiva tem \u00eaxito. O efeito surpresa, a explora\u00e7\u00e3o de debilidades locais, a contund\u00eancia da opera\u00e7\u00e3o, etc permitem avan\u00e7os r\u00e1pidos aparentemente irrevers\u00edveis. Mas pouco a pouco as v\u00edtimas come\u00e7am a reagir acossando o invasor e o espa\u00e7o simplificado nos mapas e relat\u00f3rios de especialistas vai-se convertendo num sistema complexo, cada vez mais incontrol\u00e1vel. A velocidade inicial da sucess\u00e3o de vit\u00f3rias que a princ\u00edpio aparentava ser a chave do \u00eaxito come\u00e7a a ser percebida pelo invasor com a causa principal das suas dificuldades. A rapidez operativa gera fen\u00f3menos de inadapta\u00e7\u00e3o, de super-extens\u00e3o estrat\u00e9gica que aumentam a sua vulnerabilidade levando-o finalmente \u00e0 derrota, esmagado por uma avalanche humana impar\u00e1vel (recordemos o que aconteceu a Napole\u00e3o quando invadiu a R\u00fassia).<\/p>\n<p>Macri poderia acabar por descobrir que a realidade social argentina \u00e9 muito mais complexa do que aquilo que a sua vis\u00e3o de mafioso detectava, que a cultura popular existe e se reproduz (maltratada, golpeada, mas existe), que os sal\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o como ele disse uma vez &#8220;um custo mais&#8221; que pode e deve ser comprimido ao m\u00e1ximo como qualquer outro insumo e sim o pagamento a seres humanos que pensam e se defendem. E, finalmente, que para um bandido n\u00e3o h\u00e1 nada pior que outro bandido (os s\u00f3cios de hoje podem ser os canibais de amanh\u00e3).<\/p>\n<p>04\/Abril\/2016<\/p>\n<p>[1] Horacio Verbitsky, &#8220;La transparencia del sigilo&#8221;, P\u00e1gina 12, Buenos Aires, 27 de marzo de 2016.<\/p>\n<p>[2] Jorge Beinstein, &#8220;La ilusi\u00f3n del metacontrol imperial del caos. La mutaci\u00f3n del sistema de intervenci\u00f3n militar de los Estados Unidos y sus consecuencias para Am\u00e9rica Latina&#8221; , Seminario &#8220;Nuestra Am\u00e9rica y Estados Unidos: desaf\u00edos del Siglo XXI&#8221;. Facultad de Ciencias Econ\u00f3micas de la Universidad Central del Ecuador, Quito, 30 y 31 de Enero de 2013; \u00a0 A ilus\u00e3o do metacontrole imperial do caos<\/p>\n<p>[3] Jorge Beinstein, art. cit.<\/p>\n<p>[3] Fonte: &#8220;Semiannual OTC derivatives statistics&#8221;, Bank for International Settlements (BIS).<\/p>\n<p>[4] Eduardo M. Basualdo, &#8220;La distribuci\u00f3n del ingreso en la Argentina y sus condicionantes estructurales&#8221;, Memoria Anual 2008, del Centro de Estudios Legales y Sociales (CELS), Argentina.<\/p>\n<p>[5] Juan Kornblihtt e Tamara Seiffer, &#8220;La persistente ca\u00edda del salario real argentino (1975 a la actualidad)&#8221; , Revista de la Bolsa de Comercio de Rosario, 2014,<\/p>\n<p>[NR]<br \/>\n[1] Bicicleta especulativa: \u00a0 Na Argentina significa por exemplo entrar 100 d\u00f3lares a 1 peso por d\u00f3lar, a seguir aplicar esses pesos com uma taxa de juro elevada, digamos que de 40%. \u00a0 Com isso o especulador ganha 140 pesos e a seguir recompra d\u00f3lares a 1 peso por d\u00f3lar, caso em que transforma 100 d\u00f3lares em 140 d\u00f3lares<\/p>\n<p>[2] Guerra de quarta gera\u00e7\u00e3o: \u00a0 Ver o livro de Andrew Korybko, o qual pode ser descarregado aqui .<br \/>\n[3] Ver Lei de Meios argentina sofre desmonte autorit\u00e1rio com governo Macri<\/p>\n<p>Artigo anterior de Jorge Beinstein:<\/p>\n<p>Am\u00e9rica Latina na hora do lumpen-capitalismo: Ilus\u00f5es progressistas devoradas pela crise<\/p>\n<p>[*] Economista, argentino, docente da Universidade de Buenos Aires, jorgebeinstein@gmail.com<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em http:\/\/resistir.info\/ .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u2013 A marcha apressada do capitalismo mafioso por Jorge Beinstein \u201cCedo ou tarde a resist\u00eancia popular pode chegar a converter-se em ofensiva geral \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11177\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-11177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c68-argentina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Uh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11177\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}