{"id":11179,"date":"2016-05-28T15:49:27","date_gmt":"2016-05-28T18:49:27","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11179"},"modified":"2016-06-08T21:36:29","modified_gmt":"2016-06-09T00:36:29","slug":"venezuela-se-respeita-o-poder-dos-corpos-de-combate-da-milicia-bolivariana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11179","title":{"rendered":"Venezuela se respeita: O poder dos Corpos de Combate da Mil\u00edcia Bolivariana"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/unnamed-354-620x400.jpg?resize=620%2C400\" alt=\"imagem\" \/><b>Marco Teruggi<\/b>, Resumen Latinoamericano, 24 de maio de 2016 \u2013 Guasdualito \u00e9 fronteira. A uma hora e meia de moto, cruzando a Col\u00f4mbia, encontra-se uma base militar norte-americana. Por essa mesma ponte que une e separa os dois pa\u00edses passam todos os dias caminh\u00f5es com arroz, carros, leite, o que necessita o pa\u00eds. Isso \u00e9 sabido entre a popula\u00e7\u00e3o, basta perguntar. Guasdualito \u00e9 <!--more-->o centro do Alto Apure, territ\u00f3rio onde vivem comunas, cidades comunais, corruptos, paramilitares, massacres, como o de Bocas del R\u00edo Viejo, por exemplo, em 2011, onde sete companheiros foram assassinados.<\/p>\n<p>\u00c9 zona de chavismo. De vit\u00f3rias da revolu\u00e7\u00e3o, de aproxima\u00e7\u00e3o com as ruas que vieram chorar o Comandante Hugo Ch\u00e1vez durante a campanha de 2012, quando pediu seu ultimo desejo: voltar a ser livre como o vento, depois tornar realidade o projeto da p\u00e1tria sonhada.<\/p>\n<p>Esse projeto e essa p\u00e1tria hoje se encontram em perigo. \u00c9 certo que sempre \u00e9 o momento mais dif\u00edcil. Tamb\u00e9m que este o \u00e9 mais que os outros. Nunca o inimigo tinha acumulado tanto poder, o povo tinha estado t\u00e3o desgastado e o Governo t\u00e3o rodeado de perguntas.<\/p>\n<p>Uma equa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, incendi\u00e1ria, produzida pela guerra n\u00e3o convencional, prolongada: tr\u00eas anos de sabotagem econ\u00f4mica, de inje\u00e7\u00e3o de veneno no tecido social, de ataques ps\u00edquicos com os meios de comunica\u00e7\u00e3o, agress\u00f5es internacionais, de assassinatos seletivos e viol\u00eancia nas ruas, como as que ocorreram por esses dias, visando o in\u00edcio de um novo ciclo de guarimbas e muito mais.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio, segundo o inimigo, parece pronto, ou quase. \u00c1lvaro Uribe pediu uma interven\u00e7\u00e3o armada, Luis Almagro, secret\u00e1rio geral da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos, chamou Nicol\u00e1s Maduro de ditadorzinho, e Capriles Radonski declarou recentemente \u00e0 BBC que um levante militar \u201cest\u00e1 no ar\u201d. A correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as continental, depois das vit\u00f3rias das direitas na Argentina e no Brasil, \u00e9 desfavor\u00e1vel para o chavismo.<\/p>\n<p>Tudo parece a ponto de&#8230;<\/p>\n<p>Os Estados Unidos e as direitas descobriram ao longo dos anos dois dos pilares fundamentais da revolu\u00e7\u00e3o: a unidade c\u00edvico-militar e a pot\u00eancia do povo. Saber n\u00e3o significa que possam desandar. Tentam, com dinheiro e promessas de gl\u00f3ria para os militares e com fome para o povo. Alguns conseguem, \u00e9 certo.<\/p>\n<p>O chavismo, que por momentos se parece um gigante m\u00edope e invertebrado \u2013 retomando a express\u00e3o de John William Cooke para descrever o peronismo em 1964 \u2013 tem a for\u00e7a para resistir e continuar com o projeto estrat\u00e9gico. \u00c0s vezes, entre lutas para conseguir comida pode perder-se de vista. Ningu\u00e9m \u00e9 imune aos efeitos da guerra. Por\u00e9m, existem momentos de condensa\u00e7\u00e3o, onde emerge o poder que pulsa nas profundezas do pa\u00eds. \u00c9 quando se v\u00ea a certeza do chavismo.<\/p>\n<p>A sexta-feira e o s\u00e1bado passado foram dois desses dias.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Guasdualito novamente. S\u00e3o sete horas da manh\u00e3 e o Batalh\u00e3o de Mil\u00edcia Territorial de Emprego Geral Patriota Padre Ram\u00f3n Ignacio M\u00e9ndez se prepara para ir ao campo de treinamento, para iniciar a jornada.<\/p>\n<p>\u00c9 o segundo dia de implanta\u00e7\u00e3o do Plano de Exerc\u00edcio de A\u00e7\u00e3o Integral Independ\u00eancia II. 480 batalh\u00f5es de Corpos de Combate da Mil\u00edcia Bolivariana e 297 forma\u00e7\u00f5es especiais em condu\u00e7\u00e3o e apoio naval est\u00e3o implantados nas 99 \u00e1reas de defesa integral, localizadas nas 24 zonas operativas do pa\u00eds. O Plano foi anunciado por Vladimir Padrino L\u00f3pez, General em Chefe da For\u00e7a Armada Nacional Bolivariana (FANB), que afirmou que a Venezuela estava sendo amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>A Mil\u00edcia Bolivariana, um dos cinco corpos que formam as FANB, tem um papel central nestas jornadas e na doutrina de defesa integral bolivariana. Na Venezuela j\u00e1 n\u00e3o rege a vis\u00e3o norte-americana da Escola das Am\u00e9ricas, mas a de Sim\u00f3n Bol\u00edvar: as guerras e as independ\u00eancias s\u00e3o ganhas com \u00edndios, negros, mesti\u00e7os, brancos, camponeses, oper\u00e1rios, pescadores. A p\u00e1tria se defende com soldados e com o povo em armas.<\/p>\n<p>Aqueles que est\u00e3o no caminh\u00e3o rumo ao campo de forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o camponeses e trabalhadores, de todas as idades \u2013 desde a adolesc\u00eancia at\u00e9 a velhice. Em sua maioria, s\u00e3o membros de conselhos comunais e comunas, e s\u00e3o, sobretudo, mulheres.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s mulheres somos capazes e guerreiras, capazes de coisas que os homens n\u00e3o podem, diz uma das milicianas. Todas concordam. Os homens tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>No campo se encontram com os outros tr\u00eas batalh\u00f5es do Munic\u00edpio P\u00e1ez. O dia de hoje \u00e9 de forma\u00e7\u00e3o em emboscada e disparo. A jornada de ontem foi te\u00f3rica. Os Corpos de Combate se formam. As hierarquias \u2013 tenentes, sargentos, cabos, distintos, milicianos \u2013 ocupam seus respectivos lugares. Alguns t\u00eam o uniforme correspondente ao dia de s\u00e1bado \u2013 verde Zamorano \u2013 outros se vestem de civil. Trata-se de sua primeira vez.<\/p>\n<p>&#8211; Professores, oper\u00e1rios, m\u00e9dicos, av\u00f3s, camponeses, todos devemos ser milicianos. Somos n\u00f3s que asseguraremos e resguardaremos nosso pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Em caso de uma invas\u00e3o, nos defenderemos com armas e com intelig\u00eancia social. Uma velhinha no rancho, por exemplo, que vive sozinha, pode dizer com uma senha se o inimigo est\u00e1 longe, pr\u00f3ximo ou j\u00e1 passou, explica Jes\u00fas P\u00e9rez, Primeiro Cabo do Batalh\u00e3o de Mil\u00edcia de Emprego Local Sim\u00f3n Bol\u00edvar, organizado dentro da Cidade Comunal Socialista Sim\u00f3n Bol\u00edvar.<\/p>\n<p>A Mil\u00edcia tem como tarefas centrais, em caso de uma invas\u00e3o \u2013 sob a forma que seja, com os atores que ingressem, sejam for\u00e7as regulares ou irregulares \u2013 produzir a\u00e7\u00f5es de desgaste e resist\u00eancia. \u00c9 a intelig\u00eancia popular massiva, uma arma com a qual n\u00e3o conta o inimigo. Disseminada nos bairros, campos, ranchos, escrit\u00f3rios, lojas, hospitais, que podem informar, sabotar, combater, curar, infiltrar. S\u00e3o formados para isso.<\/p>\n<p>&#8211; Trata-se da defesa integral. Os \u00fanicos que podem garantir que continuem funcionando as f\u00e1bricas, as escolas, as colheitas, os ambulat\u00f3rios, somos n\u00f3s. Isso porque como povo e poder popular conhecemos todo nosso territ\u00f3rio, acrescenta o Primeiro Cabo.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio, em particular nas zonas de fronteira como Guasdualito e arredores, \u00e9 objeto de disputa permanente. Uma sorte de guerra de posi\u00e7\u00f5es entre o poder popular \u2013 comunas, movimentos populares, mil\u00edcia \u2013 contrabandistas, atores corruptos das FANB, institui\u00e7\u00f5es do Estado, paramilitares, etc. Com mortos, como dois promotores assassinados e um desaparecido em 2013, depois de ter detido uma caravana de caminh\u00f5es rumo \u00e0 Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Na fronteira se encontram condensadas todas as vari\u00e1veis da guerra, do lado do inimigo e do pr\u00f3prio lado. Nesse contexto, a Mil\u00edcia Bolivariana e as comunas t\u00eam ra\u00edzes e extens\u00e3o. Levam adiante, entre pen\u00farias alimentares e mortes peri\u00f3dicas, o projeto estrat\u00e9gico repetido v\u00e1rias vezes por Hugo Ch\u00e1vez: o socialismo do s\u00e9culo XXI, ou seja, a restitui\u00e7\u00e3o do poder nas m\u00e3os do povo.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2016\/05\/25\/especial-venezuela-se-respeta-el-poder-de-los-cuerpos-de-combate-de-la-milicia-bolivariana\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Marco Teruggi, Resumen Latinoamericano, 24 de maio de 2016 \u2013 Guasdualito \u00e9 fronteira. 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