{"id":11217,"date":"2016-05-31T19:59:30","date_gmt":"2016-05-31T22:59:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11217"},"modified":"2016-06-23T03:36:33","modified_gmt":"2016-06-23T06:36:33","slug":"patriarcado-nao-e-so-machismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11217","title":{"rendered":"Patriarcado n\u00e3o \u00e9 (s\u00f3) machismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.mujerfariana.org\/images\/nosgusta\/adentro.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Sexta-feira, 20 de maio de 2016<\/p>\n<p>Luc\u00eda Sim\u00f3n PC3<\/p>\n<p>\u201c<i>Casu\u00edstica inata nos homens a de mudar as coisas mudando seus nomes e encontrar sa\u00eddas para romper com a tradi\u00e7\u00e3o, sem sair dela, em todas as partes onde um interesse direto d\u00e1 o impulso suficiente para isso\u201d. <\/i><!--more--><\/p>\n<p><i>Marx.<\/i><\/p>\n<p>O machismo \u00e9 normalmente representado pela imagem de uma mulher com hematomas no rosto, com express\u00e3o de raiva, dor e indigna\u00e7\u00e3o. \u00c9 a imagem mais frequente nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, nas p\u00e1ginas dos movimentos sociais e de mulheres que exigem a acusa\u00e7\u00e3o destas injustific\u00e1veis formas de viol\u00eancia, que cada vez s\u00e3o mais frequentes e evidentes. A viol\u00eancia contra a mulher e o feminic\u00eddio s\u00e3o, sem d\u00favida, abomin\u00e1veis express\u00f5es de machismo.<\/p>\n<p>Diferente destas formas de machismo, o patriarcado se expressa de maneira sutil e com ra\u00edzes profundas nas estruturas de domina\u00e7\u00e3o do sistema-mundo capitalista, assim como ocorreu no escravismo e no feudalismo. Foi estudado por Marx e Engels como antecedente na constru\u00e7\u00e3o dos movimentos feministas ao longo e ao largo de todo o mundo, encontrando algumas chaves para sua compreens\u00e3o e, sobretudo, para o processo de emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marx e Engels conclu\u00edram que a ordem patriarcal foi imposta historicamente em todas as formas de domina\u00e7\u00e3o, especialmente atrav\u00e9s da concep\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia que tanto estudaram e debateram em seus textos publicados, principalmente em <i>A quest\u00e3o judaica (1843), A Origem da Fam\u00edlia, da Propriedade Privada e do Estado (1884), A Ideologia Alem\u00e3 (1846)<\/i> e<i> O Manifesto Comunista (1848)<\/i>. Neles, desenvolvem um conjunto de argumentos que explica a origem das desigualdades sociais de g\u00eanero, ancoradas na divis\u00e3o do trabalho entre homens e mulheres, assim como as formas de hierarquiza\u00e7\u00e3o derivadas dessa concep\u00e7\u00e3o familiar. A defesa desta estrutura familiar imposta no p\u00fablico \u00e9 a ferramenta mais feroz que alimenta todas as desigualdades, a opress\u00e3o econ\u00f4mica e, portanto, o sistema de domina\u00e7\u00e3o cultural e simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>O poder patriarcal, em consequ\u00eancia, se expressa nas condi\u00e7\u00f5es materiais da sociedade contempor\u00e2nea, onde as mulheres continuam suportando o peso de toda essa domina\u00e7\u00e3o e s\u00e3o empurradas \u00e0s margens da pobreza no mundo. A maior quantidade de pessoas que vive em condi\u00e7\u00e3o de pobreza s\u00e3o mulheres e, ao mesmo tempo, s\u00e3o as que sustentam a estrutura familiar vigente. Nos pa\u00edses perif\u00e9ricos (ou de terceiro mundo) s\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel e influenci\u00e1vel, como bem discute o camarada Gabriel \u00c1ngel em seu artigo <i>Nuestra huella en la realidad social humana<\/i> [Nossa marca na realidade social humana].<\/p>\n<p>Por isso, torna-se importante recordar o expresso por Nancy Fraser quando diz que n\u00e3o \u00e9 suficiente buscar o reconhecimento das mulheres, se faz necess\u00e1rio construir os mecanismos para a emancipa\u00e7\u00e3o de todas essas formas de domina\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias do capital. \u00c9 tamb\u00e9m importante a redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza, bandeira de luta vigente desde os primeiros feminismos (em sua grande maioria marxistas).<\/p>\n<p>Redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza e reconhecimento para a emancipa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a igualdade e a equidade que definem a luta de g\u00eanero.<\/p>\n<p>As ra\u00edzes das desigualdades e da exclus\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o superadas se n\u00e3o forem modificadas as condi\u00e7\u00f5es que geram a domina\u00e7\u00e3o. Por isso, estamos h\u00e1 51 anos lutando pela constru\u00e7\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, culturais, pol\u00edticas e sociais para a sociedade colombiana. E continuamos disputando o terreno cultural e simb\u00f3lico, dizendo que o paramilitarismo e o militarismo s\u00e3o a mais clara express\u00e3o do patriarcado.<\/p>\n<p>Devemos seguir gerando as a\u00e7\u00f5es que permitam \u00e0s mulheres romper com a aliena\u00e7\u00e3o, reconhecer os discursos enganosos, como os do procurador Ord\u00f3\u00f1ez, e toda a classe de artimanhas obscurantistas que realmente visam ampliar o capital, como expressa o discurso uribista, que v\u00ea o pa\u00eds como a estrutura familiar sustentada na ideia de manter a ordem patriarcal e capitalista de exclus\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. Porque o Patriarcado n\u00e3o \u00e9 (s\u00f3) o machismo.<\/p>\n<p>http:\/\/www.mujerfariana.org\/vision\/578-patriarcado-no-es-s%C3%B3lo-machismo-2.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sexta-feira, 20 de maio de 2016 Luc\u00eda Sim\u00f3n PC3 \u201cCasu\u00edstica inata nos homens a de mudar as coisas mudando seus nomes e encontrar \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11217\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65],"tags":[],"class_list":["post-11217","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2UV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11217\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}