{"id":1122,"date":"2011-01-12T20:17:03","date_gmt":"2011-01-12T20:17:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1122"},"modified":"2011-01-12T20:17:03","modified_gmt":"2011-01-12T20:17:03","slug":"entrevista-a-yehuda-shaul-ex-oficial-israelense-criamos-um-monstro-a-ocupacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1122","title":{"rendered":"Entrevista a Yehuda Shaul, ex oficial Israelense \u201cCri\u00e1mos um monstro: A Ocupa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Nesta entrevista ao Paris Match do ex-oficial do Tsahal (ex\u00e9rcito israelense) Yehuda Shaul, ex-oficial do ex\u00e9rcito israelita com 28 anos, e autor de Breaking the Silence [Ouvir o sil\u00eancio], fica claro que a pol\u00edtica do tandem Israel-EUA n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resolve o problema, como assenta numa s\u00e9rie de crimes contra a humanidade exercidos sobre os palestinos. A mentira e o terrorismo de estado pode durar mais de seis d\u00e9cadas, como acontece na Palestina, mas n\u00e3o durar\u00e3o sempre\u2026<\/p>\n<p><strong>Catherine Schwaab (CS): <\/strong> O seu livro \u00e9 uma bomba pelas suas revela\u00e7\u00f5es: que efeito concreto espera?<\/p>\n<p><strong>Yehuda Shaul (YS): <\/strong> Espero poder enfim suscitar uma verdadeira discuss\u00e3o s\u00e9ria em Israel pois, desta vez, os nossos testemunhos s\u00e3o numerosos, verificados, incontest\u00e1veis: s\u00e3o 180 e tiramos deles uma an\u00e1lise, o que \u00e9 novo.<\/p>\n<p>Pensa que a opini\u00e3o p\u00fablica ignora o que significa a ocupa\u00e7\u00e3o militar dos territ\u00f3rios palestinianos?<\/p>\n<p>O p\u00fablico tem clich\u00e9s na cabe\u00e7a que incitam \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o cega. Por exemplo, em hebreu, a pol\u00edtica israelita nos territ\u00f3rios ocupados resume-se a quatro termos que n\u00e3o se pode contestar: \u00absikkul\u00bb (a preven\u00e7\u00e3o do terrorismo), \u00abafradah\u00bb (a separa\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o israelita e a popula\u00e7\u00e3o palestina), \u00abmirkam hayyim\u00bb (o \u00abfabrico\u00bb da exist\u00eancia palestiniana) e \u00abakhifat hok\u00bb (a aplica\u00e7\u00e3o das leis nos territ\u00f3rios ocupados). Na realidade, sob esses nomes de c\u00f3digo escondem-se terr\u00edveis desvios que v\u00e3o do sadismo \u00e0 anarquia e rejeitam os mais elementares direitos da pessoa. Isso vai at\u00e9 aos assassinatos de indiv\u00edduos inocentes que se calcula serem terroristas. E n\u00e3o falo das pris\u00f5es arbitr\u00e1rias e dos ass\u00e9dios de toda a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> Qual \u00e9 o objectivo disso?<\/p>\n<p><strong>YS<\/strong>: Est\u00e1 claramente definido: \u00e9 o de mostrar a presen\u00e7a permanente do ex\u00e9rcito, de produzir o sentimento de ser-se perseguido, controlado, em suma, trata-se de impor o medo a todos na sociedade palestina. Opera-se de maneira irracional, imprevis\u00edvel, criando um sentimento de inseguran\u00e7a que quebra a rotina.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> A ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1ria para evitar \u00absurpresas\u00bb terroristas?<\/p>\n<p><strong>YS: <\/strong> N\u00e3o! A ocupa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica n\u00e3o se justifica, pois ela abrange uma s\u00e9rie de interdi\u00e7\u00f5es e de entraves inadmiss\u00edveis. Queremos discutir sobre isso agora. Nem no seio do ex\u00e9rcito nem no seio da sociedade civil ou pol\u00edtica se quer enfrentar a verdade. E essa verdade, \u00e9 que n\u00f3s cri\u00e1mos um monstro: a ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> Pode esperar-se que discuss\u00f5es s\u00e9rias sobre a paz melhorem a situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>YS: <\/strong> N\u00e3o, tentar acabar com o conflito \u00e9 uma coisa, acabar com a ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. Estamos todos de acordo para procurar a paz, mas esquecemos a ocupa\u00e7\u00e3o. Ora, \u00e9 preciso come\u00e7ar por a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> Os vossos testemunhos revelam a incr\u00edvel impunidade de que beneficiam os colonos, verdadeiros assistentes militares: eles brutalizam os vizinhos palestinianos, levam os seus filhos \u00e0 agressividade e ao \u00f3dio dos \u00e1rabes\u2026<\/p>\n<p><strong>YS: <\/strong> Certamente, mas n\u00e3o s\u00e3o eles o problema. \u00c9 o mecanismo de ocupa\u00e7\u00e3o que lhes deu esse poder desmedido. Eu, quando era militar em Hebron, n\u00e3o podia deter um colono que estivesse a infringir abertamente a lei sob os meus olhos. Eles fazem parte desse sistema imoral.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> Pensa encontrar um apoio na opini\u00e3o israelita?<\/p>\n<p><strong>YS: <\/strong> Por enquanto, somos minorit\u00e1rios mas optimistas! Temos de s\u00ea-lo, pois vivemos tempos sombrios, a opini\u00e3o israelita \u00e9 ap\u00e1tica, as pessoas est\u00e3o fartas. E o pre\u00e7o a pagar por esta ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pesado. \u00c9 a raz\u00e3o por que n\u00e3o h\u00e1 vontade pol\u00edtica. Em contrapartida, o pre\u00e7o moral \u00e9 enorme.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> \u00c9 a primeira vez que s\u00e3o feitas tais revela\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>YS: <\/strong> N\u00e3o, h\u00e1 um ano, t\u00ednhamos contado as pilhagens na faixa de Gaza e t\u00ednhamos sido atacados por todos os lados: pelo ex\u00e9rcito, pela sociedade civil e a sociedade pol\u00edtica. Netanyahu acusou-nos de termos \u00abousado quebrar o sil\u00eancio\u00bb. Mas que sil\u00eancio? \u00c9 um sil\u00eancio vergonhoso sobre um esc\u00e2ndalo estrondoso! Eles fizeram tudo para nos desacreditar. Saiu-lhes mal, pois n\u00f3s somos todos antigos oficiais que vivemos esses acontecimentos terr\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> Precisamente, muitos soldados e oficiais que se expressam parecem traumatizados pelo que tiveram de fazer. Um sofrimento que permanece.<\/p>\n<p><strong>YS: <\/strong> Sim\u2026 Enfim, n\u00e3o nos enganemos: as v\u00edtimas, s\u00e3o os palestinos que aguentam esse controlo. Hei-de sempre recordar a resposta de um comandante do ex\u00e9rcito durante uma discuss\u00e3o televisiva em 2004. T\u00ednhamos organizado uma exposi\u00e7\u00e3o de fotografias com um v\u00eddeo de testemunhos. Ele disse-me: \u00abConcordo com o que voc\u00eas mostram, mas \u00e9 assim, temos de aceit\u00e1-lo, isso chama-se crescer, tornar-se adulto\u00bb. Fiquei sem palavras.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> Algumas pessoas pensam que Israel tem interesse em manter o conflito e que os palestinianos nunca ter\u00e3o as suas terras.<\/p>\n<p><strong>YS: <\/strong> \u00c9 falso. \u00c9 imposs\u00edvel erradicar uma popula\u00e7\u00e3o de 3,5 milh\u00f5es de habitantes. O problema n\u00e3o est\u00e1 em dar-lhes uma terra, mas na obsess\u00e3o de querer control\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> Ser\u00e3o as jovens gera\u00e7\u00f5es dos 20-30 anos mais perme\u00e1veis ao vosso ponto de vista?<\/p>\n<p><strong>YS: <\/strong> Nem toda a minha gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 de acordo comigo, mas ningu\u00e9m pode dizer que minto. Somos todos ex-membros do ex\u00e9rcito nacional, pag\u00e1mos o pre\u00e7o, ganh\u00e1mos o direito de falar. \u00c9 preciso que os esp\u00edritos mudem a partir de dentro.<\/p>\n<p><strong>CS: <\/strong> Voc\u00ea \u00e9 judeu ortodoxo e tem um discurso estranhamente aberto. A sua f\u00e9 ajuda-o neste combate?<\/p>\n<p><strong>YS: <\/strong> Nem por isso\u2026 Mas eu sei o que significa ser judeu religioso: n\u00e3o ficar silencioso perante o que est\u00e1 mal. E quero trazer uma solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o um problema.<\/p>\n<p><em>* Jornalista do Paris Match<\/em><\/p>\n<p><em>A vers\u00e3o em portugu\u00eas deste texto foi publicada em: <a href=\"http:\/\/www.egaliteetreconciliation.fr\/Un-officier-de-Tsahal-denonce-4957.html\" target=\"_blank\">www.egaliteetreconciliation.fr<\/a><\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=1926\" target=\"_blank\">ODiario.info<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nCatherine Schwaab*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1122\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-i6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1122"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1122\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}