{"id":11236,"date":"2016-06-02T18:37:20","date_gmt":"2016-06-02T21:37:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11236"},"modified":"2016-06-23T03:37:11","modified_gmt":"2016-06-23T06:37:11","slug":"colombia-existem-possibilidades-de-um-bom-acordo-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11236","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia: existem possibilidades de um \u201cbom acordo\u201d de paz?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"150\" width=\"150\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/primeiralinha.org\/home\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carlos-morais-150x150.jpg?resize=150%2C150\" alt=\"imagem\" \/><i><b>Carlos Morais faz parte do Comit\u00e9 Central de Primeira Linha e do Comit\u00e9 Executivo do Movimento Continental Bolivariano [MCB]<\/b><\/i><\/p>\n<p><b>(Texto original, em idioma galego)<\/b><!--more--><\/p>\n<p>Som m\u00faltiplos e diversos os desafios que amea\u00e7am poder cristalizar um \u201cbom acordo\u201d entre o Estado colombiano e a guerrilha das FARC-EP nas negocia\u00e7ons iniciadas em Oslo em novembro de 2012.<\/p>\n<p>\u201cBom acordo\u201d significa que o campo oper\u00e1rio, campon\u00eas e popular colombiano logre sentar as bases m\u00ednimas que permitam umha refunda\u00e7om integral da Col\u00f4mbia que garanta a sua soberania e independ\u00eancia nacional mediante um processo constitu\u00ednte tendente a superar as imensas desigualdades sociais derivadas do modelo capitalista vigorante.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nestes quase quatro anos de negocia\u00e7ons de Havana a situa\u00e7om internacional a escala global e no quadro da Am\u00e9rica Latina e as Cara\u00edbas tem retrocedido, tanto polo refor\u00e7amento do imperialismo norteamericano na \u00e1rea como pola tend\u00eancia a sementar o caos global visando atrasar o seu declive.<\/p>\n<p>A crise estrutural do capitalismo senil tem acelerado as agressons militares contra os povos do mundo, aprofundando a sobre-explora\u00e7om da classe trabalhadora e o saqueio geralizado dos recursos energ\u00e9ticos e naturais estrat\u00e9gicos que necessita a burguesia dos pa\u00edses imperialistas para alargar e perpetuar a sua domina\u00e7om e privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>Nestes quatro anos a brutalidade imperialista tem-se agravado na S\u00edria, Ucr\u00e1nia, Iraque, Afeganist\u00e1m, Curdist\u00e1m, Iemen, na \u00c1frica negra &#8230; mas tamb\u00e9m empregando outros m\u00e9todos mais \u201csutis\u201d no Haiti, Venezuela, Argentina, Brasil &#8230;<\/p>\n<p>Obama pretende reconquistar a Am\u00e9rica Latina utilizando um conjunto de procedimentos e t\u00e1ticas inspiradas na \u201cOpera\u00e7om C\u00f3ndor\u201d que combinam o emprego da institucionalidade burguesa como no caso do Paraguai e do Brasil; a desestabiliza\u00e7om interna na Venezuela reproduzindo a exitosa queda do governo chileno de Salvador Allende mediante amea\u00e7as militares, boicote e sabotagem econ\u00f3mica; at\u00e9 a c\u00ednica e envenenada normaliza\u00e7om de rela\u00e7ons com Cuba.<\/p>\n<p>O ciclo continental de mudan\u00e7as aberto com a revolu\u00e7om bolivariana que permitiu vit\u00f3rias eleitorais encabe\u00e7adas por for\u00e7as sem o aval de Washington est\u00e1 na sua fase final. O fracasso dos \u201cgovernos progressistas\u201d pola incapacidade e car\u00eancia cong\u00e9nita de vontade pol\u00edtica por superar pol\u00edticas neokeynesianas e de redistribui\u00e7om parcial das rendas, transitando face transforma\u00e7ons sociais, econ\u00f3micas e pol\u00edticas visadas para o socialismo, situa as negocia\u00e7ons de Havana numha situa\u00e7om desfavor\u00e1vel para a guerrilha <i>fariana<\/i> e portanto para os interesses do povo trabalhador colombiano.<\/p>\n<p>Venezuela est\u00e1 \u00e0 beira do colapso e o desenlace da crise estrutural do modelo chavista deturpado pola boliburguesia pode ser iminente. Se este cen\u00e1rio se produz, a correla\u00e7om de for\u00e7as na mesa de negocia\u00e7ons de Havana ainda ser\u00e1 no \u00e1mbito objetivo e subjetivo mais adverso para o partido comunista em armas fundado em 1964.<\/p>\n<p>Mas nom devemos esquecer que f\u00f4rom os anos posteriores \u00e0 implosom da URSS os de maior desenvolvimento e avan\u00e7os militares e pol\u00edticos das FARC, pois a insurg\u00eancia nom dependia de padrinhos e recursos externos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os antecedentes de processos de negocia\u00e7om similares entre guerrilhas e Estados olig\u00e1rquicos proimperialistas -derivados da mudan\u00e7a geoestrat\u00e9gica mundial provocada pola implosom sovi\u00e9tica-, nom presagiam nada bom.<\/p>\n<p>Tanto na Guatemala como no Salvador as causas que provoc\u00e1rom a agudiza\u00e7om da luita de classes e de liberta\u00e7om nacional som a dia de hoje bem maiores que no momento do al\u00e7amento promovido pola URNG e o FMLN.<\/p>\n<p><b>Situa\u00e7om concreta do processo de negocia\u00e7om<\/b><\/p>\n<p>Atualmente est\u00e1m assinados acordos parciais sobre 4 dos 6 pontos da<br \/>\nAgenda: \u201cReforma Rural\u201d, \u201cParticipa\u00e7om Pol\u00edtica\u201d, \u201cSolu\u00e7om ao problema das drogas il\u00edcitas\u201d e \u201cV\u00edtimas\u201d. Recentemente tem-se avan\u00e7ado no \u201cMecanismo de Monitoreio e Verifica\u00e7om do Cessamento do Fogo\u201d, validado pola Resolu\u00e7om 2261 do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU; e o acordo sobre o car\u00e1ter do \u201cAcordo Final\u201d, que lhe outorga categoria de \u201cAcordo Especial\u201d permitindo a sua imediata incorpora\u00e7om ao ordenamento jur\u00eddico interno e internacional.<\/p>\n<p>Ficam ainda pendentes de fechar os pontos 3 \u201cFim do conflito\u201d e 6 \u201cImplementa\u00e7om, verifica\u00e7om e referenda\u00e7om\u201d, al\u00e9m da resolu\u00e7om de questons pendentes dos<br \/>\npontos anteriores.<\/p>\n<p><b>Obst\u00e1culos e desafios<\/b><\/p>\n<p>O atraso na assinatura prevista inicialmente para mar\u00e7o passado exprime as enormes preocupa\u00e7ons e precau\u00e7ons da delega\u00e7om de paz por rubricar precipitadamente um mal acordo seguindo as exig\u00eancias de Washington, que acertadamente j\u00e1 definiu Jorge Beinstein como \u201ctentativa em curso de extin\u00e7om negociada da guerrilha colombiana\u201d.<\/p>\n<p>A natureza terrorista do Estado olig\u00e1rquico colombiano continua intata e nada indica que isto poda ser mudado numha Mesa de negocia\u00e7om. S\u00f3 um processo revolucion\u00e1rio tal como o concebe o marxismo -a destrui\u00e7om do aparelho de domina\u00e7om burgu\u00eas-, poderia garantir as bases para implementar as imprecind\u00edveis transforma\u00e7ons da morfologia de classes e o rol que o imperialismo tem asignado a Col\u00f4mbia na divisom internacional do trabalho.<\/p>\n<p>Mesmo nada nem ningu\u00e9m pode garantir que se cumpra o pactuado, que nom se repita a elimina\u00e7om f\u00edsica dumha guerrilha desmobilizada e desarmada, que se permita o acionar pol\u00edtico legal. A mem\u00f3ria da carnificina da milit\u00e1ncia da Uniom Patri\u00f3tica na d\u00e9cada de oitenta do s\u00e9culo passado continua bem viva na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Devemos sempre ter presente as l\u00fazidas e sempre atuais advert\u00eancias do Che <i>\u201cNom se pode confiar no imperialismo mas nem um \u2018tantito as\u00ed\u00b4, nada&#8221;<\/i>.<\/p>\n<p>O Secretariado das FARC-Ex\u00e9rcito do Povo sabe perfeitamente que os fusis som a \u00fanica garantia para que se respeitem os acordos e se permita umha hipot\u00e9tica vit\u00f3ria eleitoral das for\u00e7as transformadoras. Eis polo que continua a defender que a deixa\u00e7om de armas deve ser um processo bilateral e fundamentalmente que o processo de negocia\u00e7om em curso deve culminar numha Assembleia Nacional Constitu\u00ednte.<\/p>\n<p>Mas nom devemos subestimar as enormes pressons que a l\u00f3gica perversa da institucionalidade burguesa aplica na milit\u00e1ncia revolucion\u00e1ria, um dos principais desafios da etapa post-acordo. As tend\u00eancias possibilistas som um perigo latente e iminente, mesmo mais letal que a reativa\u00e7om do paramilitarismo promovido pola fra\u00e7om da oligarquia contr\u00e1ria \u00e0 negocia\u00e7om, representada polo ex-presidente \u00c1lvaro Uribe.<\/p>\n<p>O <i>santaderismo<\/i> -essa fra\u00e7om da burguesia crioula que atrai\u00e7oando os ideais e o projeto emancipador e integrador de Bol\u00edvar governa a Col\u00f4mbia sob a batuta dos EUA desde a independ\u00eancia do imp\u00eario espanhol, nom vai renunciar a continuar entregando os fabulosos recursos naturais do pa\u00eds \u00e0s multinacionais nem \u00e0 ind\u00fastria do complexo agro-mineiro exportador em troques das migalhas e prote\u00e7om que lhe outorga Washington.<\/p>\n<p><b>Vindouros meses ser\u00e1m determinantes<\/b><\/p>\n<p>Segundo fontes da Delega\u00e7om das FARC-EP em Havana consultadas <i>\u201cA paz nom \u00e9 para desmobilizar-nos senom para mobilizar-nos como FARC transformadas em movimento pol\u00edtico legal, no meio de garantias m\u00ednimas de seguran\u00e7a e de inclusom democr\u00e1tica no pol\u00edtico, no econ\u00f3mico e o social, derrotando os setores promotores do terrorismo de Estado. Sabemos da nefasta tradi\u00e7om da oligarquia colombiana, mas tamb\u00e9m partimos de compreender que Washington e Bogot\u00e1 perante a impossibilidade de derrotar-nos no campo de batalha tiv\u00e9rom que arriar a sua bandeira da vit\u00f3ria militar. Corresponde-nos ganhar a paz, garantir o cumprimento dos acordos e criar as condi\u00e7ons para um novo governo democr\u00e1tico em coaliga\u00e7om com amplos setores populares\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a evolui\u00e7om do processo de negocia\u00e7om recentemente acordado entre o governo de Santos e o ELN influir\u00e1 no desenlace das conversas de Havana.<\/p>\n<p>Como velho amigo da Revolu\u00e7om colombiana tenho que confesar que sou muito cauto com o que se poda chegar a assinar em Havana, como comunista inquieta-me o relato oficial que hoje a guerrilha divulga apelando a umha abstrata \u201c<i>paz e reconcilia\u00e7om\u201d.<\/i><\/p>\n<p>A evolu\u00e7om da situa\u00e7om mundial confirma que a tarefa priorit\u00e1ria dahttp:\/\/primeiralinha.org\/home\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carlos-morais-150&#215;150.jpgs for\u00e7as revolucion\u00e1rias comunistas \u00e9 preparar-nos para umha grande confronta\u00e7om global adatando a t\u00e1tica \u00e0s peculiaridades das nossas particulares realidades nacionais.<\/p>\n<p>O contr\u00e1rio das recomenda\u00e7ons claudicantes plasmadas nessa delezn\u00e1vel carta divulgada h\u00e1 uns dias por umha derrotada e simplesmente virtual organiza\u00e7om armada europeia.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m confio na firmeza pol\u00edtica e ideol\u00f3gica da dire\u00e7om <i>fariana<\/i>, avalada numha longa experi\u00eancia heroica e rebelde, de exemplar perserver\u00e1ncia durante meio s\u00e9culo de confronta\u00e7om pol\u00edtico-militar sob dire\u00e7om marxista-leninista.<\/p>\n<p>Galiza, 19 de maio de 2016<\/p>\n<blockquote data-secret=\"Thaqxu44Np\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"http:\/\/primeiralinha.org\/home\/?p=16162\">Col\u00f4mbia, existem possibilidades de um \u201cbom acordo\u201d de paz?<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/primeiralinha.org\/home\/?p=16162&#038;embed=true#?secret=Thaqxu44Np\" data-secret=\"Thaqxu44Np\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Col\u00f4mbia, existem possibilidades de um \u201cbom acordo\u201d de paz?&#8221; &#8212; Primeira Linha em rede 2.0\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos Morais faz parte do Comit\u00e9 Central de Primeira Linha e do Comit\u00e9 Executivo do Movimento Continental Bolivariano [MCB] (Texto original, em idioma \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11236\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-11236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Ve","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11236\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}