{"id":113,"date":"2009-09-10T22:19:41","date_gmt":"2009-09-11T01:19:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=113"},"modified":"2017-08-24T23:11:50","modified_gmt":"2017-08-25T02:11:50","slug":"pre-sal-modelos-errados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/113","title":{"rendered":"Pr\u00e9-sal: Modelos errados"},"content":{"rendered":"<p> A apropria\u00e7\u00e3o social da energia esteve no centro das duas grandes revolu\u00e7\u00f5es sociais pelas quais a humanidade passou. A revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, ocorrida h\u00e1 cerca de dez mil\u00eanios, guarda forte v\u00ednculo com a apropria\u00e7\u00e3o da fotoss\u00edntese e do ciclo hidrol\u00f3gico, movidos pelo Sol, para a sele\u00e7\u00e3o e cultivo de plantas e domestica\u00e7\u00e3o de animais, em torno dos quais se deu a ruptura na forma de suprir as necessidades da exist\u00eancia humana pela agricultura em vez da ca\u00e7a e da coleta.<\/p>\n<p>Uma nova ruptura, vinculada \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, em sua primeira fase, no s\u00e9culo XVIII, esteve associada \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o da energia do carv\u00e3o. Na segunda fase, no s\u00e9culo XIX, com aprofundamento deste processo, mediante a apropria\u00e7\u00e3o adicional dos recursos do petr\u00f3leo, dos potenciais hidr\u00e1ulicos, no \u00e2mbito dos nascentes complexos industriais da eletricidade, das telecomunica\u00e7\u00f5es, da ind\u00fastria automotiva e petrol\u00edfera, todos associados ao sistema financeiro.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o do papel da apropria\u00e7\u00e3o social da energia, especialmente do petr\u00f3leo e da ind\u00fastria el\u00e9trica, nos processos de transforma\u00e7\u00e3o social, induzidos pela industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o, esteve no cerne da luta dos brasileiros, nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, que conduziram ao monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Petrobras, da Eletrobr\u00e1s, da Telebr\u00e1s, do BNDE e da CSN como instrumentos indispens\u00e1veis para a possibilidade material de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade agr\u00e1rio-mercantil em outra. Nos 40\/50, percebendo a import\u00e2ncia que passaria a ter o dom\u00ednio da energia para o processo de moderniza\u00e7\u00e3o produtiva, nasceu a campanha \u201cO petr\u00f3leo \u00e9 nosso\u201d. Na esteira desse movimento criou-se a Petrobras.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o da Petrobras em sua primeira fase, nos anos 50-70, foi garantir que todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds tivessem acesso aos derivados do petr\u00f3leo, um fator essencial \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida. Foi criada com o desafio de encontrar petr\u00f3leo e abastecer o mercado interno. A produ\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o atingia 1,6% do nosso consumo. A companhia intensificou a explora\u00e7\u00e3o e trabalhou na forma\u00e7\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o de seu corpo t\u00e9cnico. Tomou-se a decis\u00e3o de ampliar o setor de refino existente com o objetivo de reduzir os custos de importa\u00e7\u00e3o dos derivados de petr\u00f3leo, A Petrobras cumpriu essa tarefa. E esse petr\u00f3leo veio do exterior. No esfor\u00e7o de garantir o suprimento, a empresa passou a desenvolver atividades fora do Brasil e descobriu, no per\u00edodo, o maior campo petrol\u00edfero do Iraque, chamado de Majnoon (O Maluco) dada a sua enormidade (que foi, todavia, nacionalizado).<\/p>\n<p>Com o primeiro choque do petr\u00f3leo em 1973 e o segundo, em 1979, criou-se uma nova situa\u00e7\u00e3o, na qual a economia mundial entrou em crise. O paradigma keynesiano de interven\u00e7\u00e3o estatal definida, forte, entrou em crise tamb\u00e9m, pois as taxas de acumula\u00e7\u00e3o do capital se reduziram drasticamente. Pa\u00edses como o Brasil, que tinham embarcado em um projeto de desenvolvimento acelerado, aprovisionado com financiamento externo, viram-se duplamente amea\u00e7ados: pela conta petr\u00f3leo, extremamente alta, e pela infla\u00e7\u00e3o internacional combinada com as altas taxas de juro decorrentes da crise americana dos anos 1980. Essas condi\u00e7\u00f5es levaram o Brasil a um novo limiar e a Petrobras \u00e9 solicitada a uma nova miss\u00e3o. Diante da crise, no Brasil a estrat\u00e9gia teve de mudar: a meta passou a ser atingir a autossufici\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o encontrando petr\u00f3leo em terra, a Petrobras, para assegurar sua miss\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia energ\u00e9tica, migra para o mar. Em 1968 haviam sido iniciadas as atividades de prospec\u00e7\u00e3o offshore, no rec\u00e9m-descoberto campo de Guaricema, Sergipe. Em 1974 encontrou-se a bacia que \u00e9, at\u00e9 o momento, a maior produtora do Brasil, Campos. A \u00e1rea inicial foi Garoupa, seguida pelos campos gigantes de Marlim, Albacora, Barracuda e Roncador. \u00c9 nesta fase que se desenvolve a tecnologia de explora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas e ultraprofundas.<\/p>\n<p>Progressivamente, da explora\u00e7\u00e3o em l\u00e2minas de \u00e1gua de poucas dezenas de metros, passa-se par centenas e, mais adiante, para mil, 2 mil e hoje, profundidades pr\u00f3ximas a 3 mil metros. E assim o Brasil alcan\u00e7a a autossufici\u00eancia em 2006.<\/p>\n<p>A autossufici\u00eancia permitiu a estabilidade macroecon\u00f4mica do Pa\u00eds, mesmo recentemente, quando o pre\u00e7o de petr\u00f3leo superou os 100 d\u00f3lares. A capacita\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o, desenvolvimento, produ\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o, associada \u00e0 intera\u00e7\u00e3o com grandes organiza\u00e7\u00f5es mundiais de ponta, permitiram \u00e0 Petrobras testar um modelo geol\u00f3gico, desenvolvido ao longo de d\u00e9cadas, que previa a possibilidade da exist\u00eancia de um segundo andar de petr\u00f3leo, abaixo do primeiro, que permitiria essa autossufici\u00eancia.<\/p>\n<p>Era poss\u00edvel que as anomalias que ficaram registradas nas investiga\u00e7\u00f5es geof\u00edsicas representassem mais petr\u00f3leo. A oportunidade apresentou-se quando a perfura\u00e7\u00e3o no po\u00e7o 1-RJS-628\u00aa (Tupi), do bloco BM-S-11, adquirido no BID 2: em 14 de setembro de 2000, cuja perfura\u00e7\u00e3o iniciada em 30 de setembro de 2005 foi conclu\u00edda em 13 de agosto daquele ano sem sucesso no p\u00f3s-sal. Foi tomada a decis\u00e3o de promover uma reentrada, em 2 de maio de 2006, com o objetivo no pr\u00e9-sal, levando \u00e0 notifica\u00e7\u00e3o da descoberta de \u00f3leo, em 10 de julho, com a conclus\u00e3o da reentrada em 12 de outubro. Em 7 de maio de 2007 foi iniciada a perfura\u00e7\u00e3o do po\u00e7o 3-RJS-646 (Extens\u00e3o de Tupi) \u2013 \u00c1rea do PA do 1-RJS-628\u00aa, levando \u00e0 descoberta de \u00f3leo em 8 de agosto, com a conclus\u00e3o da perfura\u00e7\u00e3o em 28 de setembro, validando o modelo do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>O presidente da Rep\u00fablica foi informado pela Petrobras do andamento das atividades desde a primeira confirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de \u00f3leo no pr\u00e9-sal, bem como do imenso impacto potencial da descoberta. O governo foi alertado para a necessidade da mudan\u00e7a do modelo vigente. Mesmo assim, o regime de concess\u00f5es foi mantido e rodadas de licita\u00e7\u00f5es realizadas em 2006. S\u00f3 no fim de 2007, ap\u00f3s uma longa luta, tendo de um lado setores da Petrobras, e de outro a Casa Civil e a ANP, foram retirados dos leil\u00f5es 41 blocos no entorno de Tupi. Foram mantidos, por\u00e9m, os do arco do Cabo Frio, na franja do pr\u00e9-sal, arrematados por empresa nacional que, meses antes, havia recrutado quadros da Petrobras que gerenciavam as informa\u00e7\u00f5es confidenciais do pr\u00e9-sal. As conseq\u00fc\u00eancias econ\u00f4micas, estrat\u00e9gicas e pol\u00edticas das concess\u00f5es sobre o pr\u00e9-sal, em quatro rodadas do governo FHC e especialmente em cinco do governo Lula ainda ser\u00e3o objeto de an\u00e1lises hist\u00f3ricas, sob a perspectiva do interesse nacional.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma determina\u00e7\u00e3o fundamental que permitiu se chegar a esse expressivo potencial. Embora n\u00e3o esteja totalmente quantificado, \u00e9 estimado entre 30 bilh\u00f5es e 130 bilh\u00f5es (e at\u00e9 mesmo 250 bilh\u00f5es para os otimistas) de barris equivalentes de petr\u00f3leo. Para ilustrar esta grandeza, 130 bilh\u00f5es de barris equivaleriam a dez vezes o que a Petrobras definiu, em termos de petr\u00f3leo extra\u00edvel por meios convencionais, como reservas provadas, at\u00e9 este ano. A posi\u00e7\u00e3o do Brasil seria elevada a um patamar pr\u00f3ximo das grandes reservas internacionais: Iraque, Venezuela, Ir\u00e3, Kuwait. At\u00e9 mesmo da maior, a Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Diante do cen\u00e1rio atual, a estrat\u00e9gia adotada nos \u00faltimos anos pela Petrobras, de acelerar os investimentos tendo em vista a perspectiva de exaust\u00e3o definitiva dos recursos de petr\u00f3leo convencional no mundo, mostra-se acertada. Conhecimentos te\u00f3ricos dispon\u00edveis permitem estimar que ainda haja cerca de 2 trilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo convencional remanescentes. A uma taxa de retirada de 85 milh\u00f5es de barris por dia, ainda em crescimento, v\u00e3o se exaurir nos pr\u00f3ximos 40 anos. H\u00e1 ainda cerca de 5 ou 6 bilh\u00f5es de barris adicionais de petr\u00f3leos n\u00e3o convencionais, de extra\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil e dispendiosa. Al\u00e9m disso, existem aproximadamente no mundo 2 trilh\u00f5es de barris equivalentes de petr\u00f3leo sob a forma de g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>O acerto da estrat\u00e9gia tem consistido em investir fortemente em produ\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o no Brasil e no exterior por haver uma tend\u00eancia de valoriza\u00e7\u00e3o definitiva do petr\u00f3leo nesse cen\u00e1rio de pr\u00e9-exaust\u00e3o, apesar das restri\u00e7\u00f5es colocadas pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica. O g\u00e1s natural j\u00e1 \u00e9 uma possibilidade adicional de gerar valor, pois cada 150 metros c\u00fabicos de g\u00e1s permitem a substitui\u00e7\u00e3o de 1 barril de petr\u00f3leo. E h\u00e1 ainda o esfor\u00e7o no segmento dos biocombust\u00edveis para criar, desde j\u00e1, uma alternativa \u00e0 exaust\u00e3o final do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia \u00e9 fruto de um trabalho hist\u00f3rico, de uma companhia cuja corpora\u00e7\u00e3o possui, hoje, 75 mil pessoas. Seu grande patrim\u00f4nio n\u00e3o \u00e9 o petr\u00f3leo encontrado, mas a capacidade de encontrar petr\u00f3leo, desenvolver petr\u00f3leo, desenvolver g\u00e1s natural, desenvolver solu\u00e7\u00f5es para a inevit\u00e1vel nova transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, da era p\u00f3s-petr\u00f3leo, incluindo os biocombust\u00edveis e outras fontes renov\u00e1veis. Este \u00e9 o valor da Petrobras, fruto do esfor\u00e7o hist\u00f3rico do povo brasileiro que acreditou nela, que lhe deu apoio quando foi amea\u00e7ada de privatiza\u00e7\u00e3o, quando a chamaram de Petrobrax, em pleno auge do neoliberalismo dos anos 90.<\/p>\n<p>A daqui pra frente? Primeiro, \u00e9 preciso separar a necess\u00e1ria capacita\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00e3o em toda a cadeia das atividades petrol\u00edferas, com as especificidades inerentes ao pr\u00e9-sal. O centro de excel\u00eancia mundial para isso \u00e9 a Petrobras.<\/p>\n<p>Com essa retrospectiva e com o atual quadro mundial um conjunto de perguntas que precisam ser respondidas e algumas decis\u00f5es urgentes a serem tomadas: o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal \u00e9 uma jazida gigante \u00fanica ou um arquip\u00e9lago de grandes po\u00e7os? Sem esse conhecimento, o risco de conflito aumenta. Um concession\u00e1rio pode sugar o petr\u00f3leo de outro e mesmo degradar a opera\u00e7\u00e3o otimizada dos reservat\u00f3rios.<\/p>\n<p>A primeira decis\u00e3o sobre os campos gigantes de petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal deve ser a contrata\u00e7\u00e3o da Petrobras, que os descobriu, para avaliar toda a sua extens\u00e3o, mediante um contrato com o governo pelo custo do servi\u00e7o. Petr\u00f3leo \u00e9, cada vez mais, um recurso geopol\u00edtico. As grandes reservas mundiais est\u00e3o sob controle dos Estados nacionais e de suas empresas estatais.<\/p>\n<p>O a\u00e7odamento na defini\u00e7\u00e3o dos modelos de partilha pode estar mais ligado ao calend\u00e1rio eleitoral do que ao aproveitamento dos recursos no interesse do povo brasileiro. H\u00e1 um grave precedente. A proposta de modelo do setor energ\u00e9tico elaborado a partir das discuss\u00f5es do Instituto Cidadania, em 2002, previa a apropria\u00e7\u00e3o social do excedente econ\u00f4mico, principalmente por meio das usinas hidr\u00e1ulicas, muitas delas substancialmente amortizadas, bem como a altera\u00e7\u00e3o do modelo para o petr\u00f3leo, com a ado\u00e7\u00e3o do regime de contratos de partilha, capaz de gerar mais excedentes sociais. Em 2005, o sistema de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, ainda estatal, vinha perdendo, por truques regulat\u00f3rios, em benef\u00edcio dos especuladores e grandes consumidores do mercado livre, cerca de 5 bilh\u00f5es de reais por ano. No petr\u00f3leo, poder\u00e1 estar em jogo 1 bilh\u00e3o por dia.<\/p>\n<p>A outra quest\u00e3o, mais importante, \u00e9 que o mecanismo de gest\u00e3o estrat\u00e9gica definir\u00e1 como ser\u00e3o apropriados os recursos decorrentes do excedente econ\u00f4mico. O modelo criado em 1997, e ainda vigente, previa um pr\u00eamio para quem corresse o risco explorat\u00f3rio. No pr\u00e9-sal n\u00e3o existe mais risco explorat\u00f3rio. O modelo atual n\u00e3o tem mais sentido. Se o petr\u00f3leo \u00e9 nosso, ele deve ter a finalidade de permitir que sua riqueza resgate d\u00edvidas hist\u00f3ricas e possibilite a constru\u00e7\u00e3o de um futuro para o Pa\u00eds, baseado na moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e da infraestrutura, na melhora da base educacional e cient\u00edfica, na prote\u00e7\u00e3o ambiental e em todo um conjunto de a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas que venham a converter o Brasil num pa\u00eds diferente do que ele \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>O modelo sob o qual vai se dar a explora\u00e7\u00e3o desse petr\u00f3leo tem de levar em conta essa realidade, Se a organiza\u00e7\u00e3o que construiu essa riqueza, essa possibilidade, deve permanecer no centro desse processo, isso pouco tem a ver com a opera\u00e7\u00e3o industrial do setor de petr\u00f3leo. H\u00e1 v\u00e1rias f\u00f3rmulas poss\u00edveis que permitem atingir esses objetivos. Se a Petrobras e seu sucesso s\u00e3o fruto de uma pol\u00edtica de Estado, j\u00e1 h\u00e1 quase seis d\u00e9cadas, certamente os recursos do pr\u00e9-sal tamb\u00e9m devem ter sua destina\u00e7\u00e3o debatida em profundidade no Congresso Nacional e na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Hoje em dia, com a produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima a 2 milh\u00f5es di\u00e1rios de barris, grande parte do excedente econ\u00f4mico est\u00e1 sendo destinada a finalidades que n\u00e3o cumprem o objetivo de apoiar a transforma\u00e7\u00e3o nacional. Este quadro se tornar\u00e1 mais dram\u00e1tico quando a produ\u00e7\u00e3o duplicar ou triplicar em raz\u00e3o do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Em 2008 e 2007, respectivamente, as receitas da Petrobras, foram de 315 bilh\u00f5es e 246 bilh\u00f5es de reais. Abatidos os insumos adquiridos de terceiros, e as deprecia\u00e7\u00f5es e amortiza\u00e7\u00f5es, o valor adicionado l\u00edquido gerado pelas opera\u00e7\u00f5es foi de 141 bilh\u00f5es e 127 bilh\u00f5es de reais, respectivamente, assim distribu\u00eddos entre os stakeholders da Petrobras, respectivamente: Pessoal, 14,5 bilh\u00f5es e 14,2 bilh\u00f5es; 2) Bancos (Juros e Alugu\u00e9is), 11 bilh\u00f5es e 16 bilh\u00f5es; 3) Acionistas (lucros e dividendos) 30,1 bilh\u00f5es e 23,3 bilh\u00f5es. Mais de 60% do valor adicionado das opera\u00e7\u00f5es foi destinado \u00e0 Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios, sob a forma de impostos, taxas, contribui\u00e7\u00f5es, royalties, participa\u00e7\u00f5es especiais e outras: 85 bilh\u00f5es em 2008 e 74 bilh\u00f5es em 2007.<\/p>\n<p>Portanto, mesmo no superado modelo atual, a maior parte do excedente econ\u00f4mico j\u00e1 vai para os governos. Mas sem foco estrutural e estrat\u00e9gico quanto \u00e0 destina\u00e7\u00e3o final. N\u00e3o vai para os acionistas, e, embora esta quest\u00e3o deva ser revista, mediante o aumento da participa\u00e7\u00e3o do governo na Petrobras, ela n\u00e3o \u00e9 central. Mudando o regime de concess\u00e3o para o e partilha da produ\u00e7\u00e3o e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, a reparti\u00e7\u00e3o do excedente econ\u00f4mico poder\u00e1 ser ajustada de forma a manter a atualidade tecnol\u00f3gica e empresarial da Petrobras e acumular excedentes requeridos para financiar o plano estrat\u00e9gico de desenvolvimento econ\u00f4mico e social do Pa\u00eds, a ser formulado.<\/p>\n<p>N\u00e3o faz sentido cogitar da cria\u00e7\u00e3o de uma nova empresa para ter atua\u00e7\u00e3o industrial. A capacita\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem das inten\u00e7\u00f5es, mas da hist\u00f3ria e da cultura da empresa. Se a tal empresa visa ter atua\u00e7\u00e3o meramente administrativa, de controle e contabilidade, ser\u00e1 uma substituta parcial da ANP, cujo papel de qualquer forma est\u00e1 tamb\u00e9m superado e precisa ser revisto. A fun\u00e7\u00e3o de ditar o ritmo de explora\u00e7\u00e3o, conjugado com os planos de desenvolvimento, n\u00e3o pode ficar a cargo de empresa ou departamento: \u00e9 fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de Estado. Uma nova empresa para gerir o pr\u00e9-sal corre o risco de se transformar em cavalari\u00e7a de partilha. Em todos os governos a Petrobras tem sofrido press\u00f5es. A for\u00e7a de resist\u00eancia vem de sua cultura e da sua hist\u00f3ria. Seus defeitos, quase todos est\u00e3o vinculados aos processos de partilha de cargos, que \u00e0s vezes procuram transformar dirigentes em despachantes. Numa nova empresa este risco pol\u00edtico ser\u00e1 muito maior.<\/p>\n<p>O governo precisa recuperar o car\u00e1ter do planejamento nacional e infraestrutura, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, prote\u00e7\u00e3o ambiental, ci\u00eancia e tecnologia, para definir os volumes de investimentos requeridos. O pr\u00e9-sal poder\u00e1 permitir a produ\u00e7\u00e3o, adicional aos atuais 2 milh\u00f5es di\u00e1rios do p\u00f3s-sal, de at\u00e9 10 milh\u00f5es di\u00e1rios, se as reservas forem superiores a 100 bilh\u00f5es de barris, conforme estimativas divulgadas. Nestas condi\u00e7\u00f5es o excedente econ\u00f4mico anual poder\u00e1 suportar os 250 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, liquidamente dispon\u00edvel para financiar a constru\u00e7\u00e3o nacional.<\/p><\/div>\n<p>*Texto retirado da revista CartaCapita<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nN\u00e3o faz sentido criar uma nova estatal para gerir o pr\u00e9-sal. Muito menos manter o regime de concess\u00e3o onde n\u00e3o mais existe o risco de explora\u00e7\u00e3o \nPor Ildo Sauer\nDois assuntos t\u00eam sido objeto de aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica: a CPI da Petrobras\/ANP e a reformula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica energ\u00e9tica nacional em decorr\u00eancia dos recursos do pr\u00e9-sal. Uma retrospectiva hist\u00f3rica permite elucidar pontos essenciais que vinculam estas quest\u00f5es com um novo projeto nacional. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/113\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-113","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1P","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=113"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}