{"id":11306,"date":"2016-06-06T15:39:41","date_gmt":"2016-06-06T18:39:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11306"},"modified":"2016-06-30T16:06:31","modified_gmt":"2016-06-30T19:06:31","slug":"cem-anos-de-imperialismo-fase-superior-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11306","title":{"rendered":"Cem anos de \u201cImperialismo fase superior do capitalismo\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/entreseculos.files.wordpress.com\/2012\/05\/216119_4.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong><em>Hoje as evid\u00eancias indicam que se estaria em uma nova fase dentro do que a partir do panfleto de Lenin se conheceria como fase superior<\/em><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cem anos um simples panfleto dava conta das profundas modifica\u00e7\u00f5es que estavam ocorrendo no sistema capitalista mundial e que se manifestariam ao longo de todo o s\u00e9culo passado. Hoje as evid\u00eancias <!--more-->indicam que se estaria em uma nova fase dentro do que, desde ent\u00e3o, se conheceria como fase superior.<\/p>\n<p>Em 1916, editado como um panfleto \u2013 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o como livro em 1917 \u2013 apareceu <em>\u201cO imperialismo. Fase superior do capitalismo\u201d<\/em> do l\u00edder da revolu\u00e7\u00e3o bolchevique V. I. Lenin. De certa forma, o texto seguiu o mesmo curso que <em>O Manifesto Comunista<\/em>, de Marx e Engels, que editados pela conjuntura, terminaram sendo livros de leitura imprescind\u00edvel para compreender a evolu\u00e7\u00e3o do capitalismo contempor\u00e2neo e para a forma\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es de jovens que sonharam \u2013 muitos ainda o fazem \u2013 em mudar o mundo radicalmente.<\/p>\n<p><strong>Dupla fun\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O texto, que nestes dias cumpre um s\u00e9culo, foi escrito em Zurique, durante a primavera de 1916. Segundo disse o autor no pr\u00f3logo, a censura czarista o obrigou a limitar-se a uma an\u00e1lise exclusivamente te\u00f3rica, muito centrada na economia, formulando poucas e indispens\u00e1veis observa\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter pol\u00edtico, na esperan\u00e7a de que o panfleto, \u201cum ensaio popular\u201d, ajudaria a compreender a pol\u00edtica daqueles anos, a ess\u00eancia econ\u00f4mica do imperialismo e, portanto, o papel da guerra.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do livro de Lenin \u00e9 que tamb\u00e9m permite periodizar o capitalismo. Distingue entre um capitalismo \u201cvelho\u201d, exportador de mercadoria, e um capitalismo \u201cnovo\u201d, exportador de capitais. Passava-se para uma nova fase sob o dom\u00ednio do capital financeiro. Assim, o imperialismo \u00e9 a etapa da senilidade do sistema como tal e da guerra como um componente inevit\u00e1vel e imprescind\u00edvel para sua continuidade.<\/p>\n<p>O texto conceituava as principais transforma\u00e7\u00f5es do sistema mundial operadas na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo e, tamb\u00e9m, as implica\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas da Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o texto cumpriu uma dupla fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era anal\u00edtico, porque examinava as principais tend\u00eancias em curso e, ao mesmo tempo, estrat\u00e9gico, porque ajudava a ver o impacto destas para o porvir. Essas tend\u00eancias que se manifestariam ao longo de todo o s\u00e9culo XX, podem ser sintetizadas em: a) a fus\u00e3o do capital financeiro, b) a concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e dos monop\u00f3lios, c) a exporta\u00e7\u00e3o de capitais, produto da acumula\u00e7\u00e3o de excedentes financeiros, d) a concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria e o novo papel dos bancos que subordinam o com\u00e9rcio e a ind\u00fastria e e) a redistribui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de influ\u00eancia e a partilha do mundo, como consequ\u00eancia da Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n<p><strong>Um novo per\u00edodo dentro da fase superior<\/strong><\/p>\n<p>De ent\u00e3o at\u00e9 hoje, muita \u00e1gua correu sob as pontes. Sinteticamente, a crise mundial dos anos 30 e a Segunda Guerra Mundial; a chamada Guerra Fria produto do enfrentamento entre blocos com formas de propriedade e organiza\u00e7\u00e3o social diferentes; as guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional; a descoloniza\u00e7\u00e3o negociada; revolu\u00e7\u00f5es na China, Cuba, Arg\u00e9lia, Vietn\u00e3; a confer\u00eancia de Bandung e o surgimento do movimento dos N\u00e3o Alinhados; o desenvolvimentismo da CEPAL&#8230;<\/p>\n<p>A crise dos anos 70 do s\u00e9culo passado colocou fim \u00e0 \u00e9poca dourada do p\u00f3s-guerra (1945-1975) e inaugurou um novo per\u00edodo. Foi a vez de uma crise cl\u00e1ssica de queda da taxa m\u00e9dia de lucro e uma crise da governabilidade imperial (derrota no Vietn\u00e3). Esta dupla crise permite compreender porque foi t\u00e3o forte a ofensiva neoliberal a partir dos anos 80.<\/p>\n<p>Como resposta a sua crise, o capital lan\u00e7ou em escala mundial um extenso processo reestruturador de seus espa\u00e7os produtivos e de servi\u00e7os, o que foi acompanhado pela ofensiva generalizada e sustentada sobre o trabalho, buscando desmontar as conquistas sociais que os trabalhadores, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, levantaram como barreiras frente \u00e0 voracidade capitalista. O keynesianismo armamentista da administra\u00e7\u00e3o Reagan e finalmente a escandalosa derrubada do stalinismo e o fim do enfrentamento Leste-Oeste deram um novo impulso \u00e0 mundializa\u00e7\u00e3o capitalista que ingressa assim na globaliza\u00e7\u00e3o. Um novo per\u00edodo dentro da fase superior, assentada no crescimento das multinacionais, a liberdade do com\u00e9rcio, o livre fluxo de capitais, o enfraquecimento persistente dos Estados nacionais e a ideia futurista de uma \u201csociedade mundial uniforme, harm\u00f4nica e cooperativa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Imperialismo hoje<\/strong><\/p>\n<p>Um primeiro momento deste novo per\u00edodo foi a crescente interdepend\u00eancia entre os pa\u00edses e a constitui\u00e7\u00e3o de blocos econ\u00f4micos regionais (UE, MERCOSUL, NAFTA, ASEAN). Nos anos 90, emergiu com for\u00e7a a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), que arbitrava entre as na\u00e7\u00f5es enquanto impulsionava um com\u00e9rcio sem obst\u00e1culos. Por\u00e9m agora, \u00e9 a mesma OMC que est\u00e1 se convertendo em um obst\u00e1culo para um capitalismo voraz, que regressou a certas formas primitivas, a chamada acumula\u00e7\u00e3o por espolia\u00e7\u00e3o (de territ\u00f3rios, de saberes originais, de recursos estrat\u00e9gicos, de espa\u00e7os e servi\u00e7os p\u00fablicos, de conquistas trabalhistas).<\/p>\n<p>O desenvolvimento desta l\u00f3gica capitalista n\u00e3o reconhece fronteiras nem territ\u00f3rios, tenta fomentar um espa\u00e7o planet\u00e1rio mercantil, homog\u00eaneo e sem barreiras, sustentado pela suposta concorr\u00eancia perfeita de uma economia mundial sem regula\u00e7\u00f5es e pelo individualismo de uma sociedade global. Isto est\u00e1 inscrito nos tratados de livre com\u00e9rcio que, impulsionados pelas multinacionais e pelos estados centrais, cobraram novos brios, e n\u00e3o casualmente est\u00e3o negociando hoje em escala mundial (TPP, TTIP, TISA, UE-Mercosul).<\/p>\n<p><strong>Impacto pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Como h\u00e1 cem anos, as pol\u00edticas de austeridade, o desemprego estrutural, a destrui\u00e7\u00e3o de for\u00e7as produtivas e as confronta\u00e7\u00f5es b\u00e9licas s\u00e3o a mostra da decad\u00eancia do sistema.<\/p>\n<p>Neste novo per\u00edodo, o imperialismo concentra, centraliza e torna homog\u00eaneo por cima ao mesmo tempo em que divide, fragmenta e torna heterog\u00eaneo por baixo. N\u00e3o elimina a ordem das domina\u00e7\u00f5es estatais, mas as sobrep\u00f5em. Por cima, \u00e9 muito mais multipolar e o car\u00e1ter transnacional das corpora\u00e7\u00f5es \u00e9 maior do que era, por\u00e9m continuam referenciando-se na pot\u00eancia militar e econ\u00f4mica dos pa\u00edses centrais. Por baixo, a resposta se estrutura em uma multiplicidade de movimentos sociais que expressam um conjunto diversificado de subjetividades, por\u00e9m muitas delas n\u00e3o visam ter determina\u00e7\u00f5es de classe, portanto, correm o risco de serem reabsorvidas pela l\u00f3gica do capital.<\/p>\n<p>Dentro do imperialismo, a hierarquiza\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje mais complexa. Os EUA continuam sendo uma superpot\u00eancia, enquanto \u00e9 not\u00e1vel o fracasso do imperialismo europeu e se verifica a ascens\u00e3o de protoimperialismos (China, R\u00fassia) e subimperialismos (Brasil).<\/p>\n<p>Existe, ent\u00e3o, uma contradi\u00e7\u00e3o estrutural que o percorre integralmente, uma acumula\u00e7\u00e3o mundializada e sua territorializa\u00e7\u00e3o estatal, o que traz consigo uma instabilidade geopol\u00edtica permanente que se expressa nas disputas entre pot\u00eancias pelas zonas de influ\u00eancia, pelos fluxos comerciais, pelo controle dos territ\u00f3rios e pela multiplicidade de guerras localizadas.<\/p>\n<p>Compreender estas novas tend\u00eancias que definem o imperialismo atualmente e medem seu impacto social e pol\u00edtico, \u00e9 uma necessidade imprescind\u00edvel para avan\u00e7ar na transforma\u00e7\u00e3o de um sistema cada vez mais imoral e desumano.<\/p>\n<p><em>Eduardo Lucita, Integrante do coletivo EDI (Economistas de Izquierda).<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Texto completo en: <a href=\"http:\/\/www.lahaine.org\/cien-anos-de-imperialismo-fase\">http:\/\/www.lahaine.org\/cien-anos-de-imperialismo-fase<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Hoje as evid\u00eancias indicam que se estaria em uma nova fase dentro do que a partir do panfleto de Lenin se conheceria como \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11306\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-11306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Wm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11306\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}