{"id":11333,"date":"2016-06-09T18:40:29","date_gmt":"2016-06-09T21:40:29","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=11333"},"modified":"2016-06-30T16:05:15","modified_gmt":"2016-06-30T19:05:15","slug":"alerta-para-o-perigo-de-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11333","title":{"rendered":"Alerta para o perigo de guerra mundial"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/Frederico_gama_Carvalho3.jpg?w=747\" alt=\"\" \/>Frederico Carvalho*<\/p>\n<p>Se, como \u00e9 sabido, o vencedor de uma guerra nuclear n\u00e3o lhe sobreviver\u00e1, por que raz\u00f5es t\u00eam os Estados Unidos da Am\u00e9rica um programa de \u00abrevitaliza\u00e7\u00e3o at\u00f3mica\u00bb em curso?<\/p>\n<p>Frederico de Carvalho diz-nos que a raz\u00e3o primeira da contradi\u00e7\u00e3o enunciada acima est\u00e1 na \u00abnecessidade de os Estados Unidos \u201csuprimirem toda a amea\u00e7a potencial de outras na\u00e7\u00f5es e <!--more--><\/p>\n<p>impedir qualquer outra na\u00e7\u00e3o de ascender \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de superpot\u00eancia.\u201d\u00bb<\/p>\n<p>\u00abE a verdade \u00e9 que qualquer pa\u00eds que prossiga uma pol\u00edtica externa independente \u00e9 um poss\u00edvel candidato \u00e0 categoria de \u201cpot\u00eancia hostil\u201d\u00bb\u2026<\/p>\n<p>No discurso de despedida de Dwight Eisenhower ao povo americano, em 1961, o presidente alertava para a nova realidade da \u00abexist\u00eancia de um imenso complexo militar e uma poderosa ind\u00fastria de armamentos\u00bb na Am\u00e9rica. Acrescentava que os Estados Unidos \u00abdespendiam com a seguran\u00e7a militar mais do que os resultados l\u00edquidos de todas as corpora\u00e7\u00f5es dos EUA\u00bb.<\/p>\n<p>Sublinhava a necessidade de \u00abentender (\u2026) as graves implica\u00e7\u00f5es\u00bb dessa realidade na pr\u00f3pria estrutura da sociedade norte-americana, e fazia notar que os c\u00edrculos governantes \u201ct\u00eam que se precaver contra o crescimento de uma influ\u00eancia injustificada, deliberada ou n\u00e3o, do complexo militar-industrial.<\/p>\n<p>Os riscos de um potencial crescimento desastroso s\u00e3o reais e persistir\u00e3o\u00bb. O controlo avassalador dos media pelos c\u00edrculos de interesses dominantes, particularmente eficaz na maioria dos estados mais poderosos, impede o cidad\u00e3o comum de ter uma percep\u00e7\u00e3o correcta da dimens\u00e3o dos perigos que pendem sobre o futuro da humanidade nestes dias em que o mundo assiste a uma nova corrida aos armamentos.<\/p>\n<p>O complexo militar-industrial \u00e9 em si mesmo, neste contexto, uma for\u00e7a impulsora poderosa j\u00e1 que se d\u00e1 naturalmente bem num ambiente de conflito permanente, vendendo os seus produtos a amigos e inimigos com igual boa consci\u00eancia. Entretanto, o investimento mais lucrativo requere a identifica\u00e7\u00e3o de um inimigo poderoso. No mundo multipolar dos nossos dias o velho poder unipolar \u2015 os Estados Unidos, autoproclamada na\u00e7\u00e3o excepcional e indispens\u00e1vel \u2015 n\u00e3o pode prosperar sem um inimigo conveniente.<\/p>\n<p>Os cinco Estados que em 2015 registaram as maiores despesas militares, foram os EUA, a China, a Ar\u00e1bia Saudita, o Reino Unido e a R\u00fassia. A despesa militar dos Estados Unidos foi, em 2015, quatro vezes superior \u00e0 da China. A despesa militar per capita foi, contudo, n\u00e3o quatro mas 17 vezes superior.<\/p>\n<p>Particularmente preocupante \u00e9 o facto de, nos anos mais recentes, as despesas militares daqueles cinco Estados terem vindo a aumentar substancialmente. Assim, armamentos convencionais e n\u00e3o convencionais t\u00eam vindo a ser objecto de um cont\u00ednuo esfor\u00e7o de melhoramento t\u00e9cnico e de desenvolvimentos inovadores. Incluem-se aqui armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva, qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas e nucleares. O programa em curso nos Estados Unidos dito de revitaliza\u00e7\u00e3o at\u00f3mica tem um custo estimado de um milh\u00e3o de milh\u00f5es de d\u00f3lares a gastar ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas. Isto deve ser visto como uma flagrante infrac\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o estipulada no Artigo VI do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear, tratado que os Estados Unidos assinaram e ratificaram, onde se diz, designadamente, que cada uma das Partes signat\u00e1rias, se compromete \u00aba prosseguir de boa-f\u00e9 negocia\u00e7\u00f5es sobre medidas efectivas com vista ao fim da corrida aos armamentos, em data pr\u00f3xima, e ao desarmamento nuclear sob controlo internacional estrito e eficaz\u00bb. Pode avaliar-se da gravidade da situa\u00e7\u00e3o se se tiver em conta que um pilar principal do referido \u00abprograma de revitaliza\u00e7\u00e3o at\u00f3mica\u00bb \u00e9 o desenvolvimento e ensaio de bombas mais inteligentes (\u00absmarter bombs\u00bb), de grande precis\u00e3o, menores dimens\u00f5es e de dif\u00edcil detec\u00e7\u00e3o em voo (\u00abstealthier\u00bb).<\/p>\n<p>Este caminho vai, de facto, p\u00f4r perigosamente em causa o n\u00edvel do chamado \u00ablimiar nuclear\u00bb (nuclear threshold), isto \u00e9, as circunst\u00e2ncias em que se considere \u00abaceit\u00e1vel\u00bb o emprego da arma nuclear num poss\u00edvel teatro de guerra ou mesmo contra alvos n\u00e3o militares.<\/p>\n<p>A abordagem focada no objectivo de fazer bombas inteligentes e mais pequenas, encontra um eco favor\u00e1vel em altas esferas pol\u00edticas e militares norte-americanas que encaram ou \u00abpensam no impens\u00e1vel\u00bb. Contemplar a eventualidade de um ataque nuclear preventivo contra uma suposta pot\u00eancia inimiga, est\u00e1 ligada \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que uma guerra nuclear pode ser ganha, que pode haver um vencedor. Este \u00e9 um erro conceptual de que enferma a posi\u00e7\u00e3o de alguns pol\u00edticos neoconservadores acerca da utiliza\u00e7\u00e3o das armas nucleares. \u00abPara que servem as armas nucleares se n\u00e3o podem ser usadas?\u00bb, perguntam. No cerne daquela que, n\u00e3o oficialmente, \u00e9 chamada \u00abdoutrina Wolfowitz\u00bb, defendida em 1992, pelo ent\u00e3o Subsecret\u00e1rio de Estado para a Defesa, Paul Wolfowitz, est\u00e1 a considera\u00e7\u00e3o da necessidade de os Estados Unidos \u00absuprimirem toda a amea\u00e7a potencial de outras na\u00e7\u00f5es e impedir qualquer outra na\u00e7\u00e3o de ascender \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de superpot\u00eancia\u00bb. Desde o fim da segunda guerra mundial, seguido do estabelecimento da NATO, os factos mostram que os EUA procuram empenhadamente criar constrangimentos ao ascenso de \u00abpot\u00eancias hostis\u00bb. E a verdade \u00e9 que qualquer pa\u00eds que prossiga uma pol\u00edtica externa independente \u00e9 um poss\u00edvel candidato \u00e0 categoria de \u00abpot\u00eancia hostil\u00bb.<\/p>\n<p>Quando, todavia, a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 dirigida para uma \u00abpot\u00eancia hostil\u00bb que possui uma capacidade nuclear de resposta, efectiva, como \u00e9 o caso da Rep\u00fablica Popular da China ou da Federa\u00e7\u00e3o Russa, aumenta o risco de ocorr\u00eancia de um incidente nuclear deliberado ou acidental que pode levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da vida no planeta, dando raz\u00e3o a s\u00e9ria preocupa\u00e7\u00e3o. Desenvolvimentos recentes no palco mundial n\u00e3o s\u00e3o de molde a fazer diminuir o alarme de todos os amantes da Paz em qualquer parte do mundo.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de cerco, por meios militares, \u00e0s que s\u00e3o consideradas as principais \u00abpot\u00eancias hostis\u00bb nos c\u00edrculos dirigentes americanos \u2015 financeiros, industriais ou pol\u00edticos \u2015 tem vindo a desenvolver-se a um ritmo acelerado. Ao mesmo tempo monta-se um cen\u00e1rio prop\u00edcio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es que possam justificar ac\u00e7\u00f5es de agress\u00e3o ditas em defesa da liberdade e da democracia, tais como a diaboliza\u00e7\u00e3o de ditadores que foram no passado abra\u00e7ados como bons amigos, ou a montagem de atentados de conveniente autoria, falsamente atribu\u00edda (os chamados \u00abfalse flag attacks\u00bb). O mundo atravessa uma fase em que se multiplicam guerras regionais com a destrui\u00e7\u00e3o massiva de estruturas materiais e pesadas perdas de vidas humanas, a fal\u00eancia de estados unit\u00e1rios e o caos, que \u00e9 terreno f\u00e9rtil para o terrorismo.<\/p>\n<p>Todos os homens e mulheres amantes da Paz t\u00eam o dever de se organizarem colectivamente para defender um futuro vi\u00e1vel para a nossa gera\u00e7\u00e3o e para as que nos sucederem, em que Paz, prosperidade, direitos humanos, democracia e justi\u00e7a, se sobreponham aos objectivos hegem\u00f3nicos de uma qualquer pot\u00eancia autoproclamada \u00abexcepcional e indispens\u00e1vel\u00bb.<\/p>\n<p>* Investigador. \u00c9 vice-presidente do Conselho Executivo da Federa\u00e7\u00e3o Mundial dos Trabalhadores Cient\u00edficos.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"STNqYu9sO5\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4039\">A despedida do PCB ao camarada Oscar Niemeyer<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4039\/embed#?secret=STNqYu9sO5\" data-secret=\"STNqYu9sO5\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;A despedida do PCB ao camarada Oscar Niemeyer&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Frederico Carvalho* Se, como \u00e9 sabido, o vencedor de uma guerra nuclear n\u00e3o lhe sobreviver\u00e1, por que raz\u00f5es t\u00eam os Estados Unidos da \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/11333\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-11333","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2WN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11333"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11333\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}