{"id":1136,"date":"2011-01-17T15:00:11","date_gmt":"2011-01-17T15:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1136"},"modified":"2011-01-17T15:00:11","modified_gmt":"2011-01-17T15:00:11","slug":"mensagem-de-fim-de-ano-das-farc-ep","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1136","title":{"rendered":"Mensagem de fim de ano das FARC-EP"},"content":{"rendered":"\n<p>Apesar da falta de solidariedade e at\u00e9 da neutralidade entre beligerantes em confronto na Col\u00f4mbia por parte de pa\u00edses vizinhos que tinham a obriga\u00e7\u00e3o de as prestar, as FARC-EP d\u00e3o diariamente provas da sua vitalidade, implanta\u00e7\u00e3o nas massas e \u00e2nimo de continuar a sua her\u00f3ica luta. Por isso, Alfonso Cano, Comandante do Estado-Maior Central das FARC-EP, diz na sua mensagem de fim de ano: \u201c\u2026enquanto n\u00e3o encontrarmos, entre todos, os caminhos da reconcilia\u00e7\u00e3o e da conviv\u00eancia democr\u00e1tica continuaremos a desenvolver intensamente a guerra de guerrilhas para resistir \u00e0 agress\u00e3o, a participar dinamicamente nas lutas pol\u00edticas e sociais e a abrir caminhos ao poder popular e \u00e0 Nova Col\u00f4mbia.\u201d<\/p>\n<p>Camaradas do Secretariado do Estado-Maior Central, Estados-Maiores dos blocos e frentes, Comandos Conjuntos, Comandantes de Companhias, Guerrilhas e Esquadras, guerrilheiras e guerrilheiros, membros das mil\u00edcias bolivarianas, Companheiros do PC3 e Movimento Bolivariano, recebam uma calorosa sauda\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, plena dos meus maiores desejos de um novo ano cheio de \u00eaxitos.<\/p>\n<p>Ao despedir-me do ano que agora termina e ao saudar 2011 envio atrav\u00e9s de todos v\u00f3s uma mensagem solid\u00e1ria aos milh\u00f5es de colombianos que nestas terras de intensas chuvas foram v\u00edtimas de inunda\u00e7\u00f5es e derrocadas, como consequ\u00eancia directa da inclemente, desmedida e irracional explora\u00e7\u00e3o capitalista das nossas riquezas naturais, do aumento incontrolado das \u00e1reas destinadas a grandes ganadeiros que aceleram a eros\u00e3o do solo p\u00e1trio e, tamb\u00e9m consequ\u00eancia da improvisa\u00e7\u00e3o, do desnorte e da corrup\u00e7\u00e3o que caracterizam a gest\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Sa\u00fado o povo que arca sobre os seus ombros o peso da crise secular da nossa sociedade, provocada pela depend\u00eancia neocolonial de Washington, pelo terrorismo do Estado, pelas estrat\u00e9gias neoliberais do regime, pela estrutura latifundi\u00e1ria dos nossos campos e pela corrup\u00e7\u00e3o que envenena as pr\u00e1ticas pol\u00edticas, paralisa o progresso e acrescenta grilhetas sociais.<\/p>\n<p>Da multiplicidade de aspectos de primeira ordem que marcar\u00e3o a Col\u00f4mbia em 2011, chamo uma aten\u00e7\u00e3o especial para dois projectos de Lei que fazem a sua tramita\u00e7\u00e3o no parlamento, relacionados, um, com a repara\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas da viol\u00eancia que sofre o pa\u00eds desde h\u00e1 62 anos, e o segundo sobre a propriedade e o usufruto da terra, temas interdependentes um do outro, duas caras da mesma moeda, vertebrais na hist\u00f3ria recente da Col\u00f4mbia, muito densos mas essenciais, quando se procura fomentar um futuro de reconcilia\u00e7\u00e3o e democracia.<\/p>\n<p>Os dois temas necessitam, e por isso devemos lutar, bases seguras e tratamento s\u00e9rios, se pretendermos contribuir verdadeiramente para a solu\u00e7\u00e3o do conflito; no primeiro, o ponto de partida deve ser o reconhecimento da responsabilidade dos partidos tradicionais e do Estado pelo come\u00e7o desta fase de confronta\u00e7\u00e3o que violentamente nos abala desde 1948, posteriormente dinamizada durante a guerra fria, com a introdu\u00e7\u00e3o da doutrina da seguran\u00e7a nacional na Col\u00f4mbia como concep\u00e7\u00e3o de Estado. Um tal reconhecimento desencadearia um vertiginoso processo de reconcilia\u00e7\u00e3o baseado na verdade.<\/p>\n<p>Quanto ao segundo, sobre uma reforma agr\u00e1ria, \u00e9 inadi\u00e1vel o regresso das terras usurpadas ao longo de todos estes anos aos seus verdadeiros donos, os colonos e camponeses, bem como a restitui\u00e7\u00e3o das terras das comunidades ind\u00edgenas e entregar as que pertencem \u00e0s comunidades negras; isto \u00e9 imperioso, mas todo o processo seria um esfor\u00e7o in\u00f3cuo se n\u00e3o se tiver como des\u00edgnio a liquida\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio que se desenvolve como um cancro.<\/p>\n<p>Segundo um estudo do Instituto Geogr\u00e1fico Agustin Codazzi e da CORPOICA do 2001, as herdades com mais de 500 hectares correspondiam a 0,4% dos propriet\u00e1rios que controlavam mais de 61,2% da superf\u00edcie agr\u00edcola, num processo de progressiva e infame concentra\u00e7\u00e3o que vem de h\u00e1 anos atr\u00e1s e que n\u00e3o p\u00e1ra.<\/p>\n<p>Uma lei de terras moderna e com vis\u00e3o estrat\u00e9gica, semeadora de paz, dever\u00e1 incluir inexoravelmente ajudas econ\u00f3micas e tecnol\u00f3gicas, facilidades de comercializa\u00e7\u00e3o, vias de comunica\u00e7\u00e3o, mas antes de mais e necessariamente, harmonizar nela o social, o territorial, o cultural, o ambiental com todas as suas considera\u00e7\u00f5es e implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estes dois projectos de Lei tem uma condicionante essencial na sua elabora\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise, discuss\u00e3o, aprova\u00e7\u00e3o, e na sua concretiza\u00e7\u00e3o devem participar como protagonistas e decisores os sectores afectados, o povo que sofreu na carne a viol\u00eancia do Estado, do paramilitarismo e do latif\u00fandio.<\/p>\n<p>Seria ilus\u00f3rio pensar que um parlamento como o actual, de t\u00e3o pesada e reconhecida heran\u00e7a narco-paramilitar, aprove mais \u00e0 frente uma lei de terras e uma repara\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas que favore\u00e7a judicialmente os sectores populares.<\/p>\n<p>Fazendo estes dois aspectos parte da raiz do conflito colombiano \u00e9 evidente que \u00e9 necess\u00e1rio um ambiente verdadeiramente democr\u00e1tico e representativo que agarre o boi pelos cornos e projecte uma solu\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes dois, outros temas exigem em 2011 a prioridade no debate nacional, como o inexor\u00e1vel desmascaramento do regime delinquente, mafioso e sipaio de \u00c1lvaro Uribe, o terrorismo do Estado, as concess\u00f5es mineiras \u00e0s grandes transnacionais, o aquecimento global, o TLC [Tratado de livre Com\u00e9rcio entre os EUA e a Col\u00f4mbia, N. do T.], a decrescente qualidade de vida dos trabalhadores colombianos sob a estrat\u00e9gia neoliberal em curso, o desemprego, a instabilidade laboral, a humilhante precaridade dos sal\u00e1rios, a corrup\u00e7\u00e3o, a reconstru\u00e7\u00e3o das habita\u00e7\u00f5es, economias e povoa\u00e7\u00f5es arrasadas pelas chuvas nestes meses, tudo isto, aspectos transversais ao debate eleitoral para autarquias e governadores.<\/p>\n<p>Em todas estas an\u00e1lises, mobiliza\u00e7\u00f5es e lutas participaremos vigorosamente com a plataforma bolivariana com farol, procurando que a unidade e organiza\u00e7\u00e3o do povo garanta as suas lutas reivindicativas, as potencie, e lhes permita ganhar confian\u00e7a na sua for\u00e7a independente, ao mesmo tempo que aprende com a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Em todas estas jornadas seremos refer\u00eancia ou protagonistas a partir da clandestinidade ou das trincheiras. N\u00e3o deixaremos um s\u00f3 instante de lutar pela solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito, pelos princ\u00edpios e pelas certezas que nos motivam, porque somos revolucion\u00e1rios, porque amamos a paz. As condi\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar a justi\u00e7a social, a democracia, a soberania e o socialismo n\u00e3o nos \u00e9 imposta pelo Estado, fomos n\u00f3s pr\u00f3prios quem a escolheu.<\/p>\n<p>Entendemos que o nosso duro quotidiano faz parte do nosso compromisso e concep\u00e7\u00e3o de vida, dos nossos ideais pol\u00edticos, da nossa \u00e9tica e convic\u00e7\u00f5es. N\u00e3o nos queixamos. Por isso, e enquanto n\u00e3o encontrarmos, entre todos, os caminhos da reconcilia\u00e7\u00e3o e da conviv\u00eancia democr\u00e1tica continuaremos a desenvolver intensamente a guerra de guerrilhas para resistir \u00e0 agress\u00e3o, a participar dinamicamente nas lutas pol\u00edticas e sociais e a abrir caminhos ao poder popular e \u00e0 Nova Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>N\u00e3o resistimos em v\u00e3o nos \u00faltimos 12 anos \u00e0 maior ofensiva imperial na Am\u00e9rica Latina contra uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria, fizemo-lo com mais raz\u00f5es, realidades sociopol\u00edticas, ideologia, moral revolucion\u00e1ria e esfor\u00e7os do que com recursos econ\u00f3micos, que \u00e9 o que d\u00f3i aos nossos detractores.<\/p>\n<p>Com a bandeira do interc\u00e2mbio i\u00e7ada, sa\u00fado a todos os prisioneiros de guerra, aos presos pol\u00edticos, a todos eles, o meu abra\u00e7o solid\u00e1rio e combativo, e a esse s\u00edmbolo da dignidade <em>fariana <\/em>[das FARC] que \u00e9 Sim\u00f3n Trinidad, extraditado por um bandido mafioso, e condenado num julgamento pol\u00edtico manipulado pelos Estados Unidos; o nosso afecto colectivo para Sim\u00f3n Trinidad, que mostrou ao mundo a solidez da moral que nos cimenta.<\/p>\n<p>Sa\u00fado as camaradas prisioneiras que enfrentam com dignidade e altivez revolucion\u00e1rias as cont\u00ednuas provoca\u00e7\u00f5es e humilha\u00e7\u00f5es a que s\u00e3o sujeitas, por n\u00e3o cederem nem \u00e1 asquerosa chantagem oficial, nem \u00e0s ofertas rasteiras de algumas ONG\u2019s de volumosos livros de cheques e pensamentos reaccion\u00e1rios. A condi\u00e7\u00e3o de guerrilheira <em>fariana<\/em>n\u00e3o tem pre\u00e7o, apenas gera compromissos, orgulho e a imensa satisfa\u00e7\u00e3o de viver de p\u00e9, com a cabe\u00e7a levantada, transbordando transpar\u00eancia e entrega na luta por uma nova sociedade.<\/p>\n<p>Sa\u00fado os familiares dos nossos presos, t\u00e3o esquecidos pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Sa\u00fado os guerrilheiros, os milicianos, os combatentes bolivarianos e os lutadores populares que recuperam dos seus ferimentos ou que ficaram mutilados ou inv\u00e1lidos pelo impacto dos sofisticados arsenais de \u00faltima tecnologia que foram aprovados pelo Direito Internacional Humanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em 2011 redobraremos as nossas actividades em todos os sentidos com a for\u00e7a que nos d\u00e3o as nossas convic\u00e7\u00f5es, com o cuidado que nos imp\u00f5e a experi\u00eancia e o enorme alento de todos os camaradas ca\u00eddos: de Manuel, Jacobo, Ra\u00fal, Iv\u00e1n e o de Jorge Brice\u00f1o, esse furac\u00e3o de verdades e compromissos revolucion\u00e1rios, esse tit\u00e3 cheio consequ\u00eancia no seu pensamento e pr\u00e1tica como combatente bolivariano.<\/p>\n<p>A todos a sauda\u00e7\u00e3o e a convocat\u00f3ria das FARC-EP para avan\u00e7armos no ano que se inicia na solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito, na justi\u00e7a social, na soberania nacional e na plena participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do povo na constru\u00e7\u00e3o do seu destino.<\/p>\n<p>\u00caxitos para 2011, um forte abra\u00e7o e at\u00e9 \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n<p><em>* Alfonso Cano \u00e9 o Comandante do Estado-Maior Central das FARC-EP<\/em><\/p>\n<p><em> <\/p>\n<p>Este texto foi divulgado pela Ag\u00eancia Bolivariana de Prensa (ABP): <a href=\"http:\/\/www.abpnoticias.com\/index.php?option=com_k2&amp;view=item&amp;id=243:mensaje-de-alfonso-cano-a-todas-las-estructuras-de-las-farc-y-al-pueblo-colombiano&amp;Itemid=69\" target=\"_blank\">www.abpnoticias.com<\/a><\/p>\n<p> <\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Gasc\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.odiario.info\/?p=1935<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nAlfonso Cano*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1136\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-1136","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-ik","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}